02 fevereiro 2018

Sonhos de paz - Por: Emerson Monteiro


Quão poucas vezes, à medida das suas necessidades, os humanos vivem períodos de plena paz. Desde sempre, vieram primeiro as urgências de sobreviver diante das intempéries e do meio. Lá adiante, com o exercício da posse das terras e dos bens perecíveis, chegaram os apegos patrimoniais e a ânsia da prepotência sobre os demais. Nisto cresceram as dependências abstratas ao poder temporal. Eis o quadro atual. Ricos versus pobres; nações desenvolvidas versus emergentes e miseráveis. O cenário é um só, o circular das gerações perante o definitivo do que nunca vem, aos limites deste chão. Vaidades mil. Supérfluos versus fome. Leveza contra ansiedade.

Nisso resta clara a ineficácia da imaginação dos acadêmicos. E os frutos vagam soltos pelo ar das multidões enfurecidas nas guerras de conquistas e manutenção dos domínios, largando longe o direito dos simples de querer tranquilidade. Paz vira sonho, só sonho. Só ilusão dos desamparados, de artistas visionários, enquanto eles planejam novas desavenças, pouco importando o custo de vidas e harmonia.

No entanto se sabe o quanto de ilusão isto significa em termos de verdade. Espécies de celerados no comando, bobos enfurecidos, detonam as armas que eles mesmos planejaram e fizeram a troco da destruição. E saber que tudo isso representa única e apenas a falácia das ideias e dos direitos todos sabem, na esquizofrenia das feras famintas de civilização. Destroem a natureza, ferem, dominam a inutilidade, nos empreendimentos falsos.

Salvar a si, eis a que estamos aqui. Este o sonho de paz na imensidão. Reverter a origem do sonho e preservar o amor nos corações. Toda a arte, todos os folguedos têm este itinerário certo, na reluzente universidade do tempo. Fugir não tem aonde. Meros bichos de aventuras errantes, coçam suas feridas debaixo das sombras e ignoram o futuro, longe da esperança.

Riem do quanto até agora produziram, e olham os céus, em clamor de misericórdia. Mas isto também conta, nos tribunais da felicidade. Nada estará perdido, jamais. Há os sonhos de paz livres, soltos pelo ar.

Parece até praga de bispo – por Armando Lopes Rafael

Desde o final do ano passado vinha sendo trabalhado um projeto, com o objetivo de trazer uma unidade da cervejaria Itaipava para o Crato. Entretanto, segundo teria anunciado o vereador Roberto Anastácio,  no plenário da Câmara Municipal –  e o fato teria sido confidenciado por pessoas ligadas ao Governo do Estado -- o empreendimento agora será instalado em Barbalha. Não sabemos se essa boataria (circulando nas praças e esquinas da terrinha) procede. Mas, é bom lembrar, se for vero é claro,  que não pegará os cratenses de surpresa. Estes já estão de couro curtido, em presenciar sua cidade perder investimentos. Foi assim com a Universidade Federal do Cariri,com o  Aeroporto Regional, com as revendedora de veículos, com o escritório da Receita Federal, e tantas e tantas outras...

   Consta no imaginário popular de Sobral, que o maior benfeitor daquela importante cidade cearense – o bispo Dom José Tupinambá da Frota – um dia, amargurado com as ingratidões que sofria dos seus conterrâneos, desabafou: “Em breve morrerei, e Sobral vai passar 40 anos estagnada para dar valor a quem somente trouxe benefícios para esta cidade”. Dom José morreu em 1959, e Sobral ficou estagnada até 1999, quando um sobralense, Ciro Ferreira Gomes, foi eleito governador do Ceará e aquela cidade voltou a crescer. Foram 40 anos de quase estagnação.
       Olhando para a Nobre e Heráldica Cidade de Crato: será que fato análogo não aconteceu aqui? O maior benfeitor de Crato, seu 3º bispo, Dom Vicente de Paulo Araújo Matos, foi um gigante em reivindicar e trazer melhoramentos para a Princesa do Cariri. Também ele recebeu muita ingratidão por parte de uma minoria de “linguarudos”. Era chamado de “Dom Ratão”, uma injustiça que bradava aos céus!
      Tornou-se conhecido, Brasil afora, a lenda de que a população de Crato – incluindo as pessoas que frequentam missas – falar mal dos bispos desta cidade. Trata-se de uma fama  exagerada. Mas, outro dia, numa cidade da Região Norte, do Ceará, foi ouvido de homem:
--  "(fulano) tem a língua mais afiada do que a do povo do Crato. Lá, se fala mal  até de seus bispos".
       Voltemos a Dom Vicente Matos. Com a fama de ladrão (Ó dor!) este grande homem morreu paupérrimo, em 1998, há quase vinte anos, sobrevivendo de um mísero salário do INSS.
       Quem sabe não estejamos nós (todos os que aqui moramos) pagando hoje pela injustiça cometida, por uma minoria desalmada, contra um Sucessor dos Apóstolos: Dom Vicente, um homem bom, mas profundamente caluniado...
         Já passou do tempo em que  os homens e as mulheres de bem desta cidade exigirem uma reparação pública à memória do 3º bispo de Crato! Sabia que não existe sequer uma ruela, ou até mesmo um beco como o nome de Dom Vicente Matos, na cidade onde ele continua sendo o maior benfeitor? Ah! Cidadezinha ingrata.
       Praza aos céus! Crato já não aguenta mais tantas notícias de que outras cidades estão levando conquistas, antes previstas para a Mui Nobre e Heráldica Cidade de Frei Carlos Maria de Ferrara. 
         Seria praga de bispo?

