29 novembro 2018

As cigarras da serra - Por: Emerson Monteiro


Sim, esse poder consistente que há na música e chega bem longe por entre as crateras das almas nas dimensões da tarde; cenas audíveis de horas distantes, infinitas, remotas, e inquietas eras que circulam à volta do sabor dos silvos de cigarras lá perdidas entre as árvores, que acalmam os deuses na amplidão e envolvem o oceano das nuvens arrancadas do ser que nós somos fieis testemunhas. Matrizes das filosofias, dos poemas, das músicas, zona neutra ali permanece escondida, olhos, ouvidos e sonhos. Ruídos que escorrem nas veias do instante até pulsar no coração do silêncio.

Nisso, imensa vontade pede conhecer o segredo que circula as consciências mortais na busca de Si, salutar esperança de permanecer diante das ruínas  deixadas pelo Tempo, senhor das eras. Portos distantes, pois, deste mar das existências, sons invadem os vazios de finais do dia. Avançam céleres rumo a desconhecidos, ocasião das noites inesgotáveis, fontes grandiosas do mistério de que tanto carecemos.

O som, os sonhos, sede do viver das criaturas gritam de perfeição no seio do Inconsciente. Nós, seres imprudentes e ambiciosas criaturas de dominar o Destino, heróis dos próprios dentes, donatários da Promessa, apenas deslizamos silhuetas nas paredes sombrias do escuro, pulsações de fantasmas que somem sorrateiros.

Com elas regressa o calor, sinal de novas chuvas neste verão intenso. Linguagem dos que significam a história secreta do Sol, sublimes vozes, falas e religiosidade compõem o presente nas cigarras que invisíveis ritmam o século das dores e das angústias, certezas ainda implumes, revelações do quanto avançar na face do perigo e afagar os desejos da humana felicidade. Amar, amar além da sobrevivência e do viver. As falas dos sentimentos soltas, assim, fibras resistentes da solidão e respondem ao cicio das cigarras, enquanto sorriem feitas almas penadas vagando pelos céus.

O rio imóvel - Por: Emerson Monteiro


Dia 12 de novembro de 2018, à noite, tivemos no Instituto Cultural do Cariri, em Crato, o lançamento festivo desse livro, O rio imóvel, romance da autoria de Maércio Lopes de Figueirêdo Siqueira, Maércio Siqueira, natural de Santana do Cariri, Ceará, lugar onde nasceu aos 21 de novembro de 1977. Ainda criança veio estudar em Crato, graduando-se em Letras pela Universidade Regional do Cariri, sendo, também, mestre em Filosofia pela Universidade Federal da Paraíba.

Houvesse de usar um único adjetivo a considerar o livro de Maércio, diríamos tão só que distingo a obra qual “consistente”, pela força do conteúdo e da forma de encaminhar a história que contém. Visivelmente dotado da verve literária, de fácil percepção, nisso desenvolve enredo no mínimo bem conduzido, mostrando segurança naquilo a que se propõe no decorrer de sua produção de 218 páginas.

Qual diz logo na apresentação, o livro foi escrito há 13 anos e só agora traz a lume em uma edição do próprio autor, de tiragem limitada, com ilustrações de Arievaldo Vianna. Destarte, aos 30 anos, obtém esse resultado de já autor amadurecido no trato do gênero difícil que escolheu estrear na prosa. Narra com espontaneidade a vida de Lucas Rocha, personagem que, depois de galgar sucesso noutras paragens, decide regressar ao seu lugar de origem, de onde havia fugido para esquecer uma experiência dolorosa.

Em uma exatidão dos que dominam o estilo, o escritor executa com maestria e nuances suficientes o desenrolar dos acontecimentos, que prendem o leitor e demonstram clareza nos objetivos colimados. Bom observador, descreve cenas sob crivo eficiente, característica dos romancistas vocacionados.

É esta, portanto, a minha satisfação de ver em campo o cordelista e xilógrafo Maércio Siqueira agora sustentando a batuta de prosador, o que enriquece tanto mais as benquistas letras caririenses.

27 novembro 2018

Explicações - Por: Emerson Monteiro


A sede intensa de conhecer, de descobrir o mistério da existência, perguntas perdidas no vazio de respostas desencontradas, isto bem que significa o valimento das filosofias e das civilizações. Alguns dos que mostram alguma sabedoria expendem assim o desejo de saber mais e considerar aonde vão os limites dos raciocínios ansiosos. Tratados se sucedem, pois, no trilho dos deuses e das suas versões desencontradas. Eles plantam nisso o futuro das sementes e dos pensamentos e rendem às tecnologias os poderes materiais da indústria. Somam lucros e armam países. Destroem e constroem à medida do que obtêm no passar da teoria à prática, pouco importando danos em termos dos resultados antinaturais na vida vegetal do Planeta.

Horas a fio elaboram explicações do quanto poderia ser houvesse consistência nos conceitos que formaram. Cavam longos e profundos túneis à buscam de fugir da penitenciária da história, nas soltas dos humanos. Ficções bem elaboradas do ponto de vista das literaturas querem, com isso, a todo custo, justificar os investimentos que nelas fazem os donos do capital junto da Natureza. São vidas, muitas vidas, largadas ao vento dos milênios tornadas escombros, fantasias, ilusões, dores e prejuízos.

Doutro lado, no entanto, há os místicos, que praticam o senso da observação através do que chamam meditação, contemplação, ioga. Silenciam às asas de descobrir na simplicidade pura, e avançam por meio do ser, invés das avaliações unicamente da inteligência física. Acalmam o desespero, a angústia das interrogações, o fastio da ignorância. Numa espécie de rendição às impossibilidades e das considerações que pudessem ter lá de fora, varrem no sentimento o desejo dos desertos. Vagam perdidos pelas entregas do anonimato e repousam nos oásis das almas em flor.

Duas posições antagônicas que, igualmente, buscariam tocar o Infinito; cientistas e santos. Relatórios imensos de palavras abrem as portas dessa busca por vezes de frutos bons, sadios, contudo reais só na experiência dos seus autores, porquanto depois apenas propagam alternativas e exemplos ao dispor da tradição de novos atores e sobejos entre Tudo e Nada.

