14 novembro 2018

15 de novembro: Bandeira Imperial vai tremular no Brasil de norte a sul, de leste a oeste





   A República foi imposta arbitrariamente aos brasileiros por um Golpe de Estado, inaugurando a primeira Ditadura Militar da História do Brasil em 15 de novembro de 1889. Os Golpistas assumiram o compromisso através de Decreto, de consultar a nação para saber se o povo concordava com a mudança do regime, o “Governo Provisório” se declara consciente de que isso, a consulta, era um dever do novo governo, e que então haveria um plebiscito para legitimar a nova forma de governo. Os republicanos protelaram esse plebiscito por mais de cem anos. E quando o realizaram  (em 1993) não permitiram aos príncipes herdeiros do trono de participar dos programas de televisão, para mostrar o fracasso que tem sido a república no Brasil.

     Nesta quinta-feira, dia 15 de novembro, completam-se 129 anos do golpe de Estado que instaurou a República no Brasil, contra a vontade popular, e que acabou por jogar nosso País na lama dos desmandos e da corrupção.

     Tendo em vista o desastre que tem sido o modelo republicano brasileiro, veteranos e jovens monarquistas irão às ruas de norte a sul do País, levando suas Bandeiras do Império, a fim de não só protestar contra a República e seus males, mas também apresentar aos nossos compatriotas a restauração da Monarquia Constitucional como solução natural para os problemas nacionais.


Postado por Armando Lopes Rafael

13 novembro 2018

CARTA AO FUTURO - Dihelson Mendonça.


Olhando a cidade às 2h da manhã, todos dormem placidamente. Apenas as luzes acesas para um espetáculo sem platéia. Enquanto isso, pude pensar nas milhares de pessoas enterradas nos cemitérios que um dia já tiveram uma vida, sonhos, conquistas, poder, fama, glória, e que hoje ninguém mais se lembra...

Olhei a cidade do alto, e imaginei ser transportado no tempo, para o ano de 1820: A lua brilhava alta na madrugada; A terra ainda sem energia elétrica, pessoas a dormir, sonhando com o dia seguinte... Alguns, pensando em começar uma nova plantação, outros, em uma forma de ganhar mais dinheiro, já outro, na venda de animais... Todos eles não existem mais, foram levados ao esquecimento, bem como todos aqueles que conhecemos um dia nessa vida e se foram, partiram ao "sempre"; Foram esquecidos, como nós também seremos, quando enfim, nossa consciência se apagar; Voltaremos ao estado em que éramos, antes de vir a este mundo. E diante de tão funesta imagem, me pergunto: De que valeram tantas conquistas, tanta luta, tanto idealismo, tanto trabalho ? De que servem os frutos desse trabalho ? "Aqui na terra somos meros guardiões de tesouros alheios": Um planta e outro colhe. O passado se resume a lembranças, que logo serão apagadas; O futuro pertence ao mundo dos sonhos; A única coisa que nos resta e nos leva à frente é a esperança e a vida baseada no hoje, no aqui, no agora; A esperança de que nossa vida, de alguma forma, não esteja se passando em vão; A esperança de que possamos transcender a este mundo horrível.

O mais sábio dos homens parece mesmo ter sido aquele que criou a idéia de vender o maior bem possível: A imortalidade. A idéia de que se continuará a viver mesmo após a morte. Pois sabemos que a morte é o terror dos que vivem. A morte tira de nós todas as conquistas, todos os projetos, todos os bens. O homem que mais sofre nesta vida é o homem de posses, porque ele sabe que não poderá salvar uma mísera moeda !

Ah ! Quão difícil deve ser aceitar que se perderá todo um império, os tesouros guardados e as suas glórias ! Quão difícil é aceitar que todo o trabalho e o seu fruto não valem absolutamente nada diante do túmulo !

E o que nos resta então ? Qual o sentido da vida, afinal, se nada do que vemos se manterá, se nada do que possuímos sobreviverá ? Se tudo é impermanente ? Creio que poucos acordaram para o sentido real dessa existência mundana, que é simplesmente: VIVER CADA SEGUNDO. Temos um início de existência X e um final, Y, e entre esse espaço, que possamos ter a consciência de que cada segundo conta, de que cada dia passado pertence ao esquecimento. Que ao fim do dia, ao invés de dizer: "Mais um dia", possamos ter a consciência e a certeza de dizer: "Menos um dia"... Só assim, passaremos a valorizar mais o HOJE, o PRESENTE, que é verdadeiramente, a única coisa que temos. Pois todo o resto é apenas poeira na história.

Tenha sempre em mente que a principal pessoa que assiste e vive o teu drama, é tu mesmo ! Quando te fores, serás lembrado por breve tempo por aqueles que te conheceram, e depois que esses se forem também, ninguém mais se lembrará de ti e dos teus tesouros, assim como hoje, nós também não sabemos quem foram as milhões ou bilhões de pessoas que viveram antes de nós.

O homem que acordou para essa realidade, percebe ao mesmo tempo a insignificância e a grandeza da vida. Seu caminhar poderá se tornar pesaroso. O preço da verdade, é muitas vezes, a grande tragédia humana. Mas ao mesmo tempo em que descobrimos a sua efemeridade, podemos passar a valorizar cada momento dessa fugaz existência. A maior lição, talvez seria: Viva o hoje, como se fosse viver para sempre, pois muitas vezes, toda a eternidade pode caber em um punhado de alguns momentos felizes !

