18 junho 2018

Aprovação do aborto na Argentina: Brasil põe a barba de molho – por Armando Lopes Rafael


       Impactado pelo fato de a Câmara dos Deputados da Argentina ter aprovado a descriminalização do aborto, aqui no Brasil, nesta 3ª feira, 19 de julho de 2018, será feita, em Brasília, a11ª Marcha Nacional da Cidadania pela Vida. Trata-se de uma manifestação realizada pelo movimento Brasil sem Aborto

       Os manifestantes pressionarão deputados a aprovarem o Estatuto do Nascituro (PL 478/2007), que proíbe o aborto sob quaisquer circunstâncias, inclusive em caso de estupro.
      Alguém poderá objetar: E precisa dessa manifestação?
    Pouca gente sabe que o PSOL – partido da “esquerdona” radical – vem questionando a constitucionalidade de artigos do Código Penal que preveem pena de prisão para as mulheres que cometerem aborto nos casos não autorizados pela lei brasileira. Atualmente, no Brasil, o aborto só é permitido em caso de estupro, fetos anencéfalos ou para salvar a vida da gestante. O texto está tramitando no congresso Nacional. E será debatido nos dias 3 e 6 de agosto próximo, em audiência convocada pela ministra do Supremo Tribunal Federal, Rosa Weber.
      Esses debates deverão auxiliar a ministra na elaboração do seu voto sobre a questão, ainda sem data marcada para julgamento. O fato é que teremos muitas manifestações de ativistas contra e a favor da liberação do aborto. Aliás, dois candidatos à Presidência da República, nestas eleições do próximo mês de outubro, já declararam – em reuniões privadas – serem favoráveis à descriminalização do aborto: Ciro Gomes, do PDT (conforme vídeo que circula nas redes sociais) e Guilherme Boulos, líder do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) candidato do PSOL.
      Muita água ainda vai correr debaixo da ponte neste 2018...

Sucatas humanas - Por: Emerson Monteiro


E seres tão parecidos... Tão iguais... Iguais? No entanto nunca foram de distância tamanha, porquanto nos livros antigos eram bem menos os habitantes da Terra. Uns, cheios de ladrilhos e flores; outros, bactérias de beira de esgoto, debaixo das pontes largados fora, quais inúteis, enferrujados, extremas de uso, desiguais. Os velhos humanos, os homens-objeto desta era de tecnologia inigualável, exatidão matemática da produção meticulosa e farta, porém fouxa na fé, insegura na sinceridade; monturos de lama na moral e nos costumes; de ética impossível, improvável na correlação de forças da imperfeição desvairada. Eles, nós, mais uma vez, ais dos apocalipses em elaboração, apenas baixamos a cabeça e seguimos os apetites da sorte.

Indignação de quando vemos o abismo que circula as histórias narradas com indiferença. Vemos as pobres alimárias voltadas adentro e esquecidas do final que lhes aguarda; do jeito que aguarda os que são atirados nos campos abandonados lá longe. As limitações dos tais valores morais que praticamente sumiram nas curvas das doutrinas. Fusão de necessidades com o egoísmo, os homens deste momento, salvas raras exceções, trabalham no sentido das vaidades e dos apegos. Desejo pelo desejo. Prazer pelo prazer. Ilusão pela ilusão. Máquinas de angariar sobrevivência a todo custo, vestem zumbis de quatro patas que vagam nas noites, soltos nas nos institutos e sensações. Reis dos planos funerários, adoçam de fel os pastos no suor do rosto alheio.

Autores desta série, carnívoros obesos da fama e dos penhores, a si pouco importa o preço do que venham obter nos mercados em brasa. Querem chamas, querem fervor, sem saber do mar e da temperatura. Bom, parar, ficar quieto e esperar. Existe, contudo, o setor interno, lugar próprio dos indivíduos; a liberdade, no seio de quem fermenta a salvação. Na Natureza, desde sempre, o procedimento do Poder sobre poderes menores, isto também em nós qualquer um. Há nova história, a contar as folhas desta floresta, o infinito das existências. 

(Ilustração: Pieter Bueguel o Velho, em A dança dos camponeses).