(Ilustração: Colagem, Emerson Monteiro).

Nos 70 anos... A festa no Cariri – por Jorge Carvalho


    Após a Segunda Grande Guerra Mundial, o empresariado brasileiro, com o objetivo de levar ao trabalhador, saúde, cultura, formação e lazer, faz surgir ao país o Sistema FECOMERCIO. Em 1948, portanto, há 70 anos, o Sistema chega ao Ceará. Em nosso Estado, o Serviço Social do Comércio (SESC) transforma vidas em, 7 Espaços Culturais, 1 Unidade Hoteleira, 12 Bibliotecas, 6 Unidades Móveis, 6 Escolas Educar Sesc, 5 Centros Educacionais, 6 Restaurantes, 2 Núcleos de Saúde, 3 Clínicas Odontológicas, 6 Unidades Operacionais.

         Em 20 edições da Mostra Sesc Cariri de Culturas, o Serviço Social do Comércio, possibilita ao espaço geográfico da Região Metropolitana do Cariri, o grande “rebuliço”, a enorme movimentação humana, econômica, social e fraterna, “sacudindo”, “cutucando”, “fervilhando” um imenso caldeirão cultural nas mais diversificadas performances artísticas. Em coincidência com o Dia Nacional da Consciência Negra, a noite da terça-feira (20), foi mais emotiva, mais caririense, mais brasileira em uma autêntica simbiose cósmica: Milton, estrelas, lua, cor.

          A voz, a referência a Nelson (Mandela), Zumbi, Marielle, Anderson, acalentou corpos humanos presentes ao Centro Cultural do Araripe, sensibilizou a criança, o jovem, o cidadão sexagenário, a vovó, o vovô. Uma pérola de início de noite e princípio de uma inesquecível madrugada. Eu, tava lá. Sim estive na sexta, lá no teatro Patativa, no credenciamento da imprensa, no sábado, pela manhã, no Iu-á Hotel, fazendo a entrega da comenda Honra ao Mérito ao Sistema FECOMERCIO, em nome da imensa Região Metropolitana do Cariri, numa atitude, imagino eu, de gratidão a esta instituição pela “Festa”, sim a “Festa” que proporciona aos caririenses, aos céus, ar, e solos do Verde Vale.

            Participei do Seminário Arte e Pensamento, em duas manhãs e duas tardes que, possibilitaram-me maior aperfeiçoamento profissional, empolgante convívio fraterno e um amplo conhecimento antropológico, paleontológico, cultural em atenta função auditiva. A festa acabou? Não. A Festa continua, os mestres mais conhecedores de seus valores artísticos, as vozes dos nossos habitantes musicais, mais divinas, o pequeno, intermediário e grande empresário caririense mais empolgado, mais otimista. O povo feliz.

26 novembro 2018

Crato, uma cidade que vive do passado e de enganos - Por: Dihelson Mendonça



No Crato, as coisas sempre funcionam de maneira engraçada: Se uma obra dá certo, correm logo os babões a dizer que ela é do município. Quando a coisa vai mal, a BABOLÂNDIA empurra para o Governo do Estado ( Quando outros tentam empurrar de volta ). E a população fica sem entender se a obra apresentada pelos gestores é do município ou do Estado. Parece mesmo que é para causar desinformação.

Na verdade, poucas obras são de exclusividade do município, devido à pequena arrecadação municipal. Um município pode fazer capinagem, mas não pode construir um teleférico. Pode pintar um meio-fio de cal, mas não pode asfaltar a cidade. Mas nisso aí, quem leva o mérito ? Asfaltamento, de quem é ? De quem deu a verba. Quem assume o ônus, assume o bônus. E quem não pode com a peneira, que não pegue na rodilha. No Crato há inúmeras obras inacabadas, algumas por começar, promessas e mais promessas.

Por exemplo, aquele antigo mercado da Rua Nelson Alencar, onde derrubaram quase todo por dentro, e restam quase que somente as paredes externas. Ali seria o tal "cinema", que depois passou a ser na RFFSA, que nunca foi terminado. Outro exemplo, o Teatro Municipal, que falta a iluminação, os trabalhos no palco, há muito prometida por "n" políticos e nunca chegou ao Crato. Tá lá o Teatro por terminar... E os Museus ? A reforma dos Museus ? Um "embroglio" que já dura uma década e não se resolve... E que tal a nova "Exposição do Crato", que está lá ao léu, abandonada, e que seria uma prioridade para o Governo do Estado após a festa deste ano ?

E assim vive o Crato, uma cidade sempre na contramão do Brasil e do desenvolvimento. Basta dizer que temos aí a Rua da Vala com problemas de 50 anos, entra gestão e sai gestão e nada se resolve. Esse é o Crato que os Cratenses merecem ? Crato hoje tem absolutamente tudo para ser a estrela do Ceará, a princesa do Cariri, tem um governador que é daqui, tem tudo a favor, mas vai terminar essa gestão, com a cidade entregue praticamente como recebeu. Ainda se espera que a gestão comece, porque o Governo do Estado é quem, a priori tem feito algumas coisas por aqui.

Enquanto isso, muitos Cratenses seguem arrotando as glórias de um passado que não mais existe, existe apenas na cabeça deles, porque a realidade nas ruas, é outra, e é terrível.

Salve, grande Pedrinho Esmeraldo, com suas crônicas sempre verdadeiras, quando se refere aos políticos e ao destino do Crato. Eu diria assim como o velho Pedrinho: "Oh Crato velho sofredor !"

Por: Dihelson Mendonça 
Fotos ilustrativas já antigas : Wilson Bernardo






24 novembro 2018

Signos - Por: Emerson Monteiro


Década de 70. Durante Alguns meses eu funcionaria como assessor do inspetor Mário Jofre, da CACEX do Banco nos seus trabalhos em Salvador, auxiliando nos relatórios que ele encaminhava a Brasília. Aos intervalos, íamos ao 9.º andar, onde fazíamos as refeições. Ele, um mineiro que, inclusive, fora vereador em Belo Horizonte; encetamos bons papos nos assuntos mais diversos.

