21 junho 2018

Algumas palavras III - Por: Emerson Monteiro


Este horizonte de nós mesmos vem a pedir que cheguem as cores da Felicidade. Força descomunal arrasta os acontecimentos aos lugares santos. Ninguém que fuja do determinismo das leis eternas. Ordens e equilíbrio, tudo enquanto, a fixar normas de ação nem sempre reconhecidas de todos, e aceitam pela maioria. Daí a angústia, desesperos e ansiedade que machucam de gestos impensados o gesto e fazem de sofrimento a estrada dos incautos.

Olhares vagos, pois, no caminho da Eternidade deixam livres sentimentos de leveza que, decerto, lá um dia mostrarão o quanto restava a percorrer. Esquecer a própria existência e sair solto entre os astros do Universo, a braços com a sequência natural de tudo. Largar as amarras que prendiam aos derradeiros meteoritos vagando na gravidade do vento, olhos fixos no término daquilo que jamais terá fim, a ordem dos céus. Ouvidos na música das estrelas, a meio das inspirações que voam absortas no firmamento infinito, e permitir sonhar sonhos de esperança e paz. Luz no coração. Ciência na alma.

Quantas vezes tantas o desejo intenso de largar os rochedos e abandonar às ondas o furor da liberdade, guardadas saudades, esquecidas as histórias de quando o Sol ainda jazia escuro nas trevas e os barcos a sós deixavam rastros nas notas das canções. Flores. Distantes laços deixados abandonados. Sombras. Luzes.

Nisso, o pórtico aberto dos destinos que aguarda a vontade dos que permitem descobrir a si na forma da obediência. Livres dos caprichos individuais e das atitudes abomináveis, reconhecem nas horas a força que tudo determina. Quedam, assim, nas folhas secas das experiências o fascínio dos acontecimentos e aceitam tudo de bom que lhes espera, à medida do conhecimento adquirido e praticado. Acalmam os penhores da força bruta e aceitam de bom grado desvendar o íntimo perfeito da orientação. Isto sem aflição, fiel e contrito, sono dos justos.

Crato, 254 anos -- síntese histórica (por Armando Lopes Rafael)


   
Por volta de 1741, surgem os primeiros registros de um aldeamento dos índios Cariús, pertencentes ao grupo silvícola Cariri. Era a Missão do Miranda, fundada por Frei Carlos Maria de Ferrara, religioso franciscano, nascido na Itália. Este frade ergueu, no centro da Missão, uma humilde capelinha de taipa (paredes feitas de barro) coberta com folhas de palmeiras, árvores abundantes na região. O santuário foi dedicado, de maneira especial, a Nossa Senhora da Penha, a São Fidelis de Sigmaringa e à Santíssima Trindade. Em volta da capelinha, ficavam as palhoças dos índios. Estes, além de cuidarem das plantações rudimentares, recebiam os incipientes ensinamentos da fé católica, ministrados por Frei Carlos. Aos poucos, nas imediações da Missão, elementos brancos foram construindo suas casas. Era o início da atual cidade do Crato. Não padece dúvidas de que o fundador do Crato foi o Frei Carlos Maria de Ferrara.

 Vila Real do Crato
Em 21 de junho de 1764, a Missão do Miranda foi elevada à categoria de Vila, tendo seu nome mudado para Vila Real do Crato, em homenagem à homônima existente no Alentejo português. Com isso se cumpria o Aviso de 17 de junho de 1762, dirigido pela Secretaria dos Negócios Ultramarinos ao Governador de Pernambuco. Mencionado aviso autorizava o governador a criar novas vilas no Ceará, recomendando, entretanto, substituir a denominação dos povoados com nomes de localidades existentes em Portugal. A partir daí, a Vila Real do Crato foi trilhando a senda do processo civilizatório, sempre inspirado no que vinha de bom do Reino, ou seja, do que chegava da metrópole portuguesa. A marca do pioneirismo passaria a caracterizar a existência do Crato, como veremos nas linhas seguintes.

