20 março 2018

Vontade e liberdade - Por: Emerson Monteiro

Uma não existiria sem a outra. Inexistisse vontade, a liberdade jamais existiria, porquanto esta nasce da iniciativa daquela, sua matriz e ação original. A liberdade, pois, é vontade em movimento. E a vontade, liberdade em potência. Ambas nisso equivalentes a causa e efeito. Daí dizer que não existe efeito sem causa, enquanto o efeito realiza a causa, daquela sendo resultante.

No desenrolar das ações humanas, mecanismo interior dos dramas terrenos, a liberdade repousa na vontade e a vontade se estende na liberdade. Sem vontade não há liberdade. Sem liberdade jamais existe vontade, portanto. Disso o pressuposto de que somos livres até onde deixam que o sejamos, de Sartre, assim dominem a vontade de terceiros.

Porém outro fator também existe fundamental por demais nas tais avaliações, a tal consciência. Seriam nisso as duas asas dos pássaros, e a cauda que as conduz, a consciência. Vontade e liberdade vagam perdidas nas ondas do mar do caos e em nada chegariam. Qual Sêneca a falar: - Não existe porto às naus sem rumo.

Os seres em potência na vontade e a ânsia das fortes liberdades seriam quais dois animais perdidos nas cordilheiras de tempo e espaço, sem causalidade determinante, a consciência. Apenas matérias primas da possibilidade, entretanto animais largados nas selvas da incredulidade, no dizer das populações: Um cego puxando um aleijado.

Nas manhãs depois das tempestades humanas, tentativas frívolas da impetuosidade, restarão, todavia, duas lesmas estiradas ao sol, a liberdade e sua mãe, a vontade, estéril, doce, aventureira, errante, das pessoas, culturas e civilizações. Sonhar, sonharam; bateram nos rochedos da inconsciência; porquanto saíram cedo e esqueceram de que lado onde morava a razão, filha dileta da causalidade. Elétrons e prótons, céu e mar, no entanto longe do sol das almas, asas de cera de Ícaro acima dos penhascos e da destruição.

Assim, vontade e liberdade, heroínas da História, contaria de serem mártires da inCoerência.

Ex-presidente do Uruguai José Mujica: ‘Nós da esquerda também cometemos erros’

Declaração do ex-presidente uruguaio soou como crítica a Lula. Mujica reclamou de “figura única” e pregou cuidado com conduta dos líderes
Fonte: Site VEJA
  (Ricardo Stuckert/Divulgação)
     Em um território tanto brasileiro quanto uruguaio, o Parque Internacional, na divisa entre as cidades Santana do Livramento e Rivera, os ex-presidentes dos dois países, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e José Pepe Mujica, sentaram-se lado a lado na tarde desta segunda-feira. Enquanto Lula elogiou a trajetória de Mujica, o uruguaio aproveitou a ocasião para cobrar que a esquerda “cuide enormemente” da conduta de seus líderes, que devem adotar um estilo de vida do “povo” e não da “burguesia”, e criticou a centralização em uma figura única.
     O encontro dos líderes é parte da agenda da caravana de Lula pelo Rio Grande do Sul. Diferentemente da caravana em Bagé, que foi recebida nesta manhã com protestos de ruralistas e empresários, em Santana do Livramento Lula foi recebido efusivamente por seus apoiadores. Rafael Côrrea, ex-presidente do Equador, também esteve presente no ato.
     “Nós, da esquerda, também cometemos erros. Também nos equivocamos. Não queremos aprender que as derrotas da esquerda são filhas de suas divisões. Desde a Revolução Francesa, da Espanha franquista, da Alemanha nazista, isso foi possível porque a esquerda se dedicou a lutar entre si, muito mais do que lutar com a direita. Temos de aprender, em toda a América Latina, que, sem unidade, não há poder. E que ninguém tem a verdade total. Nós que brigamos pela igualdade temos o dever de viver como vive a maioria do nosso povo, e não como vive a minoria privilegiada. Os partidos de esquerda têm de cuidar enormemente da conduta e da vida da gente que os representa. Porque a grande burguesia estende a mesa, nos convida e, por humanismo, temos de ir. Mas a mesa é deles”, disse Mujica.
      Atualmente senador, Mujica também criticou a centralização de lideranças em uma “figura única”. “As mudanças [sociais] não podem se respaldar em uma figura única e o futuro não é uma figura única. Há que se construir o partido”, disse o uruguaio. Ele também afirmou que “as verdades são relativas” e que não se “deve dividir a esquerda por qualquer coisa”.