07 julho 2018

A balança do querer - Por: Emerson Monteiro


Eis a base dos resultados na sequência natural dos acontecimentos. O homem põe. Deus dispõe. E a Natureza impõe. No que andar, resultados apresentam frutos do que plantamos na seara do Tempo. Isto no querer que produz, inevitáveis, as ações. Chega de longos discursos, quando o instante exige atitudes. De tanto falar, perdem sentido os palavreados à toa.

Nisso, entre a razão e a sensibilidade, mora o fiel desta balança do ser. Oportunidades mil de realizar felicidade fogem nas quebradas à medida que os ânimos ficam presos nas chances jogadas fora. Quantas e tantas oportunidades de ouro, e o querer pende noutras direções. Grandes naus, grandes tormentas. Nem era por não querer simplesmente. Era não querer a intenção ideal dos resultados a que aspirávamos. Vencer por vezes a cor do desejo de satisfazer os instintos. Caem as barreiras de contenção e vêm abaixo os sonhos de muitas ocasiões ricas perdidas que foram de amores verdadeiros. Lembro isso do passado, sobretudo na adolescência, fase que sujeita prolongar por mais tempo, o que dizem os clínicos, até que um dia termina e chega o senso.

Naquele período, os caminhos ficavam estreitos na disposição de fugir de si e se esconder longe dos silêncios reveladores. Atormentados no vão da sorte que a liberdade oferece, quais um animal selvagem, éramos espécie de donos do Universo, a promover respostas improvisadas, deduzindo que a vida logo sumiria na imensidão das ausências. Carrascos da alma, nos achávamos à beira do Infinito, e quebrar a cara, então, viraria solução.

Resultado, imensas florestas perderam a doce coerência. A outra metade da existência passaria a pagar pelos erros cometidos. Todavia, ainda que fosse de tal modo, chances hoje persistem de usufruir os raros acertos na forma de amizades, paciência, descobertas de justiça no coração e luz nas manhãs de céu aberto. 

Crônica do fim de semana (por Armando Lopes Rafael)

Políticos demagogos e corruptos: o verdadeiro ópio do povo

    Atribui-se a Karl Marx a autoria da frase:  “A religião é o ópio do povo”.  A rigor, Karl Marx insinuava que a religião conferia às pessoas felicidades artificiais e ilusórias — como o ópio para um viciado em drogas — e libertá-las daquela ilusão irreal era o rumo para construir uma nova “sociedade socialista”. Na verdade, a herança de Marx e Lenin foi a responsável pelo mais antinatural e desumano regime político que o mundo já conheceu: o comunismo. Segundo “O Livro Negro do Comunismo” mais de cem milhões de pessoas foram assassinadas para a manutenção desse regime, nos países onde o marxismo-leninismo foi instalado. Até que ele ruiu de podre a partir de 1989.

     Nos dias medíocres de hoje é a mídia televisiva quem se encarrega de criar novas ilusões, como se fossem modernos “ópio do povo”. A telinha não só faz a cabeça da população. Ela também constrói (e destrói) “mitos” políticos ao seu bel prazer. Para onde caminha o Brasil? O cenário é imprevisível e angustiante. Somos governados por grupos políticos acusados de corrupção; temos na Chefia de Estado e de Governo um presidente que detém apenas 4% de apoio da população, segundo o último levantamento CNI/Ibope. Um presidente, aliás, que foi eleito vice-presidente  –  duas vezes, em 2010 e 2014 –  na chapa lulopetista de Dilma Rousseff. E esta, quando sofreu o impeachment – previsto na Constituição e decretado pela ampla maioria do Congresso Nacional – deixou como herança para o seu vice (Temer vinha apoiando o projeto do PT desde 2002, na primeira eleição de Lula) a destruição das empresas estatais, financiadoras das propinas, além de uma situação fiscal extremamente difícil para ser administrada.

        Mas a mídia ainda dá guarida, nos seus generosos espaços, aos defensores da falaciosa tese de que o impeachment de Dilma foi um “golpe”. E trabalha para o retorno dos demagogos e corruptos ao poder, nas próximas eleições que ocorrerão dentro de três meses.

