17 novembro 2018

Meu Tio Quinco - Por: Emerson Monteiro


Joaquim Bezerra Monteiro, eis o seu nome inteiro, o mesmo do avô. Irmão de minha mãe e meu padrinho de batismo, foi companhia próxima de minha família desde o tempo em que morávamos no sítio em Lavras da Mangabeira, aonde ia sempre nos ver e passar conosco alguns dos dias sertanejos. À época, possuía um jipe e fazia viagens com Dr. Jefferson Albuquerque, nas suas vistorias para a Carteira Agrícola do Banco do Brasil. Lembro que, numa dessas vezes, quando lá passaram, fins de 1954, pouco tempo antes de nos mudarmos para o Crato. Na ocasião, Dr. Jefferson levou e distribuiu com os meninos moedas de 20 centavos com a efígie de Getúlio Vargas. Abriu cartucho de moedas novinhas em folha, douradas, motivo da satisfação da garotada que as recebia.

Meu pai desenvolvia providências para iniciar atividades profissionais ao lado de meu tio Quinco, sócios numa serraria que instalaram. Compraram terreno e máquinas, e trabalharam com sucesso. No começo, deixava a família no sítio e só retornava aos finais de semana, até o dia em que nos transferimos de vez para o Crato.

Ficamos instalados na sua casa, na Rua José de Alencar, enquanto meu pai alugava a nossa, na Rua Padre Ibiapina, Bairro Pinto Madeira, vizinha da serraria. Dinâmico e incansável, cuidava da propriedade que seu pai deixara ao morrer, em 1946. O Monte Alegre, sítio dos brejos da Batareira, com engenho de rapadura e alambique de cachaça, que administrava para a manutenção dos irmãos, os quais orientou e custeou os estudos, Vanice, Neide, Nailée, Nertan, Nairon, Neidje-ieb, Neimann, Nairton e Nirson. Com a perda do meu avô, por ser o mais velho dos filhos homens, lhe coubera, pois, zelar pelo patrimônio da família e fazer render o suficiente para a manutenção de todos. Eles eram pessoas que se destacaram pela inteligência e dedicação dos livros, lutadores; devido à liderança dele, encontraram desiderato e acharam os meios de trabalhar, formando suas famílias e crescendo nas profissões escolhidas. Enquanto isso, Quinco fornecia os recursos financeiros, nessa primeira fase dos empreendimentos.

Mais adiante, veio morar conosco, na casa da Padre Ibiapina, um bangalô de dois pavimentos e ampla área em volta, cercado de mangueiras. Ia com frequência ao Rio e a São Paulo, na segunda metade da década dos anos 50, a fim de comprar carros, que os revendia no Cariri.

Ele sempre me distinguia com suas atenções, devido ser meu padrinho e estarmos sempre próximos. Nos seus retornos do Sudeste, por diversas vezes trazia presentes, que hoje me aparecem como lembranças felizes da infância. Recebi, certa vez, um dragãozinho a corda, que, ao andar, soltava faíscas pela boca; um helicóptero, que rodava girando a hélice; roupas diferentes; e outros mimos que tocavam o meu afeto.

Depois casou com Tia Lisieux e vieram os filhos, Marco Antônio, Dante, Alana e Monteiro Junior. Moraram algum tempo no Crato e seguiram para Fortaleza, onde viveram em torno de uma década ou mais um pouco. Víamo-nos constantemente nas suas vindas ao Cariri. Aqui dispunha de uma propriedade no município de Juazeiro do Norte, o Sítio Coité, nas imediações do distrito da Palmeirinha, com engenho que manteve após vender o Monte Alegre, no Crato. Retornava com assiduidade o ano todo, e mais nos períodos de moagem, e administrava rebanhos bovinos que também preservou em uma área de serra para as bandas do Pernambuco.

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