Dihelson Mendonça - 11/11/2018


José Dirceu, ex-Chefe da Casa Civil de Lula: 'Bolsonaro tem apoio e vai durar anos'


Ex-ministro, que lança livro em São Paulo, afirma que a derrota do PT na última eleição não foi apenas "política, mas ideológica"

Fonte: UOL, por Ricardo Galhardo e Marcelo Godoy – atualizado em 13/11/2018 às 07h23

O ex-ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu (PT) afirmou nesta segunda-feira, 12, que o governo de Jair Bolsonaro (PSL) deve durar muito anos, pois tem base popular. "É uma luta de longo prazo, não nos iludamos, não é de curto prazo. É um governo que tem base social, muita força e muito tempo." O petista afirmou que a derrota do partido na última eleição não foi apenas "política, mas ideológica".

José Dirceu em noite de autógrafos, no teatro Tuca, nessa segunda-feira (12/11/2018)
Foto: SANDRO DE SOUZA/FRAMEPHOTO / Estadão Conteúdo 

Dirceu estava no Tuca, o teatro da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), lançando seu livro de memórias. Começou sua palestra com uma autocrítica. "Muitas vezes nós nos desviamos. Temos que ter a coragem de dizer isso e eu tenho." Sua autocrítica se estendeu a práticas petistas no governo. Disse que o partido se distanciou do cotidiano da população nos 13 anos em que esteve no poder. Completou sua crítica às relações da sigla com o combate à corrupção - Dirceu está condenado a 30 anos e 9 meses de prisão na Lava Jato.

Lembrou o uso político que esse combate teve no passado. "Digo isso não porque não tenhamos que combater a corrupção, porque não precisemos rever nossos erros principalmente sobre o sistema de financiamento de campanhas."

Por fim, classificou o momento em que o País passa como uma contrarrevolução. "Uma regressão cultural e política." Para ele, as forças de oposição não devem se perder em debates que as dividem. "Cada um tem de cumprir seu papel. Lá na frente a gente se encontra."

11 novembro 2018

Francisco José de Brito - Por: Emerson Monteiro


No âmbito das comemorações dos 65.° aniversário do Instituto Cultural do Cariri, recebemos em Crato a visita de Francisco José de Brito, filho natural do município e repórter da Rede Globo de Televisão. Filho do Cel. Francisco José de Brito (Chico de Brito), um ilustre personagem da história regional, Chico José nasceu nos brejos da Batateira, próximo do núcleo urbano, aqui permaneceu até dez anos de idade, indo desenvolver formação na cidade do Recife, em Pernambuco. (Em Crato estudara no vetusto Seminário São José durante dois anos, nas séries do Curso Primário).

Hoje Francisco José representa um olimpiano na classificação dos tempos atuais quanto aos que estabelecem forte imagem pessoal através dos meios de comunicação de massa e participam cotidianamente no dia-a-dia das populações, espécie de entes mágicos e platinados. Exerce há mais de 40 anos destacada figuração através de reportagens notáveis da Rede Globo de larga audiência. Inteligente, carismático, audaz, conhece como poucos o mundo inteiro. Visita em atividades lugares de todos os continentes a destacá-los em brilhantes documentários pela mídia televisiva, coberturas inéditas e arriscadas. Sem sombra de dúvidas, exímio jornalista e competente no que desenvolve em sucesso reconhecido décadas a fio.

Porém o que veio evidenciar junto aos seus conterrâneos, nesta visitação de três dias, foram características de uma personalidade humana afetuosa, agradável, simples, espontânea, o que demonstrou nos momentos a quantos puderam privar da sua presença nessa hora.

À noite da sexta-feira, dia 09 de novembro, no calendário das festividades do aniversário do ICC, no qual preenche cadeira na Seção de Artes e Ofícios, juntamente com os ex-membros Manoel Patrício de Aquino e José de Paula Bantim, estes in memoriam, o jornalista viu-se agraciado pela Comenda Irineu Pinheiro, do órgão de cultura. Isto ocorreu logo na abertura de festa dançante adrede promovida no Crato Tênis Clube. Francisco José de Brito recebeu a comenda diretamente das mãos de Jales Figueiredo, filho de José de Figueiredo Filho, um dos fundadores do Instituto Cultural do Cariri.

Assim, registramos este que consideramos ponto alto das nossas homenagens ao primeiro sodalício cultural da Região caririense que demonstra vitalidade e cumpre a missão de preservar os feitos históricos desta heroica coletividade.

Grato, Francisco José, pelo carinho de sua presença entre os que preservam a nossa cultura. 


Existem motivos para se comemorar o 15 de novembro? Não, claro que não! (por Gerhard E. Boehme)


Gerhard E. Boehme desenvolve o assunto numa resposta que redigiu aos comentários feitos pelo Coronel Amarcy de Castro e Araújo Pens. O Brasil perdeu muito tempo com a quartelada que destronou a Família Imperial e interrompeu o processo de crescimento da nação. Restaurar a Monarquia é recuperar o tempo perdido. 



Prezado Sr. Coronel:

     De longe a Monarquia traz maiores vantagens para a gestão de um povo, como bem nos mostram os resultados do que foi o Brasil na sua época, e não tivemos a necessidade de uma Guerra Civil nas proporções que tiveram os norte-americanos. A questão é que o Brasil parou no tempo, senão retrocedeu após 1889, basta ver as nossas ferrovias, as quais estão somente agora ocupando sua devida importância graças à excelente gestão da ALL – América Latina Logística.

   Em todo o mundo a monarquia constitucional apresentou e apresenta mais vantagens que o presidencialismo, uma vez que este somente teve sucesso nos países ditos germânicos e onde o federalismo se faz presente (Alemanha, Áustria Suíça e Estados Unidos).
A questão não é a volta ao passado, mas a busca de um futuro que nos foi tirado.
Defender a monarquia é uma forma de sairmos do buraco em que nos encontramos, é reconhecer a importância do poder moderador, e a possibilidade de termos um parlamentarismo correto e não às avessas, como atualmente, já que atualmente primeiro elegemos o “primeiro-ministro”, para ele então compor a base aliada, ou melhor a “base afilhada”. Temos um país ingovernável.