     Isso me faz lembrar um general do Exército brasileiro, Olympio Mourão Filho, que escreveu e publicou um livro (“A verdade de um Revolucionário”) no já distante 1978, onde escreveu: "Ponha-se na Presidência da República qualquer medíocre, louco ou semianalfabeto, e vinte e quatro horas depois a horda de aduladores estará à sua volta, brandindo o elogio como arma, convencendo-o de que é um gênio político e um grande homem, e de que tudo o que faz está certo. Em pouco tempo transforma-se um ignorante em um sábio, um louco em um gênio equilibrado, um primário em um estadista. E um homem nessa posição, empunhando as rédeas de um poder praticamente sem limites, embriagado pela bajulação, transforma-se num monstro perigoso".

      Vimos esse filme recentemente. E os males que os brasileiros vêm enfrentando  tem muito a ver com este personagem que dominou a cena política nos últimos dezesseis anos.


A urna de barro - Por: Emerson Monteiro


Quero aqui narrar um achado arqueológico de que fui testemunha, isto no decorrer de 196l, em Crato. À época, o DNOCS, Departamento Nacional de Obras Contra as Secas, realizava na cidade a renovação da rede de distribuição de água, melhoramento de valor exponencial ao crescimento urbano, de extensa durabilidade. Eu cursava o primeiro ano do Curso Ginasial, hoje início do Ensino Médio, no Colégio Diocesano.

Numa manhã, fomos avisados de que, na Praça da Sé, nas escavações que realizavam, fora encontrada uma igaçaba, peça que os indígenas adotaram a fim de sepultar os seus mortos. Então, logo no intervalo das aulas, juntamente com outros colegas, nos dirigimos ao local.

Os operários haviam localizado essa raridade na esquina da praça, início da Rua Senador Pompeu, defronte ao prédio onde funcionava, no primeiro pavimento, a Prefeitura Municipal, e no térreo a Delegacia e a Cadeia Pública. Vimos os restos daquele pote rústico de cerâmica, redondo, enegrecido pelo tempo de ter ficado debaixo da terra, o qual, no decorrer das escavações, se vira danificado em sua parte superior pela ação dos trabalhadores ao fazer as valas destinadas aos canos da futura instalação hidráulica.

Aqueles cacos de restaram ainda os pude avistar, noutra oportunidade, entre peças que compunham o acervo do Museu Histórico do Crato. Descoberta do passado histórico da Região, tais elementos oferecem meios, inclusive, de estudos mais acurados quanto à herança deixada pelos anteriores habitantes do lugar. Hoje, através da datação por meio de carbono, há como constatar importantes dados de pesquisa quanto às origens dos povos que viveram neste setor da Civilização.

Deveras impressionante o que vimos naquela ocasião. Chamou a atenção dos populares, que formaram grupos em volta das escavações. Ficamos admirados diante das tais relíquias históricas, e ainda hoje lembro com facilidade o momento em que isto aconteceu.

Depois da decepção da Copa do Mundo...

Começa a dança do voto
No ensaio geral para as eleições, há populistas, neófitos, profissionais. Dos mais de vinte candidatos que já se apresentaram, a maioria ficará pelo caminho

Fonte: VEJA, Por Daniel Pereira (Excertos da reportagem)

    Se a eleição fosse uma batalha de quadrilhas, os pré-­candidatos à Presidência da República não fariam feio. Há personagens que se encaixam perfeitamente no papel de noivo, de noiva, de padre, de delegado, de presidiário e, também, de figurantes. A três meses do pleito, essa abundância de postulantes ao Palácio do Planalto confunde a cabeça do eleitor. Encerrada a Copa do Mundo, começará a fase eliminatória da eleição de 2018. Pela lei, os partidos têm de realizar suas convenções e registrar seus candidatos até agosto. (...)
    Diz Mauro Paulino, diretor-geral do Datafolha: “Tanto a pulverização de candidaturas quanto a alta taxa de intenção de anular o voto ou votar em branco beneficiam os primeiros colocados nas pesquisas”. Segundo o Datafolha e o Ibope, os líderes são Lula, que reforçou o discurso de esquerda depois do impeachment de Dilma Rousseff, e o deputado Jair Bolsonaro (PSL), radical de direita. Atrás deles aparecem os ex-ministros Marina Silva (Rede) e Ciro Gomes (PDT), considerados de centro-esquerda.

    Nos cenários sem Lula, que está preso e inelegível, Bolsonaro lidera, seguido de Marina e Ciro. O candidato mais bem colocado da centro-direita é o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB), que já teve 37 milhões de votos quando disputou a Presidência em 2006 mas hoje não alcança dois dígitos nas pesquisas. Os demais expoentes dessa corrente estão em situação ainda pior e aparecem com 1%. É o caso do ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles (MDB), do empresário Flávio Rocha (PRB) e do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), cuja desistência é considerada favas contadas.

