17 julho 2018

Acalmar o mundo em mim - Por: Emerson Monteiro


Insisto nisso que ouvi tantas vezes, li tantas vezes, de que as escolas místicas orientais querem primeiro que silenciemos o pensamento. Só e depois, bem depois, imaginam fazer outras ações que correspondam à busca da real consciência. Isso mexe comigo, porquanto por mais que queira silenciar o tal pensamento, ainda não obtive êxito. Corro de um lado a outro e lá me encontro, de novo, com a intenção constante de controlar os acontecimentos através dos pensamentos e nada de concreto naquele mundo abstrato.

Se sejam religiões, ciências, literatura, providências sociais, ali paira o senso de pensar e juntar palavras, argumentos, elocubrações. Planejar que seja o mínimo, as palavras vêm à tona na maior naturalidade, qual que fossem eu invés de antes serem elas, que liberdade não têm mais invadem o meu território mental e sustentam teses e norteiam histórias mil que nem são minhas. Parar de pensar hoje equivale ao sonho de controlar o juízo, porquanto à medida que penso chegam lembranças; nelas os tempos que ficaram atrás, e as pessoas, e as emoções, e as frustrações...

Quando lembro os momentos ruins, afloram arrependimentos, contrariedades, más querenças, tristezas, vergonhas. E se, em sentido inverso, advêm lembranças boas, ora só, vêm saudades, as perdas do que sumiu e jamais outro tanto voltarão. Por isso, essa vontade insistente de dominar as palavras que formam as lembranças e os roteiros de antigamente largados nos firmamentos.

Quando quis escrever há pouco, a inspiração mostrava outro título desta página: O Deus do silêncio, ou o deus do Silêncio. Duas visões místicas a propósito do mesmo tema. Deus maiúsculo que a tudo domina, inclusive o silêncio. Ou um deus mitológico que mora nos subterrâneos da gente, e que também domina os sons e o Silêncio. Noutras palavras, um deus de mistério do ser que somos, e que de Deus tudo tem, inclusive a existência.

Assim, acalmar o mundo em mim pede silêncio na alma e no coração. Além da vontade, pois. Quanto fala o coração das vidas espalhadas em folhas secas ao vento. No brilho do Sol nas ondas que passam nessa velocidade da vida, algo conta da necessidade infinita de parar um dia e encontrar consigo nas marcas indeléveis do tempo eterno, e então falar em mim das forças da Natureza que dormem inocentes nos silêncios deste céu que pede paz e alimenta de bondade a existência de que seremos sempre instrumento e autor.

Centec presente na Expocrato

Fonte: Diário do Nordeste, 17-07-2018.
   
Crato. O Instituto Centec está presente em mais uma edição do Festival Expocrato 2018, que começou no último dia 14 e segue até o próximo domingo (22), na cidade do Crato. Será oferecida uma programação educativa gratuita, com a participação de professores, técnicos e alunos dos Centros Vocacionais Tecnológicos (CVT), Centros Vocacionais Técnicos (CVTEC) e Faculdades de Tecnologia Centec (Fatec).

Serão disponibilizados no estande do Centec diversos produtos e experimentos inovadores. A Fatec Sertão Central apresenta aos visitantes mel de abelha orgânico e condimentos saudáveis, itens preparados pelos alunos dos cursos de agronegócio e alimentos. O CVTEC Crato promoverá a degustação pratos que valorizam a tradição gastronômica caririense.

A Fatec Cariri fará a exposição e venda de itens produzidos com materiais recicláveis por alunos do curso de meio ambiente; um sistema wetlands, que trata água para reúso de forma simples e eficiente; e bancadas didáticas que demonstram o acionamento de sistemas elétricos residenciais e industriais e um sistema de correção de potência (monofásico e trifásico).

Composto orgânico
O CVTEC Barbalha fará exposição e venda de composto orgânico, peixes ornamentais, óleo de cenoura, sabonetes aromatizados, além da distribuição de mudas de hortaliças.Nesta quarta-feira (18), às 7h30, será oferecido um café da manhã sustentável para os trabalhadores da limpeza e visitantes do estande. Neste sábado (21), será distribuído um caldo gratuito, a partir das 4h, para os trabalhadores do parque.

Mais informações
Programação gratuita do Centec na Expocrato 2018
Local: Estande do Centec
Contato: (88) 3566.4048 marketing@centec.org.br

17 de julho de 1570: O Brasil ganha seus primeiros santos -- por José Luís Lira (*)


Os beatos-mártires do Brasil


   Os Mártires do Brasil compõem um grupo de 40 jovens da Companhia de Jesus (entre 20 e 30 anos), 32 portugueses e 8 espanhóis, destinados às missões no Brasil em 1570. Eram no total 2 sacerdotes, 1 diácono, 14 irmãos e 23 estudantes, liderados por Inácio de Azevedo. Durante a viagem, sua nau foi interceptada nas Ilhas Canárias por navios de huguenotes, calvinistas franceses. Ao saberem que os tripulantes eram missionários católicos, atiraram-nos ao mar a 15 de julho de 1570.

    Os missionários foram todos mortos e feridos, exceto o irmão João Sanches a quem os calvinistas guardaram para seu cozinheiro. No entanto, apareceu João Adauto, sobrinho do capitão da nau, que decidiu vestir o hábito de religioso jesuíta para o tomarem por tal (uma vez que tanto desejava pertencer à Companhia de Jesus) e acabou por ser morto pela fé junto aos restantes mártires. Todos foram lançados ao mar, uns já mortos, outros em agonia e outros ainda vivos.

    Em simultâneo com o momento do martírio, Santa Teresa de Ávila, no seu convento carmelita em Espanha, teve uma visão do martírio de Inácio de Azevedo com os seus companheiros e da sua entrada triunfal no Céu recebidos por Nossa Senhora e pelo próprio Jesus. Foram beatificados a 11 de maio de 1854 pelo Papa Pio IX. A festa litúrgica destes mártires católicos é celebrada no dia 17 de julho.

(O quadro publicado acima é da autoria de Giuseppe Baguasco (1855) e retrata uma visão que  Santa Teresa de Ávilateve na hora em que o martírio acontecia).

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(*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com mais de vinte livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.

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