    Tivéssemos um Duque de Caixas ainda vivo, a quartelada, que foi a “Proclamação da República”, não teria ocorrido. Concordo contigo que a realidade da época era diferente da atual. Mas veja que 8 das 12 maiores economias são monarquias constitucionais. Quanto a uma maioria expressiva de incultos, infelizmente nada mudou, também não tivemos a possibilidade de ação de um dos mais ilustres brasileiros de então, o qual seguramente seria um dos homens do III Império: Engenheiro André Pinto Rebouças.

    Não devemos pôr a culpa nos portugueses, índios e negros, a questão é a forma de gestão.
   Devemos comemorar com fervor o 7 de setembro, mas quanto ao 15 de novembro, nada a comemorar. A “Proclamação da República” foi uma quartelada que não contou com o apoio, nem mesmo dos militares. Na Marinha encontrou tão somente forte oposição. Seus primeiros anos foram caracterizados por uma profunda perseguição que não teve paralelo em nossa história, nem mesmo durante seus dois mais conhecidos períodos de exceção: O Estado Novo e o Regime Militar. E para tal é fundamental conhecê-la.

    O Brasil não nasceu República, com uma quartelada que hoje denominamos de “Proclamação da República” – um golpe, hoje vivemos uma grave distorção, tornamo-nos uma ré-pública (…, ou seria rês-pública? Ou república?) sem a concordância de qualquer referendo, adiado por cem anos de memórias perdidas e sem a oportunidade de um debate consistente em 1993. No plebiscito de 21 de abril de 1993 a monarquia recebeu, aproximadamente, sete milhões de votos (13% dos votos válidos} e, nesta época uma pesquisa do Datafolha mostrava que 21% da população era monarquista ou simpatizante.

Quinta-feira próxima – 15 de novembro – "Proclamação da República": uma data para não comemorar – por André Araújo

    Único Império das Américas, uma trajetória completamente diferente de todos os demais países da América Latina, um Império progressista muito à frente das “Repúblicas” caudilhescas da América Ibérica, País único pela sua formação nacional, um Império Habsburgo nos trópicos, o Brasil jogou fora sua magnifica História para se transformar em uma vulgar república de chefetes de aldeia. A proclamação da República foi um erro histórico cujo custo não foi pago até hoje pela população brasileira.

     Uma monarquia constitucional representava um Estado unitário com comando centralizado sob um soberano de primeira linha, culto, sóbrio, íntegro, interessado no progresso da ciência e das invenções, respeitado na Europa e nos Estados Unidos. A revisão histórica do período imperial nos revela um Dom Pedro II como monarca de primeira água, melhor que o pai, melhor que a maioria dos monarcas europeus da época, que pena que o Brasil jogou fora um modelo institucional que nos serviria muito melhor que uma República de caudilhos regionais.

      Uma nova safra de boas obras sobre o período monárquico nos revela um Dom Pedro sob uma luz que só melhora sua imagem, que sempre foi boa. Recomendo o livro de Laurentino Gomes “1889” e o de Lilia Schwartz “As Barbas do Imperador”, obras que documentam uma fotografia mais nítida de Dom Pedro, sua época e as circunstâncias obscuras e desconhecidas da derrubada inesperada  de uma monarquia popular e apoiada pelos mais pobres.

       Laurentino revela que Dom Pedro II pagava de seu bolso cientistas para desenvolverem pesquisas, o desenvolvimento científico era um dos seus interesses maiores, por curiosidade quer conhecer Graham Bell, o inventor do telefone, com quem se encontrou nos EUA. Fantástico é também lembrar que Dom Pedro II esteve no Líbano, então província turca, incentivando a imigração libanesa para o Brasil, que se tornaria a maior diáspora daquele País no mundo, isso no longínquo tempo de longas viagens de navio. Dom Pedro já tinha a visão da construção nacional pela imigração, também foi grande incentivador da imigração italiana e alemã, atraída para um País que tinha um governo e instituições sólidas.

       A República foi um “downgrade”, um rebaixamento de estatura do Brasil, o que antes era exclusivo, único, virou banal, comum. O Império caiu sem uma explicação razoável à época e depois da época. Não houve uma causa-mãe, um razão fortíssima, um motivo detonador.

      O monarca foi simplesmente colocado em um navio e despachado. Morreu no exilio, pobre e sozinho, sem aceitar sequer um estipêndio que a Republica lhe ofereceu para morrer dignamente. Laurentino Gomes mostra a “não razão” da deposição do Monarca, a falta de motivos lógicos, o engano que foi oferecido à população atônita, afinal era um regime de quase sete décadas com o mesmo homem à frente. O povo encarava o Imperador como imutável e imortal, era parte da coluna mestra do País, sua queda não era esperada ou desejada, especialmente após a Lei Aurea de 1888 que engalanou a Monarquia.

       Na Europa a deposição do Monarca foi recebida com enorme surpresa, o regime era considerado sólido, o “status” do Brasil era muito alto enquanto Império. Um único País queria o Brasil República: os Estados Unidos, que apesar de respeitar o Imperador, único Chefe de Estado convidado nas Américas à Exposição Universal de Filadélfia, em 1876, como hóspede de honra do Presidente Ulysses Grant.

