25 maio 2018

Antes e depois da Eternidade - Por: Emerson Monteiro


Ontem e amanhã, antes e depois da Eternidade que mora nos humanos. Linha divisória entre tudo e nada, rompemos as horas mortas quais bólides feitas de meros momentos que transcorrem no tempo enquanto outros seguem apressados rumo ao desconhecido e lá também certo dia chegaremos. Já foram tantos os que vivenciaram essas cólicas de perfeição e deixaram desaparecer as chances da descoberta que, contudo, tornaram presas fáceis de coisas inúteis, fiapos e gravetos. Filhos do agora, porém inconscientes da revelação do mistério, vivem soltos às ilusões do desejo e abandonaram a luz da fertilidade plena em mãos do esquecimento.

Muitos, milhões, centilhões, carregam, pois, o peso de todos os Prometeus atoleimados através do provir das provas, absortos naquilo que deixaram atrás, e padecem nas subidas as quedas, fantasmas das encostas escorregadias. Flertaram na imortalidade, embelezados com a própria sombra, tremeluzindo nos lagos, e acham bonito o verso do espelho que hipnotiza e embriaga os repastos dos abutres, escravos do prazer e da dor, na dor e no prazer, princípio e fim, e recomeço de tantas e quantas vezes.

Eles são os nós, pássaros desta fome e floresta de repastos de deuses mórbidos que eles mesmos criaram luas sem conta. Mergulharam o abismo da ausência nos finais que lhes aguardam, rindo à toa do drama de ignorar, e sonham, e padecem inebriados de fulgor e desencantados pelas gerações sucessivas mundo afora.

Sabem só que há razões de continuar; o que nutrem as feras das paixões,, e amarguram a fome de amar, o apego desesperado de prosseguir vivos e cegos na ignorância de conhecer, falar e não praticar o que disseram. Focos de visão encandeada, assim sobrevivem dentro do Sol e andam em círculo, semelhantes a cavalos de carrossel, a fugir da alma ali jogada no tabuleiro da luminosidade e da paz, rios abertos da Felicidade. No rosto deles, a face de todos nós.

A segunda imagem da Padroeira de Crato

Na próxima 4ª feira, 30 de maio, à noite, a população católica de Crato assistirá – na Praça da Sé – a tradicional solenidade de coroação de Nossa Senhora. Este ano será coroada a imagem histórica de Nossa Senhora da Penha. Abaixo a história desse patrimônio artístico-cultural-religioso da cidade de Crato.
Imagem de Nossa Senhora da Penha, escultura em madeira venerada como padroeira
dos cratenses de 1745 a 1938 (foto: Jackson Bantim)

"Esculpida em madeira, medindo 0,88m de altura, colocada sobre uma penha de 0,14m (figurando uma rocha) tudo talhado num mesmo tronco, a Virgem da Penha se apresenta segurando o Menino-Jesus no braço esquerdo e empunhando na destra um cetro. Sua fisionomia é serena e séria, o que lhe dá um porte majestoso e tranqüilo, de cativante simpatia. Esta imagem não se constitui somente numa valorosa relíquia, é também uma autêntica obra de arte". (LÓSSIO, Rubens Gondim. Artigo “Nossa Senhora da Penha de França, Padroeira do Crato” Revista “Itaytera”, ano VI, nº VI, órgão do Instituto Cultural do Cariri. Tipografia A Ação, Crato (CE) 1961.).

    A descrição acima sintetiza bem a segunda imagem venerada como padroeira dos cratenses, entre 1745 e 1938, durante quase dois séculos. Esta escultura foi doada à humilde capela da Missão do Miranda – origem da cidade de Crato – pelos frades capuchinhos do Convento da Penha de Recife, no ano 1745. Sobre ela existe boa documentação, como veremos a seguir.

      Monsenhor Rubens Gondim Lóssio cita em seu trabalho um artigo da Revista Dom Vital (nº de agosto/setembro de 1955) sob o título “Resumo Histórico”, onde consta às páginas 7/8:

"Em 1733, o Prefeito da Missão (dos Capuchinhos de Recife), Frei Boaventura de Pontremoli, ampliou a antiga capela, resolvendo seu sucessor, Frei Carlos José de Spezia, em 1745, substituir a vetusta imagem dos franceses por uma nova estátua, feita em Gênova pelo escultor Maragnone que a modelou artisticamente sobre a primitiva, logo depois enviada para a Missão do Miranda no Crato". (grifo meu).

