11 julho 2018

Saudades mineiras do Imperador Dom Pedro II – por Armando Lopes Rafael



   É de decepção generalizada os sentimentos da nossa população com os atuais rumos   da república brasileira. A bem dizer, as "instituições republicanas" são frequentemente surrupiadas e violadas para favorecer aos interesses de alguns  grupos políticos corruptos. Um magote de larápios e incompetentes aboletou-se, nos últimos anos,  do poder através da enganação e demagogia rasteira, beneficiando-se com propinas e  desvios do dinheiro público, tudo voltado para enriquecimento ilícito, em detrimento das necessidades e direitos dos demais cidadãos brasileiros.

    Essas frustrações estão provocando uma reação inesperada: as manifestações de saudosismo da época que nossa nação era o respeitável e honrado Império do Brasil. Isso vem comprovar o que se costuma dizer há mais de cem anos: em todo republicano existe um monarquista que dorme. Li, dias atrás, uma notícia na imprensa de Belo Horizonte, dando conta de uma cerimônia para a entrega do Colar do Mérito Judiciário do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais ao Imperador Dom Pedro II.

     O Colar de Mérito é concedido, desde 1983, a pessoas e instituições, nacionais ou estrangeiras, em virtude de seu destaque na prestação de serviços relevantes à Justiça ou à cultura jurídica daquele Estado. A comenda foi outorgada, pela primeira vez,  em caráter post morten, ao Imperador Dom Pedro II, pelo fato de Sua Majestade ter assinado Decreto Imperial, em 1873, criando o Tribunal de Relação de Minas Gerais, instalado no ano seguinte. Contudo, o Imperador jamais havia sido, até os dias de hoje, oficialmente homenageado por esse ato, que originou o atual Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais.

    Uma solenidade dessas era inimaginável de acontecer numa terra que antes cultivava os ideários republicanos. E isso desde a época de Tiradentes, ou seja, desde o século XVIII.  Observadores concluíram que o ideário republicano se exaure a passos rápidos nas Minas Gerais. A corrupção está corroendo a hoje “republiqueta” brasileira. E o povo busca novas lideranças e reservas morais para tirar do atual estágio de enfermidade moral a República Federativa do Brasil.
A cerimônia foi realizada no Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Na foto, o Presidente, Desembargador Dr. Geraldo Augusto de Almeida, na condição de líder do Judiciário de Minas Gerais e Chanceler da Ordem de Mérito, entrega ao Príncipe Dom Bertrand de Orleans e Bragança a comenda outorgada post morten ao seu tetravô, o Imperador Dom Pedro II.

Pátria amada - Por: Emerson Monteiro


Diante dos oráculos e dos céus, ora me pego a lembrar de um poema de Vinícius de Morais, Pátria Minha, e nas razões do sentimento do poeta, meu Brasil, ora vejo o que fazem contigo e tripudiam? Sinto na própria carne os estragos que perfazem nas tuas carnes, nos teus amores e sonhos, lá eles os fraudadores dos destinos. Dos tantos valores positivos de que a história testemunha, de tantas lutas e resistências que apresentas perante as contradições dos humanos que aqui aportaram, insisto em te querer cada vez mais, que não tens culpa dos que te maltratam, exploram, surrupiam. Porquanto, nunca esconderei de mim o quanto planejo de ver teus filhos felizes, livres da corrupção endêmica da raça, das perversões, dos desleixos de gerações que rasgam tuas leis, destroem tuas florestas, poluem teus rios e mares, prostituem tuas mulheres, aviltam a honra das famílias; que, há séculos, traficam tuas riquezas, ferem tua honra, a dignidade dos que mourejam ao sol e derramam lágrimas e suor ao teu desenvolvimento vilipendiado. Já chega de tamanhas rapinagens. Elevemos bem alto nossos louvores e tenhamos a firmeza na sincera honestidade que saldará os teus brios e promoverá a tua vocação de liberdade e grandeza.

De certo que amarguro quando te desconsideram e criticam, a confundir os crápulas contigo. Promovem chalaças com as tuas cores de quanta beleza, e misturam os que te maltratam com o teu espírito varonil. Sacode meus brios saber que te violentam em proveito pessoal e de grupos escusos, interesseiros e perversos. Apesar das noites escuras, dia virá em toda a luminosidade dos trópicos, quando a soberana Justiça suprirá de bênçãos redentoras os que a ti querem libertar das invenções dos maus gestores e representantes e filhos ingratos, renegados. Pois bem maior há de triunfar, e hei de presenciar tamanha satisfação de viver, no coração, a pureza do meu País.

Há um Brasil vivo, pujante, na alma da tua gente, que sobreviverá a todo custo ao que ainda promovem de equívocos, e suprirá a solidão de muitos injustiçados, e oferecerá, sobranceiro, em festa, a esperança de que carece o mundo inteiro. Dentre os teus filhos existem, sim, heróis autênticos e fiéis, que sustentarão de fé e vontade os que te respeitam, Minha Pátria! E serás, enfim, livre e amada de multidões infinitas que também te amam na mesma intensidade.

Agora chamarei a amiga cotovia / E pedirei que peça ao rouxinol do dia / Que peça ao sabiá / Para levar-te presto este avigrama: / "Pátria minha, saudades de quem te ama... / Vinícius de Moraes."