19 março 2018

Choque de realidade - Por: Emerson Monteiro

Nós humanos gastamos vidas e vidas fingindo concretude nas produções que juntamos no decorrer dos tempos, nas gerações. Um tal de acumular bens, fortunas, qual dizem, montar as heranças, e nisso perder o bem mais precioso, o gosto de viver a vida em sua essência. Escorrem pelas pontas dos dedos as alimárias dos dias, metais derretidos, suculentos predicados de conquistas vãs e, lá certo dia, contudo, a onça caetana chega de olhos reluzentes e zap! engole num átimo os valores, apegos e maravilhas dos mortais atoleimados. Nós, eles mesmos.

Todavia há que ser assim, porquanto as determinações do impossível facilitam desse modo que assim seja. Restaria tão só aceitar os lenitivos e padecer as sortes várias que percorrem o calendário livre. Vigia, no entanto. Lembrai as parábolas e os místicos. Jesus a narrar o destino do agricultor que obtivera larga safra e tratava de construir novos silos para neles guardar os víveres consignados. Depois do tanto de trabalho, sentaria na varada do sítio a comentar consigo da virtude que agora dispunha a lhe oferecer tranquilidade nos dias de escassez que viessem.

E dos bastidores o Senhor comenta: − Triste alma, nem sabe que nesta noite virão cessar os seus dias.

...

Quanta insegurança vaga pelo seio das lutas humanas... Quanto alvoroço na busca desesperadas de migalhas largadas logo após. E a raça que somos de enxergar pouco nos mistérios tenebrosos o Infinito. Catadores de ilusão, eis o que seríamos em termos de lenitivo. Pescadores de talvez, de quimeras e afetos imediatos, nadamos nas águas profundas aonde sumiremos feitos heróis de fantasia. Criamos justificativas de persistir nos sonhos que, despertos, alimentamos de ocupação dos instantes quais inconscientes do que nos esperam os termos do  desconhecido imediato.

Igualmente contamos as histórias dos guerreiros que galgaram sucesso e viveram em paz diante dos valores eternos. Nada está perdido quando os propósitos revelarem em nós a perfeição de quanto existe durante as leis da Natureza.

(Ilustração: Leonardo da Vinci).

Fundador de Juazeiro do Norte será homenageado no Encontro Monárquico do próximo sábado, 24 de março

    No próximo sábado, 24 de março, no Iu-á Hotel de Juazeiro do Norte, será realizado o o 1º Encontro Monárquico Conservador do Cariri. O evento constará de palestras sobre o atual quadro sócio-político brasileiro, englobando questões históricas e econômicas, abertas a qualquer pessoa, monarquista ou não. Na ocasião serão prestadas homenagens a ilustres caririenses, todos falecidos, que se distinguiram como monarquistas, dentre eles o Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro, fundador de Juazeiro do Norte.

       Embora a maioria das pessoas pense ter sido o Padre Cícero Romão Batista o fundador  de Juazeiro do Norte, renomados historiadores afirmam que o verdadeiro fundador da maior cidade do interior cearense foi, na verdade, o Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro.  É o caso de Amália Xavier de Oliveira que afirma ter sido o Brigadeiro Leandro  o fundador do núcleo original que veio a ser hoje a cidade de Juazeiro do Norte.
        E isso ocorreu porque, dentre suas várias propriedades rurais o brigadeiro escolheu uma delas para viver seus últimos dias. Era a Fazenda Tabuleiro Grande, (localizada onde hoje se ergue a cidade de Juazeiro do Norte) assim descrita por Amália Xavier de Oliveira:

“... imensa extensão de terra, partindo do município de Crato e espraiando-se em direção à serra de São Pedro, era a Fazenda Tabuleiro Grande, pertencente ao brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro e que, portanto fazia parte da gleba de terra do engenho Moquém que seus avós doaram aos seus pais como dote, quando eles se casaram. O ponto mais pitoresco da fazenda era uma ligeira elevação do terreno, próximo ao rio Salgadinho, onde havia três grandes juazeiros, formando um triângulo e sobressaindo, entre os demais, pelo tamanho de sua fronde e pela beleza do verde de sua clorofila. Sob esta fronde acolhedora, procuravam abrigo os viajantes feiristas, que, de Barbalha, Missão Velha e outras imediações se dirigiam a Crato para vender seus produtos e comprar mantimentos para a semana (...)

"Ordenara-se Sacerdote o Pe. Pedro Ribeiro de Carvalho, neto do brigadeiro, porque filho de sua primogênita, Luiza Bezerra de Menezes e de seu primeiro marido, o Sargento-mor Sebastião de Carvalho de Andrade, natural de Pernambuco. Para que o padre pudesse celebrar diariamente sem lhe ser necessário ir a Crato, Barbalha ou Missão Velha, a família combinou com o novel sacerdote a ereção de uma capelinha, no ponto principal da Fazenda perto da casa já existente".