       Os Estados Unidos via com desagrado uma Monarquia de raiz europeia, Orleans com Habsburgo, sendo os Orleans primos dos Bourbons, quer dizer o mais puro sangue europeu, numa parte do mundo que já consideravam como sua área de influência. O célebre historiador Rocha Pombo na sua “História do Brasil” em cinco volumes registra minuciosamente a queda da Monarquia e seus desdobramentos diplomáticos, mostrando o “lobby” dos EUA pela República, que já nasceu copiando o nome “República dos Estados Unidos do Brasil”, a constituição e as Instituições norte-americanas. Os EUA foram o único grande País a receber com alegria a instauração da República no Brasil, um evento que foi com choque e desalento na Europa onde a reputação do Império do Brasil era infinitamente superior às repúblicas caudilhescas sucessoras da Espanha.

       Uma nova releitura das circunstâncias do fim do Império do Brasil nos dará uma melhor compreensão desse terrível e decisivo acontecimento que está na raiz de muitos de nossos males atuais.

10 novembro 2018

O silêncio das flores - Por: Emerson Monteiro


Tardes assim, mornas, silenciosas, enquanto, sobranceiro, ele, o tempo, percorrer tudo quanto habita os mundos em volta. Que paz em corações ansiosos, no entanto. Amor de braços dados circula pelas entranhas do Universo e indica o sentido absoluto à alma da gente. De algum lugar, de todos os lugares, pousos e jornadas intermináveis.

Um senso de plena beleza e essa luz das existências na consciência calma à força da necessidade; à imposição dos destinos. Palavras quietas depois de conhecer a razão que tudo rege. Só um silêncio forte grita mais alto e pede leveza às nuvens lá longe vagando pelos céus. Vontade imensa de permanecer ajoelhado diante dos santuários da verdade mais pura e poder exercitar esse equilíbrio que principia dominar o espaço e sustentar a fragilidade dos elementos em festa.

São só pensamentos, as angústias que ainda doem por dentro, contudo nada além disso, que permite desvendar e viver. Por que, então, se render na perdição dos sofrimentos, das saudades e insatisfações, vez existir a firmeza de sonhar o céu e amar o Sol?!

Vez ser de tal maneira as aflições do desespero, há de haver meios de salvação a todo instante... Agir no âmbito das individualidades e crescer ao prumo das possibilidades, matriz das religiões e braços do mistério e das revelações.

...

Pois bem, é isto o silêncio das flores. Admitir as certezas inevitáveis do tempo e suas atitudes sem par. Buscar conhecer a si mesmo e ler nas entrelinhas dos dias, feitos autores dos planos da humana felicidade. Traçar os argumentos de séculos perdidos e acender a luz Realização do ser. Senhor das estações também dos corações, Ele transita entre nós e abraça o momento das histórias que hão de vir nas malhas da esperança. E saber que plantar guarda esta convicção, de todas as respostas exatas da eterna Justiça.

08 novembro 2018

A dança das horas- Por: Emerson Monteiro



Pequeninas partículas de infinito eis que circulam soltas neste mar de circunstâncias, isto que significam os seres diante do eterno que vem e logo desaparece a olhos vistos. Eles, meros acasos suspensos no ar feitos faíscas e pétalas. Folhas esquecidas ao vento. Tempo. Ausências de permanência definitiva. Vazios. Só o estridente senso de antes nas curvas de depois, e nunca mais. Balanço de horas bem guardadas na barriga do impossível no passado inexistente. E nisso, nesse palco de proporções invisíveis, os elementos em queda livre vagam no vácuo; sonhos deixados sob as camadas de matéria orgânica do que foi e o sabor das existências findas. 

Meros senhores do inútil, protagonistas circulam de olhos presos nas saudades de ontem que ainda persistem na memória de amanhã, nem existem no entanto, se é que existiram lá um dia qualquer. Vaidades desfeitas nas ilusões e máquinas de incertezas certas, portas abertas ao teto do desconhecimento que permanecerá junto da alma dos que se forem.

Nesses desenhos de giz no azul do céu, vamos nós as alimárias da desconstrução, seguindo a festa da felicidade impermanente sob os passos firmes da Natureza. Mesmo assim, há que trabalhar sempre, aprender, elaborar as palmas da dança do Tempo, pai e criador, escultor das encruzilhadas, dos momentos e acontecimentos, normas e contradições, na escola do único aprimoramento humano.

Autores da consciência de si, dormem debaixo da glória do que viveram e aceitam as aventuras e os jogos, enquanto passa o nada em flor e tudo permanecerá durante a presença dos atores, milenária sinfonia das multidões, ação e mecanismo das possibilidades individuais. Ora são palavras; outras, emoções de não caber dentro nessas pessoas que assistem filmes da existência, e admitem flutuar nas ondas do firmamento. A orquestra executa suas partículas de mistério e adormece suavemente ao carinho dos filhos entre estrelas e naves longes pelo espaço inevitável de estar aqui.

07 novembro 2018

CARIRIENSIDADE (por Armando Lopes Rafael)


De luto o patrimônio ecológico do Cariri: fogo trouxe destruição ao Parque Estadual do Sítio Fundão
O que restou do velho "engenho de pau" do Sítio Fundão após o incêndio

   A cidade de Crato, e toda a região do Cariri, ficaram mais pobres – no último sábado, 3 de novembro – devido a um incêndio – cujas causas ainda não foram apuradas – que destruiu toda a estrutura do “engenho de pau" existente naquela reserva ecológica. O engenho destruído, que era movido a tração animal, produziu rapadura até 1944. O incêndio destruiu ainda cerca de dez hectares da floresta nativa daquela reserva, cuja flora preservavam os biomas Caatinga e Cerrado e remanescentes da Mata Atlântica.

Onde está localizado o parque


    O Parque Estadual do Sítio Fundão fica localizado na área urbana da cidade, e contribui para a preservação de aves e animais silvestres, dentre eles saguis, lagartos em maior escala, como também serve de habitat para raros tatus, tamanduás e veados que já foram vistos na sua área de 94 hectares.


