03 abril 2018

Frei Antônio de Santana Galvão: o Santo que tinha sua alma nas mãos

Santo Antônio de Santana Galvão é o primeiro santo brasileiro. Frei Antônio foi  canonizado em 2007, na vinda do Papa Bento XVI ao Brasil.Existem mais dois santos brasileiros, embora não nascidos no Brasil: São José de Anchieta (nascido nas ilhas Canárias, Espanha) e Santa Paulina (nascida na Itália) . Neste artigo falaremos apenas de Santo Antônio de Santana Galvão.

   Ao entrar na capela do Mosteiro da Luz, em São Paulo, tem-se a impressão de estar a quilômetros de distância da agitada avenida em frente. O ambiente, de uma recolhida sacralidade, parece ter algo incomum. E realmente o tem: algumas pessoas rezam piedosamente em torno de uma lápide, sob a qual repousam os restos mortais do primeiro santo brasileiro, Santo Antônio de Santana Galvão (foto à esquerda).
     Voltemos atrás pouco mais de dois séculos, no final do século XVIII. O ambiente da capela é de uma serena expectativa. Entra um frade franciscano, tal como seu Fundador, amante da beleza e das coisas bem dispostas para o culto divino.
    As religiosas, suas dirigidas espirituais, o esperam para ver se lhe agradou a imagem de Santo Antônio modelada por algumas delas. O frade observa e, sem dizer palavra, dirige-se à imagem.
Mosteiro da Luz     
Contrariamente ao costume, haviam-na modelado tendo o Menino Jesus com o rosto voltado para frente. O costume era estar o Menino voltado para o santo, como a admirar a maravilhosa alma santificada por Ele mesmo. Frei Antônio toma delicadamente a cabecinha do Menino e gira para a posição correta… sem quebrá-la ou causar qualquer dano. Até hoje, quem vai ao Mosteiro da Luz pode admirar esta imagem. O Divino Menino olha comprazido a face de Santo Antônio.
Mosteiro da Luz, no centro da cidade de São Paulo, construído por Frei Galvão

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    Nascido em Guaratinguetá em 1739, foi admitido no Seminário Jesuíta com apenas 13 anos. Atendendo ao chamado divino, ingressou na ordem franciscana, sendo ordenado sacerdote aos 23 anos e foi designado para o convento de São Francisco, em São Paulo.
Túmulo de Santo Antonio Galvão
     Ali, no recolhimento, em meio às orações e meditações dá um passo decisivo em sua vida espiritual: consagra-se como escravo de Nossa Senhora com o voto especial de defender sua Imaculada Conceição.
      Conhece então a Irmã Helena Maria, religiosa de profunda vida de piedade, a quem Jesus pediu em visões que fundasse um mosteiro. Frei Antônio, depois de muitas orações e consultar pessoas virtuosas e instruídas, funda o atual Mosteiro da Luz, sendo ele mesmo seu arquiteto e… pedreiro.
       Muitas das atuais paredes do Mosteiro foram erguidas por ele. Tempos depois foi designado conselheiro do Superior Geral dos franciscanos pois, segundo relato apresentado ao Núncio, era “um religioso que, por seus costumes e por exemplaríssima vida, serve de honra e consolação a todos irmãos. Todo o povo da Capitania de São Paulo, o Senado da Câmara e o próprio Bispo o respeitam como um homem santo”.
       Os frutos de seu apostolado e a quantidade de seus milagres dariam para vários posts, se os quiséssemos simplesmente enumerar.
        Peçamos à Virgem Imaculada, Mãe de Jesus e nossa, que nos faça como ele: ardentes devotos d’Ela, procurando em primeiro lugar o Reino de Deus, e assim, tudo mais nos será dado por acréscimo.
Fonte: Site dos Arautos do Evangelho
 

Chapeado nº 90 -- Por Geraldo Duarte (*)

    Distante do cotidiano, reminiscências vivificam fatos desconhecidos pelos jovens. Assim, o artiguete Chapeado nº 18, aqui publicado, despertou lembranças de vários ledores. Daqui e do Interior. A senhora Edith Pinheiro, cratense, lembrou-se de Joaquim Alves Correia, nascido em Assaré e adotante do Crato para viver. Fez-se o Chapeado nº 90 ou, somente "Noventa", figura popular na terra do Padre Cícero. Tornou-se querido por todos.
      Adentrava as residências, dada a profissão. Muito observador e não menos crítico. "Pobre, 'arremediado' e rico têm a mesma mania esquisita. Botam os santos pra ver seus bate-coxas e escandelícias. Com os oratórios e os crucifixos na alcova". Apesar de pouco letrado, lia revistas usadas. César Pinheiro, pai de nossa informante, dava-lhe, costumeiramente, O Cruzeiro e Manchete. Numa das ocasiões, juntou algumas mais na dádiva. Dia seguinte, Noventa devolveu duas. "Seu César, num teve diacho que lesse! As letras tão tudo misturadas!". Eram periódicos da Checoslováquia.
       Na facilitação de entregas, usava um carrinho. E, na frente, escreveu: "Uma mão lava a outra". Um gaiato, leu e perguntou: "E as duas?". Pronta resposta: "O fiofó de sua santa mãezinha!". Casou-se três vezes. Povoou o Crato com dezenove filhos. Maria Vicência foi a última esposa. Foto circunspecta do casório, na posse de Edith, bem poderia ilustrar o Blog do Crato, em matéria que indico, de autoria de José Flávio Vieira, sobre o "sanguíneo, atarracado, delicado e com voz de barítono". Joaquim faleceu em 18/02/1994, entrando na história mítica local. Em futuro, outros chapeados citaremos.

(*)Geraldo Duarte,  Advogado e administrador
Publicado no jornal "Diário do Nordeste", 03/04/2018.

Justa proporção da natureza - Por: Emerson Monteiro

Eis a razão da religiosidade original, a que atendemos independente das religiões oficiais e dos códigos dos países. Há, em nós humanos, isso da justa proporção de tudo diante da matemática dos destinos. A razão das existências vive isto a toda hora; achar, buscar o princípio de todos os fundamentos do equilíbrio vejam a causa de estarmos aqui. Andar, andar, até encontrar. Atravessar mil obstáculos até chegar na paz das criaturas, motivo de idas e vindas, balanços e surpresas, escolas e paraísos.

A natureza repetirá constantemente a lição de viver com harmonia que demonstra no palco das horas. O ritmo do tempo, as cores, a temperatura, climas, intensidade da luz, ordenamento das estações, família, aprendizado. A máquina humana bem trabalha independente através da consciência em elaboração dentro das criaturas, no sentido de revelar tais funções de perfeição, no entanto de modo independente, livre dos nossos desejos particulares, na intenção de se integrar o Universo em nós. Enquanto durar a insistência de reinventar e não de obedecer, as consequências já demonstram o quanto distantes vivem os pretensos seres inteligentes de uma real sabedoria.

Mas a prepotência de querer dominar o indominável destas origens da existência tem limites sob os quais habitam desde sempre os humanos. De tanto quebrar a cara, lá um dia terminam por descobrir a fonte original e acalmar o furor que levaria ao sofrimento. São noites e noites de súplicas e desmandos, desmandos e súplicas. Os mecanismos naturais permitem refazer o caminho tantas vezes quantas necessárias sejam. As individualidades aqui regressam e percorrem trilhas antigas das histórias pessoais, e nisso reescrevem a própria história ao sabor das eras. Entretanto esse mecanismo custa os termos de aprendizado. Se de má vontade, resulta em lições dolorosas. Dotados de amor, serão doces os frutos da mais pura alegria.