      A imagem doada à Missão do Miranda em Crato havia chegado à cidade de Recife, no ano de 1641, tendo ali permanecido durante 104 anos. Monsenhor Rubens Lóssio reproduziu, ainda, textos de Frei Fidelis Maria de Primério (autor do livro Capuchinhos em Terra de Santa Cruz, nos séculos XVII, XVIII e XIX, editado em 1940). Infelizmente, Mons. Rubens não citou a editora, nem cidade onde este livro foi publicado. Abaixo, os dois textos transcritos:

"A versão geral acerca dessa prodigiosa imagem, é que ela foi trazida para Pernambuco por cinco missionários capuchinhos, que se dirigiam para a Guiné e foram, no litoral africano em 1641, atacados e presos pelos corsários holandeses, calvinistas que infestavam aquelas águas. Os missionários foram mui maltratados pelos corsários e, por fim, entregues aos holandeses que dominavam Pernambuco. Esta tradição geral, que bem desposa a história dos novos missionários, apresados nos galeões espanhóis, quando rumavam para a Guiné, explica-se facilmente porque os missionários puderam conservar consigo o precioso tesouro, que intentavam levar às tribos africanas, qual estrela de salvação, e ao invés veio para terras pernambucanas. Os corsários holandeses apresavam para levar à sede, Pernambuco: o interesse exigia-lhes que respeitassem a presa, ainda que não condissesse com suas crenças".

"A preciosa imagem de Nossa Senhora da Penha, que fora respeitada pelos próprios hereges, tornou-se a santa de preferência do povo pernambucano, que lhe ergueu um majestoso templo. O culto da mesma Senhora fez com que se obliterasse o título da Capela que a acolheu em 1641, a qual estava dedicada ao Divino Espírito Santo, e que passou a chamar-se “capela” e depois “igreja da Penha”. A pequena imagem dos franceses foi em 1745, por Frei Carlos de Spezia substituída pela atual, feita em Gênova, modelada pela antiga”. (...). “ Ora, esta substituição, como ficou demonstrada acima, deu-se com a remessa da imagem para a Missão do Miranda".

Texto e postagem de Armando Lopes Rafael

“Brasil, filho da ocidental Praia Lusitana” – pelo Prof. Sidney Silveira (*)

“A vanguarda hoje é ser ‘reacionário’; é olhar para o passado com a coragem de afirmar valores que não são os que, contemporaneamente, predominam.” -- Sidney Silveira.

    A segunda palestra do 27º Encontro Monárquico, realizado no Rio de Janeiro, em junho do ano passado, foi ministrada pelo jovem Prof. Sidney Silveira, que abordou o tema “Brasil, filho da Ocidental Praia Lusitana”, sobre como o Brasil é herdeiro e continuador da história de Portugal, e que nós, brasileiros, devemos olhar para trás em busca da solução para os problemas que atualmente afligem o nosso País, para que assim tenhamos um futuro construído em consonância com as melhores tradições e costumes da cultura luso-brasileira, somadas às boas características dos demais povos que ajudaram a compor a brasilidade.

    Nesse sentido, dizia   o jovem Prof. Sidney Silveira: “A restauração da Monarquia Constitucional se torna essencial, pois os Imperadores do Brasil também eram descendentes e continuadores da obra dos Reis de Portugal; logo, o Brasil não nasceu em 1500, mas sim em 1139, junto com Portugal”.

(*) Sidney Silveira, filósofo tomista, escritor e jornalista.

Assista à gravação da palestra do Prof. Sidney no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=VrOlpFIOpU8

Crônica do fim-de-semana -- por Armando Lopes Rafael

O colorido tapete formado pelas pétalas dos pés de jambos   

   Antigamente, e lá se vão muitos anos, a Prefeitura Municipal e os habitantes desta cidade plantavam mudas de uma árvore conhecida como jambeiro. Esta árvore frutífera produz um bonito fruto, chamado jambo-rosa. Antecedendo ao fruto, ocorre um período de floração – muito curto, pois dura de sete a quinze dias – do jambeiro, o que acontece duas vezes ao ano.

     Como era bonito percorrer ruas e praças de Crato onde existiam pés de jambeiros!     
     Como era bonito contemplar o tapete formado no chão pela floração daquelas árvores! 
     Esse tapete podia ser visto entre a fase da abertura dos botões e a queda das pétalas não polinizadas, quando a flor solta com o vento mais tênue fiapos de um intenso rosa, colorindo o chão ao seu redor.

       Infelizmente, há muito tempo, a Prefeitura de Crato não promove mais campanhas de arborização neste Mui Nobre e Heráldica Cidade de Frei Carlos Maria de Ferrara. O que nos resta dos jambeiros foi plantada por iniciativa dos habitantes de Crato. Existem muitos deles nos jardins e quintais das residências. No Clube Recreativo Granjeiro também podemos ver belos jambeiros, remanescentes da época que se plantava esta árvore nesta cidade.

          Segundo o jornalista carioca Fred Coelho: “O Jambeiro-vermelho é uma espécie originária da Malásia, país invadido pelos portugueses em 1511. Eles partiram de Goa e conquistaram a região de Malaca, transformando o estado em uma cidade importante para a história da navegação ibérica durante sua fenomenal expansão pelos mares. Ou seja, na mesma época em que pingavam desterrados pela costa de Pindorama, as frotas portuguesas construíam igrejas e fortalezas sob as sombras do Jambeiro-vermelho. (...) Provavelmente o Jambo veio parar entre nós nesse momento de ligação transversal do Brasil com a Malásia, via portugueses e holandeses. Será daí, dessa origem transatlântica, seu cheiro leve de memória do tempo mordido? ”

              Que saudade sinto hoje daqueles tapetes, formados no chão, à sombra dos jambeiros que contribuíam para embelezar a paisagem de Crato...