12 janeiro 2018

Diálogo: neto e avô – por José Luís Lira (*)

    Sou habitualmente quebrador de correntes. Não creio nelas, não divulgo e fico até chateado quando alguém toma meu tempo com isso. Quando me vem uma bela imagem de Nossa Senhora ou de Jesus Cristo com a inscrição abaixo, se você tem fé compartilhe, deixo de lado a frase e guardo a imagem. A fé não necessita de clichês, a fé precisa ser vivida, testemunhada e não divulgada, forçadamente; uma foto, um texto não vai dar testemunho de minha fé, sem espontaneidade. Entre Natal e Ano Novo, recebi um e-mail de uma leitora pedindo que eu comentasse um texto que estava sendo divulgado na Internet em forma de corrente. Despi-me da repulsa à ideia e li, achei interessante. Então, caríssima leitora, vou comentar, mas, não vou trazer todo o texto.
   
    Trata-se de um diálogo entre um jovem e seu avô, idoso. Os avós são os melhores presentes que recebemos de Deus, depois dos pais. Ele pergunta como a geração do avô viveu sem tecnologia, sem aviões, sem internet, sem computadores, sem tv’s de plasmas ou led, sem ar condicionados, sem carros, sem celulares, tablets, notebook e laptop. O avô responde: como a sua geração vive hoje. Sem oração, sem compaixão, sem honra, sem respeito, sem vergonha, (...) sem modéstia.
 
   Na primeira coluna do ano, publicada na semana passada, eu falava da importância da fé. Hoje, quando o avô responde que a geração de seu neto vive sem oração, vemos um retrato de parte dos jovens que não conhece a riqueza da religiosidade, da segurança que a fé nos traz. A compaixão a cada dia se distancia. Vemos tanto desamor, mortes por qualquer tolice, talvez impulsionadas pela impunidade ou mesmo pela arrogância. A honra... Meu Deus, a honra. Não vou muito longe. Nasci no final de 1973 e lembro da cerimônia e do respeito com que tratávamos um Senador, um Deputado, o Presidente (isso porque não temos a sorte de viver num Estado Monárquico), um Ministro de Estado.
 
   No atual governo federal, vemos uma barbárie, o difícil é não encontrar um ministro incriminado em alguma coisa; o presidente, nem se fala e por aí escapam uns poucos nesse cenário vergonhoso. A honra também é posta em xeque nos mais variados setores da vida brasileira. A geração anterior aliava o respeito à sua própria existência. Respeitamos os pais, os avós, os tios, os amigos de nossos pais, os sacerdotes e as religiosas, religiosos como um todo, os professores e diretores das escolas. E hoje? Quanta vez se tem notícias de professores que sofreram violência em sala de aula? De filhos que matam pais, os abandonam à sua própria sorte? A fé nos leva ao texto Sagrado que nos orienta a honrar pai e mãe. A intolerância avança.
  
    A vergonha, ah a vergonha. Ela nos segura, nos faz caminhar retamente para não envergonhar família, amigos ou a nós mesmos. A vergonha aqui entenda-se em grande amplitude, do pelo menos tentar não errar, porque errar, sabemos, é humano, mas, podemos sair do erro. Não é fácil, mas, se consegue. Por fim, a modéstia. Ela é necessária em vários sentidos, notadamente do saber reconhecer-nos em nossas limitações. Eu fico muito preocupado com elogios. Sinceramente, prefiro quando alguém me diz uma falha e até se propõe a me ajudar a corrigi-la. Assim, digo que essa geração era (é) feliz e temo pelo futuro, mas, o Senhor da História, Deus, não desamparará seus filhos.

(*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com vários livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.

Cineasta cratense Jackson Bantim será homenageado hoje na abertura do Festival Cine Cariri

O Cineasta cratense Jackson de Oliveira Bantim (Bola) será homenageado na solenidade de abertura do I Festival Cine Cariri, que acontecerá hoje, 12 de janeiro, as 19 horas, no Cariri Garden Shopping, em Juazeiro do Norte.
Jackson Bantim, conhecido como “Bola”, trabalha há mais de quarenta anos com cinema e fotografia, ‘paixão’ que está nos seus genes, visto que o seu bisavô, Luiz Gonzaga de Oliveira, conhecido como Gozaguinha, era fotógrafo profissional e exibidor de filmes, atuando na região do Cariri entre os anos de 1885 e 1930.
O envolvimento de Bola com produção de filmes vem desde os anos 1970, quando, juntamente com os amigos Rosemberg Cariry, Ronaldo Correia de Brito e Luiz Carlos Salatiel, produziu diversas películas em bitola super 8, registrando, por exemplo, imagens e depoimentos de Patativa do Assaré, dentre outros artistas populares do Cariri. Depois, vieram produções em 16mm, realizadas ao lado de Jefferson de Albuquerque Júnior e Rosemberg Cariry e a primeira experiência em uma produção de cinema para o circuito comercial, na função de assistente de direção do filme Padre Cícero, os milagres de Juazeiro, do cineasta cratense Helder Martins, lançado em 1976.
Como diretor e produtor, segundo a Sétima - Revista de Cinema, edição de 2014, “Bola preza por colocar aspectos do Cariri em seus filmes. Em As Sete Almas Santas Vaqueiras ele valorizou a parte histórica, pesquisando sobre os relatos das famílias caririenses do pé-de-serra que acreditavam nas graças obtidas através da oração às almas vaqueiras. Já no filme Patativa procurou mostrar o Antônio Gonçalves da Silva, seu amigo, pois teve com ele uma amizade de 30 anos, não queria mostrar somente o poeta que todos conheciam”.
Além das atividades com cinema e fotografia, Bola dirige o Memorial da Imagem e do Som do Cariri, por ele fundado em 2013, e que homenageia o seu ilustre bisavó, Luiz Gonzaga de Oliveira, como patrono do órgão.