Quando o parque foi adquirido pelo Governo do Ceará

      O Parque Estadual Sítio Fundão, criado pelo Governo do Estado do Ceará, em 05 de junho de 2008. Lá podíamos contemplar a beleza exuberante da sua flora. O parque abriga, ainda, parte do território do Geossítio Batateira, integrante do   Geopark Araripe. Era comum para lá se dirigirem comitivas de alunos das nossa rede escolar para atividades de Educação e interpretação  ambiental, recreacionais  e pesquisa científica.

      Quando da sua criação pelo Governo do Ceará, em 2008, foi inventariado o seguinte patrimônio do Parque Estadual do Sítio Fundão:


   1) Uma murada de pedra e cal erguida por ordem do imperador D. Pedro II, cujos trabalhos foram executados por negros escravos;

     2) Um engenho de madeira com tração animal que funcionou puxado por cavalos ou junta de bois, construído em 1904 e que representa um símbolo da época áurea da produção rapadureira caririense, mantido em funcionamento até o ano de 1944;

      3)A casa onde Seu Jeferson, antigo proprietário, morava e que, curiosamente devido à tranquilidade do local, não tinha portas nem janelas;

      4) Uma espaçosa casa abandonada, construída por Seu Jeferson com o objetivo de ser sua morada, porém nunca habitada; 

       5) Uma casa de taipa em 1° andar, edificação que se destaca pela raridade do modelo construtivo, com alpendre elevado, escada em parafuso e piso superior feito em madeira, planejada por Seu Jefferson e construída para um dos seus filhos.
Casa de taipa construída pelo Sr. Jeferson da Franca Alencar

Preservando a vegetação primitiva do Cariri

       O Sítio Fundão é um pedaço preservado da vegetação do Cariri. E isso se deve ao Sr. Jeferson da Franca Alencar, que manteve incólume – até 1986, ano do seu falecimento – a área florestada, e proibia a caça de aves e animais silvestres naqueles 94 hectares.  Ademais, graças também ao Sr. Jeferson da Franca Alencar, foram preservados no Sítio Fundão outros bens históricos (todos tombados pela Secretaria de Cultura do Estado do Ceará) a exemplo da Casa de Taipa (chamada hoje “Centro de Visitantes”) composta de piso inferior e superior, além de uma parede de pedras. No interior do Parque Estadual do Sítio Fundão corre parte do Rio Batateira, que banha aquele espaço e mantém verde a vegetação na parte do árido verão nordestino, que se estende pelos meses setembro/dezembro de cada ano.

Uma área para entrar em contato com a natureza

        Ressalte-se que, até a semana passada – antes da ocorrência do incêndio – o Parque Estadual do Sítio Fundão disponibilizava cerca e 3,5Km de trilhas e circuito de bicicleta para os visitantes. Em 2017, aquela reserva ecológica recebeu a visita de cerca de 3.700 pessoas. Ela ficava aberta ao público no período das 6h às 9h e das 15h30 às 17h30. Não era cobrado ingresso dos visitantes, que tinham uma equipe de 11 funcionários para servirem de cicerone no passeio pelo sítio. 

Dom Luís Antônio dos Santos, 1º Bispo do Ceará, a quem o Cariri deve muito do seu progresso


   Antes mesmo de visitar Crato, pela primeira vez, Dom Luís Antônio dos Santos já havia feito um ato concreto em defesa da saúde dos seus diocesanos residentes no Cariri. Em maio de 1862, ocorreram em Crato os primeiros casos de cólera-morbo, que viria a provocar a morte de cerca de 1.100 cratenses. O historiador Irineu Pinheiro fez o seguinte registro no seu livro Efemérides do Cariri, à página 148: “1862, 17 de Junho – Fundado em Crato, na estrada entre esta cidade e Juazeiro, por ordem de Dom Luiz Antônio dos Santos, primeiro bispo do Ceará, o cemitério dos coléricos, o qual mediu vinte braças de largura e quarenta e três de profundidade. Foi benzida em frente dele pelo padre João Marrocos Teles uma cruz de madeira, mandada erguer pelo pároco do Crato, Manoel Joaquim Aires do Nascimento. Morreram da epidemia o padre Marrocos e Joaquim Romão Batista, pai do Padre Cícero Romão Batista”. 

    Homem culto e, ao seu tempo, bem informado, Dom Luís sabia que o Cemitério Bom Jesus dos Pecadores (hoje denominado de Nossa Senhora da Piedade) de Crato não era o local certo para sepultar as vítimas de cólera-morbo, pois isso poderia contribuir para alastrar o contágio da moléstia. Para tanto, em 1862, determinou a improvisação de novo cemitério, distante, dois quilômetros do centro de Crato, no local onde hoje fica a subestação de energia da COELCE, no bairro São Miguel.

A grande obra de Dom Luís em Crato: o Seminário São José

Seminário São José de Crato nos seus primórdios

   O Seminário São José de Crato foi fruto de um desejo de Dom Luís, com o objetivo de ampliar a divulgação da Boa Nova de Cristo e salvar almas, no território da sua vasta diocese, a qual, à época, compreendia todo o Estado do Ceará.  Para concretizar esse anelo, e depois de ter recebido sugestão nesse sentido, em 1871, do recém-ordenado Padre Cícero Romão Batista, Dom Luís encaminhou – em 1872 – dois padres lazaristas, – padres Guilherme Van den Sandt (alemão) e José Joaquim de Sena Freitas (português nascido no arquipélago dos Açores) – para realizarem uma missão religiosa, em terras do Cariri cearense. Os dois missionários lazaristas ficaram encantados com o progresso da cidade e com o entusiasmo com que a população acolheu as missões.

