20 fevereiro 2018

A primeira parceria de Caetano Veloso



Por Carlos Rafael Dias
Especial para o Blog do Crato


O Crato já foi descrito pelo teatrólogo carioca Paschoal Carlos Magno como uma das mais belas cidades do Brasil. Mas não é só pela sua beleza física que o Crato e por extensão o Cariri cearense é festejado e divulgado. O Crato é também reconhecido por ser terra de mulheres e homens notáveis, sejam naturais ou adotivos. São inúmeros os exemplos de cratenses ilustres, que não vamos nominar por mera questão de espaço e tempo. Mas, para resumir a importância do Crato basta lembrar o epíteto de Capital da Cultura com o qual a cidade é cultuada no imaginário regional. O imponente título justifica-se não somente pela tradição que a cidade tem no campo da educação e das letras, mas também pelas grandes quantidade e qualidade de artistas que brotam por estas bandas, tal como pequi na serra.
Para cratenses ufanistas como eu, essas informações já não causam mais tanta surpresa. Acostumamo-nos a enxergar o Crato como uma cidade naturalmente importante e bela, como que vocacionada a ocupar sem muito alarde um lugar de destaque no cenário nacional. Mas, vez por outra, somos surpreendidos por revelações que merecem ser espalhadas ao vento.
A última surpresa que tive veio da biografia do cantor e compositor baiano Caetano Veloso, de autoria de Carlos Eduardo Drummond e Marcio Nolasco. Nela, os biógrafos do renomado tropicalista contam um fato no mínimo interessante: a primeira parceria de Caetano Veloso foi com um cratense. Eis como essa passagem é narrada:

Depois de se formar professora em 1955, Mabel passou a lecionar em casa. Nas horas vagas, Caetano assistia às aulas da irmã e quase sempre decorava as capas dos cadernos com desenhos caprichados. Além disso, aproveitava para instigar a criatividade da irmã com suas ideias.
“Em maio, no dia das mães, Mabel decidiu fazer uma festa diferente. Ensaiou uma coreografia com as crianças e preparou uma delas para recitar um poema que versava sobre “sonho”, do cearense Martins d'Alvarez. Caetano observou o ensaio quieto, matutando em segredo o plano que ele revelaria apenas no final. Por que o poema não poderia ser cantado em vez de recitado? E ainda se ofereceu para fazer a música. [...]
“No dia marcado, tudo estava pronto e bem ensaiado. Caetano, ansioso, sentou na fila do gargarejo para curtir o momento. No final do número, as mães dos alunos [...] adoraram
.”

Antes de prosseguir, é mister esclarecer dois pormenores: esta parceria de Caetano Veloso nunca foi registrada em disco e o seu parceiro, o poeta Martins D’Alvarez, é barbalhense de berço. Porém, Martins D’Alvarez é tão cratense quanto barbalhense, visto que é dele a autoria da letra do hino do Crato, uma das mais belas composições que já ouvi e cantei. Não precisa de atestado de naturalidade nem de título de cidadania quem traduz uma cidade com versos maravilhosamente fortes como “Flor da terra do sol / Ó berço esplêndido / Dos guerreiros da Tribo Cariri / Sou teu filho e ao teu calor / Cresci, amei, sonhei, vivi. Além do mais, Martins D’Alvarez viveu toda a sua infância e adolescência no Crato, onde cursou todo o ensino inicial. Certo que depois virou um cidadão-sem-fronteiras, morando em Fortaleza, onde se formou dentista pela Faculdade de Farmácia e Odontologia do Ceará, e depois no Rio de Janeiro, onde foi professor do Colégio Pedro II e catedrático da Universidade do Brasil, hoje Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). No entanto, foi como poeta que ele se tornou conhecido, a ponto de hoje figurar, como uma importante referência, na memória de um dos mais renomados compositores da música popular brasileira.
E isso não aconteceu à toa. Para os místicos, como eu, tudo tem uma causa plausível. Assim como também para o psiquiatra suíço Karl Gustav Jung, que até desenvolveu uma teoria a respeito, a Sincronicidade. Para ele os acontecimentos se relacionam não por relação causal e, sim, por relação de significado. Desta forma, é necessário que consideremos os eventos de forma sincrônica, como fatores que conspiram para um determinado e sublime fim.
Já o físico austríaco Fritjof Capra, no seu livro O tao da física, fala de uma experiência que teve à beira-mar, em um fim de tarde de verão, quando percebeu o desenvolvimento de todo o meio ambiente em volta como se estivesse numa gigantesca dança cósmica: areia, rochas, águas e ar que lhe rodeavam, feitas de moléculas e átomos vibrantes, interagiam, em um balé de criação e destruição. Capra, com as lentes da física quântica, revela a sincronicidade que rege a vida, onde matéria e energia complementam-se e as partes do todo interagem, criando e destruindo ao mesmo tempo, ritmicamente. Na lente do misticismo, seria uma espécie de um grand pas de deux dançado por Brahma e Shiva, deuses da trimúrti hindu, que representam, respectivamente, a criação e a destruição do universo.
Toda essa teoria, por sua vez, pode ser resumida em um provérbio popular que virou verso de um sambinha que ouvi quando criança no Festival da Canção do Cariri e que nunca mais esqueci: até as pedras se encontram.
O “encontro” de Caetano Veloso e Martins D’Alvarez pode ser tratado como um exemplo típico de sincronicidade. E desse “encontro” toda uma trajetória excepcional foi gestada. Caetano Veloso que há cinquenta anos é tido como um gênio da música brasileira foi iniciado no mundo mágico da composição pelos versos de um poeta que bebeu a água que jorra da chapada do Araripe e comeu rapadura feita nos engenhos do Vale do Cariri. E isto foi tão marcante na dança cósmica universal que até hoje reverbera, possibilitando novas criações recicladas do húmus do que um dia já foi verde e vivo.
E assim segue a vida, levando de roldão a humanidade. Ou seria o contrário: a humanidade caminha, levando de roldão a vida?
Não importa. Como cantou “o velho compositor baiano”: tudo é perigoso, tudo é divino maravilhoso.

