29 março 2018

Para Você Refletir !-Por Maria Otilia

Nestes últimos anos, nós brasileiros temos vivido num país onde a  justiça, antes considerado maior instrumento de direitos para todos, vive com seus dias de “UTI”. Constatamos  uma inoperância  dos gestores  em efetivar o direito à segurança pública. Resultando na falência  dos órgãos que deveriam atuar em prol do direito de todos. Mas infelizmente a nossa justiça vem atuando simplesmente para um determinado grupo de pessoas. Estes são os famosos “políticos e empresários” corruptos. Para eles a justiça não é cega, nem imparcial. Para a população pobre, de maioria negra, baixa renda, baixa escolaridade, celas superlotadas. Para  a elite política e empresarial, prisão domiciliar .Como esta prisão pode ser considerada “castigo”,  se estão configuradas em grandes mansões, localizadas em áreas nobres, ou fazendas  com toda a estrutura  física para uma boa qualidade de vida?

Constatamos diariamente através da mídia, a efetivação da impunidade de crimes políticos. E quando julgados  são recheados de vários privilégios, como por exemplo  , a prisão do ex-governador do Rio de Janeiro e dos empresários  das diversas empreiteiras envolvidas na Operação Lava Jato.
Numa sociedade que ultimamente tem crescido a desigualdade social, uma mãe roubar um pote de margarina para alimentar seu filho, chega a ser um fato quase sem relevância, em relação a postura de políticos que usam e abusam do poder para “ roubar” o que é um bem público..

Enquanto  um político  não é preso por ter “foro privilegiado”, e poder responder em liberdade, os demais presos comuns do país seguem amontoados nas casas de detenções brasileiras.
Neste ano de novas eleições, cabe a nós eleitores realmente fazer uma reflexão da importância  das nossas escolhas. O voto ainda continua sendo a única arma para não   validar poderes  a políticos  que  não nos representam. Que não tem a menor  condição de realmente fazer valer a “função de representatividade” , executando, legislando a serviço daqueles que lhe confiaram esta função. O lema “ordem e progresso”  está  muito distante do Brasil que queremos, da pátria que sonhamos,  da ética, do respeito, da igualdade de direitos. Quando poderemos dizer que a justiça é igual para todos ? Todos somos iguais perante a Lei ?

Ceará, terra de paradoxos -- Por Jocélio Leal (*)