Anseios libertários
No primeiro quartel do século XIX, a Vila do Crato já se sobressaía entre as congêneres interioranas do Nordeste brasileiro. Residiam na vila, ou nas suas adjacências, famílias abastadas, possuidoras de patrimônio amealhado quase sempre, à custa das fainas agrícolas. Alguns jovens dessas famílias tinham o privilégio de aperfeiçoar seus conhecimentos em escolas da longínqua capital da Província de Pernambuco. Para lá se deslocavam, em longas e penosas viagens que duravam semanas. Sempre feitas em lombo de animais. Alguns desses estudantes retornavam ao torrão natal impregnados de ideias libertárias, assimiladas nas sociedades secretas, existentes em Olinda e Recife. Sonhavam esses jovens com um Brasil independente da metrópole portuguesa. Alguns iam mais longe. Acalentavam o sonho de mudar a forma de governo, substituindo - num eventual Brasil soberano - a monarquia pela experiência republicana já testada nos Estados Unidos da América e França.

Esses sonhos libertários resultaram no primeiro confronto ideológico ocorrido no Cariri. Os liberais eram liderados pelo subdiácono José Martiniano de Alencar, estudante do Seminário de Olinda e adepto dos princípios republicanos e laicos da Revolução Francesa de 1789. Foi este jovem enviado pelos líderes da Revolução Pernambucana de 1817, para deflagrar o processo revolucionário no conservador Vale do Cariri. Num gesto audaz e corajoso, no dia 3 de maio de 1817, José Martiniano de Alencar proclamou do púlpito da Matriz do Crato a independência do Brasil, sob o regime republicano.

A contrarrevolução veio rápida. Oito dias depois, Leandro Bezerra Monteiro, o mais importante proprietário rural do Cariri, dotado de profundas e arraigadas convicções católicas e monarquistas, pôs termo ao sonho do jovem José Martiniano de Alencar. Os revolucionários foram presos e enviados para as masmorras de Fortaleza e posteriormente para as de Salvador, na Bahia. Entre os prisioneiros estavam Tristão Gonçalves de Alencar Araripe e Dona Bárbara de Alencar, irmão e mãe de José Martiniano. Após sofrerem as agruras das prisões, por cerca de quatro anos, os revolucionários cratenses foram anistiados pela autoridade real. Por sua lealdade à Monarquia, Leandro Bezerra Monteiro, foi agraciado, pelo Imperador Dom Pedro I, com o posto de Brigadeiro, o primeiro título de General-Honorário a ser concedido no Brasil.

Um herói chamado Tristão
Em 1824, eclode nova revolução republicana em Pernambuco denominada "Confederação do Equador". Este movimento uniu algumas lideranças das províncias de Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte, descontentes com a Constituição outorgada pelo primeiro imperador brasileiro, Dom Pedro I. O movimento repercute intensamente no Crato. Tristão Gonçalves de Alencar Araripe aderiu, com todo entusiasmo e idealismo, à Confederação do Equador. Em 26 de agosto daquele ano, foi ele aclamado pelos rebeldes republicanos como Presidente do Ceará. Entretanto a reação do Governo Imperial foi implacável. As instruções para debelar o movimento eram assim sintetizadas: "(...) não admitir concessão ou capitulação, pois a rebeldes não se deve dar quartel". Debelado o movimento restou a Tristão Araripe duas alternativas: exilar-se no exterior ou morrer lutando. Escolheu a última opção.

Nas suas pelejas, Tristão colecionou vários inimigos. Dentre eles um rancoroso proprietário rural, José Leão da Cunha Pereira. Este utilizou um seu capanga, Venceslau Alves de Almeida, para pôr fim à vida do herói da Confederação do Equador no Ceará. Tristão Araripe faleceu, em 31 de outubro de 1825, combatendo o grupo armado de José Leão, na localidade de Santa Rosa, hoje inundada pelas águas do Açude Castanhão. Morreu como queria: pelejando, graças a Deus!

O mártir da monarquia
O Cariri continuou, durante algum tempo, dividido entre simpatizantes da ideologia republicana e adeptos da Monarquia. O confronto dessas ideias foi motivo de contendas as mais variadas. Joaquim Pinto Madeira era o que poderíamos chamar de "caudilho". Rico proprietário rural e chefe político da Vila de Jardim era por índole um afeiçoado às coisas da Monarquia. Foi fundador da sociedade secreta "Trono do Altar", que defendia a monarquia absoluta. Lutou ele, ativamente, contra os promotores dos movimentos libertário-republicanos da Revolução Pernambucana de 1817 e da Confederação do Equador de 1824. Após a derrota da família Alencar, em 1817, coube a Pinto Madeira, à época ocupando o posto de Capitão de Ordenança, conduzir até a cidade de Icó os 20 malogrados presos políticos. Provavelmente, durante o percurso, esses prisioneiros sofreram humilhações por parte do caudilho. O que era esperado, face ao temperamento belicoso de Pinto Madeira.

