08 junho 2018

Observações do dia - Por: Emerson Monteiro


Nalgumas vezes, intenções e ações andam juntas, juntinhas, coladas no couro. Noutras, no entanto, que haja prudência a fim de sustentar o comando original e os resultados que restem. Quais como que duas vontades encangadas numa só, eis o panorama. Uma vontade que determine e a outra desobedece, na maior sem cerimônia, maioria das vezes, tais houvesse duplo comando, ou nenhum. A maior cara de pau de nós próprios acontece nessas horas: - Eu quero, mas não quero mais. Quero, mas não faço (Nem existe oportunidade de mudar de roupa e lá está a segunda vontade no lugar da primeira, contradição interna do sistema que formamos entre querer e fazer, choque de lideranças de causar espanto e prejuízos).

Que assim não fosse, e seríamos donos de nós mesmos. Exerceríamos a função principal de transformar situações equivocadas e reverter quadros vexatórios, tanto na vida individual quanto na coletiva. As imagens do drama humano revirariam em festa. O foco desses dois elementos nesse jogo de claro/escuro bem significa o tema da história de muitos. O freguês deseja ser feliz, contudo age no sentido contrário aos seus propósitos. Reúne com uma das mãos e desmancha com a outra, ou com as duas, no conflito das lateralidades.

Destarte, sobremaneira, somos vítimas da nossa incúria, adversários dentro de casa da personalidade e do caráter. Conhecêssemos o suficiente de sofrer menos, devido as experiências nossas e dos demais, trabalharíamos com sapiência a lei da contradição, de danos incalculáveis no transcorrer das eras. Daí dizer que a distância entre saber querer e saber agir demanda o infinito, pois a teoria na prática é outra. O mapa não ser o território, segundo consta dos estudos.

Que mudar em si, porém, a que transformar esse hábito de ser o cachimbo que põe a boca torta? Invés de duas naturezas, duas vontades, a proposta real de cura das psicologias será compreender que o primado da Consciência tem de lenitivo integrar os dois aspectos acima em única disposição interna de força, porquanto amar os vossos inimigos e amar a si (Jesus). Amai. Amor, a raiz fundamental de harmonizar aspectos que não são opositores, e sim complementares.

(Ilustração: Rembrandt, em Cristo na tempestade no Mar da Galileia).

As duas últimas fotos de Dom Vicente Matos feitas no dia em que ele se despediu de Crato (*)

   O dia era 11 de junho de 1992.
    Naquela data, Dom Vicente de Paulo Araújo Matos completou 74 anos de idade. Há 37 anos residia em Crato. Primeiro como Bispo auxiliar (1955 a 1959); com a renúncia de Dom Francisco de Assis Pires passou a ser Administrador Diocesano (1959 a 1960); em 22 de janeiro de 1961 (quando foi nomeado Bispo Diocesano) até 1º de junho de 1992 (quando renunciou ao bispado por problemas de saúde) foi o 3º Bispo de Crato. Depois da renúncia, ainda permaneceu em Crato até 11 de junho do mesmo mês, preparando o transporte dos seus objetos pessoais para levá-los a Fortaleza, onde fixou residência até sua morte, ocorrida em 06 de dezembro de 1998.
      Voltemos à manhã do dia 11 de junho de 1992. No alpendre do antigo Palácio Episcopal, área voltada para o grande quintal, onde hoje se ergue a Cúria Diocesana Bom Pastor, Dom Vicente (portando a vestimenta episcopal) recebeu algumas pessoas que foram se despedir dele. Depois, subiu pela última vez as escadas que davam ao seu quarto, localizado na parte superior da casa e vestiu um terno simples para seguir viagem até Fortaleza.
        Como era do seu natural, estava calmo, tranquilo, mas emocionado. Nos quase 600 quilômetros que separam Crato de Fortaleza, ele deve ter rememorado os 37 longos anos vividos no Cariri. Onde não deu um único passo que não fosse voltado para difundir o bem e a verdade. E onde recebeu muitas calúnias e ingratidões, as quais soube ser superior e perdoar. Deus permitiu que o diabo tentasse joeirar a boa obra de Dom Vicente como se joeira o trigo.
           Inútil! O sofrimento que os algozes de Dom Vicente lhe impingiram, serviu para que o terceiro Bispo de Crato se santificasse. E como “O tempo é o Senhor da razão”, hoje mais de um milhão de pessoas que habitam a Diocese de Crato – durante os últimos 10 dias – assistiu à reparação feita à memória desse grande bispo de saudosa memória.