Dessa vez, sentados à mesa, após fazermos os pedidos, aguardávamos ser servidos, quando veio até nós um colega da agência e conversamos sobre signos astrológicos, de que tratáramos noutra ocasião. E o inspetor ouviu toda conversa. Saíra o interlocutor exato quando chegavam nossos pedidos; Mário Jofre se volta em minha direção e observa:

- Sim, senhor, seu menino. Então o senhor conhece os signos... Pois diga lá qual é o meu signo.

Colhido de surpresa, busquei terra nos pés, sem querer decepcionar o meu superior, nisso observando que o prato que lhe viera servido continha pura carne, um enorme bife sangrado. Daí pelos indícios, cogitei:

- Bom, inspetor, pelo visto do senhor gostar tanto de carne meio crua, o senhor dever ser Leão.

Com a resposta, o homem se entusiasmou e falou até mais alto, a ser ouvido também nas outras mesas; o restaurante estava quase lotado; elogiava o meu desempenho. Foi quando vinha chegando no almoço um dos gerentes adjuntos da agência, Brito, carioca autoritário, cara fechada, que, naquela época, recebera a missão de botar ordem na casa em relação ao pessoal, respeitado só o tanto entre os funcionários. Ao ouvir do inspetor que eu conhecia de signos, que acabara de acertar o seu signo, e outros elogios, na mesma hora, sisudo, Brito olha e consulta:

- Pois diga qual o meu signo?

Que houvesse ainda mais terra debaixo dos pés; corri a vista pela memória; recorri aos céus; e sem demorar sustentei:

- Sim, deve ser Gêmeos ou Balança. (Nunca passara por isso, nem nas brincadeiras de salão, e duma vez enfrentava logo duas paradas frontais). Dava por perdido, fizera apenas de mera apelação. Quando, na hora, o administrador olhou de cara assustada e considerou:

- Por que Balança? Por que Balança? – Acertara outra vez o palpite.

- É que o senhor é pessoa ponderada, equilibrada... – Com isto, tratei de terminara de comer, e me despedir dos dois, avisando que havia compromisso naquele momento, saindo fora antes de aparecer novo desafio astrológico. Graças a Deus minha experiência no assunto fora bem sucedida.

70 anos de Abidoral Jamacaru, o Menestrel do Cariri



Carlos Rafael Dias

28 de novembro de 2018, uma data histórica para a cultura caririense. Abidoral Rodrigues Jamacaru Filho, ou simplesmente Abidoral Jamacaru, completa 70 anos de vida. Mais do que a idade em si, cronologicamente falando, este marco, em se tratando do aniversariante que é, se reveste de uma simbologia a mais. É que Abidoral, além do talentoso e humanista artista, carrega em si outras marcas notáveis, como a espiritualidade e a cidadania à flor da pele.

Abidoral começou sua carreira artística, oficialmente falando, no segundo Festival da Canção do Cariri, em 1971. Portanto, considerando este marco, ele está próximo de completar 50 anos de carreira. Naquele festival, Abidoral integrava a banda Cactus, ao lado de dois irmãos seus, Alberto e Hildeberto, e da qual também participavam Luiz Carlos Salatiel e Geraldo Urano . Na ocasião,  O Cactus foi o grande vencedor, interpretando a canção Grito de uma geração, de autoria de Hildeberto Jamacaru, com letra e musicalidade a la anos 60, ainda ecoando fortes nas mentes e corações dos jovens inconformados com o establishment devorador de sonhos e utopias. 

De papel de mero acompanhante, Abidoral não demorou a virar protagonista. E isso graças ao seu dom de compor e interpretar. Em 1973, foi o vencedor do III Festival, com a música Lembrança do carnaval que passou, um frevo que contagiou plateia e jurados e marcou uma época dourada da arte caririense, que até hoje reverbera na memória coletiva regional. Mais do que um vencedor, Abidoral demonstrou ser um compositor eclético, ousado nas experimentações sonoras e afiado no discurso antissistema, denunciando, mesmo nas entrelinhas, os pesados ares contaminados com partículas de chumbo que se respiravam naquele irrespirável ‘Brasil, ame-o ou deixe-o’ que lamentavelmente está sendo agora reeditado. 

Vencer festivais, quase que se tornou uma especialidade de Abidoral. Em 1975, novamente fez jus ao primeiro prêmio com Margem virgem, uma composição bem ao estilo mais radical da tropicália, daquelas que somente Tom Zé e Caetano de Araçá azul sabiam fazer. Mas, Abidoral, que nunca abriu concessão ao sistema, cansou da fórmula competitiva dos festivais que se faziam no Brasil desde a década de 60 e “chutou o pau da barraca”. Antes, porém, levou um pau na barraca. Ããhh?!!! Explico melhor.

Em 1976, estava no Crato um jornalista brasiliense interessado em fazer um resgate da história do Caldeirão da Santa Cruz do Deserto, comunidade de agricultores pobres sem-terra, liderada pelo beato José Lourenço, um seguidor do Padre Cícero. O Caldeirão, pela sua proposta coletivista de vida, onde trabalho e produção eram repartidos igualmente entre todos, logo atraiu a ira dos latifundiários locais que, conluiados com a hierarquia da Igreja e o poder estatal, tramaram a destruição deste projeto de libertação popular, isso no ano de 1936. Por todas essas nuanças, o Caldeirão era assunto proibido de ser falado e muito menos pesquisado. Abidoral não só hospedou esse jornalista, como ainda se dispôs a fazer shows na barraca que foi montada na Exposição do Crato para arrecadar uma grana, visando financiar o projeto de resgate histórico do Caldeirão.  Por isso ou por otras cositas más, durante uma das apresentações do Menestrel do Cariri, confundido com um barbudo de Sierra Maestra, a polícia invadiu a barraca, distribuindo porradas e fazendo prisões. Abidoral chegou a ser detido, depois de apanhar e ser arrastado pelos longos cabelos que cultivava na época.

