12 junho 2018

Gostar de viver - Por: Emerson Monteiro


Ninguém quer voltar a desaparecer, nem os outros animais da escala evolutiva. Imaginar o que representa viver passa longe do que seja viver realmente na essência de tudo, experiência ímpar. O sensacionalismo dos tempos dagora, no entanto, abusa de mostrar quantos sofrem, quantos somem a todo momento, das formas mais esdrúxulas, friorentas, abjetas, que enriquece a tumba dos faraós da mídia. Virou vulgaridade noticiar quantos beltranos e sicranos são assassinados a cada noticiário, forma cataléptica de abandonar os irmãos nas latas de lixo dos dias que escorrem feitos fiapos perdidos.

Houve um jornal no Rio de Janeiro, Notícias Populares, de quem diziam espremesse e correria sangue. E agora, que jogam nas derradeiras páginas os extermínios, as chacinas, os desesperos das famílias que veem seus entes queridos simplesmente largados no fundo das covas, espremer o que, se quase sumiram os jornais? Mais parecem esses tempos com aqueles velhos filmes de ficção onde transformavam pessoas em proteína a título de oferecer os paraísos artificiais nas derradeiras horas de vida.

Troço grosseiro o tempo em que aportamos. Falam dos representantes do povo, de que povo, de que representantes? Uma escatologia de causa náusea, isto sim virou o panorama desses finais de era. Quais instrumentos de inconveniência, de insegurança, esfacelam corpos nos bairros infectos das periferias sem lei, sem nexo, sem dó, nem piedade. Pobres humanos que viramos cruzadas as guerras de conquista, tantos paredões de isolamento, tantas agruras e desventuras.

Sou meio adocicado muitas vezes, contudo a medida transborda e quero ser sincero aos poucos que leiam essas garatujas que jogo nos ares da existência, guardo comigo sede dos dias melhores de que ouço desde que iniciei ouvir o que prometem os oráculos de poder. Gosto de viver, de sonhar com felicidade, honestidade, harmonia, solidariedade, justiça, paz, fraternidade... Nunca desisti, nem irei desistir jamais, porquanto isso alimenta a equação dos elementos sob que habitamos diante do imprevisível. Desenvolvo largos esforços de viver e ter sabedoria, pois nenhuma razão que fuja disso cativa meus sentimentos.

(Ilustração: Pieter Brueghel o Jovem, em O pagamento dos títulos Bonhams). 

Sai a 2ª edição de um excelente livro – por Armando Lopes Rafael

    Nem tudo são notícias ruins, no atual estágio de descalabros divulgados sobre o nosso Brasil!
    Uma boa notícia: acaba de ser publicada a reedição, revista e ampliada, do clássico livro “ O Imperador no Exílio”, do Conde de Affonso Celso (1860-1938). Esta obra traz os relatos do banimento não somente da família imperial brasileira – decorrente do golpe militar que implantou a República no Brasil –  como notícias dos membros da família do Visconde de Ouro Preto, que se uniram no exílio a Dom Pedro II e a Princesa Isabel, passando por Lisboa, Paris e Versalhes.
    A edição atual traz uma pequena biografia do autor (Affonso Celso de Assis Figueiredo Junior), esmiuçando seu abolicionismo e o encontro de almas com o monarca brasileiro e sua filha-herdeira, até então desconhecidos na intimidade. Apontam-se, ainda, a campanha pelas edificações dos monumentos  de Dom  Pedro II em Petrópolis e em Fortaleza (CE), na década de 1900; a idealização do Museu Imperial no antigo palácio de verão petropolitano; a titulação vaticana de Affonso Celso Junior por obra e graça da Princesa Dona Isabel, entre outras curiosidades.
     Para quem quiser adquirir “O Imperador no exílio” use o e-mail vendas@linodigi.com.br ou pelo telefone (11) 3256-5823. Até o dia 30 de junho, a Linotipo Digital está concedendo frete gratuito!

Homenagem a quem muito fez: Avenida de Crato recebe o nome de Dom Vicente de Paulo Araújo Matos -- por Patrícia Silva (*)


     Durante Sessão Solene realizada no Salão de Atos da Universidade Regional do Cariri, em Crato, nesta segunda- feira, dia 11 de junho, dom Vicente de Paulo Araújo Matos, recebeu, do poder público municipal, uma homenagem pelo seu centenário: a Avenida que liga o bairro Mirandão ao bairro Nossa Senhora de Fátima, terá o seu nome, de acordo com a lei nº 3.343/2018.

       A Sansão da Lei, segundo o prefeito José Ailton Brasil, visa marcar, no cotidiano dos cratenses, a memória daquele que tanto fez pelo município, com benfeitorias que refletem nos dias atuais. “Hoje só temos a agradecer a dom Vicente pelo trabalho que ele fez pelo Cariri, não só pelo Crato. Estamos colocando, na avenida que liga o bairro Mirandão ao bairro Nossa Senhora de Fátima, o nome daquele que tanto contribuiu com a nossa cidade. É uma forma de deixar a memória de dom Vicente viva e uma forma de agradecer por tudo o que ele fez por este município”, disse o prefeito explicando, ainda, que a Avenida dará um novo dinamismo a cidade, principalmente ao bairro Nossa Senhora de Fátima, tendo em vista o crescimento econômico que gira em torno das peregrinações à imagem da Mãe de Deus construída naquela localidade.O prefeito ainda destacou a contribuição da diocese de Crato, na pessoa de dom Gilberto Pastana, na idealização da avenida, pois, no projeto, uma parte da construção deve passar por terrenos pertencentes a diocese e, em nenhum momento,  o bispo colocou empecilho. Ao contrário, foi até o local onde o prefeito estava reunido com sua equipe administrativa e abriu mão das terras, tendo em vista o bem da população.

