09 junho 2018

Depois do fechamento de dois museus públicos...

Crato: vestígios de engenhos do Cariri podem ser reunidos em museu
O “Cratinho de Açúcar” e a terra dos “Verdes canaviais” rememoram os tempos dos engenhos de cana-de-açúcar 
 O equipamento inglês do Engenho da Lagoa Encantada foi um dos primeiros ( Fotos: Antonio Rodrigues)
Fonte: “Diário do Nordeste”, 09-06-2018 – por Antonio Rodrigues - Colaborador 

     Autores divergem quanto à chegada do primeiro engenho de cana-de-açúcar ao Cariri. Um diz que foi em 1718, no Sítio Salamanca, em Barbalha, por Antônio de Souza, bisavô de Bárbara de Alencar. Outros, acreditam que a chegada só aconteceu em 1735, no Sítio Santa Tereza, entre Barbalha e Missão Velha, tecnologia trazia pelo sergipano José Paes Landim. Independentemente disso, a economia açucareira foi importante para região, é tanto que batizou o “Cratinho de Açúcar” e também é parte da identidade barbalhense, a terra dos “Verdes canaviais”. Os engenhos se perdem no tempo e, aos poucos, na memória.

Crato poderá ganhar novo museu
Segundo Heitor Feitosa, atual presidente do  Instituto Cultural do Cariri (ICC) esta instituição elaborou um projeto para criar o Museu do Engenho do Cariri, que ficaria nos fundos de sua sede, em terreno que pertence ao Departamento Estadual de Rodovias (DER), em Crato. A planta já foi feita e apresentada à população e políticos, que demonstraram apoio ao empreendimento, com a criação de uma emenda parlamentar que garante o orçamento de sua construção. Estima-se que o valor total da obra seja de R$ 208 mil.
 “A ideia surgiu pela sensibilização com o fim da economia açucareira, que nos traz uma certa comoção e vontade de preservar. O rompimento pode ser danoso à história e à memória. Os mestre de rapadura, os cambiteiros, os metedores de fogo, essa gente está morrendo. As minúcias da produção podem desaparecer ou deixar breves vestígios”, explica o presidente do ICC, o advogado Heitor Feitosa.
A aquisição do equipamento será feita por meio de doação. Proprietários e herdeiros de antigos engenhos prometeram disponibilizar tudo, incluindo um carro de boi utilizado no século XIX. Além disso, no Casarão, terá três seções. Numa delas, um café social e uma lojinha para o ICC se manter. No meio, um salão de eventos para receber manifestações culturais. Por fim, um laboratório e acervo técnico de arqueologia colonial e pós-colonial. “Há uma carência aqui na região”, justifica Heitor. Se a verba for conquistada, a expectativa é que fique pronto entre seis meses e um ano.
 "Nos engenhos, em noite enluarada, faziam o maneiro pau. Eles não estão ligados somente à economia açucareira, mas também à nossa cultura" Heitor Feitosa - Advogado e Presidente do ICC

Pouca gente sabe: o General Pedro Labatut atuou no Cariri – por Armando Lopes Rafael

General Pedro Labatut

    O General Pedro Labatut (pronuncia-se “Lébêti) nasceu, em   1768, em Cannes, França, e faleceu, em 1849, em Salvador, na Bahia. Este militar francês participou das Guerras Napoleônicas, entre 1807 e 1814, tendo atuado na Península Ibérica. Labatut combateu também na Guerra da Independência dos Estados Unidos da América, ao lado do Marquês de La Fayette.  Atuou, ainda, na Colômbia, ao lado de Simón Bolívar. Finalmente, veio para o nosso país – contratado no posto de brigadeiro pelo imperador Pedro I – dada a escassez de oficiais experientes no exército brasileiro recém-organizado e para ajudar na guerra da independência do Brasil. Aqui, Labatut ordenou o Exército Pacificador, que combateu as tropas leais a Portugal, na Província da Bahia e lutou na Revolução Farroupilha, já no período regencial.

     Em 7 de julho de 1832, a Regência nomeou-o para chefiar uma expedição ao Ceará, com o objetivo de prender Pinto Madeira e devolver a paz aos habitantes da província. Chegou Labatut ao Ceará, no dia 23 de julho, trazendo 200 homens, quase todos negros. Mas somente em 31 de agosto, veio ele ao teatro da Guerra do Pinto, iniciando sua missão pela Vila de Icó. Encontrou a revolta praticamente encerrada, graças ao empenho do presidente da província, José Mariano de Albuquerque. Em setembro, Labatut estava no Cariri, fazendo seu quartel no Sítio Correntinho, (localizado este entre Crato e Brejo Grande, segundo Gustavo Barroso, ou no município de Barbalha, propriedade de Pinto Madeira, segundo historiadores caririenses). Dali ele lançou uma proclamação aos revoltosos convidando-os à rendição, mediante promessa de clemência. Ofereceu garantias a Pinto Madeira e ao padre Antônio Manuel de Souza para estes se entregarem, o que ambos fizeram, em 12 de outubro de 1832, com a promessa de serem enviados ao Rio de Janeiro, onde teriam um julgamento imparcial. Militar experiente, Labatut logo sentiu o exagero das notícias chegadas à capital do Império sobre a Guerra do Pinto.

      Acampado no Cariri, constatou ele que Pinto Madeira, mesmo obtendo algumas vitórias, nunca ultrapassou os limites de Icó. Fortaleza, a capital da província, os portos cearenses, a rota entre Aracati e Icó nunca saíram das mãos do governador da Província e da Regência. Além do mais, Labatut não precisou derramar uma gota de sangue cearense, pois a Guerra do Pinto já havia sido vencida pelo governador da província, José Mariano. Tudo isso tranquilizou o general Labatut, pois sua missão não necessitava promover lutas e sim viabilizar o apaziguamento da população.

      Foi o que ele fez, tendo oportunidade de cumprir, com isenção, sua missão. Para evitar que os dois chefes rebeldes fossem massacrados por seus inimigos do Ceará, enviou-os a Recife, sob a guarda de um oficial de sua plena confiança. No cariri ele escreveu uma carta ao Ministro da Guerra do Brasil. O escrito constituiu-se numa defesa de Pinto Madeira. Desnecessário detalhar o quanto isso desagradou aos liberais de Crato, ao presidente da Província do Ceará, José Mariano, e ao Padre José Martiniano de Alencar, no Rio de Janeiro. Entretanto, os fatos históricos demonstram que foram cruéis tanto as forças legais como as tropas lideradas por Pinto Madeira, o caudilho do Cariri.

Obra consultada:
FIGUEIREDO FILHO, José de. História do Cariri–Volume III. Edição da Faculdade de Filosofia do Crato, 1966. pags. 34-35.
Texto e Postagem: Armando Lopes Rafael

Tríduo a Dom Vicente Matos teve início nesta 6ª feira na Sé-Catedral

   Para ajudar a comunidade a entrar num clima de oração e assim celebrar bem o centenário de seu terceiro bispo diocesano, Dom Vicente de Paulo Araújo Matos, um Tríduo está sendo celebrado na Sé-Catedral Nossa Senhora da Penha, em Crato, nesta 6ª feira, sábado e domingo sempre às 17h. O primeiro dia aconteceu nesta sexta (8), sob a presidência do Padre Cícero Luciano, reitor do Seminário Propedêutico.
     Realizado como memorial, estes três dias de oração, nos quais os fiéis são convidados a agradecer a vida e o testemunho de Dom Vicente, colocando-os no Altar do Senhor, antecede o dia 11 de junho, data em que ele faria cem anos.
Fonte: Site da Diocese de Crato