Em 1831 o imperador Dom Pedro I abdica do trono brasileiro e volta para Portugal, onde toma o nome de Dom Pedro IV. Os adversários de Pinto Madeira aproveitaram esse acontecimento para dele se vingar. Acuado, o caudilho, com a ajuda do vigário de Jardim, Padre Antônio Manuel de Sousa, armou cerca de dois mil homens, a maioria com rudimentares espingardas, e invadiu o Crato, em 1832, para dar caça aos seus inimigos liberais. Dizem que de tanto abençoar as espingardas dos jagunços e, na falta destas, dar bênçãos a cacetes (pequenos bastões de madeira) o Padre Antônio Manuel de Sousa ficou conhecido como "Padre Benze-Cacetes". 

Pinto Madeira e o Vigário Manuel foram vitoriosos no Crato, mas logo começaram a sofrer reveses. Terminaram por se render ao General Pedro Labatut, um mercenário francês que atuava no Brasil, desde as lutas pela independência. Presos, ambos foram enviados para Recife e depois para o Maranhão. Pinto Madeira retornou preso ao Crato, em 1834, onde, num júri parcial - composto por antigos inimigos seus - foi condenado à forca, sentença posteriormente comutada para fuzilamento, em face de o réu ter alegado sua patente militar de Coronel.

"Morreu virilmente Pinto Madeira. Conta a tradição, ouvida por mim desde menino, que momentos antes do fuzilamento, ofereceu-lhe um lenço, para que vedasse os olhos, um dos seus mais implacáveis inimigos. Recusou o condenado a oferta (...) Durante anos a fio, fez-lhe promessas o rude povo do sertão, considerando-o um mártir, isto é um santo?".
(Cfe.Irineu Pinheiro, "Joaquim Pinto Madeira" Imprensa Oficial do Ceará. Fortaleza, 1946, página 21).

 Um sonho não concretizado: Crato capital do Cariri
Já em 1828, a Câmara de Vereadores do Crato encaminhava representação ao Governo mostrando a oportunidade de criação da Província do Cariri Novo. Não foi atendida nessa pretensão. A ideia voltou à tona, em 14 de agosto de 1839, quando o senador José Martiniano de Alencar, do Partido Liberal, apresentava no Senado do Império do Brasil projeto de lei cujo artigo 1º dizia textualmente: "Fica criada uma nova província que se denominará Província do Cariri Novo, cuja capital será a Vila do Crato".
Os demais artigos desse projeto de lei tratavam sobre os limites geográficos da nova unidade do Império do Brasil que incluíam municípios do sul do Ceará e os limítrofes das Províncias da Paraíba, Pernambuco e Piauí. Com a ascensão do Partido Conservador ao poder, o projeto de lei não prosperou. Anos depois, através do jornal "Diário do Rio de Janeiro", voltava o senador Martiniano de Alencar a defender sua ideia de criação da Província do Cariri. Tudo ficou só num sonho.

O pioneirismo do Crato
As brigas fratricidas ficam para trás. Em 1855, a 7 de julho, é fundado no Crato o primeiro jornal do interior do Ceará. Trata-se do semanário "O Araripe" cujo proprietário é o jornalista João Brígido dos Santos, ligado ao Partido Liberal. No último quartel do século XIX, a população do Crato já não se ocupa das brigas políticas. A sociedade cratense volta suas vistas para conquistas no campo da educação que perduram até os dias atuais. Em 1874, o primeiro bispo do Ceará, Dom Luiz Antônio dos Santos, atendendo à sugestão de um filho do Crato, Padre Cícero Romão Batista, fixa residência temporária nesta cidade, com o objetivo de construir um Seminário, a funcionar como um suplementar do Seminário Episcopal, existente na sede da diocese, Fortaleza, distante cerca de 600 Km do Cariri. Em 1º de março de 1875, ainda de forma precária, o Seminário São José do Crato é colocado em funcionamento.

