26 junho 2018

Em setembro será lançado o livro póstumo de Manoel Patrício de Aquino (Nezinho)

   Os lançamentos de livros de autores cratenses têm sido intensos nos últimos tempos. Raríssimo é o mês que uma nova obra, produzida em Crato, não é lançada. No próximo dia 4 de setembro, numa iniciativa da esposa, filhos e netos de Manoel Patrício de Aquino (Nezinho) será lançado, na sede do Instituto Cultural do Cariri–ICC, o livro póstumo deste intelectual cratense, com o título “Alguma Coisa”.

    Constante de poemas, contas e versos, de autoria de Nezinho, a obra tem um aspecto visual de excelente qualidade. Impresso pela A Província Editora, que tem sede em Crato, o livro traz ainda outro presente: um CD com seis músicas relacionadas à Cidade de Frei Carlos, gravadas pela Banda de Música Municipal de Crato. As faixas são as seguintes: 1- Hino do Crato; 2- Valsa Maria Patrício; 3 – Hino de Nossa Senhora da Penha; 4 – Dobrado Nezim Patrício; 5 – Saudades da Minha Terra; 6 – Dobrado Huberto Cabral. O desenho do CD, que traz o pássaro Soldadinho do Araripe é de autoria de uma neta de Nezinho, Mayana.

Quem foi Manoel Patrício de Aquino
Natural de Crato, onde nasceu em 04 de setembro de 1941, Nezinho tinha graduação em Ciências Econômicas e Direito, pela Universidade Regional do Cariri. Escreveu em vários jornais e revistas do Cariri. Foi Presidente do Instituto Cultural do Cariri–ICC, por três mandatos. Faleceu em 23 de maio de 2016. Seu sepultamento foi uma consagração e reconhecimento a todas as qualidades humanas e intelectuais de que era detentor.

Uma crônica escrita por Manoel Patrício de Aquino

Pedro Cabeção

   Há  alguns anos (não muitos) viveu em Crato um mendigo chamado Pedro Cabeção. Jamais se soube o seu completo nome de batismo. Ou jamais se quis sabê-lo...

   Mas Pedro era popularíssimo. Mormente entre a criançada, a quem sempre fazia rir (em especial quando metia o dedo polegar na boca, ou o fura-bolo, comprimindo-o para, em seguida, puxa-lo de repente a fim de conseguir sons engraçados (estampidos) com que agradecia as esmolas recebidas, ou simplesmente cumprimentar as pessoas.

   Pedro andava sempre só, apoiado num velho cajado de “frei–Jorge”. Caxingando. Gemendo... Mas passava a maior parte do tempo “estacionado” numa calçada qualquer do centro da cidade, de preferência perto das esquinas ou nas proximidades da casa de Seu Mário Limaverde. Forrava o local com velhos e rotos panos e com pedaços de papelão. Tinha um banquinho de madeira, de um palmo de altura, onde, às vezes, se sentava ou expunha a desbotada lata de manteiga: seu caça-níqueis.
Apresentava, além da macrocefalia, outras bem visíveis deformações anatômicas, as quais, no entanto, não despertava a mínima curiosidade de ninguém, pois o importante mesmo era a sua enorme cabeça, que lhe valera a alcunha.

    Pois bem, meu caro leitor. O Ceará de hoje, mais do que nunca, lembra-me o miserável Pedro Cabeção. Estado pobre. Paupérrimo. Com sua enorme e disforme cabeça (Fortaleza e a Região Metropolitana) e aleijões pelo resto do sofrido corpo. Mendigando pela televisão. E o seu homem do campo caxingando, gemendo, chorando... morrendo.

Desde a promessa do último brilhante da coroa do Imperador Dom Pedro II, que seria vendido, se preciso, para que ninguém aqui passasse fome, pouca – muito pouca coisa –mudou. Quanto ao Cariri, que ninguém se engane: inobstante algumas aparências e apesar da propaganda enganosa, está perdendo, e feio a corrida do progresso. Ah! velho Pedro Cabeção, faz pena! E dá vergonha!!!