02 maio 2018

Mundo das sensações - Por: Emerson Monteiro

De quando o sujeito avaliava em volta e achava que de usufruir dalguma maneira o direito de estar vivo. Olhava de um lado e do outro, e contava unicamente consigo mesmo. Haveria que haver motivo de viver. E corria dalgum modo a buscar razões de aquietar o frivião que mexe por dentro das pessoas. Acalmar o desassossego de existir, ainda que não sabendo a que finalidade. Vem nisso o mundo das sensações. São pedaços da gente que carecem justificar a si o que se anda fazendo no chão.

Depois falam que antes disso havia outro impulso, a explicar tais razões de sustentar o lenitivo de andar vivo pelas barbas da natureza. Eram os instintos, isso que também têm os bichos, os outros animais que vieram primeiro, na preliminar dos ancestrais dos humanos. Eles alimentavam a secura de continuar por meio dos gestos do corpo, de comer, remoer, dormir, andar, farejar caça; daí os outros atos da instintividade; latir, rir com o rabo, com os dentes, no caso das hienas; balir, fugir das perseguições dos predadores, essas ações reservadas aos irracionais catalogados nos livros de ciência.

Cruzaram aquilo e saíram nas sensações, qual dissemos. Depois, então, dariam de cara com os sentimentos, pois são eles que alimentam os desejos que, por sua vez, nascem do pensamento. Criam ansiedades que as aclamarão no aparente poder. Pelo querer, nascido no coração, nos sentimentos, estabelecem os projetos de concretização que elaboram daquele instrumento, o pensamento, sede da inteligência pensada, que os antigos irracionais precisam, mas depois, quando humanos, é que mereceram ter.

E o sentimento puro, já livre das ilusões que atormentavam a carne, que chamam Amor, será a grande descoberta do processo vida, a força propulsora de tudo, onde os seres humanos obterão a firmeza de reconhecer o Criador e sará com a trajetória de habitar um corpo material. Nisto chegará o grau pleno da realização do Ser, que nós somos desde os inícios de tudo, e nem imaginávamos.

O "socialismo bolivariano do século 21": Hiperinflação perto de 14.000% faz papel-moeda evaporar na Venezuela


Fonte: Folha de S.Paulo, por Sylvia Colombo
Após cortar mais três zeros da moeda venezuelana, em campanha eleitoral,
o ditador Nicolás Maduro anunciou na segunda (30) um aumento do salário mínimo para 1 milhão de bolívares (que vale míseros  US$ 1,61m, ou seja 1 dólar e 61 centavos ). Mas em partes do interior esse valor pouco importa, pois a inexistência de dinheiro ressuscitou o escambo.

      Há algo errado num país em que, diante de uma máquina de café num centro comercial popular, você precisa colocar 70 notas de mil para servir-se de um cafezinho expresso simples. E ainda ouvir de quem espera atrás: “Às vezes ela trava e não devolve o dinheiro que você já colocou”. Esse tipo de máquina não foi criada para a Venezuela.
     Com hiperinflação em 2017 de 6.000% anuais, segundo a Assembleia Nacional de maioria opositora, um novo e crescente problema se soma à escassez de alimentos e recursos para a saúde no país: a evaporação do papel-moeda. Para o ditador Nicolás Maduro, o sumiço de bolívares é parte do que chama de “guerra econômica contra seu país”.
      Ele diz que a “oligarquia esconde o dinheiro por razões políticas”, e contrabandistas levam as cédulas para fora do país. Nos últimos tempos, acusa o presidente colombiano, Juan Manuel Santos, de roubar moeda da Venezuela. Parte da explicação está na imigração maciça de venezuelanos ao país vizinho, pois muitos levam consigo todas as suas economias. Mas a principal razão para a falta de cédulas no país é que nem a emissão de dinheiro dá conta de acompanhar a inflação.
      A escassez de bolívares ainda abala o comércio local com distorções, taxas e comissões para quem tem moeda. Onde se aceita cartão de débito, o drama é menor, ainda que se pague mais caro. “E nós que vendemos comida de rua?”, pergunta Roberto Olivera, 53. A solução para quem não tem dinheiro vivo, ele conta, é a promessa de que o consumidor ao chegar em casa faça uma transferência para a conta do comerciante. “Muitos pagam, outros somem”, resigna-se.
     O viajante se impressiona com cardápios e lojas: um bife à milanesa num restaurante de classe média custa 1 milhão de bolívares; uma camiseta, 50 milhões. Um quilo de frango no bairro pobre do Petare, custa 4 milhões. As padarias têm tabelas para calcular a alta semanal de determinado produto. E quase todos os comércios têm a máquina de contar dinheiro.