19 fevereiro 2018

O mito da liberdade - Por: Emerson Monteiro

Disto nasceria a ilusão dos desacertos de quando achamos tudo poder fazer e não ter a quem responder por isso. Agir ao sabor dos impulsos, dos instintos, daí produzir os achaques de vidas inteiras, seguidos de remorsos inconsoláveis e dores as mais atrozes. Afrontar leis da natureza virgem quais feras perdidas nos desalentos amargos da violência e prostrar o senso da responsabilidade em jogar lá longe o gosto de viver com arte e sabedoria.

São esses nós, os humanos, que pisamos este chão das almas em viagem infinita. Eles, nós, que sujeitamos o amor da perfeição ao desvalor dos caprichos imediatos. Nós, eles, os párias da ingratidão, que abandonamos os braços dos perdidos nos destinos e chances de regressar aqui noutras vidas talvez bem melhores, através do princípio da reencarnação. Animais ensinados nos hábitos selvagens dos antigos salteadores da floresta e formadores de bandos agressivos, torpes suicidas da sorte.

No entanto há de achar logo ali imensa na maravilha de Deus em nós, seres espirituais que já somos. Juntar as luzes das experiências em construir futuro promissor, brilhante. Artesões dessa harmonia de sábios em evolução, e nisso abraçar de bom grado a justiça do equilíbrio em querer a si o que que aos demais, a reciprocidade da quietude na felicidade. Reunir momentos bons e deles retirar a alegria dos dias abertos aos sonhos da Paz. Sorrir o riso dos santos e adorar céus de esperança naquilo que produzir dos melhores tratados sociais de viver em sociedade.

Isto, o mito da liberdade em plena flor das manhãs de primavera. Nossas ações positivas que falam alto das sementes boas que plantarmos no coração das outras pessoas. Cabe, entretanto, aos planos superiores, o julgamento dos que falharem, e nunca a nós próprios. Existem patamares além das únicas atitudes desesperadas dos insolentes. Liberdade de ser bom e agir quais ensinam os mestres de maior Consciência.

19 de fevereiro: Há 135 morria o Servo de Deus Padre Ibiapina – por José Luís Lira (*)

 José Antônio Maria Ibiapina, nasceu em Sobral, em 5 de agosto de 1806 e faleceu no município de Solânea (PB), em 19 de fevereiro de 1883. Há 135 anos, portanto,  retornava à Casa do Pai o Servo de Deus Padre Ibiapina
      Homem culto, filho de Francisco Miguel Pereira e Teresa Maria, formou-se em Direito, tendo sido professor de Direito na Faculdade de Direito então de Olinda, hoje em Recife, na qual compôs a primeira turma de bacharéis e por sua notabilidade foi convidado a ser professor, tendo se destacado, também, como grande advogado. Ocupou cargos na magistratura e na Câmara dos Deputados.      Depois, decepcionado com muitas injustiças e por questões pessoais, abandonou a vida civil para seguir o sacerdócio.
      Aos 47 anos, iniciou uma obra missionária, percorrendo a região Nordeste em missões evangelizadoras, erguendo inúmeras casas de caridade, igrejas, capelas, cemitérios, cacimbas d'água, açudes. Ensinou técnicas agrícolas aos sertanejos, atuação que inspirou no Nordeste o Padre Cícero e Antônio Conselheiro, e defendeu os direitos dos trabalhadores rurais.
      O zelo apostólico do Padre José Antônio Pereira Ibiapina, no percurso do século XIX, no interior do Nordeste brasileiro, deixou marcas significativas, não apenas na organização posterior da Igreja, mas, sobretudo, na vida das pequenas comunidades desta região.
       Nertan Macedo, jornalista-pesquisador sério da história sertaneja cearense, afirma que Conselheiro, possivelmente teve oportunidade de participar das pregações do Padre Ibiapina na região de Ipu, Ceará, quando ali morou e que certamente teve forte influência deste deste missionário. Para reforçar sua tese afirma que o tratamento de "meu Pai" e a saudação "Louvado seja N. S. Jesus Cristo" adotada por Conselheiro e seus seguidores, foram copiadas da prática ibiapiniana.
       Antônio Bezerra comentou, ao visitar uma Casa de Caridade, um ano após a morte do Padre: “... homem prodigioso, que trocara a toga de magistrado, honrada sempre com as glórias de seu trabalho superior, pelas vestes de sacerdote desconhecido e ignorado... cuja vida fora constante exemplo de santidade e heroísmo”. Gilberto Freire assim descreveu sua ação: “Sozinho e em luta áspera com obstáculos de toda a espécie, Ibiapina levantou nos sertões do Nordeste, entre mandacarus e chique-chiques, uma admirável organização cristã de assistência social ao sertanejo, de educação doméstica e industrial da mulher do interior, de amparo a órfãos e a doentes, de combate às secas...”
Oração pela beatificação e canonização do Padre Ibiapina
      Eterno Pai, Vós sois o amor e a misericórdia. Somente Vós conheceis tudo o que se passa em nós. Vide, pois em meu socorro na necessidade que me aflige. Neste momento, eu me dirijo a Vós, lembrando a pessoa tão amada do Padre Ibiapina. Ele foi fiel discípulo do Vosso Filho Jesus e cheio dos dons do Espírito Santo. Foi devoto sacerdote, incansável, missionário e sábio conselheiro da Igreja, sobretudo, no serviço dos padres e necessitados do Nordeste do Brasil. Por isso, pela sua intercessão, concedei-me, ó Pai, a graça de que especialmente necessito e agora vos apresento... E como sinal da santidade evangélica deste Vosso Servo, concedei, ó Pai da eterna glória, ao nosso companheiro de fadigas, o Padre Ibiapina, a honra dos altares em Vossa Santa Igreja. Que a Virgem Maria, a quem ele tanto amou, na terra, seja a nossa advogada, no céu! Agradecidos queremos nos unir ao Padre Ibiapina e com ele sempre vos louvar, ó Trindade Santíssima, Pai, Filho e Espírito Santo. Amém.
Pai Nosso... Ave Maria... Glória ao Pai... (Com aprovação eclesiástica)