Pior do que as porradas e a prisão, foi sentir-se estrangeiro em sua própria terra, ver-se olhado com olhares atravessados e ter alguns amigos mais jovens afastados de si por ordem dos pais. Isso fez com que Abidoral decidisse partir para um exílio voluntário (mas não tão voluntário assim). Como cantou o “Bob Dylan brasileiro”, o também cearense Belchior, na bela e emblemática canção Retrato 3 x 4: “o que pesa no norte, pela lei da gravidade, disso Newton já sabia!, cai no sul grande cidade”. E assim nosso Menestrel fez o caminho mais trilhado pelos artistas incomodados, incomodantes e sem espaços na sua terra natal. Afinal, “santo de casa não obra milagre”, como já vaticinava nossa sábia cultura popular. Sul Maravilha #partiu!

Antes, porém, deu um rolê (sim, essa é em alusão ao Novos Baianos) por algumas cidades do país, fazendo shows acompanhado de dois garotos talentosos: seu irmão caçula Pachelly e Audísio Gomes, o Tapioca. Fortaleza, Recife, Salvador e Brasília. Depois, fixou residência no Rio de Janeiro, dividindo casa com o seu arcanjo da guarda Salatiel no aprazível e artístico bairro de Santa Teresa, a Montmartre brasileira. Na capital carioca fez contato com a vanguarda alternativa da MPB. Jards Macalé, por exemplo, abriu-lhe algumas portas, mas nenhuma de gravadora. Gravar um disco naquela época e conjuntura era um sonho quase impossível. Além do mais, o show business cobrava a alma do artista para isso e ainda lhe comia o fígado a tira-gosto. Tinha que se vender para o esquemão da indústria fonográfica se quisesse registrar o trabalho em disco. Felizmente, essa concessão Abidoral nunca fez. Enquanto isso, os que aqui ficaram, ficaram esperando pelo disco de Abidoral que nunca veio das bandas de lá.

Em meados dos anos 1980, mais precisamente em 1984, Abidoral decidiu retornar. No Cariri, entre a rotina de compor e se apresentar esporadicamente em shows e participação em eventos, Abidoral exerceu uma ativa militância cultural e ecológica (era assim que o ativismo ambiental era chamado naquela época). Foi quando o seu incansável arcanjo da guarda Salatiel lhe propôs a gravação de um disco independente, tudo bancado por ele. O destino para uma empreitada daquele tamanho era Sampa, onde estavam radicados vários músicos caririenses, alguns que já tinham tocado com o Menestrel nos festivais, como Audísio Tapioca e Paulinho Chagas. Foram, gravaram e voltaram. O disco chegou depois. Avallon (este é o título) foi prensado em vinil, embalado em capa dupla colorida, belíssima, com desenhos de Romildo Alves e Edelson Diniz, e texto profético de Salatiel: “Dos doze pares da França, sete druidas bretões eram e cavalgavam a enorme baleia dourada e desposaram sete índias das tribos deste vale do Cariri e festejaram por sete luas seguidas: cantaram e dançaram e banharam-se nas fontes e provaram da bebida do fermento da mandioca e roeram caroços do pequi e saborearam o doce do fruto do buriti e trocaram mágicas e fumaram do mesmo cachimbo com o pajé”. 

O repertório musical do LP é mágico, clássico, inovador, instigante, com letras inteligentes, profundas e de rara sensibilidade. Mas só o ouvindo mesmo para entender e sentir toda essa representação verbal. Avallon foi recebido entusiasticamente pelo público e pela crítica. Recentemente ao completar 30 anos de seu lançamento, foi objeto de um festejado revival, com direito a audição pública, promovida pelo Curso de Música da Universidade Federal do Cariri, e documentário em vídeo, produzido pelo coletivo O Berro. Depois vieram outros discos, já na era digital: O peixe (1999), Bárbara (2009), Dádivas (2015) e agora Abidoral Jamacaru (2018).

Nesses setenta anos de vida e quase cinquenta de carreira artística, ao mesmo tempo, pouca e muita coisa mudou. Abidoral é o mesmo cara simples de quando ajudava o pai no Casa Abidoral, armarinho de variedades e miudezas localizado na rua Bárbara de Alencar, centro do Crato. Mora ainda na mesma casa que herdou dos pais; cozinha para si e lava a própria roupa, varre a calçada diariamente e rega o pequeno jardim que cultiva nessa mesma calçada. Sobrevive, em parte, dando aula de violão, mas persegue uma busca espiritual que o transforma diariamente e inspira suas composições. Ou seja, nunca deixou de ser ele mesmo, mas nunca se contentou consigo. Ele lapida coisas sublimes e nessa jornada ele compartilha seus tesouros. E suas mais valiosas joias são suas canções, sempre soando inconformadas e ásperas, mas suavemente belas e reconfortantes. Ecléticas, passeiam por estilos diversos, do blues ao coco, do rock ao baião. Em geral, as temáticas abordam elementos que descrevem situações políticas, sociais, referentes também à cultura popular tradicional, mas que, paralelamente, também lanças olhares para realidades diversas, aberturas de novos campos de significação onde possam coabitar em um mesmo contexto o antigo e o contemporâneo, o que é considerado vanguarda e as diversas manifestações de tradição.

Abidoral, em uma palavra, é simplesmente Bida, um amigo que sempre deixa a porta da casa aberta (tão escancarada que uma vez lhe roubaram o violão). Em duas palavras, é o Menestrel do Cariri. Mas o homem Abidoral transcendeu sua existência material. Ele é um mito, como Bob Dylan e Luiz Gonzaga. É canção que anuncia utopias como o canto da cigarra que prediz um inverno de fartura nos campos do sertão e nas mesas sertanejas. É um dos quantos estende a voz por tantos. Lá de dentro, lá de fora. Abidoral...

Crato, Cariri, novembro azul (pra lembrar a Bida do exame de próstata) de 2018.

23 novembro 2018

As razões de ser assim - Por: Emerson Monteiro


Resultados disso que sustenta estar aqui diante de existir, motivos incessantes desse relógio de andar nos trilhos da inexistência na matéria logo ali defronte, sentido único de viver, quais razões de tudo isto, causas e consequências de envolver tantas cabeças no projeto preponderante dos humanos? E haja interrogações de fugas, insatisfações e justificativas...