(*) Essas 2 fotos foram feitas pelo Prof. Paulo Tasso Teixeira Mendes.

Postado por Armando Lopes Rafael

A história do Brasil que não é contada nas escolas

 Fonte: Face book “O Império das Américas”
O gigantesco legado do Imperador Dom Pedro I
 “O Brasil é Império, será República e depois será Império novamente (Eça de Queiroz)


     Durante muitos anos, Pedro I foi visto pelos brasileiros como um déspota arbitrário e absolutista que estava mais preocupado com as diversas amantes do que com o Brasil. Esta visão foi fruto da propaganda realizada primeiramente pelos liberais federalistas contra o monarca e seguida mais tarde pelos republicanos para desacreditarem o período monárquico brasileiro. Tal quadro viria a se modificar somente na década de 1950, quando o historiador Octávio Tarqüínio de Sousa lançou em 1952 a obra biográfica "A vida de D. Pedro I". Sobre a visão histórica a respeito do primeiro imperador brasileiro Oliveira Lima afirmou que:
"Foi até moda, que só passou com a República, difamar D. Pedro I e zombar o mais possível do bom Rei D. João VI, a quem o Brasil deve sua organização autônoma, suas melhores fundações de cultura e até seus devaneios de grandeza". […] "De D. Pedro I mil coisas se inventaram, entre elas uma deslealdade tão consumada que só parecia roubada aos tiranetes [pequenos tiranos] da Itália da Renascença".

     No entanto, ao abdicar em 1831, o Brasil que Pedro I deixou era a maior potência latino-americana. O exército, com cerca de 24 mil homens, era tão bem equipado e preparado quanto os seus equivalentes europeus, apesar da diferença numérica. A marinha detinha mais de oitenta modernos navios de guerra.

      As demais nações republicanas da América Latina sofriam com intermináveis guerras civis, golpes de Estado, ditaduras, desmembramentos territoriais e caudilhos disputando o poder pelas forças das armas. O Brasil recebeu os seus primeiros investimentos em indústria, tendo o Estado criado incentivos governamentais em 1826. Havia respeito às garantias individuais e as eleições ocorriam periodicamente sem interrupções.

      A Constituição promulgada em 1824 sofreu pequeninas modificações e perdurou por todo o Império e ao ser extinta em 1889, se não tivesse sido derrubada pelo Golpe de Estado republicano, seria a terceira mais antiga ainda em vigor no mundo.

       Após a revolta da Confederação do Equador em 1824 e apesar das disputas entre as facções políticas, pelos próximos sete anos de reinado de Pedro I houve paz interna. Armitage afirmou que apesar "de todos os erros do Imperador, o Brasil durante os dez anos de sua administração fez certamente mais progressos em inteligência [desenvolvimento] do que nos três séculos decorridos do seu descobrimento à proclamação da Constituição portuguesa de 1820".

        Contudo, o maior legado de Pedro I foi ter garantido a integridade territorial de um Império de proporções continentais, permitindo aos habitantes de regiões longínquas do norte na nascente do rio Ailã em Roraima, ao sul no arroio Chuí no Rio Grande do Sul, ao leste em Ponta do Seixas na Paraíba e a oeste na nascente do rio Moa no Acre considerarem-se hoje pertencentes a uma única nacionalidade: a brasileira.
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Obras consultadas:
NABUCO, Joaquim. Um Estadista do Império. Volume único. 4 ed. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1975, p62-63
SZMRECSÁNY, Tamás e LAPA, José Roberto do Amaral. História Econômica da Independência e do Império. 2. ed. São Paulo: USP, 2002, pg.298
MAIA, Prado. A Marinha de Guerra do Brasil na Colônia e no Império (2ª edição). Rio de Janeiro: Cátedra, 1975. p. 133-135
PEDROSA, José Fernando Maya. A Catástrofe dos Erros: razões e emoções na guerra contra o Paraguai. Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército, 2004, p.229
VAINFAS, Ronaldo. Dicionário do Brasil Imperial. Rio de Janeiro: Objetiva, 2002, p.197