 (*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com vários livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.


   

Memorial da Imagem e do Som do Cariri registra:

109 anos de nascimento do poeta-maior Patativa do Assaré
Por Jackson Bantim (Diretor-Fundador do Memorial da Imagem e do Som do Cariri Luiz Gonzaga de Oliveira)

Um dos maiores privilégios que tenho, ao longo de uma já longa existência, foi ter conhecido, convivido e privado da amizade de Patativa do Assaré, um dos maiores poetas da língua portuguesa e, quiçá, do mundo.
Um pouco dessa amizade, que tanto me enche de orgulho, estar registrado no vídeo “Depoimento de uma amizade: de Patativa do Assaré à Jackon Bantim (Bola)”, que realizei como uma prova da grande estima e admiração que tenho ao poeta-maior e, notadamente, como uma forma de gratidão pela sua amizade.
Se já bastaria ter conhecido a imortal obra poética de Patativa, um verdadeiro tesouro de sabedoria e sensibilidade, imagina, então, ter conhecido e convivido, desde os anos 1970 até o seu falecimento, em 2002, com a sua pessoa de infindáveis virtudes humanas. Patativa foi um verdadeiro cavalheiro, no sentido mais clássico e profundo do termo, e, consequentemente, um amigo leal, generoso e de uma afeição incomum. Isso sem falar, no deleite que foi compartilhar um pouco de sua intimidade familiar, conhecendo sua dileta esposa, dona Belinha, seus filhos e filhas.
Inesquecíveis e providenciais foram os dias em que me abalei do Crato até Assaré, inicialmente para a Serra de Santana e depois para a casa perto da Igreja-Matriz, onde o poeta passou os seus últimos anos. Foram momentos de grandes e sábias lições que tomei com o poeta-mestre, pérolas de vida que até hoje me são válidas.
Próximo de completar mais um aniversário de nascimento de Patativa, que transcorrerá no próximo dia 5 de março, faço a primeira de muitas homenagens devidas, compartilhando com os leitores do conceituado Blog do Crato este pequeno, mas valioso documentário que deixou registrado um lampejo do que foi uma amizade entre duas pessoas que se irmanaram pela identificação recíproca, pela vida, pela arte.  Para assistir ao documentário, basta clicar no link abaixo:
https://www.youtube.com/watch?v=_4u0vRHNFV8

Parabéns, meu amigo Patativa.