21 julho 2018

A resposta da resposta - Por: Emerson Monteiro


Na junção entre a razão e a felicidade, bem ali naquela forquilha, o mundo gira e nós apreciamos o movimento disso no nosso modo de viver. Cogitamos muito e realizamos pouco daquilo em que pensamos longas vezes. A mesma crise que vivem os filósofos nas suas elucubrações. Face a face com interrogações e destinos, imaginam milhões de resultados, e insistem continuar na busca feitos cães de caça que farejam as sombras do tempo sem tocar a essência do que passam numa velocidade estúpida. Neles, nesses perscrutadores do silêncio, a impaciência de provar que há lógica no Universo acaba por deixá-los ainda mais ignorantes do que outros que assim desconsideram.

Nisso, Voltaire parou seus estudos a fim de colecionar a importância real do saber diante do frechar dos dias, vez que tantas horas saber representam contrariedades e contradições em relação às perguntas que nascem das perguntas e nunca desvelam respostas à resposta. Desejo de imaginar o mundo deles, dominados no que pensam, deixa tais sábios de plantão prisioneiros das palavras e raciocínios que propiciam, porém fora das certezas que alimentavam. Seria pedir em excesso conhecer o incognoscível e andar às tontas em terra nenhuma pisada pelos pés dos humanos pensadores.

Destarte, virá ocasião quando o sábio, nessas agruras dos pensamentos, dará de cara com pessoas felizes sem que conheçam o que ele conhece, e vivem no mar de rosas das limitações que a vida lhes permite. Cumpridores, pois, dos deveres mínimos da sobrevivência, esquecem até de ignorar as lonjuras, sem, no entanto, sofrer disso qualquer inconveniência.

E o festejado filósofo francês considerava aceitar as limitações do pensamento quais, talvez, justificativa honrosa da simplicidade, que reza pelo sentimento e vive a honestidade dos dias independente de respostas e descobertas intelectuais. 

Juscelino Kubitschek e a cidade de Crato

     Sexta-feira, 19/07, à tarde tive o prazer de visitar – mais uma vez – dona Almina Arraes de Alencar Pinheiro, uma das pessoas mais estimadas na comunidade cratense. Prazer redobrado em conversar com o filho dela, Joaquim, que ali se encontrava, funcionário aposentado do Banco Central, residente em Recife, pessoa distinta, educada e equilibrada, como os demais filhos do casal César Pinheiro-Almina Arraes.

     Entre os assuntos que vieram à tona, falei sobre a figura humana do ex-Presidente da República Juscelino Kubitschek. Joaquim disse-me que quando morava em Brasília estivera duas vezes com JK. E contou-me que sobre esses encontros escrevera uma postagem para o BLOG DO CRATO. Ponderei que não fora no Blog do Crato. Pois, se tivesse sido, eu então me lembraria. Pedi a Joaquim que me enviasse essa postagem quando ele localizasse.

      Na verdade, ele postou no BLOG CARIRICATURA e me enviou – hoje pela manhã –a postagem. Mesmo sem autorização do Joaquim reproduzo aqui, no BLOG DO CRATO, o escrito dele por julgar uma coisa interessantíssima.
Armando Lopes Rafael
21-07-2018.


"Juscelino Kubitschek - Por Joaquim Pinheiro

   Texto postado recentemente pela amiga Socorro Moreira fez aflorar da memória um episódio com JK e me encorajou contá-lo no Cariricaturas. Em 1975, eu trabalhava no protocolo da Gerência de Mercado de Capitais,  do Banco Central em Brasília,  quando avistei, na fila de atendimento, o Dr. Juscelino Kubitschek de Oliveira, acompanhado por dois assessores. Na sua frente, umas 4 ou 5 pessoas, todas Office boys ou contínuos de instituições financeiras. Deixei meu birô e me dirigi até o ex-presidente JK, convidei-o a entrar e me ofereci para atendê-lo de imediato. Educadamente, recusou furar a fila, mesmo com os que estavam à sua frente insistindo em lhe ceder a vez. 

     Enquanto a fila andava, ficamos conversando. Perguntou de onde eu era, há quanto tempo estava em Brasília, e outras perguntas do gênero. Comentou que se lembrava do Crato, do aeroporto em cima da Serra do Araripe, do comício de 1955, da beleza do Vale do Cariri, etc. Contei-lhe que meu pai, eleitor de carteirinha da UDN, votou uma única vez no PSD e em JK, exatamente por conta deste comício.

     Comentei que Papai há muito procurava um LP que tivesse a música Peixe Vivo, tocada quando o então candidato chegava ao palanque. Juscelino perguntou o nome de papai, o que ele fazia e se ainda morava no Crato. Chegou sua vez, foi atendido (era apenas a entrega de um projeto), se despediu apertando a mão de todos os presentes e se retirou.

     Poucos dias depois, recebi um telefonema de uma Sra. identificando-se  como secretária do DENASA (Um banco de investimento que existia no Brasil, naquela época), no qual JK trabalhava,  e convidando-me  a ir até aquela instituição. Como ficava há menos de 100 metros  do meu local de trabalho, fui na mesma manhã. A Secretária me recebeu de forma muito simpática e pediu para aguardar um pouco, pois o “Presidente” queria falar comigo. Menos de 15 minutos depois, entrava na Sala principal da Instituição e recebia um LP autografado por ele e dedicado a meu pai. O disco hoje está comigo. Mando o oferecimento, escrito pelo ex-presidente Juscelino Kubitschek  para vocês verem".