    A empresa que lidera o mercado de águas no País é cearense. Conforme o Euromonitor Internacional, o Grupo Edson Queiroz é líder nacional no mercado de água engarrafada, com 10,7%. O placar se refere até antes da compra anunciada ontem. A empresa cearense adquiriu a Nestlé Waters Brasil, a quinta colocada no ranking, com 1,9% do mercado - um oceano de água doce de R$ 24 bilhões no ano passado e 10,3 bilhões de litros.
     Ainda a água. Com capacidade de armazenamento de 6,7 bilhões de m³, o Castanhão é o maior açude da América Latina. Construído em meio a polêmicas, sucedeu no posto de maior barragem do Ceará, o Orós, equivalente a pouco mais da metade da capacidade do Castanhão.
     Agora os alimentos. A líder de massas e biscoitos do País tem sede no Eusébio, na Região Metropolitana de Fortaleza. A M. Dias Branco é uma gigante detentora de impressionantes 32% de market share (fatia de mercado) no Brasil. Na Bovespa, atingiu R$ 20.390 bilhões.
      Telecomunicações. No Interior do Estado, fica um dos cases nacionais no setor. A Brisanet, com sede em Pereiro (CE), atende 170 mil famílias no interior do Ceará, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte com serviços de telecomunicações – internet, TV e telefonia. Já entregou mais 10 mil quilômetros de fibra ótica até no fim do mês passado. Acaba de fechar R$ 20 milhões com o BNDES, em operação que o Banco do Nordeste tinha o maior interesse.
     Um dos destaques no segmento de saúde privada é de Fortaleza. O Hapvida tem cerca de 4 milhões de clientes em 11 estados. É um case de eficiência como empresa e está em pleno período de silêncio que antecede sua oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês).
      Poderia mencionar ainda o SAS, um dos principais sistemas de ensino do País, com 80 novas escolas em 2018 e 430 mil alunos. Tem planos de igualmente ir para a Bovespa. E nem se fale nos índices de aprovação no ITA, IME e Enem. Vide as escolas privadas locais. Farias Brito, 7 de Setembro, Master e outros. Ou também no varejo farmacêutico. A Pague Menos tem mais de 1 mil lojas, mas quer duas mil e um IPO.
    Água, comida, telecomunicações, educação, saúde. Referências nacionais na terra que lida com a falta d’água, com a pobreza extrema e com ainda vergonhosos 15,2% da população analfabeta. Há 1,34 milhão de pessoas analfabetas no Estado, o que confere ao Ceará o quinto lugar do País. Dados do IBGE.
     Os tais paradoxos podem ser lidos por ângulos distintos. Tanto servem para apequenar, como para exortar. Existe uma imensa dificuldade cearense de lidar com os extremos. Vivemos o que um dia já definiram como ciclos emocionais. Ora de ufanismo - com a sua inerente autoestima superestimada, como se fôssemos uma ilha da prosperidade (lembram?) – ora catastrófica, sapecada de derrotismo, como vemos no caso da segurança. Parece faltar o básico: racionalismo. Isto vale para os governantes. Por vezes, jovens, mas enquadrados em modelo anacrônico e, por esta razão, velhos. E vale também para as ruas.
   (*) Jocélio Leal é Jornalista do O POVO -- E-mail: leal@opovo.com.br 

Comentários 
Thiago Sampaio · Universidade Federal de Minas Gerais
Excelente! Ademais o estado é terceiro maior produtor de calçados, quinto colocado na produção têxtil e um dos que mais dependem do Bolsa Família.

O Brasil de hoje não é uma democracia; provavelmente nunca foi –– por José Roberto Guzzo (*)

A verdade é que o atual regime brasileiro não consegue dar ao cidadão nem sequer o direito à própria vida — um mínimo dos mínimos, em qualquer país do mundo
 O povo aprende mesmo? - Congresso Nacional: quase metade dos parlamentares tem algum tipo de problema com a Justiça (Pedro França/Agência Senado)