Em 8 de dezembro de 1908, o vigário Pe. Quintino Rodrigues de Oliveira e Silva, convoca as autoridades e lideranças da cidade, com o objetivo de solicitar ao Bispo do Ceará encaminhar a Santa Sé o pedido de criação da diocese do Crato. É formada uma comissão com as lideranças e os notáveis da terra para os trabalhos preparatórios da nova diocese.

Em 20 de outubro de 1914, o Papa Bento XV, através da Bula "Catholicae Ecclesiae", cria a diocese do Crato, a primeira do interior do Ceará. Em 10 de março de 1915, o vigário Quintino é preconizado primeiro bispo da nova igreja particular. A partir de então, diversas iniciativas da Diocese do Crato são responsáveis pelo surto de progresso sentido na cidade. Uma delas a criação, em 1921, da primeira instituição de crédito do Sul do Ceará, o Banco do Cariri, que presta grandes benefícios ao comércio e à lavoura da região.

Em 1922, Dom Quintino torna-se o pioneiro do ensino superior, no interior do Ceará, porquanto dota o Seminário São José de Curso Teológico. Este, subdividido em Curso de Filosofia, feito em dois anos, e Curso de Teologia, em quatro anos, proporciona ao novo presbítero receber no Crato a licenciatura plena. Dom Quintino planta, assim, a semente germinativa da Faculdade de Filosofia do Crato (criada em 1959) que foi, por sua vez, o embrião da atual Universidade Regional do Cariri (URCA), criada em 1986. Esta universidade leva a instrução superior in loco à vasta área do Estado do Ceará. E recebe no Crato alunos residentes nos Estados do Piauí, Paraíba e Pernambuco. Hoje, o Crato é um dos mais importantes polos do ensino universitário, no Nordeste brasileiro.

Encerremos com outro registro. Em 1946, há mais de sessenta anos, quando não se fala em ecologia ou biodiversidade, o Crato é palco de nova ação pioneira. Através do Decreto n° 9.226 de 02 de maio de 1946, o Governo Federal cria a primeira reserva florestal do Brasil. Trata-se da Floresta Nacional do Araripe, que tem boa parte da sua reserva encravada no Município do Crato. Constituída por mata primária, clima ameno, além de possuir boa variedade de fauna e flora nativas, fontes naturais, pequenas grutas e fósseis, a Floresta Nacional do Araripe vem permitindo a pesquisa científica, recreação e lazer, educação ambiental, manejo florestal sustentável e turismo.
É o Crato pioneiro. Sempre à frente dos acontecimentos futuros...

Texto: Armando Lopes Rafael , historiador.

Após prender contrabandista, Colômbia devolve sete fósseis do Cariri para o Brasil

Fonte: "Folha de S.Paulo", 21-06-2018.

Sete fósseis que fazem parte do patrimônio arqueológico brasileiro, oriundos da região do Cariri, no Ceará,  foram devolvidos nesta quarta-feira (20) pelo governo da Colômbia, após este país ter preso, no ano passado, um contrabandista, informou o Ministério das Relações Exteriores colombiano.

"As peças paleontológicas fazem parte da Formação Santana, localizada na região Nordeste do Brasil, e sua restituição tem uma importante conotação científica para o estudo dos seres vivos que habitaram o atual continente sul-americano, quando ainda não havia sido separado por cheio de África", afirmou a chancelaria em um comunicado. Os fósseis foram confiscados em dezembro de 2017 de um cidadão coreano na cidade de Cúcuta, na fronteira com a Venezuela, informou a polícia alfandegária encarregada da investigação à agência AFP.
Fósseis pertencentes à Formação Santana, do Geopark Araripe, no sul do Ceará, que foram devolvidos ao Brasil pelo Colômbia, após este país ter prendido um contrabandista - AFP

As autoridades colombianas detectaram ossos escondidos em pedaços de papelão nas malas do contrabandista, que entrara no país por via aérea pela Venezuela e pretendia levar os fósseis para os Estados Unidos. Depois de realizar as verificações correspondentes com o serviço geológico, a chancelaria concordou com as contrapartes brasileiras no retorno dos fósseis. Durante a entrega dos artefatos paleontológicos, as autoridades colombianas também apresentaram o crânio do "Callawayasaurus colombiensis", que permaneceu na Universidade da Califórnia, em Berkeley (EUA), por mais de 50 anos, e que, em março, foi devolvido voluntariamente por essa instituição para a Colômbia, com a colaboração da embaixada dos Estados Unidos.

