05 junho 2018

A experiência mística - Por: Emerson Monteiro



Ou o salto definitivo à Eternidade ainda neste mundo ainda, rumo à Luz, caminho da Purificação, pátria de alçar voo aos Céus. Nisto a simplificação dos fins diante das imprevisões da matéria. Desde longe, muito longe, eras remotas, que os humanos batem cabeça no intuito de solucionar o enigma principal das existências. De onde viemos, o que estamos fazendo aqui e aonde iremos. 


O campo onde esse embate acontece fica no íntimo do próprio ser que o somos, no território das consciências em elaboração, espaço interior da história individual. Luta diária face aos desafios e contradições, tangemos adiante o animal que exercitarmos, assim aprendendo em nós mesmos o exercício dos desígnios do quanto acontece e denominamos vida. Síntese de todos os credos, das filosofias, antropologia, psicologia, escolas que esbarram bem no âmbito da elevação das almas aos páramos celestiais. 

Conquanto persistam dúvidas inextrincáveis aos incrédulos, alternativa que haja esbarrará no desconhecido do inexplicável. Isso de apenas negar por si só demanda insuficiência de compreensão. Daí o nível limitado do senso individual, pois o todo único que tudo significa lhes foge à percepção de que matéria e espírito representam os lados indivisíveis da universalidade plena.

Por isso, perante as impossibilidades da transcendência para os que aceitam a ilusão a título de realidade, restam meios físicos de sobreviver durante o aprendizado, até obter a revelação conclusiva, vez que o infinito do tempo e as normas da Natureza isto permitirão logo mais. No entanto, à medida do amadurecimento, os indivíduos, numa espécie de rendição a forças inevitáveis, aprendem que os dias significam deveres e obrigações, motivos de conformação e apostolado nas ações da religiosidade original.

Causa primeira e resolução definitiva dos dramas da sobrevivência do Ser, resta-nos, por isso, tocar em frente o comboio desta Iluminação assim prevista e reconhecida pelos tantos heróis do Espírito que cruzaram a fronteira das limitações, felizes de conhecer a Deus.

Centenário de nascimento de Dom Vicente de Paulo Araújo Matos– 3º Bispo da Diocese de Crato – 4ª crônica lida na Rádio Educadora do Cariri em 05-06-2018


O maior benfeitor de Crato
 
O então Pe. Vicente de Paulo Araújo Matos (terceiro da direita para a esquerda) quando era diretor do Colégio Castelo, de Fortaleza.

    Está preservado, no imaginário popular das gerações cratenses, o ato de Dom Vicente de Paulo Araújo Matos ter sido “O maior benfeitor de Crato”.
     E isso é uma verdade inegável. Quando Dom Vicente Matos chegou ao Cariri, em 15 de agosto de 1955 – ainda como “Bispo-Auxiliar” –  a cidade de Crato era ainda acanhada, quando comparada aos centros mais desenvolvidos do Nordeste brasileiro de então.
       Homem profundamente bom e generoso, Dom Vicente se deparou, quando aqui chegou, com uma população em sua maioria pobre e sofrida. O analfabetismo era uma das chagas sociais aqui existentes, principalmente na zona rural. Dom Vicente iniciou, então, suas viagens ao Rio de Janeiro, à época capital do Brasil. Tornou-se rotinas seus deslocamentos em busca de recursos para melhorar o quadro econômico/social do Sul do Ceará.
        Vivíamos, àquela época, uma fase de democracia plena (coisa rara nesta República), sob o comando do então Presidente da República, Juscelino Kubitschek de Oliveira. Homem cordial, sereno, e paciente, Dom Vicente Matos acostumou-se a esperar – com humildade e tenacidade – nas antessalas das repartições públicas e ministérios, ser recebido pelas autoridades, buscando benefícios para o povo do Cariri.
         Por meio da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a Igreja Católica elaborou um projeto educacional de dimensão nacional, em parceria com o Ministério da Educação. Nesse projeto, foram utilizadas as emissoras de rádio católicas, visando extinguir o analfabetismo do Nordeste brasileiro. Em Crato isso foi feito por meio da Rádio Educadora do Cariri.  Surgiu assim, entre nós, a educação radiofônica rural, sob os auspícios do Movimento de Educação de Base (MEB). Graças ao empenho de Dom Vicente Matos, o Sul do Ceará conseguiu notável avanço no tocante à erradicação do analfabetismo em todo o território da Diocese de Crato.
            Outra frente de luta de Dom Vicente Matos foi na área da saúde pública. Na década 50 do século passado, o Cariri cearense era conhecido, no Brasil, como um dos maiores focos de “tracoma”. Tracoma era uma infecção que afetava os olhos da população rural e, quando não tratada corretamente, ocasionava cicatrizes nas pálpebras e até cegueira. Dom Vicente, àquele tempo já amigo do então Ministro da Saúde, Dr. Mário Pinotti, conseguiu recursos e medicamentos, dentro da “Campanha Federal Contra o Tracoma". Fruto dessa parceria, firmada entre o Departamento Nacional de Saúde Pública e a Diocese de Crato, foi que, já nos primeiros anos da década 60, o “tracoma” tinha sido erradicada da zona rural dos municípios caririenses. 
               Por essa época, o Hospital São Francisco de Assis, pertencente à Diocese de Crato, atendia praticamente a todo o Cariri. Contando com um eficiente diretor, Mons. Pedro Rocha de Oliveira, algumas verbas foram conseguidas por Dom Vicente para aquela unidade hospitalar. O ministro Mário Pinotti chegou a visitar Crato, representando o Presidente Juscelino Kubitschek na inauguração da Rádio Educadora do Cariri.