Alguns, senão muitos, querem andar em defesa da Lei. Apresentam teses mirabolantes e testemunham revelações que a própria história impõe. Puxam daqui, estiram dali, quais necessários e sapientes, na face deste abismo tenebroso das razões tais que preenchem o teto dos vestígios deixados pelo movimento. Mas qual, a que se destina o processo universal da criação enquanto só assistimos de olhos vidrados o desenrolar de cenas inevitáveis?

Largas respostas ofertadas pelos credos, filosofias, criatividades em forma de versos e prosa, discursos, sermões, livros em profusão, são setas, porquanto das respostas no favo de mel das virtudes e do sentimento escondido. Livres dos pensamentos sórdidos, seguem eles o trilho dos contentes nalgumas ocasiões. Aceitam o que lhes indicam as tiradas geniais e passam de geração a geração de mão em mão.

Foram, serão, muitos desses arautos do mistério a desvendar os códigos da ciência, técnicos de bem dizer, de bem querer. Superam as bibliotecas, os sucessos de bilheteria e alimentam sonhos e visões do Paraíso. No entanto quanto a quê, aonde morar em caráter definitivo? Sabedores dos mapas, onde persistirá o território dos céus? Luzes, luzes, luzes...

Querer ouvir o silêncio dos infinitos e da solidão, abrir as portas da liberdade e ser por demais quanto ouvir o grito suave das horas... Aceitar as condições impostas pela determinação do Ser. Rever heranças da Civilização e deixar transcender o burburinho das ilusões. Abandonar ao vazio o eco das atualidades durante o tropel dos animais. A entrega, o corredor das decisões individuais, vem dormir no seio da Paz dos tempos à luz das interrogações.

22 novembro 2018

Noites impávidas - Por: Emerson Monteiro



Esses tempos só de luta, horas mil de aflições e dúvidas, mais de ficção de horror que das doces comédias dos antigamente quando a humanidade atravessava turnos de egoísmo, interesses exclusivos de poderosos, diante dos sóis menos quentes. Horas de incertezas, águas turvas e feras assustadas, no entanto das largas perguntas quanto aos motivos de aandar aqui, cidadãos do Infinito. - Senhores de longas histórias, a quê viver tudo isso face ao desconhecido?

Estradas abertas a todas as possibilidades, nos resta o sentido de aonde chegar perante as ásperas montanhas lá dos céus. Somos eles, os argonautas, caçadores da arca perdida, conquistadores de mares abertos em nós, a alma da consciência, detentores da Criação maravilhosa. A própria resposta viva dos séculos, eles, os gladiadores do depois.

Sequiosos, pois, do encontro consigo mesmos, a nau sem rumo parece viajar na deriva, contudo plena de razões de ser, mostra das cores do futuro e sinais de salvação. Horas mil de ficções inevitáveis, certezas da pura incerteza, a significar a razão principal de andarmos no frio invisível das horas ao som do silêncio absoluto. Sujeitos das visões do Paraíso, assim tangemos o rebanho dos dias feitos abandonados dos esquecimentos.

Bem isto, a existência dos humanos, indagações em forma de alimárias do destino. Sacudidos pelas águas turvas do furor das gerações, meras fagulhas dos pulsares e quasares, arrastamos pés na lama e na poeira da jornada ocasional da vida, e chorar e rir e preservar o nada ao sabor dos acontecimentos. Indagações abertas do esquecimento, escafrunchamos a lata do lixo cotidiano e nutrimos de sobrevivência os trapos que, farrapos, passam ao vento.

Centremos nisso, nessa interrogação, de porta em porta, os planos das civilizações, e daí cuidemos de achar no coração a resposta definitivamente. Perlustrar a securas dos calores e o drama dos insetos da forma clássica de viver com honra e seguir o mistério da fé soberana. Tenhamos paz, alimentemos amor na trilha dos bárbaros e sejamos Um enquanto as luas se sucedem no íntimo das pessoas.

(Ilustração: Colagem, Emerson Monteiro).

Querer grandeza -- por Ernesto Araújo (*)


    Uma equivocada interpretação das tradições diplomáticas brasileiras tenta impor-nos, há muitos anos, a visão de que o Brasil é simplesmente um país grande: desistimos de ser um grande país. No universo da diplomacia pós-moderna, que infelizmente nos apressamos a copiar a partir de modelos externos, não existe grandeza. Não existe vontade ou paixão. Não existe orgulho.

    O desejo de grandeza é o que de mais nobre pode haver numa nação que se coloca diante do mundo.

     Mas alguém decidiu definir a presença do Brasil no mundo por sua adesão aos “regimes internacionais”, por sua obediência à “ordem global baseada em regras”. O Brasil assim concebido quer ser apenas um bom aluno na escola do globalismo. Não quer nem mesmo ser o melhor aluno, pois isso já seria destacar-se demais, já envolveria um componente de vontade e grandeza que repudiamos.

    Quando eu era criança, pela metade dos anos 70, ficava horas folheando um livro chamado “Atlas das Potencialidades Brasileiras” cheio de mapas de reservas energéticas e minerais, produção industrial e agrícola, etc. O subtítulo do livro dizia: “Brasil Grande e Forte”. Hoje, querem colocar nas mãos das crianças livros sobre sexo, mas se vissem uma criança lendo um livro chamado “Brasil Grande e Forte” prenderiam os pais e mandariam a criança para um campo de reeducação onde lhe ensinariam que o Brasil não é nem grande nem forte, mas apenas um país que busca a justiça social e os direitos das minorias.

    Antes fosse. Se houvesse uma alternativa excludente entre grandeza e força, de um lado, justiça social e direitos das minorias, de outro, seria até válido optar por estas últimas. Mas não há excludência. O que há é uma ideologia manipuladora que cria uma histeria permanente sobre justiça social e minorias, sem fazer absolutamente nada concreto nem pelas minorias nem pela maioria, sem nenhum compromisso em melhorar a vida real de ninguém, e que veste o manto da justiça social para roubar e tentar sair com o produto do roubo, desrespeitando tanto a justiça social quanto a justiça propriamente dita. Essa ideologia faz de tudo para destruir qualquer poder mobilizador autêntico que ela não controle, e por isso dedica-se a sufocar o desejo de grandeza associado ao sentimento nacional.