     O Brasil de hoje não é uma democracia; provavelmente nunca foi. É verdade que nos últimos trinta anos a “sociedade brasileira”, essa espécie de espírito santo que ninguém entende direito o que é, mas parece a responsável por tudo o que acontece no país, tem brincado de imitar Estados Unidos, Europa e outros cantos virtuosos do mundo. A tentativa é copiar os sistemas de governo que existem ali — nos quais as decisões públicas estão sujeitas à igualdade entre os cidadãos, às suas liberdades e à aplicação da mesma lei para todos. Os “brasileiros responsáveis”, assim, fingem que existem aqui “instituições” — uma Constituição com 250 artigos, três poderes separados e independentes uns dos outros, “Corte Suprema”, direitos civis, “agências reguladoras”, Ministério Público e as demais peças do cenário que compõe uma democracia.
    Mas no presente momento nem a imitação temos mais — pelo jeito, os que mandam no Brasil desistiram de continuar com o seu teatro e agora não existe nem a democracia de verdade, que nunca tivemos, nem a democracia falsificada que diziam existir.
     Como pode haver democracia num país em que onze indivíduos que jamais receberam um único voto governam 200 milhões de pessoas? Os ministros do Supremo Tribunal Federal, entre outras manifestações de onipotência, deram a si próprios o poder de estabelecer que um cidadão, por ser do seu agrado político, tem direitos maiores e diferentes que os demais. Fica pior quando se considera que sete desses onze foram nomeados, pelo resto da vida, por uma presidente da República deposta por 70% dos votos do Congresso Nacional e por um presidente hoje condenado a mais de doze anos de cadeia. Mais: seus nomes foram aprovados pelo Senado Federal do Brasil, uma das mais notórias tocas de ladrões existentes no planeta.
      Querem piorar ainda um outro tanto? Pois não: o próximo presidente do STF será um ministro que foi reprovado duas vezes seguidas no concurso público para juiz de direito. Quando teve de prestar uma prova destinada a medir seus conhecimentos de direito, o homem foi considerado incapaz de assinar uma sentença de despejo; daqui a mais um tempo vai presidir o mais alto tribunal de Justiça do Brasil. Outro ministro não vê problema nenhum em julgar causas patrocinadas por um escritório de advocacia no qual trabalha a própria mulher. Todos, de uma forma ou de outra, ignoram o que está escrito na Constituição; as leis que valem, para eles, são as leis que acham corretas.    Democracia?
      Democracia certamente não é. A população não percebe isso direito — e a maioria, provavelmente, não ligaria muita coisa se percebesse. Vale o que parece, e não o que é — o que importa é a “percepção”, como se diz. Como escreveu Dostoievski, a melhor maneira de evitar que um presidiário fuja da prisão é convencê-lo de que ele não está preso. No Brasil as pessoas estão mais ou menos convencidas de que existe uma situação democrática por aqui; há muitos defeitos de funcionamento, claro, mas temos um sistema judiciário em funcionamento, o Congresso está aberto e há eleições a cada dois anos, a próxima delas daqui a sete meses. Os analistas políticos garantem que o regime democrático brasileiro “está amadurecendo”. Quanto mais eleições, melhor, porque é votando que “o povo aprende”.

(*) José Roberto Guzzo é jornalista e trabalha para a revista VEJA

Comentários
Armando Rafael  Gostei do artigo. É longo. Se fosse publicado na íntegra pouca gente leria. Mas, é verdade. Democracia é quando todos têm direitos iguais. Isso não acontece aqui. Como disse o autor do artigo:"Não existe democracia quando os governos são escolhidos por um eleitorado que tem um dos piores níveis de educação do mundo".
"Como falar em democracia num país que tem mais de 60.000 assassinatos por ano?"
Quando Arautos do atraso pedem o fim da intervenção policial no Rio de Janeiro? e o fim da Polícia Militar?
"Direitos" só existem no papel. Na alardeada "Constituição Cidadã"...
No Brasil impera a demagogia, principalmente a que vem da esquerda troglodita.
Vejamos um trecho deste artigo:
"O brasileiro comum se aposenta com cerca de 1 200 reais por mês, em média, não importando qual tenha sido o seu último salário. O funcionário público, por lei, se aposenta com o salário integral; hoje, na média, o valor está em 7 500 mensais. Os peixes graúdos levam de 50 000 mensais para cima. São cidadãos desiguais e com direitos diferentes"
"É só olhar durante um minuto quem a população do Rio de Janeiro, em eleições livres e populares, escolheu para governar seu estado e sua cidade nos últimos trinta anos. Eis a lista: Leonel Brizola, Anthony Garotinho, a mulher de Anthony Garotinho, Benedita da Silva, Sérgio Cabral (possivelmente o maior ladrão da história da humanidade), Eduardo Paes e, não contente com tudo isso, um indivíduo que se faz chamar de “Pezão”. Assim mesmo: “Pezão”, sem nome nem sobrenome, como jogador de futebol do Olaria de tempos passados. Que território do planeta conseguiria sobreviver à passagem de um bando desses pelo governo e pela tesouraria pública? É óbvio que tais opções, repetidas ao longo de trinta anos, têm consequências práticas. O Rio de Janeiro de hoje, com sua tragédia permanente, é o resultado direto de uma democracia que faliu de ponta a ponta."