      Em 15 de setembro de 1827 foi lançada a pedra fundamental da capelinha de Nossa Senhora das Dores. Assistiu a essa solenidade o Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro, aquela época caminhando para os 87 anos de idade. A imagem de Nossa Senhora das Dores, destinada à capelinha, foi adquirida pelo brigadeiro em Portugal e ainda hoje é conservada, em excelente estado, na Casa Paroquial de Juazeiro do Norte.
      Deve-se, pois, ao brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro a iniciativa da primeira urbanização da localidade – conhecida inicialmente por Fazenda Tabuleiro Grande, depois chamada de Joaseiro – com a edificação da Casa Grande, de uma capela, além de residências para os escravos e agregados da família.
Por Armando Lopes Rafael

Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro – por Armando Lopes Rafael

    Quem era esse Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro? 
     Monsenhor Francisco Holanda Montenegro, no seu livro "As Quatro Sergipanas", descreve assim o perfil moral do fundador de Juazeiro do Norte: “... a relevar o nome do mais ilustre dos cratenses, o Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro, o nume tutelar dos Bezerra de Menezes do Cariri. Ele se tornou grande, primus inter pares, pela retidão de caráter, pela nobreza de sentimentos, pela vida exemplar de que era dotado. Homem de Deus, espírito límpido e transparente, franco, sincero, leal. A par de sua honestidade, corriam parelhas a prudência, o equilíbrio e o bom senso."

    Os registros da história dizem que quando o Padre Cícero chegou ao “Joaseiro”, para fixar residência, em 11 de abril de 1872, já como 6º capelão, encontrou um povoado formado em torno da capelinha de Nossa Senhora das Dores. Contava o lugarejo, à época da chegada deste sacerdote, com 35 residências, quase todas de taipa, espalhadas desordenadamente por duas pequenas ruas, conhecidas por Rua do Brejo e Rua Grande. Naquele povoado – à época da chegada do Padre Cícero – residiam cinco famílias, tidas como a elite do vilarejo: Bezerra de Menezes, Sobreira, Landim, Macedo e Gonçalves.
      Não padece dúvidas de que o brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro, viveu seus últimos dias na Fazenda Juazeiro, antiga Tabuleiro Grande, onde hoje se ergue a cidade de Juazeiro do Norte, por ele fundada, como afirma dona Amália Xavier de Oliveira.
       É verdade, porém, que o povoado só veio a ter alguma projeção a partir da ação evangelizadora do Padre Cícero. E o vertiginoso crescimento demográfico da localidade só começou em 1889, motivado pela ocorrência dos fatos protagonizados pela Beata Maria de Araújo, que passaram à história como “O Milagre da Hóstia”. A partir desse episódio, Juazeiro ficaria conhecida nacionalmente. Nos dias atuais, milhares de romeiros visitam Juazeiro do Norte, durante todo o ano.     
       A devoção à Mãe das Dores, como é carinhosamente tratada por seus devotos, foi espalhada por todo o Nordeste brasileiro. Hoje Juazeiro do Norte ganhou lugar entre as 100 maiores cidades brasileiras. E seu progresso vertiginoso é motivo de orgulho não só para os caririenses, mas para todos os brasileiros.

Fontes de referências:
Amália Xavier de Oliveira. O Padre Cícero que eu conheci: verdadeira história de Juazeiro do Norte. 3 ed. Recife: Editora Massangana, 1981.
Monsenhor Francisco Holanda Montenegro. As Quatro Sergipanas. Edição da Universidade Federal do Ceará, Coleção Alagadiço Novo. Fortaleza, 1996.

19 de março: São José, o protetor -- por Pe. Geovane Saraiva

Hoje é dia do Padroeiro do Ceará   

     
      São José, um santo inigualavelmente grande, na condição de Patrono da Igreja Universal, advogado dos lares cristãos e modelo dos operários, que nos ajude em nossa esperança de realização neste mundo e no outro. Pouco sabemos sobre sua vida, mas ela foi um sinal de fecunda alegria, transmitida aos seguidores de Jesus através dos Evangelhos, o suficiente para destacar de modo inaudito, a importância do Carpinteiro de Nazaré na história do povo Deus. Mesmo num contexto adverso ao projeto solidário do nosso bom Deus, que a solenidade São José faça crescer a esperança, reavivando e alegrando muitos corações.
       Voltemo-nos para São José, pensando na vida dos cristãos dos nossos tempos, por ocasião da Quaresma, ao se aproximar a Paixão de Jesus, sua morte e ressurreição, mistério da luminosa esperança para todos, ricos ou pobres, falando-nos de humildade na escuta e no diálogo com Deus, reconhecendo em São José a mão de Deus e seu amor pelo mundo. Que a festividade de São José, patrono da Igreja Universal, comemorado como padroeiro do Ceará, esposo puríssimo da mais elevada de todas as criaturas, convença-nos da mais absoluta certeza, conscientes da salvação que nos é oferecida. A missão de São José, servo bom e fiel, também com o título de o último dos patriarcas, foi a de fixar, na mente e no coração dos seguidores de seu filho, o estreito laço entre o Antigo e o Novo Testamento. Na sua segura esperança, o compreendemos pela disponibilidade, fazendo a vontade de Deus, ao aceitar o cumprimento das promessas divinas, acolhendo-o como doce protetor e implorando o vosso socorro.