      Ainda segundo o prefeito, a obra, que é uma parceria entre o governo do Estado e o município, deve custar mais de seis milhões de reais e tem previsão de inauguração para o próximo ano.

Momento de júbilo
    Além de membros do poder público, participaram da Sessão Solene padres, religiosas e leigos da diocese de Crato que nesta noite contemplaram também a alegria em ver dom Gilberto Pastana receber o Título de Cidadão Cratense.

    Sobre a homenagem a dom Vicente com a denominação da Avenida, o bispo demonstrou grande contentamento. “A gente acolhe com muita alegria porque é um reconhecimento do poder municipal de tudo aquilo que esse bispo, esse grande pastor exerceu, influenciou e concretizou durante a sua gestão aqui nessa região e, mais particularmente, na diocese de Crato. É um reconhecimento do poder municipal que deve representar, nessa gestão, o povo que há vinte anos não vive com dom Vicente, mas essa geração que o conheceu deve amá-lo profundamente”, disse.

     Expressando alegria, o vigário geral da diocese, padre José Vicente Pinto, que esteve a frente da Comissão organizadora do centenário, disse ser justa esta homenagem, uma vez que “ele transformou o Crato em sua estrutura, realidade e mentalidade”.
(*) Patrícia Silva é jornalista

Centenário de Dom Vicente Matos: mensagem enviada por Dom Fernando Panico


O Bispo-emérito de Crato, Dom Fernando Panico, hoje residente em João Pessoa(PB), enviou a mensagem  abaixo, que foi lida na missa celebrada na Sé Catedral de Crato, no dia 11 de junho de 20128, data do aniversário de 100 anos de nascimento de Dom Vicente de Paulo Araújo Matos.


"Estimado Dom Gilberto Pastana,
Caríssimos irmãos e irmãs da Diocese de Crato:

    Fisicamente ausente, meu espírito compartilha – à distância – das alegrias pelas festividades do centenário de nascimento de Dom Vicente Matos. Alegro-me, sobretudo, pelo reconhecimento feito pela atual geração a todo o bem que Dom Vicente proporcionou à população do Sul do Ceará, durante 37 anos -- ou seja, de 1955 a 1992--, quando ele foi pastor diocesano desta vasta porção territorial do centro nordestino.

    Foi com júbilo que fiquei sabendo dessa reparação, com o reconhecimento, embora tardio, do valoroso trabalho desenvolvido por Dom Vicente Matos, no Cariri. Trabalho, ao seu tempo, nem sempre valorizado como devia ter sido. Conquistas conseguidas, muitas vezes, em meio às incompreensões, às maledicências e às ingratidões. No entanto, todo trabalho que é feito para a construção do Reino de Cristo, neste vale de lágrimas, não fica sem reconhecimento.

    Fui o segundo sucessor de Dom Vicente Matos, e no tempo em que estive à frente da querida Diocese de Crato pude aquilatar a grandiosidade da obra sócio-pastoral dele. Uma obra hercúlea, onde cada passo dado por ele, cada gota de suor, cada esforço, começa agora a ser reconhecido.

    Louvado seja Deus por tudo isso!

    Temos certeza de que, no Paraíso, Dom Vicente já recebeu o reconhecimento e a consolação por todo o bem e por todo o sofrimento que padeceu. Deus não ignora nossas lágrimas. As lágrimas de tristeza serão transformadas em cantos de alegria. Deus consola aqueles que choram pelas injustiças e incompreensões. Cada lágrima que derramamos é registrada por Deus, porque ele, Pai de Misericórdia, nos ama muito e é único a nos conhecer completamente, e a compreender nossas reais intenções.

    Monsenhor Montenegro, em seu livro “Os quatro luzeiros da Diocese” conseguiu sintetizar o trabalho e ação do terceiro Bispo de Crato quando escreveu: “Dom Vicente Matos: Um grande benfeitor de Crato! O Bispo da Ação Social! O Mendigo de Deus”. É este o sentimento que também tenho na alma e que é, certamente, o sentimento de todos vocês.

     Ao celebrarmos o centenário do nascimento de Dom Vicente Matos, é mais do que justo fazer memória do serviço desinteressado deste Pastor que serviu ao seu Povo, sem esperar elogios e reconhecimentos humanos. Ao contrário, hostilizado e humilhado pelos contemporâneos, como a história costuma tratar os que incomodam, sabia que somente de Deus, e não dos homens, vem o premio da vitória, que é para sempre, como rezava o seu lema episcopal: “Ao vencedor darei o maná” (Ap 2,17). 

     Que as comemorações alusivas ao centenário de nascimento do terceiro Bispo de Crato, incentivem a fidelidade da nossa Diocese, também centenária, para buscar a vitória que Deus tem preparado aos seus servos bons, humildes e de reta intenção.

Dom Fernando Panico
Bispo Emérito de Crato"