     A grandeza mobiliza e organiza um povo, cria sentido e gera energia humana, sabidamente a mais preciosa forma de energia. Nada pior para os planos da ideologia esquerdista. A esquerda não tem o menor interesse em justiça social, mas utiliza esse conceito para contaminar a água da nação, para criar pessoas raivosas e ignorantes e assim desmobilizar o povo, proibi-lo de ter ideais, separá-lo de si mesmo, desligar a energia criativa. Justiça social, direitos das minorias, tolerância, diversidade nas mãos da esquerda são apenas aparelhos verbais destinados a desligar a energia psíquica saudável do ser humano.

     A aplicação dessa ideologia à diplomacia produz a obsessão em seguir os “regimes internacionais”. Produz uma política externa onde não há amor à pátria mas apenas apego à “ordem internacional baseada em regras”. A esquerda globalista quer um bando de nações apáticas e domesticadas, e dentro de cada nação um bando de gente repetindo mecanicamente o jargão dos direitos e da justiça, formando assim um mundo onde nem as pessoas nem os povos sejam capazes de pensar ou agir por conta própria.

     O remédio é voltar a querer grandeza. Encha o peito e diga: Brasil Grande e Forte. Milhares de pequenos esquerdistas imediatamente te atacarão como formigas quando você chuta o formigueiro, mas se você resistir e não recuar eles ficarão desorientados e se dispersarão na sua insignificância, deixando aberto o campo para construirmos um país de verdade.

(*) Ernesto Araújo, diplomata de carreira. Convidado pelo Presidente-eleito Jair Bolsonaro para o exercer o cargo de Ministro das Relações Exteriores do Brasil no governo que terá início em 1º de janeiro de 2019.

20 novembro 2018

Como surgiu a nação chamada Portugal – por Armando Lopes Rafael (*)


Batalha de Ourique, 25 de julho de 1139. Neste dia nasceu Portugal

      Faz alguns anos. Entre 2001/2002. O Prof. Vladenir Menezes, então diretor da Faculdade Leão Sampaio (hoje Centro Universitário Doutor Leão Sampaio – UNILEÃO) – da cidade de Juazeiro do Norte – convidou-me para lecionar a disciplina História do Brasil num curso superior existente naquela instituição. Ali demorei apenas um ano, porquanto não me seduziu o papel de professor nos tempos, digamos,  medíocres, em que vivemos.

        O Prof. Vladenir deu-me liberdade para eu elaborar a grade curricular da disciplina. O que fiz com muito empenho, buscando novo enfoque, evitando a mesmice da pregação, em sala-de-aula,  de luta de classes, “preferência opcional” pelo ideário marxista, e outros equívocos,  que viriam a ter seu apogeu quando o lulopetismo chegou ao poder, no Brasil, a partir de 2003.

         Minhas primeiras aulas ministradas versaram sobre um fato histórico antecedente à “descoberta do Brasil”. Um fato que teve profunda influência na formação do Brasil, desde os primórdios do Brasil-Colônia, passando pelo Brasil-Império, até desaguar no golpe militar que nos impôs a forma de governo republicana, em 1889. 
       Refiro-me a um episódio   do qual resultou o surgimento da nação portuguesa.  Fato desconhecido pela quase totalidade de professores e alunos dos cursos de História, no Brasil. Trata-se da "aparição" de Nosso Senhor Jesus Cristo ao Conde Dom Alfonso Henriques, na véspera da Batalha de Ourique, cujos registros se encontram nos Tombos da Torre de Belém e foram transformados em versos por Camões, no célebre poema “Lusíadas”.

A visão  do Conde Dom Alfonso Henriques, primeiro Rei de Portugal, 
na noite-véspera da Batalha de Ourique

        Dias atrás, para minha alegria, li um artigo escrito pelo futuro Ministro das Relações Exteriores do Governo Bolsonaro – o Embaixador Ernesto Araújo – sobre esse episódio. Transcrevo, para os que me lerem, o texto do futuro Chanceler brasileiro, um homem culto,  corajoso, autêntico intelectual, como há muito não se via à frente do Itamarati. Confiram abaixo:

“Antes da batalha (por Ernesto Araújo)

     Na noite antes da batalha de Ourique, em 25 de julho de 1139, Nosso Senhor Jesus Cristo apareceu numa visão a Dom Afonso Henriques, então ainda conde de Portugal, que se preparava para enfrentar cinco reis mouros contra ele coligados. Conta Afonso Henriques, num relato possivelmente autêntico, registrado alguns anos depois:

“E subitamente vi, à parte direita, contra o nascente, um raio resplandecente, indo-se pouco a pouco clarificando; cada hora se fazia maior. E pondo de propósito os olhos para aquela parte, vi, de repente, no próprio raio, o sinal da cruz mais resplandecente que o sol, e um grupo grande de mancebos resplandecentes, os quais, creio que seriam os Santos Anjos. Vendo, pois, essa visão, pondo à parte o escudo e a espada, me lancei de bruços e, desfeito em lágrimas comecei a rogar pela consolação de seus vassalos, e disse sem nenhum temor.

"– A que fim me apareceis, Senhor? Quereis, porventura, acrescentar fé a quem já tem tanta? Melhor é, por certo, que vos vejam os inimigos, e creiam em vós, que eu, que desde a fonte do Batismo vos conheci por Deus verdadeiro, filho da Virgem e do Padre Eterno, e assim Vos reconheço agora.
"A cruz era de maravilhosa grandeza, levantada da terra quase dez côvados. O Senhor, com um tom de voz suave, que minhas orelhas indignas ouviram, disse:

"– Não te apareci deste modo para acrescentar tua fé, mas para fortalecer teu coração neste conflito. E fundar os princípios de teu reino sobre pedra firme. Confia, Afonso, porque não só vencerás esta batalha, mas todas as outras em que pelejares contra os inimigos de minha Cruz. Acharás tua gente alegre e esforçada para a peleja; e te pedirá que entres na batalha com o título de rei. Não ponhas dúvida, mas tudo quanto pedirem, lhes concede facilmente. Eu sou fundador e destruidor dos reinos e impérios, e quero em ti, e em teus descendentes, fundar para Mim um império por cujo meio seja Meu Nome publicado entre as nações mais estranhas.”

