06 junho 2018

Seminário Diocesano São José inaugura Biblioteca Dom Vicente de Araújo Matos

Fonte: Site da Diocese de Crato


Dentro da programação do Centenário da vida do terceiro bispo diocesano de Crato, Dom Vicente, o Seminário São José, homenageou o “Bispo da Ação Social”. A solenidade que aconteceu na manhã, desta terça-feira (05), contou com a presença do Vigário Geral, Padre José Vicente Pinto, o Reitor do Seminário, Padre Acúrcio Barros, o reitor do Santuário Eucarístico, Monsenhor Bosco Cartaxo, e Monsenhor José Honor.  Participaram, também, seminaristas e o corpo docente do curso de filosofia do seminário.

A Biblioteca que tem como patrono, São Jerônimo, recebeu agora o nome de Dom Vicente de Paulo Araújo Matos, como sinal de gratidão, para homenagear pelas bem feitorias e tudo aquilo que ele fez na cidade do Crato. “Ele foi um grande empreendedor, e este empreendedor deveria, também, adentrar os muros do Seminário São José”, ressaltou o Padre Acúrcio ao falar da importância da figura de Dom Vicente.

A cerimônia de reabertura da biblioteca foi conduzida pelo Jornalista Humberto Cabral, que conviveu durante muito tempo com Dom Vicente, trabalhando na Rádio Educadora do Cariri. Em sua fala, Cabral elencou tantos feitos do bispo no decorrer de seu episcopado, entre eles o cuidado e atenção que o mesmo tinha para com os seminaristas. “Dom Vicente se importava muito com a formação dos seminaristas e quis que eles fossem formados em Roma, e assim foi”, contou.

Dom Vicente foi figura marcante na educação e na aprendizagem de jovens e adultos, da zona rural e urbana, leigos e clero. Ele trazia e também levava a formação até eles. Alguém que tanto contribuiu para a formação e a educação de tantas pessoas merece ser lembrado. A partir de hoje, todos que adentrarem a biblioteca do Seminário Maior, se lembrará da figura marcante do Grande Bispo.


A real convicção - Por: Emerson Monteiro


Aqui estou, Senhor. Em um gesto a entrega absoluta dos místicos. A aceitação do mistério qual sentido infinito das existências chegaram ao lenitivo. Após formuladas à razão dos motivos de silenciar os pensamentos, e deixar de lado a busca frenética dos valores temporais; receber as ordens da certeza.

Enquanto duraram as tentativas de superar a condição dos humanos, cinema aparentemente inesgotável de possibilidades transcorria pelas paredes da mente, mesclado a prazeres fáceis e embriaguez constante. Esforço enorme conduzia a raça que chegasse aos demonstrativos da superação dos limites, ainda que tantos beirassem, talvez, o teto das genialidades. No entanto ali sempre surgiam as barreiras e fragilidades.

Registros sem conta mostram até onde seguir, porém a indicar o ponto de passar adiante o bastão, a que outros pudessem preservar os sonhos das antiguidades clássicas. Havia mil pesos à frente. O tempo físico, as distâncias, a duração dos materiais. Quiséssemos isto superar, outros padrões impunham à resistência o quanto de reconhecer a fragilidade dos séculos.

Assim, dia chega quando impera a rendição daquele ente só físico, princípio do reconhecimento do princípio da religiosidade no íntimo. Nisso, a calma. A esperança. O sentido das vidas. Bem de dentro virá o quanto lhes aguardava ao final das ilusões. As paredes ruem, os apegos desfazem, os caprichos viram pó. Nesta hora de realidade extrema, único pouso da ave mágica dos amores, dia, menos dia, a todos se abre o portal da plenitude e da essência do Ser.

Nesta ocasião, refeitos das refregas e preocupações, eis o norte das construções da Natureza através dos seres pensantes. Nisso, já passaram profetas, curandeiros, poetas, artistas, autores, penhores, vigores, aspirações, viagens, lugares, visões, tudo enquanto. Virá à tona o pudor de todas as buscas numa e mesma vitória, nítida e sincera, fruto do plantio universal das multidões. Há que acalmar os instantes em momento silencioso e lúcido, destino das vezes tantas das verdades que, interiormente, lhes fustigavam o sentimento maior da Salvação.

Centenário de nascimento de Dom Vicente de Paulo Araújo Matos– 3º Bispo da Diocese de Crato – 5ª crônica lida na Rádio Educadora do Cariri em 06-06-2018

Dom Vicente Matos, o defensor dos trabalhadores rurais
Dom Vicente Matos recepciona o Ministro da Saúde do Brasil, Dr. Mário Pinotti, na inauguração da Rádio Educadora do Cariri

    Quando Dom Vicente Matos chegou ao Cariri, em agosto de 1955, encontrou o trabalhador rural do Sul do Ceará em igual condições aos de todos integrantes dessa classe, espalhados pelos sítios e fazendas do Nordeste brasileiro. Viviam eles em situação de penúria, sem assistência médica e sem direitos reconhecidos. Esse trabalhador era reconhecido como “morador” de um proprietário rural. Nada mais do que isso. Ser morador significava para ele, em primeiro lugar, morar numa propriedade e prestar serviços com baixa remuneração ao dono dessa propriedade.  Um morador era sempre conhecido como “O morador do Sr. Fulano”.
    
      Dentre as muitas conquistas que Dom Vicente de Paulo Araújo Matos proporcionou às populações que viviam nos campos, nos municípios componentes da Diocese de Crato, uma das mais significativas foi a organização dessas pessoas através de suas filiações aos Sindicatos dos Trabalhadores Rurais.

   Deve-se, pois, a Dom Vicente Matos a criação dos primeiros sindicatos de trabalhadores rurais nos municípios do Sul do Ceará. Foram esses sindicatos que permitiram – num primeiro momento –, a discussão dos problemas que envolviam os trabalhadores do campo, criando um espaço antes inexistente para essa discussão. Com o surgimento dos sindicatos dos trabalhadores rurais tornou-se possível a visualização da dura realidade vivida pelos rurícolas caririenses.

   Graças ao equilíbrio e sensatez de Dom Vicente Matos, quando a Diocese de Crato começou a criar os sindicatos dos trabalhadores rurais, estes não foram envolvidos pelo caminho da radicalização, nem pela pregação da luta-de-classes, nem pelo incentivo à simples oposição entre trabalhadores e proprietários de terra.

   O pensamento central de Dom Vicente Matos, ao tornar realidades os primeiros Sindicatos de Trabalhadores do interior do Ceará, foi a de que essas instituições servissem para a melhoria das condições de vida do trabalhador. Esses anseios foram concretizados dentro da harmonia entre as classes sociais, como, aliás, fora pregado pelo Padre Ibiapina, no século 19. E os sindicatos fundados pela orientação da Igreja Católica no Cariri possibilitaram um clima de paz e a preservação da ordem através da mediação realizada pelo Estado no atendimento às demandas mais urgentes dos trabalhadores rurais.

    Somente em 1972, o Governo Federal criou o FUNRURAL e os trabalhadores obtiveram alguns direitos, a exemplo da aposentadoria, depois de uma existência inteira vivida em meio à pobreza e ao sofrimento. No Cariri, Dom Vicente Matos foi um pioneiro na defesa do trabalhador rural.
Dom Vicente Matos visitando a cidade de Barbalha