18 abril 2018

Pega da tua cruz e me segue - Por: Emerson Monteiro

Há nisso de renúncia à própria existência prevista nos calendários da sorte. Um tal de esquecer-se de si mesmo e somar impossíveis aos passos. Acender outras luzes consistentes e imaginárias, porém longe dos afazeres toscos do chão das almas. Aceitar a dor qual fator de risco e promissão. Entregar o ego no altar do Eu, sacrifício que lembra João Batista no que lhe aconteceu. Após batizar Jesus no Rio Jordão, dali já sabia de que a sua missão se findava. Ele tratou de recolher as tralhas na mochila e abraçar sua paixão, no desfecho que logo viria, história sabida e comentada pelo correr das gerações. 

O que o moço rico não aceitaria, ao ser convidado por Jesus a segui-lo. Ainda não estava preparado a perder o mundo. Carregaria lá mais à frente a fuga das ilusões e histórias humanas que voam feito pó no espaço mundo afora. Abrir mão do certo, do ponto de vista material, pelo esplendor dos invisíveis, razão de tudo, porém nascido na memória dos quantos vivem o drama da purificação do Ser.

Nisto o tanto do tema religioso sob conceito de religiosidade original, no íntimo dos seres cientes que buscam revelação através das vidas. Elaboração do mecanismo das existências. Olhares inteligentes, no entanto carentes de precisão naquilo que exercem os valores naturais. Quem sabe de tudo já agora? Poucos, raros, raríssimos. Sidarta Gautama, o Buda, diria que existem alguns que descobrem essa luz de consciência, uns vinte, talvez, dentre multidões de civilizações.

Contudo estamos nesta missão de salvação. Outros motivos só explicam, todavia terminam diante das cordilheiras em que o tempo faz dimensão. Carece coragem, a extensão maior do poder dos humanos através da vontade opcional da liberdade. Correr?... Não sabem aonde. Usufruir, eis o que resta nos selos dos objetos que somem; fruir dos bens oficiais da carne e da poeira, e pronto. Será apenas isto? 

(Ilustração: Angelus, de Jean-François Millet).