04 março 2018

Transformações - Por: Emerson Monteiro

Aos olhos vistos, mudanças aconteceram nesses tempos em razão das novas tecnologias. Os meios de comunicação demonstram com facilidade tais ocorrências de larga repercussão. A utilização de veículos há pouco de amplas possibilidades e mercado, em poucas décadas, duas talvez, deixou de apresentar crescimento e rentabilidade. A mídia impressa, jornais e revistas, reduzem tiragens e principiam a fechar as portas. O disco, em princípio que dividia espaço com fitas, depois com CD, agora demonstra impossível continuidade, forçando os produtores a recorrer às mídias de internet e experimentar matrizes outras até então desconhecidas. Os filmes, sucedâneos do teatro, dos VHS aos DVD também perderam mercado e as locadoras se veem na condição de insolvência inevitável. O livro ao seu modo, ainda que resistente durante certo período, hoje mantém o espaço de venda tão só aos raros letrados que leem, espécie de elite dos iniciados.

Isso em menos de três décadas e o mundo da comunicação de massa já reúne mutações jamais imaginadas, face ao desenvolvimento da transmissão de dados e aos fatores da técnica eletrônica dos condutores aperfeiçoados nos materiais de uso, surpresa dos mais audaciosos ficcionistas. Portanto, as tais inovações exigem criatividade extrema de artistas e empreendedores da industrial cultural. Ainda que busquem acelerar o processo de adaptação, persistirá uma longa defasagem a ser superada, isto sem a suficiente capacidade humana que corresponda vencer os desafios.



O rádio, a televisão, eis outros meios em xeque diante de tudo o que logo virá no desmonte verificado. Os telefones celulares agora significam salas de cinema, veículos de comunicação de massa portáteis, espécies de computadores de bolso, pedra de toque de tudo quanto circula no pensamento da atualidade, de largo poder de penetração e portabilidade. Espécie de segunda natureza da civilização, esses equipamentos representam o resultado de toda busca da transmissão de informação ambicionada durante toda a história. Resumo das pesquisas da indústria técnica e instrumento de propagação das modas e das ideias, nunca houve tanta expectativa com relação aos frutos de uma invenção humana de tamanha envergadura.

Mário Ferreira dos Santos. Um gigante desconhecido.

Pequeno trecho do livro "Versos Áureos de Pitágoras" de um dos maiores pensadores do mundo, o filósofo brasileiro Mário Ferreira dos Santos.

"A elevação do homem só pode dar-se pelo caminho da purificação da vontade, do entendimento e do amor. Há necessidade aí de uma catarse constante. No segundo grau deve ele prosseguir se libertando de tudo quanto vicia o que é de mais elevado no homem: a vontade, o entendimento e o amor.

Vimos nos comentários de Hiérocles que é este o sentido da sua interpretação e é a de todos os grandes pitagóricos, ou seja: somos um ser capaz de atingir os graus eminentes, hierarquicamente superiores na vontade, no entendimento e no amor; por isso não há um pitagorismo que se cinja apenas à conquistar a liberdade, porque a liberdade sem ser assistida por um entendimento são e por um amor puro, será imperfeita. Não é apenas cultivar o entendimento pelo saber, porque o saber sem uma vontade livre, já libertada e isenta de paixões e sem um amor purificado, servirá mais para o mal do que para o bem. Da mesma forma, o amor não pode ser apenas um anelo intenso de um bem ou de algo desejado se não for assistido por uma vontade livre e por um entendimento purificado porque, do contrário, tudo isso em vez de aproximar da Divindade, dela nos afastaria. O satanismo também pode atingir uma vontade livre, um entendimento elevado e pode ter um amor intenso nos mais altos graus, mas será uma vontade desviada para bens que não dignificam o homem, que não o elevam. Será um conhecimento que não tende para as realizações superiores, será o amor dirigido não para aquilo que eleve, mas sim para o que deprime. O grave erro foi julgar-se que bastava apenas uma vontade livre, um grande saber e um intenso amor para que o homem atingisse a sua perfeição. Não! É preciso que essa vontade seja livre das paixões e dirija-se para o bem que o entendimento ou a inteligência escolheu, e o amor deve estimular e unir tudo isso. Devem juntos tender para o alto, para o superior, do contrário esse homem, em vez de subir a escala da perfeição e aproximar-se das virtudes divinas, permanece com virtudes humanas, que os tornariam poderoso, no campo do mal e não no campo do bem. Esta distinção, a nosso ver, é muito importante.