A saída de fósseis do Brasil sem autorização do governo é proibida desde 1942. Mesmo depois de tanto tempo, a remessa ilegal de riquezas pré-históricas ainda é intensa.O local mais visado pelos contrabandistas de fósseis no Brasil é o Geopark Araripe, com sede em Crato,Ceará, onde se encontram fósseis muito bem conservados, inclusive contendo tecidos moles e padrões de cores originais.

Carta a Jesus -- por Dom Fernando Arêas Rifan (*)

                                                                                                                                                                 
       
Nos tempos atuais, onde impera a intolerância, o espírito de crítica, a ausência de respeito e caridade, aliados à falta de fé, podemos usar um pouco a imaginação para refletir.

            CARTA A JESUS DE NAZARÉ
Jerusalém, ano 30. “Quem lhe escreve é um discípulo e ouvinte assíduo seu, para reclamar de algumas coisas, com as quais não concordo, e não só eu, como vários dos meus amigos, seus discípulos”.
            “Como é que o Sr., sendo o Filho de Deus, onisciente e onipotente, pôde convocar tais pessoas para serem seus Apóstolos, fundamentos da sua Igreja!? Como é que Sr. escolhe esse tal de Simão, homem ignorante, fogoso, inconstante, inconfiável, e ainda lhe faz ser o fundamento da sua Igreja, entregando-lhe as suas chaves?! Como é que o Sr. escolhe Tiago e João, dois gananciosos, ambiciosos dos primeiros lugares e temperamentais, por isso mesmo apelidados de ‘filhos do trovão’, além do fato de João ser imaturo?! E como é que o Sr. convida um tal de Tomé, um questionador, que tem tendência a discutir ordens, disposto a ausências injustificadas, para segui-lo e ser seu Apóstolo da Fé? E Simão, o zelote, ligado a ambientes radicais e extremistas?! E Natanael, um desbocado e desrespeitoso?! E Levi, um financista?!”

            “Pior! Como o Sr. escolhe um tal de Judas Iscariotes, que todos sabemos ser amante do dinheiro, ladrão e, ainda por cima, lhe confia a tesouraria dos Apóstolos [Jo 12, 6], podendo assim desviar o nosso dízimo e ofertas para finalidades escusas?! Estou mesmo fazendo uma campanha entre meus amigos para não mais colaborarmos com a bolsa dos Apóstolos!”

            “Como é que, sabendo de tudo isso, como eles são, o Sr. ainda diz a eles: ‘Quem vos ouve a mim ouve, quem vos despreza a mim despreza’?! Nós amamos e ouvimos o Sr., mas a esses!? Como ouvi-los?! Como não os desprezar? Eles não nos representam!”

             “E tem mais. Como é que o Sr. se mistura com os pecadores e até toma refeição com eles, comprometendo assim sua reputação e a nossa, seus discípulos? “Por que o Sr. permite tantos pecadores em nosso meio? Já imaginamos como será a sua Igreja no futuro!”
            “Francamente!!! Sentimos o nosso dever de resistir a essa iniquidade! Non possumus!”

            RESPOSTA DE JESUS

“Os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, e vossos caminhos não são os meus!” (Is 55, 8). “Os sãos não precisam de médico, mas os enfermos; eu não vim chamar os justos, mas os pecadores” (Mc 2, 17). “Com o mesmo julgamento com que julgardes os outros sereis julgados; e a mesma medida que usardes para os outros servirá para vós. Por que observas o cisco no olho do teu irmão e não reparas na trave que está no tem próprio olho? (Mt 7, 2-4). “Ai de vós,... hipócritas,,... filtrais o mosquito, mas engolis o camelo” (Mt 23, 23). “Os publicanos e as prostitutas vos precederão no Reino de Deus” (Mt 21, 31). “Deixai crescer o joio e o trigo até à colheita” (Mt 13, 30). “O Reino dos Céus (a minha Igreja) é semelhante a uma rede lançada ao mar e que pegou peixes de todo tipo... No fim do mundo, os anjos virão para separar os maus dos justos” (Mt 13, 47-50).

(*) Dom Fernando Arêas Rifan, Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney