27 abril 2018

Numa tempestade como que de fogo - Por: Emerson Monteiro

Ontem me lembrei de um sonho de anos passados. Ocasiões surpreendentes os sonhos. Chegam de inopino, esmaecem logo cedo nas manhãs e caprichosamente, por vezes, ainda permanecem grudados por debaixo das lembranças quais se nada tivessem a ver com elas, no entanto pertencentes à gente quais pedaços de nós mesmos.

Pois bem, naquele sonho me avistava a viver de dentro uma tempestade de intensas labaredas que circulava tudo em volta, onde, invés de lufadas de vento, lâminas afiadas de calor extremo sopravam de todas as direções, fogo avermelhado nas direções horizontais e verticais, a varrer o mundo, pessoas e objetos. O plano dos ares virava tão só fogueira imensa a lamber de horror o que houvesse em volta.

Víamo-nos em torno de árvores maiores, trocos de si já calcinados pelas chamas avassaladoras, onde pessoas agarradas pelas mãos umas das outras, ansiosas, desesperadas de aflição, clamava misericórdia. Enquanto isso, a intensidade do fogo vez em quando arrastava um dos agregados que sumiam nas distâncias, feitos palhas arrastadas pela correnteza do drama ígneo. Aquelas árvores significavam pontos de convergência magnética em que chegavam naves espaciais a recolher os que permaneciam azougados naqueles círculos de sobrevivência.

Espécies de missionários cósmicos, os tripulantes das naves salvavam os náufragos das chamas e os conduziam ao interior dos objetos voadores num exercício de recolhimento adrede previsto ao final daqueles tempos conhecidos. Desde modo, quis interpretar o que o sonho indicaria, que passei talvez uma década até hoje aqui estar contando seus detalhes.

De leituras e religiões que falam de algo semelhante, das narrativas das horas extremas do Planeta, quando profetas descrevem agruras de apocalipses por vindouros, chega a mim o conceito daquilo que avaliaríamos denominar o arrebatamento de que falam dos eleitos diante das vidas vividas neste chão das almas em que ora nos situamos e as previsões dos dias no futuro. Assim, de nitidez mordaz, restaram fixados na memória que trago a lume, aspectos fortes por demais do que presenciei naquele sonho, sem tirar nem acrescentar uma vírgula sequer.

Como entender os adágios populares de antigamente

   Até a década 60 do século passado, nossa região do Cariri – distante cerca de 600 km do litoral nordestino – era carente de comunicação com os centros mais adiantados do Brasil. Foi por isso que preservamos uma cultura própria, herança portuguesa, onde se destacava os chamados “ditados populares”.
   Lembro-me de alguns ditos que a população sempre repetia. Por exemplo: “Hoje é domingo, pé de cachimbo”. E ficávamos a imaginar o que seria um “pé de cachimbo”. Sabemos agora que o correto seria dizer: “Hoje é domingo pede cachimbo”. Ou seja, naquele tempo quando o tabaco era muito difundido entre nós, domingo era um dia especial para relaxar e fumar um cachimbo, ou mesmo para os mais aquinhoados em dinheiro, fumar um tradicional cigarro. 
    Eis outras dicas do Prof. Pasquale para entendermos os adágios de antigamente: Batatinha quando nasce, esparrama pelo chão”. O correto seria dizer: “Batatinha quando nasce, espalha a rama pelo chão”.
    Outro dito muito repetido outrora: “Cor de burro quando foge”. O correto seria dizer: “Corro de burro quando foge”
    Mais um: “Quem tem boca vai a Roma”. Ora, o correto seria dizer: “Quem tem boca vaia Roma”. Ou seja, vaia do verbo vaiar, no sentido de que "quem tem boca diz qualquer coisa, mesmo insana". Outro adágio de antanho dizia: “Fulano é cuspido e escarrado a sicrano”, a significar uma pessoa parecida com outra. O correto? Era dizer “Esculpido em Carrara”. Carrara é um tipo de mármore que vinha daquela cidade italiana. Era comum as famílias ricas mandarem fazer os túmulos dos seus mortos com mármore de Carrara. Esses jazigos, muitas vezes, eram ornados até de bustos de mármore dos falecidos, bustos semelhantes aos homenageados. 
     E para finalizar: “Quem não tem cão, caça com gato”. O correto seria dizer: “Quem não tem cão, caça como gato”. Ou seja, caça sozinho. 
      A partir da década 70, o Cariri começou a receber o sinal da televisão, vindo do Rio de Janeiro e São Paulo. Aí nossa população começou a imitar a cultura do Sudeste brasileiro.
       Deu no que deu.
Postado por Armando Lopes Rafael