     Os dois padres receberam orientação para angariar doações visando à construção de um Seminário Diocesano, na cidade de Crato. Depois disso Dom Luís Antônio enviou para Crato o padre italiano Lourenço Vicente Enrile, para acompanhar a construção do vasto prédio, que seria erguido em grande terreno doado pelo coronel Antônio Luís Alves Pequeno, no aprazível subúrbio, à época conhecido como Grangeiro, hoje denominado bairro do Seminário. Logo faltaram os recursos para dar continuidade à construção. Então Dom Luís Antônio resolveu deslocar-se de Fortaleza para Crato, ficando ele próprio à frente dos trabalhos. Aqui chegou no dia 31 de dezembro de 1874. E só retornou a Fortaleza em julho de 1875, deixando em funcionamento (até os dias atuais) o Seminário São José de Crato.

Perícia será acionada para descobrir causas de incêndio no Parque Estadual do Sítio Fundão, em Crato


(Fonte: "Diário do Nordeste", 07 de novembro de 2018 --  Por Antonio Rodrigues)

Somente após a investigação será possível descobrir quais as causas do incêndio e ter noção do prejuízo causado à fauna e à flora do Parque Estadual do Sítio Fundão, unidade de conservação (UC) do Município

O que sobrou no Sítio Fundão, localizado na zona urbana do Crato, após o incêndio do último sábado, cujas causas ainda estão sendo investigadas Foto: Antonio Rodrigues

Construído em 1904 com engrenagem feita de madeira e tratamento artesanal, o "engenho de pau" localizado no Parque Estadual do Sítio Fundão era movido por tração animal. O equipamento funcionou até 1944, quando houve o declínio da produção de rapadura no Crato. Exemplar único na região do Cariri e tombado em 2013 pela Secretaria de Cultura do Estado, a estrutura se viu consumida pelas chamas do incêndio que queimou aproximadamente 10 hectares da Unidade de Conservação na tarde do último sábado (3).

Numa ação rápida do Corpo de Bombeiros e voluntários da ONG, Aquasis, da APA Chapada do Araripe e da União Protetora dos Animais e Meio Ambiente (UPAMA), cerca de 30 homens combateram o fogo que começou por volta das 13h30 e foi controlado às 20h. No entanto, a perda foi visível. Do Rio Batateira até o engenho, um rastro de destruição ainda incalculável. Por pouco, não foi pior, já que as chamas ficaram a poucos metros da Casa de Visitantes, local também tombado pela Secretaria de Cultura do Estado.

Segundo a diretora do Parque Estadual Sítio Fundão, Rose Feitosa, a perícia ambiental será acionada para descobrir as causas do incêndio e ter noção do prejuízo causado na fauna e flora. "Vamos ver o que é possível fazer para a recuperação e aproveitar o período chuvoso", garante. Por enquanto, a trilha que dá acesso ao engenho e ao Rio Batateira, maior da unidade, está interditada, pois muitas árvores pegaram fogo e correm risco de cair. "A ideia não é afastar a população. A gente vai tentar reaproximar e saber a importância daquele lugar".

No caso do engenho, o fogo consumiu quase toda sua estrutura que era predominantemente de madeira. Restou parte do piso e tração em ferro fundido. Há alguns anos, o telhado já tinha cedido. Recentemente, a direção da Unidade procurou apoio da Universidade Regional do Cariri (Urca) para fazer um levantamento histórico da área para criar um projeto de contenção. O estudo já tinha sido enviado para o Departamento de Arquitetura e Engenharia (DAE).

"Revolta e tristeza profunda", classifica o radialista Ed Alencar, neto de Jeferson Franca de Alencar, responsável por preservar o Sítio Fundão até sua morte, em 1986. Depois de saber do incêndio, Ed foi ver de perto a destruição do local onde viveu ainda criança, quando foi criado por seus avós. "Conhecia essas belezas de perto".

Caatinga e Cerrado

No Parque Estadual do Sítio Fundão, a flora nativa representa os biomas Caatinga e Cerrado, além de conter uma diversidade de animais silvestres. Alguns são mais comuns como saguis, cobras e pássaros, mas raramente alguns veados, tatus e até tamanduás foram vistos por lá.

06 novembro 2018

Presidente da FGV diz que 1968 acabou agora, com a eleição de Bolsonaro

Cinquenta anos depois, 1968 finalmente acabou no Brasil com a eleição do candidato Jair Bolsonaro (PSL), afirmou Carlos Ivan Simonsen Leal, presidente da FGV (Fundação Getulio Vargas). Novo governo representa ruptura com mentalidade que direita e esquerda sustentaram por 50 anos, afirma Simonsen Leal

Fonte: "Folha de S.Paulo", 06-11-2018. Por Danielle Brandt, de Nova York


Em palestra a executivos e personalidades brasileiros e americanos na Brazilian-American Chamber of Commerce, em Nova York, na quinta-feira (1º), Simonsen Leal disse que o novo governo representa uma ruptura com a mentalidade que direita e esquerda sustentavam até então e que tinha suas origens em 1968.Naquele ano, estudantes realizaram em Paris protestos em que pregaram, entre outras coisas, o fim do capitalismo, dando origem a uma geração de políticos com o pensamento mais voltado ao social e a um Estado com peso maior.

“Há uma esquerda e uma direita que pensam que nós estamos em 1968, que pensam que o melhor negócio do mundo é uma siderúrgica. E não é a siderúrgica. O lucro anual da Google compra uma siderúrgica”, diz.

“Por que não somos capazes de fazer um Google? Inovação, mercado de capitais e insuficiência de crédito. Quais são as razões disso? Há um monte de razões. Essas razões são os incentivos, têm a ver com a montagem.”

Na França, afirma, essa mentalidade acabou depois que o presidente François Mitterrand (1981-1995), o primeiro socialista eleito para o cargo no país, adotou políticas econômicas consideradas fracassadas.