Afonso Henriques foi proclamado Rei no campo de batalha e triunfou. Graças à sua fé e sua espada estamos aqui, e conhecemos o nome do Salvador. “E aquele que conhece o meu nome, eu também conheço o seu nome”, diz um texto cristão dos primeiros séculos.

***   ***   ***

        Ouso dizer que, naquele 25 de julho de 1139, quando Nosso Senhor Jesus Cristo previu: “(Que) seja Meu Nome publicado entre as nações mais estranhas”, já estava nos planos da Divina Providência a extensão do que seria o imenso Império Português, o qual,  no século XVI, abrangeria também o Brasil, várias nações da África (Angola, Moçambique, Guiné, Cabo Verde), pequenas porções da Índia e até um país o Sudeste Asiático: Timor Leste.

(*) Armando Lopes Rafael é historiador.

19 novembro 2018

CARIRIENSIDADE (por Armando Lopes Rafael)


Caririenses ilustres: Padre Francisco Gonçalves Pita

      Nasceu em Missão Velha, no dia em 29 de maio de 1895, filho de Fenelon e Julieta Gonçalves Pita. Em 1909 vamos encontrá-lo estudando no Seminário São José de Crato. Depois foi aluno do Seminário da Prainha, em Fortaleza. Recebeu a ordenação presbiteral em 27 de fevereiro de 1921. Foi logo nomeado Vigário da Paróquia de São Vicente Férrer, de Lavras da Mangabeira, onde permaneceu até dezembro de 1936, retornando a Crato. 

       Quando de um dos fechamentos do Seminário São José, funcionou naquele edificio  o Ginásio São José. Fechado este, Pe. Francisco Pita, com recursos próprios e ajuda dos pais que eram pessoas ricas em Missão Velha, adquiriu um prédio na esquina da Avenida Duque de Caxias com Rua Nelson Alencar e lá fundou e fez funcionar o antigo Ginásio do Crato. Ali, Pe. Francisco Pita  lecionou Geometria, Álgebra, Aritmética, História Natural Física e Química.

       Tempos depois, foi aprovado para ser professor do Colégio Militar de Fortaleza. Deixando Crato,  vendeu o seu Ginásio à Diocese, o qual passou a se chamar Colégio Diocesano de Crato
       Em Fortaleza, foi capelão do Colégio Militar  e da igreja de São Pedro. Primeiro pároco da nova Paróquia de Santa Luzia (fundada em 13.03.1942). Ensinou língua portuguesa do Colégio Militar. Recebeu o título de Monsenhor, que lhe foi  concedido pelo Papa Pio XII. Faleceu na capital cearense, em 23.11.1969, vítima de atropelamento. É patrono da Cadeira de nº 16 do Instituto Cultural do Cariri, com sede em Crato
           
História: sobre o povoamento do Cariri

      Teve início, provavelmente por volta de 1703, o povoamento do extremo sul do Ceará, quando criadores baianos e sergipanos – seguindo o caminho dos rios, que eram então abundantes – chegaram a esta região. Vinham, com seus rebanhos, pela ribeira do Rio Salgado e Riacho dos Porcos. Alguns se fixaram inicialmente na povoação de São José dos Cariris Novos, atual cidade de Missão Velha.
             Primitivo engenho de rapadura do Cariri
    
  Donde se conclui que a primeira exploração econômica do Cariri foi a pastoril. Somente por volta de 1718 (para alguns historiadores), ou 1738 (para outros), descobriu-se a vocação canavieira desta parte do Ceará, graças às amostras de cana-de-açúcar trazidas, provavelmente, da Bahia ou da Zona da Mata de Pernambuco. Teve início, naquele momento, a predominância da agricultura, sobre as atividades pastoris no Cariri cearense.

A presença de famílias da Província de “Sergipe del Rey” nessa povoação
 Antigo Brasão de Armas de Sergipe del Rey, na época da dominação holandesa

      É da lavra do Monsenhor Francisco Holanda Montenegro o melhor escrito sobre a presença de famílias sergipanas na povoação do Cariri. No livro “As Quatro Sergipanas”, Mons. Montenegro deixou para a posteridade suas pesquisas e interessantes descobertas. E fê-lo arrimado em alentados dados históricos, onde prova que nas linhagens da “Gens Caririenses” estavam troncos familiares provenientes da então Província de Sergipe del Rey. 

      Bastaria recordar aqui a ascendência do Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro – o “Contrarrevolucionário do Cariri de 1817”, considerado, também, o fundador da cidade de Juazeiro do Norte. O lendário Brigadeiro Leandro era filho do sergipano Antônio Pinheiro Lobo e Mendonça e da pernambucana Joana Bezerra de Menezes. Descendia ele – em linha direta – do português Diogo Álvares (que ficou conhecido pelo nome de "Caramuru") e da índia Paraguaçu (convertida ao catolicismo e batizada em 1528, na Catedral Saint-Malo, na França, com o nome de Catherine du Brésil). Reza a tradição ter sido esse o primeiro casal cristão brasileiro. O livro de Mons. Montenegro, no entanto, tem vasto inventário de outras famílias sergipanas que povoaram o Cariri cearense.

Sobre o Brigadeiro Leandro

Livro "As Quatro Sergipanas", da lavra de Monsenhor Francisco Holanda Montenegro

         Monsenhor Francisco Holanda Montenegro, no seu livro "As Quatro Sergipanas", descreve assim o perfil moral do fundador de Juazeiro do Norte: “... a relevar o nome do mais ilustre dos cratenses, o Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro, o nume tutelar dos Bezerra de Menezes do Cariri. Ele se tornou grande, primus inter pares, pela retidão de caráter, pela nobreza de sentimentos, pela vida exemplar de que era dotado. Homem de Deus, espírito límpido e transparente, franco, sincero, leal. A par de sua honestidade, corriam parelhas a prudência, o equilíbrio e o bom senso."