Pitágoras e seus discípulos observaram em todas as crenças (sobretudo ele que viajara e vira os mais diversos povos) os homens prestarem homenagens aos deuses mais estranhos, porém sempre notou que tinham um anseio maior ou menor de perfeição. Se seguiam vias erradas era devido a verdade não estar bem assistida pelo entendimento. Se o ódio, às vezes, dominava, era porque o amor se desviara e se tornara ódio para tudo quanto impedia a conquista do bem por eles julgado superior. Compreendeu, então, que nem todos os seres humanos são capazes de percorrer esta via, que é a iniciação, de entrar neste caminho e passar as etapas para alcançar, enfim, a perfectibilização constante da vontade, do entendimento e do amor. Era assim preferível que estes pelo menos prestassem aos deuses o culto consagrado e guardassem cuidadosamente a sua fé. O trabalho dos pitagóricos teria que ser lento e oculto, no maior silêncio. E por que? Porque como poderiam eles ir às multidões e dizer: “A vossa crença é apenas temor, terror; vós não praticais o mal porque temeis os castigos que a religião vos ameaça, vós praticais o bem na esperança de obterdes vantagens. Estais errados, tendes, sim, que seguir outro caminho.” Essa atitude dos pitagóricos não seria absolutamente construtiva, seria perniciosa! Favoreceria o ateísmo (cujos estragos foram e são terríveis na História...) daí que, em primeiro lugar: preparar homens para que se tornassem amanhã os mestres de uma juventude que, por sua vez, quando adulta, fosse capaz de multiplicar o verdadeiro conhecimento; e que pudessem resistir à invasão das falsas idéias que assolavam as escolas e ameaçavam subverter o pensamento. Deste modo dar um conhecimento profundo, permitindo que o homem atingisse as realizações perfectivas superiores, tornando-se semelhante à Deus.

Esta era a única solução e, ainda hoje, o é! Tudo mais tem malogrado porque não podemos deixar de considerar esta verdade: a maioria dos seres humanos não tem o conhecimento suficiente, não possui os meios necessários para compreender a grandeza de uma vida pitagórica. Não podemos contar com o bem espontâneo do coração humano, porque este é raro ou, pelo menos, o é num grau tão ínfimo que não vence as paixões e os interesses aguçados por aqueles que sabem como explorá-los, para tirar vantagens dos mesmos em seu próprio e único benefício. Eis porque o pitagorismo não podia atuar como atua um partido político, nem como um simples culto que fala às multidões, procurando transmitir algumas idéias. O trabalho deles era muito maior e é muito maior hoje em dia. A construção do homem bom e justo é um trabalho milenar! Se tivesse começado e sido levado em frente, como Pitágoras pretendia, teria dado maiores frutos do que deu. Este trabalho é incompreendido por aqueles que tem uma visão estreita, utópica, quimérica da sociedade, que julgam que basta modificar apenas algumas relações humanas, mudar algumas situações para transformar profundamente e essencialmente o homem. Eles demonstram pouco conhecer a realidade da alma humana, pouco sabem do homem no seu íntimo e não percebem dos graves perigos que todo o ser humano está exposto. (...)"

(SANTOS, Mário Ferreira dos. Versos Áureos de Pitágoras)

Artigo sobre Geraldo Urano no III Seminário Nacional de História e Contemporaneidades

  
               Carlos Rafael, Geraldo Urano e o cineasta Francis Vale. (Foto: Luiz Carlos Salatiel)

Artigo de autoria do historiador Carlos Rafael Dias sobre a vida e a obra do poeta Geraldo Urano será comunicado no II Seminário Nacional de História e Contemporaneidades, que acontecerá de 6 a 9 de março, na Universidade Regional do Cariri - URCA. A comunicação acontecerá no Simpósio Temático História e Literatura, das 8 às 12 horas do dia 8 de março, no Auditório do GeoPark Araripe, campus do Pimenta, Crato.

O Artigo, intitulado Lugar de fronteiras é no infinito: liberdade e irreverência na poesia de Geraldo Urano tem o seguinte resumo:

A região do Cariri cearense foi palco, com ênfase na década de 1970, de um movimento cultural protagonizado por jovens artistas e intelectuais. Nesse contexto, destaca-se a produção literária do poeta Geraldo Urano, marcada pelo experimentalismo, irreverência, contestação e engajamento sociopolítico, com fortes características de universalidade, mas sem perder o sentimento regionalista.
Assim, esta comunicação busca contextualizar a produção literária deste autor caririense com a respectiva conjuntura histórica, onde se observa um interessante conflito de gerações calcado no embate de valores entre modernidade e tradição. A conjuntura local abordada reveste-se de um momento histórico bastante rico, onde tanto as transformações como as permanências dão uma tônica toda especial, repercutindo um fenômeno de ordem global, conhecido na literatura especializada como revolução contracultural.
 Neste contexto, o poeta Geraldo Urano assumiu o lugar de porta-voz de uma geração inquieta e marcada pela vontade de participação e enfrentamento a um establishment reativo às ideias e aos ideais de liberdade e modernidade. No entanto, o faz assumindo alguns elementos imagético-discursivos elaborados e propagados pela geração antecessora, fundadora do Instituto Cultural do Cariri - ICC, que propõe uma identidade regional com base no telurismo e na tradição.
Além de analisar o discurso poético uraniano, o artigo busca demonstrar como ele serve como elemento de compreensão e interpretação de uma conjuntura complexa pela grande efervescência cultural típica de uma época de grande potencial de transformação, num contexto contraditório por conta da vigência, no Brasil, de um regime político autoritário instaurado pelo golpe militar de 1964.

Fonte:  https://blogvagalumes.blogspot.com.br/