14 junho 2018

Segredo das ruas - Por: Emerson Monteiro


Temos três histórias diferentes nesta cidade, de quando aqui cheguei ainda criança pequena, de depois adolescente e inícios da fase adulta, e de hoje, na maturidade. Costumo sair a caminhar pelos mesmos lugares dos instantes dessas horas. As casas, lojas, diagramações, agitações, e eu a percorrê-las de olhos abertos entre as mudanças, transições do calendário. Nisto, regressam as imagens e emoções dos antigamente. Incrível como entranhadas permaneceram, talvez grudadas nas paredes, calçadas, nos calçamentos, ou por dentro da gente (quem sabe?!). Cenas nítidas, claras. Horas inteiras de aflições, alegrias, emoções as mais pujantes, que compõem os quadros do ser interno que insisto em persistir.

Foram, então, tempos vivos que, intactos, continuam. Pessoas. Comércios. Ruídos. Festas. Coletividades. A urbe completa, só que agora multiplicada tantas vezes quantas vidas vividas no seu universo de memórias. Chego até esperar encontrar de novo os personagens que pontilhavam as esquinas, os bares, as praças. Lembro fisionomias, gestos, trajes; no entanto assusta não lhes rever em matéria à medida dessas lembranças tão fortes quanto as mais recentes ora lhes enriquecem.

Paro, às vezes, a contar a mim episódios presenciados, as doutrinas sociais trazidas a público naquelas ocasiões, os dramas que percorriam as fibras dos acontecimentos. Nelas, nas ruas, vivenciara as quermesses, os turnos eleitorais, as procissões, desfiles de 7 de Setembro, apreensões políticas nacionais e internacionais, shows, comícios, equívocos, tragédias e comédias comunitárias bem ali espalhadas no vento das transições dos dias que escorrem.

Largas películas a céu aberto repetem o presente quais sejam eternas, e o presente, este, sim, precisando sobreviver a qualquer custo, ao correr das gerações. Mexe comigo, nos metabolismo das ideais, esses passeios diários através dos lugares iguais e diferentes da velha cidade. As energias que voltam a se encontrar, agora nos céus da consciência, e as transporto nos caminhos, nesses passos em que mourejo.

Certa vez, li que, nas costas do Pacífico, num país da América do Sul, haviam captado sinais de televisão emitidos há mais de quinze anos, que vinham aos pedaços e desmanchavam sem qualquer razão de ser, o que estipularam permanecer circulando no éter até ninguém sabe quanto tempo. Destarte, chego a imaginar a força das emoções e das pessoas, propagada através dos corações e vivendo até quando só ninguém há de saber.

Correios do Brasil lançaram selo comemorativo sobre o Bicentenário da Aclamação de Dom João VI

     O lançamento e o segundo dentro da série: 200 anos da independência do Brasil. Abaixo o texto do edital de lançamento do selo, texto de José Theodoro Menck, Consultor Legislativo da Câmara dos Deputados
    
      O dia 6 de fevereiro de 1818 foi de grandes festejos na cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. Dom João VI era aclamado Rei do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, d’Aquém e d’Além-Mar em África, Senhor da Guiné e da Conquista, Navegação e Comércio da Etiópia, Arábia, Pérsia e Índia, etc.

    Mesmo com a insatisfação dos portugueses, que reclamavam a volta da família real e sentiam-se abandonados pelo monarca, Dom João VI fez questão de ser coroado na América, como ato simbólico de consolidação do Império que aqui viera fundar. Estabeleceu, assim, a inversão da relação metrópole-colônia.

    Apesar da aclamação ter se concretizado no ano de 1818, Dom João chegou ao Brasil em 1808 e logo concluiu que aqui encontraria tranquilidade, fartura e paz, sentindo-se forte e soberano para iniciar sua administração. Instalado no Palácio dos Vice-Reis, recompôs seu ministério, copiando o modelo lisboeta, e logo o pôs a funcionar.

    Primeiro e único rei proclamado na América, Dom João VI traz para a colônia o status de Reino, atraindo o foco do mundo de então para esse imenso e riquíssimo território do Brasil. O monarca promove, de imediato, uma série de atos de incisiva importância na construção do Brasil como nação, que a partir de agora estaria aberto para o mundo. 
     Muitos foram os seus feitos. 

    Ainda na Bahia, Dom João havia aberto os portos brasileiros a todas as nações amigas. Um mês depois da sua chegada, revogou o antigo decreto que impedia a existência de indústrias. Também liberou o plantio de oliveiras e amoreiras, antes proibido, e permitiu a comercialização do trigo do Rio Grande do Sul, que antes servia apenas para consumo local.

     Criou uma escola de cirurgia na Bahia e outra no Rio de Janeiro, que ganhou ainda um curso de economia. Idealizou o Jardim Botânico, onde foram iniciados estudos de aclimatação de novas plantas no país, tais como o chá e a cana caiana. Reformulou osCorreios e instituiu a Biblioteca Pública. Estabeleceu os Tribunais Superiores - cúpulas do Poder Judiciário – como a Casa de Suplicação e Mesa da Consciência e Ordens. Fundou a fábrica de pólvora, a Academia de Marinha e a Academia Militar.

        João Maria José Francisco Xavier de Paula Luís Antônio Domingos Rafael de Bragança (Dom João VI) regressou a Portugal em 1821 e faleceu no Paço da Bemposta, em Lisboa, no dia 10 de março de 1826.

        Esta emissão é a segunda de uma série de seis, denominada “Brasil, 200 anos de Independência”, uma parceria entre a Câmara dos Deputados e os Correios que se iniciou em 2017, com o bicentenário da vinda de Dona Leopoldina. Nesta edição de 2018, comemoramos a Aclamação de Dom João VI como Rei do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves. Os eventos se estenderão até 2022, com os 200 anos da Proclamação da Independência.