Ele foi substituído por Jacques Chirac (1995-2007), que adotou medidas de austeridade com cortes orçamentários —desafio semelhante ao que aguarda Bolsonaro.

A mudança de mentalidade passou ainda por uma reformulação da discussão capital-trabalho, algo que ficou mais evidente após a reforma trabalhista aprovada pelo governo de Michel Temer.

“Se você é empresário de si mesmo, você olha a relação capital-trabalho de outro jeito. Você não quer tantas garantias. Você quer que a empresa invista para alavancar seu trabalho”, diz.

Dentro das medidas de austeridade, a reforma da Previdência deve provocar mais controvérsia, como já ocorreu durante o governo Temer.

“O que você tem que dizer é falar com as pessoas que só podem se aposentar se tiverem 65 anos, se homens, e 63, se mulheres”, defendeu. E a discussão passa por rever o conceito de direitos adquiridos.

“Ninguém nunca diz de quem eles foram adquiridos. Eles foram adquiridos à custa de todo o mundo. Todo o mundo tem que pagar a conta. Foram adquiridos à custa de nossos filhos, netos, e assim em diante”, afirmou.

Mas sem confrontação. “As pessoas têm que entender que a discussão do Orçamento é parte da democracia. Eu quero que meu representante vá lá e discuta os gastos. Eu quero que meu representante acompanhe os gastos, para saber se o que ele discutiu foi aquilo que está sendo executado.”

#elesim: Bolsonaro também ganhou entre as mulheres, diz Ibope – por Daniel Bramatti



A pesquisa do Ibope foi registrada na Justiça Eleitoral sob o protocolo BR-07268/2018 e divulgada no domingo, 28 de outubro. 

    As mulheres deram a Bolsonaro uma vitória folgada em quase todo o País - foram as nordestinas que votaram em peso em Haddad e equilibraram o placar nacional. No Sul, no Sudeste e no Centro-Oeste, o candidato do PSL teve no segmento feminino vantagem de 28, 20 e 14 pontos porcentuais, respectivamente.

     No Nordeste, o candidato petista venceu por 46 pontos de folga (73% a 27%). Só as mulheres com renda inferior a dois salários mínimos votaram majoritariamente em Haddad - na faixa das que ganham de dois a cinco mínimos, Bolsonaro venceu por 62% a 38%. Entre as com renda superior a cinco mínimos, o militar reformado teve 64% das preferências.

     O deputado Jair Bolsonaro (PSL) se elegeu presidente graças à metade mais rica - ou menos pobre - da população brasileira, e perdeu para Fernando Haddad (PT) na metade de baixo da pirâmide de renda. Apesar de ter sido alvo do #elenão, movimento político capitaneado por mulheres contra sua candidatura, o presidente eleito provavelmente venceu por pequena margem no segmento feminino. Dados inéditos da boca de urna revelam que presidente eleito também conseguiu vencer entre os que tem renda acima de 2 salários mínimos.

     O recorte de renda foi o mais importante na definição do resultado: entre os eleitores que ganham mais de dois salários mínimos, Bolsonaro venceu com folga em todas as faixas etárias e de escolaridade, e também em todas as regiões, com exceção do Nordeste.
Já a segmentação do eleitorado por gênero indica que mulheres votaram de forma diferente de acordo com sua posição social e idade - as mais jovens, as mais pobres e as menos escolarizadas optaram majoritariamente por Haddad.

      Os resultados oficiais da eleição permitem apenas a análise geográfica dos resultados - afinal, o voto é secreto. Só é possível saber como se comportaram os brasileiros segundo gênero, idade, renda e escolaridade graças à pesquisa de boca de urna do Ibope, que ouviu 30 mil eleitores no dia 28 de outubro, depois que eles já haviam teclado sua opção na urna eletrônica.

      A pedido do Estado, o Ibope dividiu a amostra da boca de urna em metades, seguindo dois critérios diferentes. O primeiro foi o de gênero, para analisar como votaram homens e mulheres segundo sua idade, renda, escolaridade e região. E o segundo foi o de renda - de um lado, os que ganham até dois salários mínimos, e do outro, os que recebem acima disso.

      Na metade mais pobre, Fernando Haddad ficou à frente: 53% a 47%, levando em conta apenas os votos válidos - excluídos brancos e nulos. Na metade menos pobre, Bolsonaro teve dois em cada três votos (67% a 33%).A divisão do eleitorado por gênero revela que Bolsonaro venceu por 61% a 39% na metade masculina. Entre as mulheres, o placar foi de 52% a 48%. No eleitorado masculino, o domínio de Bolsonaro foi quase total. Ele só não venceu entre os homens com renda de até um salário mínimo, os que estudaram até a quarta série e os que são do Nordeste. Nesses segmentos, Haddad teve 61%, 59% e 61%, respectivamente.

     A maior divergência no voto entre homens e mulheres se deu entre os mais jovens. Os rapazes de 16 a 24 anos votaram em Bolsonaro na proporção de 60% a 40%. Já as garotas da mesma idade deram a Haddad 59% a 41%.

     O domínio de Haddad não foi generalizado também entre os mais pobres. Dos que ganham até dois salários mínimos, a vantagem do petista se deu dentro da margem de erro da pesquisa entre os mais velhos (acima de 55 anos) e na faixa de 25 a 34 anos, por exemplo, E o petista não venceu entre os que têm baixa renda e alta escolaridade (mais de nove anos de estudo).

      No Nordeste, principal reduto petista, Haddad teve vantagem de 44 pontos no segmento que ganha até dois mínimos, e de apenas 4 (empate técnico no limite da margem) entre os que têm renda acima disso.