Caririensidade – por Armando Lopes Rafael



“Paisagens Culturais” do Cariri

 Paisagem do Horto, localizada em Juazeiro do Norte

    Paisagem Cultural é uma categoria de bem cultural estabelecida pela UNESCO em 1992. O conceito é definido pela interação entre o ambiente natural e as atividades humanas, onde se criam tradições, folclore, arte e outras expressões da cultura, resultando em uma paisagem natural modificada.
   A mídia brasileira dá destaque, o ano inteiro, à cultura, religiosidade e recursos naturais do Cariri. O Governo Federal – gestão de Fernando Henrique Cardoso – criou a Área de Proteção Ambiental do Araripe–APA. O governo estadual – gestão Cid Ferreira Gomes –  criou a Região Metropolitana do Cariri, onde a conurbação Crajubar progride de forma satisfatória. O Cariri, de fato, é uma região abençoada. Berço da primeira Floresta Nacional do Brasil, aqui a natureza reúne flora e fauna, cenários deslumbrantes que bem poderia ser tombados como “Paisagens Culturais”, nos moldes da UNESCO. Falta visão aos nossos gestores municipais para incrementar tão salutar medida.

Caldeirão Cultural
     Foi muito feliz o dramaturgo Oswald Barroso quando escreveu: “O Cariri não é apenas uma região privilegiada, é uma espécie de caldeirão cultural. Os vários Nordestes, o sertão, o da mata, o do agreste, o da praia, o da serra, com suas diferentes culturas, estão reunidos no Cariri. Nele se pode encontrar marcas da cultura ibérica medieval, com seus acentuados traços mourísticos; da cultura negro-africana, com suas danças e batucadas; da cultura ameríndia, com sua magia anímica, caldeada com elementos modernos das mais diferentes”.

História: De Brejo Grande à Santana do Cariri


 Imagem de madeira de Senhora Santana, mãe da Virgem Maria, Padroeira de Santana do Cariri

    Foi chamado primitivamente de Brejo Grande e era habitado pela tribo Buxixés, que dominavam, além da Chapada do Araripe. No reinado de Dom João VI, Santana do Brejo Grande, já tinha um núcleo populacional considerável, o que – segundo Miliet de Saint Adolphe – no seu Dicionário Geográfico, Histórico e Descritivo do Império do Brasil, editado em Paris em 1845) – estava a exigir a instalação da Justiça Real. Foi elevada à categoria de Vila em 25 de novembro de 1885 – Lei Provincial nº 2.096 – sendo instalada apenas em 11 de janeiro de 1887. Em 1938 passou a ser município com o nome de Santanópole, mudado depois para Santana do Cariri.

Santana do Cariri, Capital Cearense da Paleontologia
     No governo do Dr. Lúcio Alcântara (2003-2006), a cidade de Santana do Cariri – onde fica a sede do Museu de Paleontologia da URCA – foi reconhecida, através de decreto governamental, como a “Capital Cearense da Paleontologia”. Dos principais fósseis encontrados no entorno da Chapada (escavações realizadas já revelaram 350 exemplares de pterossauros de 19 espécies diferentes, sem falar de outros fósseis de animais e vegetais) o Museu de Santana do Cariri guarda excelentes exemplares. O Museu tornou-se referência turística do Sul do Ceará, oferecendo visitas guiadas a estudantes e turistas. Além de ser, também,  centro de pesquisa com laboratório, biblioteca e videoteca, e promover encontros, palestras e cursos.

Reservas paleontológicas do Cariri


    A Chapada do Araripe, de 165 Km de extensão, situada entre os estados do Ceará, Piauí e Pernambuco é caracterizada pela sua rica biodiversidade e considerada a região fossilífera mais rica do período Cretáceo, em todo o planeta. Bom esclarecer que na escala de tempo geológico, o Cretáceo ou Cretácico é o período da era Mesozoica do éon Fanerozoico que está compreendido entre 145 milhões e 66 milhões de anos atrás, aproximadamente.
     O clima árido do Cariri contribuiu para a excelente qualidade da preservação dos fósseis. Há cerca de 100 milhões de anos, no Cariri existiam pequenos lagos, ocasionalmente alimentados pela água do mar. Segundo o paleontólogo Alexandre Kellner: “A baixa concentração de oxigênio no fundo desses lagos dificultou a proliferação de bactérias, e, portanto, a decomposição da matéria orgânica” (revista Galileu, agosto de 2000).