05 janeiro 2018

O início de 2018 e dos Santos Reis – por José Luís Lira (*)

   A música de Tavíto, Paulo Sergio Vale, Marcio Moura, Ribeiro, José Jorge e Ruy Mauriti, eternizado pela banda “The Fevers”, traduz bem o que representa o final e início de ano: “Marcas do que se foi/ Sonhos que vamos ter/ Como todo dia nasce/ Novo em cada amanhecer”. Não há uma receita pronta. Carlos Drummond de Andrade escreveu uma, mas, no fundo, toda receita só é posta em prática por quem dela necessita. Será que a seguimos? 
    Enfim, vivemos um novo ano. Esta é a primeira coluna de 2018. Da noite de 31/12 para 1°/01, nasce um novo, renovam-se os sonhos, os projetos e o desejo de muitas felicidades. É momento de agradecer, principalmente a Deus, por tudo de bom que vivemos no ano passou e pedir suas bênçãos para o ano que se inicia. E o que realizamos do que pensávamos em 2017, tão próximo que parece que foi ontem? Na retrospectiva do ano da rede Globo, o apresentador Sérgio Chapelin indagou: “Acreditar pode ser o caminho para um mundo melhor?”; eu creio que sim. A nós que acreditamos, Deus é o Senhor da História e a história que vivemos está em Suas Mãos!
    O Evangelho de Mateus (2, 1-12) que ouviremos na Missa da Festa dos Santos Reis, relata a visita dos reis do oriente ao Menino Jesus, em Belém. Vindos do oriente, os Magos que em persa quer dizer sábios (não eram astrólogos, nem bruxos), foram guiados pela estrela de Belém até o local onde nasceu o Menino Deus. Eles O adoraram e ofereceram três presentes: o ouro, símbolo da realeza de Jesus, o Filho do Deus Altíssimo; o incenso que usamos na liturgia, nos faz lembrar o salmista: "suba a minha oração perante ti como incenso”; e a mirra, diria o mais enigmático dos presentes. Em árabe significa amargo; também a consideram curador de feridas. Significaria o sacrifício de Jesus (o amargo) e a sua ressurreição gloriosa (que curou todas as feridas).
    Em alguns países existe a tradição de presentear às pessoas queridas, especialmente às crianças, na festa de Reis. Presenciei isso no México, onde a figura do papai Noel não tem grande repercussão, mas, sim as dos Reis. Até nos shoppings, lojas etc. eles estão e a data, 06/01, é esperada e aclamada.   
    Em 2010 passei o dia de Reis em Sahuayo (México), terra de São José Luis Sánchez del Río. Aqui no Brasil temos as festas de Reis, reisados e diversos festejos.
    Tradição que remota aos primeiros séculos diz que os Reis Magos eram Melquior (Belchior), Gaspar e Baltazar. Até o século V, os restos mortais dos magos estiveram em Constantinopla; depois, foram transportados para Milão (Itália) e, em 1164, trasladados para Colônia, na Alemanha. Durante a acolhida aos jovens de todo o mundo na XX Jornada Mundial da Juventude, em Colônia, a 18/08/2005, o Santo Padre Papa Bento XVI assim expressou-se:  “... Dirijo uma saudação particular a quantos vieram do ‘Oriente’ como os Magos. Vós sois os representantes das numerosas multidões de irmãos e irmãs nossos em humanidade, que aguardam sem o saber o aparecimento da estrela nos respectivos céus para serem guiados até Cristo, Luz dos Povos, e para encontrar n'Ele a resposta que sacia a sede dos seus corações... Far-me-ei agora peregrino à catedral de Colônia para ali venerar as relíquias dos santos Magos...”.
Viva os santos Reis! Feliz 2018!

 (*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com vários livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras. Colaborador do BLOG DO CRATO.