12 maio 2018

Compadre Hipólito - Por: Emerson Monteiro


Debaixo das sete capas da memória sobrevivem outros você que quase nunca há de findar. Quando contam que depois disso tudo daqui do Chão nem lembrança existirá do que ficou na estrada, imagino aonde sumirão as recordações dessas vidas cheias de novidade. Aonde desfar-se-ão os momentos e os personagens que marcaram as histórias, que tantos são fortes por demais, entranhados nas carnes da ausência feitos dentes molares e caráter definitivo.

Em meio dos viventes do Tatu, ele marcou a intermitência dessas memórias feito grude. Compadre Hipólito. Dos derradeiros a largar o sítio, ainda hoje dele persistem herdeiros, filhos que escolheram permanecer no lugar diante da derrocada dos tempos. Manoel, por exemplo, que mora numa das casas de taipa que restaram, lá em cima da represa do Açude Velho, com Zuca, um dos irmãos que ficou assim meio alheio do mundo, e talvez por isso resista à voragem dos desaparecimentos-lembrança.

Hipólito era compadre de meus avós. Dos moradores, o melhor ligado à casa grande, espécie de imediato em tudo. Ele mergulhava para abrir a bomba que deixava passar a água de abastecer fruteiras do brejo, logo abaixo da parede. Fôlego admirável. Os meninos sentavam só a olhar e acompanhar quanto tempo levaria debaixo d’água, gigante mergulhador que era. A gente estava quase desistindo, daí ele saltava na flor da água feito peixe grande.

Tirava leite das vacas bem cedo no curral, aonde bebíamos dos copos com canela o líquido espumante e morno, determinação de nossa mãe. Arriava os bezerros, tangia o gado no rumo da manga, cortava pasto e acompanhava os carneiros e cuidava de serviços no eito. Sempre na indumentária surrada, camisa de mescla e bermuda rota, escurecida de manchas das nódoas do trabalho; um facão embainhado pendendo da cintura; chapéu de palha encardido de sol e poeira; vozeirão manso, ritmado, cauteloso e fiel.

Bem depois, isto já longe de hoje, conversávamos numa de minhas idas ao antigo torrão natal, e ele observava meu interesse pela política. Daí me contou que nosso bisavô, Gustavo Augusto, insistia com meu avô a que entrasse na sucessão em Lavras, daí 12km. E vô respondia reticente:

- Gustavo, deixe eu aqui na calma do Tatu. Isso é assunto dos outros parentes, feitos nessas procuras.

Ceará participa da Semana Nacional de Museus


No Cariri, Juazeiro do Norte, Santana do Cariri, Assaré e Farias Brito farão parte da programação.Crato (quem diria) está fora da programação. Os dois principais museus de Crato continuam fechados há quase dez anos.
 Prédio onde funcionava o Museu de Artes Sinhá D'Amora, em Crato

     A partir desta segunda (14), até 20 de maio, acontece a 16ª Semana Nacional de Museus. O evento marca as comemorações pelo Dia Internacional de Museus (18 de maio) em todo o País. A semana reúne 3.261 mil eventos, em 489 cidades de 26 estados brasileiros. No Ceará, segundo Carla Vieira, diretora do Museu do Ceará, 28 municípios cearenses participam. Só em Fortaleza, 17 museus públicos e privados trazem programação atrelada à rede.

Programação
Na próxima quinta (17), às 14h, no Museu do Ceará, haverá uma "visita mediada" pela sala "Padre Cícero: Mito e Rito" e "Caldeirão: fé e trabalho", com transmissão ao vivo via internet (pelo Facebook do Museu do Ceará). Na sequência, às 15h20, haverá a mesma atividade com a exposição permanente do Memorial Padre Cícero (de Juazeiro do Norte/CE).
No sábado (19), às 10h, o Museu do Ceará sedia a palestra "Mídias Digitais e Museus: A Importância das mídias sociais para as ações dos museus na contemporaneidade", com o analista de mídias sociais João Maropo (Secult/CE).
Sob gestão do Governo do Estado, além do Museu Ceará, o Museu Sacro São José de Ribamar, de Aquiraz (CE), participa da programação.
O equipamento da região metropolitana de Fortaleza completou 50 anos em 2017. No local, na próxima terça (15), às 9h, também acontecerá a palestra sobre mídias digitais, conduzida pelo analista João Maropo.

Mais informações:
16ª Semana Nacional de Museus. A programação envolve 28 municípios do Ceará, a partir desta segunda (14), até o dia 20 de maio. A programação detalhada pode ser acessada em guiadaprogramacao.museus.gov.br

Amanhã, será um “13 de Maio” bem especial

Neste domingo - 13 de maio de 2018 -  comemoraremos  o Dia de Nossa Senhora de Fátima, 130º aniversário da libertação dos escravos e o  Dia das Mães. Abaixo uma homenagem à Princesa Isabel, a  Redentora
A princesa Isabel aclamada pela multidão na sacada do Paço Imperial, no Rio de Janeiro, após a assinatura da Lei Áurea, em 13 de maio de 1888
(foto: Antonio Luiz Ferreira/Divulgação)
 
      Em 24 de novembro de 1868, a Princesa Imperial do Brasil, Dona Isabel de Bragança, e o Príncipe Dom Gastão de Orleans, Conde d’Eu, seu marido, visitaram a cidade mineira de Baependi, hospedando-se no palacete do Comendador José Pedro Américo de Matos, que era pessoa muito rica e muito benquista na cidade. No entanto, por ser mulato, procurava não frequentar as festas sociais, para evitar constrangimento a certas damas da sociedade, especialmente nos bailes. Notara mesmo certa resistência, quando se tratava de dançar com algumas delas.
      Como anfitrião do Casal Imperial, era-lhe impossível deixar de comparecer ao grande baile de homenagem que a cidade ofereceu a Suas Altezas. Mas enquanto todos se divertiam com a primeira dança, uma quadrilha, o Comendador permaneceu alheio, olimpicamente indiferente e distraindo-se em contemplar, ora os dançarinos, ora a multidão que se comprimia na rua.
     À Princesa Imperial não passaram despercebidas a situação e a atitude do Comendador. Quando a orquestra iniciou a primeira valsa, o Conde d’Eu tomou a Princesa Imperial pela mão, levou-a ostensivamente e ofereceu-lha como par. A Princesa Imperial sorria, fitando-o. E o sorriso era de tal modo um convite irrecusável, que ele logo se refez da surpresa, iniciando com ela aquela primeira valsa. Tal foi a estupefação, que durante alguns instantes o par dançou sozinho.
     Depois dessa bela atitude do Casal Imperial, todas as atenções se voltaram para o Comendador. Mas, a uma dama das mais elegantes, que insinuara sentir imenso prazer em tê-lo como par, ele respondeu:
– Não, minha senhora, muito obrigado. Queira desculpar-me, mas quem dançou com a Princesa não pode mais dançar com outra mulher.
      Esse gesto de nobreza repetiu-se no Palácio de São Cristóvão, com o famoso engenheiro negro André Rebouças. O historiador Luís da Câmara Cascudo comenta:
“A gratidão do Dr. Rebouças ficou brilhantemente provada a 16 de novembro de 1889, quando voluntariamente se exilou, embarcando junto com a Família Imperial.”
( Baseado em trecho do livro “Revivendo o Brasil-Império”, de Leopoldo Bibiano Xavier).