04 novembro 2018

As luzes do caminho - Por: Emerson Monteiro


Que outro ser seremos nós diante do todo imenso que descortina os dias? Pequenas fagulhas em processo de libertação, isto somos já agora ainda menores do que preveem as pretensões humanas. Restos, pois, de natureza que conduzimos vida afora, farnéis de ansiosos sonhos e repasto de gigantes em desafio, olhos abertos ao tudo em constante movimento, tão só observamos os raios de sol que iluminam a estrada de infinitas surpresas e prósperas realizações. Seres consequentes, isto somos, há destinação no que agimos, sempre. Entes dos ideais da Existência, tangemos nossos próprios rebanhos, os pedaços de si e os destinos.

Tais viajores das ondas do tempo, deslizamos pela história que ultrapassa limites e valores, e queremos usufruir das condições intransponíveis de conhecer a que viemos e sustentar a barca nos terreiros do céu imenso.

Alguns lançam corpos inteiros na sede do prazer, o que satisfazem de imediato os sentidos. Apreciam excessos e disso têm alternativa. Largam a herança de tempo a que se sujeitam tão só no apego dos instintos. E quem pode julgar, conquanto a isto possuem força de fazer? A quem dizer que ajam diferente, que plantar é colher a pátria do futuro? E o que disséssemos, quem ouviria sem querer ouvir?!

Vez pisar nas leiras do sacrifício e conter os apetites do chão, o que dói e judia, poucos sabem quando a tanto experimentam fazer dessa opção. No entanto veem assim o prêmio das vitórias e as flores da estação daqui a pouco. Raros, contudo, aceitam pagar de bom grado esse preço que lhes ensinam os santos nas suas doações de tudo ao senso único da Iluminação definitiva. Olham de lado, adiam as decisões de vencer a si e dominar o fugidio. Oportunidades as temos, entretanto. Nisto andamos à busca do Sol.

02 novembro 2018

O voto nordestino mais à direita – por Antônio Jorge Pereira Júnior (*)



 No interior do Nordeste  há maior contingente populacional e maior pobreza. Apesar da pobreza e do aparelhamento na região, começou uma guinada à "direita" nas capitais. 

        Prezado leitor, os fatos da eleição permitem diversas análises. Detenho-me em uma. Como explicar o paradoxo de o Nordeste, nitidamente mais conservador, votar à esquerda? Haveria uma "consciência crítica de esquerda" na região, ou seria outra a razão para o voto em Haddad? Teria a região mais cristã do Brasil aderido à agenda da "esquerda", em favor da liberação do aborto, das drogas e da ideologia de gênero? Como compreender o fato de os nove Estados da região terem votado majoritariamente no PT?

         Alguns poderiam dizer que foi o receio de Bolsonaro acabar com a democracia e os direitos fundamentais. Isso pode ter contribuído. Mas, fosse isso, algo similar teria se passado no Sul e Sudeste, regiões com elevado senso crítico, onde se deu o oposto nas urnas. Além disso, em 2014 Dilma teve mais votos e não se dizia que Aécio ameaçasse a democracia. A explicação, acredito, está em algo mais próprio da região: a situação de pobreza e o medo de piorar. Portanto, o voto no 13 se daria, antes, em favor da manutenção do status quo material, do que por opção ideológica. Evidentemente a pobreza gera vulnerabilidade. Bolsa Família e políticas assistenciais tornam-se moedas de troca. Autoridades locais cativam o voto de quem depende delas. 

          Atualiza-se o cabresto eleitoral. Isso independe do partido. Ou seja, o povo carente se alinha a quem tem poder de lhe ajudar de imediato, seja de esquerda ou de direita. A "fidelidade" aos líderes locais é reforçada mediante ameaça de perda do benefício. Também é comum a cooptação pela entrega de algum auxílio concreto. Desse modo, o povo sofrido prefere manter as coisas como estão, com receio de dias piores. 

         Instrumentaliza-se a vulnerabilidade econômica. Hoje, os líderes políticos no  Nordeste são majoritariamente de partidos à esquerda, herança dos últimos 20 anos, quando o Governo Federal do PT aumentou políticas assistenciais. Ao lado disso, o aparelhamento dos órgãos de governo favorece a manutenção no Poder. A "máquina" é usada na campanha. Tal fator atinge capitais e interior.
No interior há maior contingente populacional e maior pobreza. Apesar da pobreza e do aparelhamento na região, começou uma guinada à "direita" nas capitais. As capitais concentram instituições mais representativas e possuem estrutura econômica superior, com melhores salários e serviços. Apresentam IDH maior. Desse modo, representam um Nordeste mais próspero. Logo, com voto mais livre.

          Note-se que em 2014 o PT ganhou nas nove capitais. Em 2018 venceu em 6. Em 5 delas teve menos votos em comparação com 2014. Por outro lado, Bolsonaro ganhou em Maceió (62,5), João Pessoa (54,8%) e Natal (52,98%).  Quase empatou em Recife (47,5%) e Aracaju (47%). Teve 44% em Fortaleza e 42% em São Luís. Em Teresina obteve 37% e em Salvador 31%. Enquanto isso, o percentual de votos nos interiores, excluindo-se as capitais, ficou abaixo de 30% em todos os Estados, com exceção do RN (31,5%).

           Por isso, o que de fato deve chamar a atenção do País no último pleito é o aumento da votação à direita nas capitais, a despeito de toda a pressão governamental local contrária. A redução da pobreza no interior do Nordeste, com desenvolvimento sustentável, permitirá aos nordestinos escolher a agenda política mais de acordo com sua cultura que, com certeza, não se harmoniza à ideologia de esquerda.

(*) Antônio Jorge Pereira Júnior é doutor e mestre em Direito – USP. Professor do Programa de Mestrado e Doutorado em Direito da Unifor.