Nunca antes a situação do Brasil foi pior; e nunca a causa monárquica foi tão viva como agora – por Dom Bertrand de Orleans e Bragança

Nós estamos vivendo dias de trevas. São dias de trevas, não tenham dúvida. Mas no fundo dessas trevas, se começa a ver os primeiros clarões de uma aurora; são os ideais que nunca morreram e que estão voltando


(Excertos das palavras que Dom Bertrand de Orleans e Bragança proferiu durante o banquete comemorativo pelo 80º aniversário do natalício de seu irmão, o Príncipe Dom Luiz de Orleans e Bragança – Chefe da Casa Imperial do Brasil –  realizado no último domingo, dia 3, no Salão Guanabara do Windsor Flórida Hotel, no Rio de Janeiro).

   É em nome de meu irmão Dom Luiz que aqui falo, agradecendo as homenagens feitas por ocasião do seu 80º aniversário. Hoje nós tivemos uma Santa Missa, que é o ponto culminante dessas comemorações, exatamente por que foi oferecido o Santo Sacrifício, diante da Cruz, nas intenções do Chefe da Casa Imperial, Dom Luiz. Ele que encarna os nossos ideais, que encarna as nossas esperanças. Dom Luiz insiste muito num ponto, que é o fato de haver, em todas as coroas, uma cruz, no alto. Essa cruz tem um duplo significado: 

     Em primeiro lugar, a fidelidade e a fé; a consciência de que um Chefe de Estado – sobretudo um Imperador ou um Rei, mas até o Chefe de Estado em uma República – tem contas a prestar a um Juiz Supremo, infinitamente sábio, onisciente, que ninguém engana, mas que também é infinitamente misericordioso e bondoso. O segundo significado dessa cruz é a disposição que deve ter um Rei, um Imperador ou qualquer Chefe de Estado, como qualquer chefe de alguma instituição, como um pai de família, de crucificar-se por seu povo. Ele deve sacrificar-se por seu povo.   

     É este o exemplo que Dom Luiz sempre nos deu, a nós, seus irmãos, e aos monarquistas, e é justamente daí que vem esta grande vitalidade da causa monárquica nos dias de hoje. Nunca a causa monárquica foi tão viva como nestes dias. Nunca nossa situação foi pior, mas nunca a causa monárquica foi tão viva. Por ocasião do Plebiscito, pelo fato de termos obtido apenas 13% dos votos, muitos disseram que era a “pá de cal” nas esperanças monárquicas do Brasil... Não foi! Foi uma primeira vitória.

     Antes do Plebiscito, a perspectiva de uma restauração monárquica era vista como um sonho de uma noite de verão de alguns saudosistas. Depois do Plebiscito, passou a ser vista como uma alternativa, e, por um número crescente, como uma esperança. E nós vemos que essas esperanças vão se realizando, sobretudo – o que impressionou a muitos os repórteres que estavam aqui presentes –, foi no número de jovens partiipantes. É um Brasil novo, que está renascendo.

     Nós estamos vivendo dias de trevas. São dias de trevas, não tenham dúvida. Mas no fundo dessas trevas, se começa a ver os primeiros clarões de uma aurora; são os ideais que nunca morreram e que estão voltando. São os ideais cristãos, os ideais católicos. São os filhos de Deus que encaram a realidade com a fé, com a coragem e com a certeza de que os ideais católicos nunca vão ser derrotados.

     O futuro está do nosso lado. O futuro está com aqueles que querem a restauração da boa ordem posta por Deus na Criação. Isto é, uma ordem monárquica, porque a sociedade não é republicana. A primeira entidade, a base da sociedade, qual é? É a família. E qual é a estrutura interna da família, por instituição divina? Na família, o pai é rei, a mãe é rainha e os filhos são os príncipes herdeiros. Vá numa família, vá numa escola, vá numa padaria, vá numa fazenda... vá em qualquer lugar do mundo, e as utopias republicanas não se consideram mais!

     Ninguém mais acredita nos políticos, ninguém mais acredita nos esquemas republicanos, ninguém mais acredita no igualitarismo. Pelo contrário, o mundo está ávido de uma restauração de um regime que venha ao encontro dos seus sonhos, da sua mentalidade, da sua índole cristã, sua índole hierárquica, algo maravilhoso.

    A todos eu agradeço, em nome de Dom Luiz, por essa homenagem que foi feita a ele em seu 80º aniversário, e continuemos com a batalha".