Fundo Eleitoral: dinheiro público no ralo – por Paulo Panossian (*)

  
     Ponto pacífico: é uma excrescência a criação de um fundo eleitoral R$ 1,71 bilhão com recursos dos contribuintes para financiar a campanha eleitoral de 2018! Pior ainda, que, entre os 32 partidos beneficiários deste fundo, a maioria destas siglas é pequena, nanica, ou tradicionalmente de aluguel, conforme divulga matéria do "Estadão". Como o PSOL, partido filial do PT, que em 2014, tinha disponível para o pleito somente R$ 834,5 mil, agora, com a farra à custa de recursos públicos, esse partido vai, de bandeja, neste ano receber R$ 21,4 milhões. O PDT, de R$ 7,2 milhões, passará a ter R$ 61,1 milhões. A REDE, partido ainda nanico de Marina Silva, vai receber R$ 10,2 milhões.  
     Porém, enquanto 21 dos 32 partidos com direito ao fundo público eleitoral vão ter muito mais recursos do que disponibilizaram em 2014, as outras 11 siglas, exatamente aquelas com mais representação no Congresso, como exemplo, o DEM, terá uma pequena alteração com relação a 2014, de R$ 86,9 milhões, para R$ 89,1 milhões, em 2018! Já o PT, MDB (antigo PMDB) e o PSDB vão sofrer uma redução de verbas significativa com relação a 2014.  O PT, de R$ 316,3 milhões, no próximo pleito terá menos R$ 104 milhões, ou R$ 212,3. O MDB, de R$ 376,6 milhões cai para R$ 234,3 milhões, e o PSDB, de R$ 321,7 milhões, vai ficar com somente R$ 185,8 milhões. Não satisfeitos, esses partidos ainda recorreram ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), solicitando a autorização para utilizar também o fundo partidário de 2018, de R$ 888 milhões, na eleição deste ano. 
      E de caixa 2, quanto será?!... Ou seja, uma zorra total...

(*) Paulo Panossian– E-mail:  paulopanossian@hotmail.com

Coisas da República: Vergonha: quanto ganha deputados e senadores no Brasil

    O senso comum nos leva a crer que a Monarquia, com suas cerimônias tradicionais e pomposas, seja naturalmente mais dispendiosa, mas isso não se verifica na realidade. Pelo contrário, quando se faz uma comparação mesmo entre países europeus, é possível notar que naqueles onde há um Monarca existe maior austeridade e respeito ao dinheiro público.
    Enquanto isso, no Brasil, nossa desacreditada classe política, mergulhada em um dos maiores escândalos de corrupção de todo o mundo, faz crescer sobre si a rejeição popular, sem qualquer constrangimento ou respeito aos interesses do povo que representa, em razão dos seus altíssimos salários e privilégios desproporcionais. Segundos dados de 2016 do “Congresso em Foco”, cada Deputado Federal custa por ano R$ 2.023.949,28 (dois milhões, vinte e três mil, novecentos e quarenta e nove reais e vinte e oito centavos), somando salário e benefícios; no total, os 513 parlamentares da Câmara dos Deputados recebem R$ 1.038.285.980,64 (um trilhão, trinta e oito milhões, duzentos e oitenta e cinco mil, novecentos e oitenta reais e sessenta e quatro centavos). Isso, claro, sem levar em conta a quantidade de dinheiro recebida por políticos por meios ilícitos.
    Dados apresentados pela Fundação Indigo de Políticas Públicas – que tomam por base informações do FMI, "Inter-Parliamentary Union", Euronews, websites e documentações governamentais – apontam o Reino da Espanha como o País no qual o salário básico dos parlamentares é o menor em proporção à renda média da população (1,33). Em seguida estão outras Monarquias como Suécia (1,63), Dinamarca (1,76), Reino Unido (2,1), Austrália (2,95), Nova Zelândia (3,02) e Japão (3,59); todos à frente do Brasil, onde, vergonhosamente, o que recebe um congressista é 16,1 vezes mais do que a média do brasileiro.
    Em 2012, o Jornal da Band, da TV Bandeirantes, apresentou uma interessante série de reportagens de nome “Suécia – Políticos sem mordomia”, que está toda disponível no YouTube. Lá um Deputado Federal recebe, em valores daquele ano, o equivalente a R$ 13 mil mensais, o dobro do salário de um professor sueco. Sem qualquer mordomia, os parlamentares passam a semana em apartamentos funcionais simples de até 40m2, dividindo entre si lavanderia e cozinha comunitária, sem empregados domésticos.
     A realidade sueca nos faz refletir sobre qual é a verdadeira finalidade do político. Não é outra além de representar os interesses daqueles que o elegeram. A política não pode ser uma carreira nem uma fonte de privilégios. Certamente, temos algumas lições a aprender com o Reino da Suécia, bem como as demais Monarquias Constitucionais.

IMAGEM: Infográfico representando o salário básico de um parlamentar em proporção à média de renda de sua população.