Um amor a mais - Por: Emerson Monteiro

E acordar na velha estação em que aguardam o comboio da sequência natural do que existe e existirá para sempre. Sacos de dormir espalhados pelo chão frio do alpendre imenso. Pessoas e olhos ainda entumecidos se olham quais ouvissem pela primeira vez a chuva fina que cai na serra em volta. Crianças andrajosas. Malas. Caixas e flores. Armamentos. Instrumentos musicais silenciosos. Nuvens. Muitas nuvens escuras a circular em volta de tudo, tais bichos de estimação dos futuros passageiros da nave que lá vem do espaço sideral distante. E todos brincam naquela praia no mar da certeza bem certa.

Bom, a notícia percorreu as consciências dos viajantes. Sabem por demais que serão recolhidos através da bólide gigante que percorre o Infinito desde o nascer das primeiras horas. Ninguém restara abandonado pelas estradas do tempo. À medida dos elementos, as escolhas da vontade serão traduzidas agora ao poder do Mistério Tenebroso e revertidas em resultados no palco principal das histórias individuais. Espécie de julgamento de si mesmos que trataram de promover naquilo que praticaram, pesos atômicos espirituais, a cada um conforme o merecimento. Sabem disso à fartura. Nunca enganaram à própria consciência. Receberão, daqui a pouco, o soldo que lhes competirá.

E eles entreolham a massa de corpos, luzes em potencial, na grandeza de que jamais passarão impunes do mal e do bem que praticaram na balança do barco em vieram até aqui. Enquanto isso, a nave percorre o espaço na velocidade da luz. Chegará infalivelmente na ocasião prevista na ordem dos traços largados ao acaso que nem existe, pois do mínimo ao máximo há um só sentido absoluto nas lendas em que habitaram desde as cavernas.

Dentro dos corações sabem disso. Apenas agora esperam chegar os enormes vagões que os recolherão de portões abertos. Cobertos da fuligem das eras em que viveram, aceitarão o preço da liberdade, espécies de alimárias da Natureza mãe. Filhos do Pai Eterno, sabem, portanto, que amar é ser assim. Aceitar o momento de existir quando ninguém viveu abandonado hora nenhuma durante o caminho que restou nas outras madrugadas, porquanto somos dotados de gosto na escolha do destino, isto que significará a sorte de sonhos que alimentávamos todo momento à busca dos resultados definitivos.

Para matar cidades vizinhas de inveja: só no Parque das Timbaúbas, Prefeito de Juazeiro está plantando duas mil árvores

Fonte: Blog Portal do Juazeiro
    O Parque Ecológico das Timbaúbas irá ganhar o plantio de 2 mil mudas entre espécies nativas, frutíferas e de sombreamento. Atualmente o espaço, com cerca de 70 hectares, passa por limpeza, com o cuidado de proteger os recursos ambientais, levando em consideração a conservação do seu ecossistema e biodiversidade.
   Em algumas áreas, onde já aconteceu limpeza, já foram plantadas mudas de ipês, limoeiros, entre outras. O principal objetivo, segundo o secretário de meio ambiente e serviços públicos, Luiz Ivan Bezerra, é a conservação do parque. “Estamos aproveitando essa quadra invernosa para fazer o plantio das 2 mil mudas frutíferas e de sombreamento”, afirmou.

Revitalização

    Os serviços vêm sendo realizado sob orientação das equipes técnicas da Semasp, da Autarquia Municipal de Meio Ambiente (AMAJU), e da Secretaria de Agricultura. O parque, que será revitalizado, está em processo licitatório por meio do Governo do Estado do Ceará.
    O projeto, criado pela Secretária de Infraestrutura e arquiteta, Gizele Menezes, prevê instalação de pórtico de entrada com guarita, a criação de um calçadão, bem como a recuperação da praça já existente e da edificação, também existente, onde atualmente funciona a Secretaria de Meio Ambiente e Serviços Públicos (SEMASP).
     A proposta também dispõe da criação de uma pista de cooper e outra de passeio para a população que frequenta o local. Dois playgrounds, um para crianças de 1 a 7 anos e outro para aquelas que tiverem de 8 a 12 anos. Haverá a criação de duas academias, banheiros públicos, recuperação e instalação de iluminação no local.
Foto: Hélio Filho (ASCOM/PMJN )