    O Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro nasceu no sítio Moquém, zona rural de Crato, em 5 de dezembro de 1740. A historiadora Amália Xavier de Oliveira (uma das primeiras a defender o Brigadeiro como fundador de Juazeiro do Norte) argumentou que isso ocorreu porque, dentre suas várias propriedades rurais, o Brigadeiro escolheu uma delas para viver seus últimos dias. Era a Fazenda Tabuleiro Grande, (localizada onde hoje se ergue a cidade de Juazeiro do Norte) assim descrita por Amália:

As extensas terras do Brigadeiro Leandro

    Juazeiro do Norte em 1827, numa pintura da artista plástica Assunção Gonçalves. A casa com pequeno alpendre e um banco na frente, era a casa do Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro.

   Conforme a escritora Amália Xavier de Oliveira: “... imensa extensão de terra, partindo do município de Crato e espraiando-se em direção à serra de São Pedro, era a Fazenda Tabuleiro Grande, pertencente ao Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro e que, portanto, fazia parte da gleba de terra do engenho Moquém que seus avós doaram aos seus pais como dote, quando eles se casaram. O ponto mais pitoresco da fazenda era uma ligeira elevação do terreno, próximo ao rio Salgadinho, onde havia três grandes juazeiros, formando um triângulo e sobressaindo, entre os demais, pelo tamanho de sua fronde e pela beleza do verde de sua clorofila. Sob esta fronde acolhedora, procuravam abrigo os viajantes feiristas, que, de Barbalha, Missão Velha e outras imediações se dirigiam a Crato para vender seus produtos e comprar mantimentos para a semana (...)

Como Juazeiro do Norte surgiu

       E continua Amália: "Ordenara-se Sacerdote o Pe. Pedro Ribeiro de Carvalho, neto do brigadeiro, porque filho de sua primogênita, Luiza Bezerra de Menezes e de seu primeiro marido, o Sargento-mor Sebastião de Carvalho de Andrade, natural de Pernambuco. Para que o padre pudesse celebrar diariamente sem lhe ser necessário ir a Crato, Barbalha ou Missão Velha, a família combinou com o novel sacerdote a ereção de uma capelinha, no ponto principal da Fazenda perto da casa já existente".

    Em 15 de setembro de 1827 foi lançada a pedra fundamental da capelinha de Nossa Senhora das Dores. Assistiu a essa solenidade o Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro, aquela época caminhando para os 87 anos de idade. A imagem de Nossa Senhora das Dores, destinada à capelinha, foi adquirida pelo brigadeiro em Portugal e ainda hoje é conservada, em excelente estado, na Casa Paroquial de Juazeiro do Norte.

Fato histórico pouco divulgado: Padre Cícero era um “Bezerra de Menezes”

      Também o Padre Cícero Romão Batista tinha ascendência sergipana.     
Deve-se aos pesquisadores Renato Casimiro e Daniel Walker a constatação de que, dentre os ancestrais do Padre Cícero Romão Batista, alguns são do clã Bezerra de Menezes. Num livro escrito por esses dois historiadores (“A Família Bezerra de Menezes”, ABC Editora, Fortaleza, 2011) consta: 

“Alguns ancestrais do Pe. Cícero pertenciam à família Bezerra de Menezes. Quem lê estudos mais aprofundados sobre a biografia de Cícero Romão Baptista, o padre secular que revolucionou a Povoação do Joaseiro, entre 11 de abril de 1872 – quando chegou na povoação, e 20 de julho de 1934, quando falece – deve ter encontrado alguns destes registros. As suas tetravó e trisavó maternas, respectivamente, Petronila Bezerra de Menezes e Ana Maria Bezerra de Menezes, filha de Petronila, eram relacionadas por genealogistas como oriundas da contribuição étnica da família, dos troncos existentes entre velhos povoadores da Bahia, de Pernambuco e de Sergipe especialmente.

        No desenvolvimento genealógico desta família, agora é oportuno salientar que, o nono filho do casal Bento Rodrigues Bezerra e Petronila Velho de Menezes, se não teve uma grande importância no povoamento do Cariri, menor não é o significado de sua descendência, especialmente, para Juazeiro do Norte, pois representou o berço do patriarca na extensa Nação Romeira, o reverendíssimo Padre Cícero Romão Baptista. Assim:

1.    João Bezerra de Menezes matrimoniou-se com Maria Gomes, e foram pais de:
2.    Petronila Bezerra de Menezes que casou com o Cap. João Carneiro de Morais, e geraram:
3.    Ana Maria Bezerra de Menezes, que desposou o Cap. Francisco Gomes de Melo, pais de:
4.    José Gomes de Melo, capitão, de cujo enlace com Ana de Farias, tornaram-se pais de:
5.    Vicência Gomes de Melo, que uma vez casada com José Ferreira Castão, foram pais de:
6.    Joaquina Vicência Romana (ou Joaquina Ferreira Castão – Dona Quinô), de cujo casamento com Joaquim Romão Baptista Mirabeau, foram pais de:
7.    Padre Cícero Romão Baptista”.

17 novembro 2018

Meu Tio Quinco - Por: Emerson Monteiro


Joaquim Bezerra Monteiro, eis o seu nome inteiro, o mesmo do avô. Irmão de minha mãe e meu padrinho de batismo, foi companhia próxima de minha família desde o tempo em que morávamos no sítio em Lavras da Mangabeira, aonde ia sempre nos ver e passar conosco alguns dos dias sertanejos. À época, possuía um jipe e fazia viagens com Dr. Jefferson Albuquerque, nas suas vistorias para a Carteira Agrícola do Banco do Brasil. Lembro que, numa dessas vezes, quando lá passaram, fins de 1954, pouco tempo antes de nos mudarmos para o Crato. Na ocasião, Dr. Jefferson levou e distribuiu com os meninos moedas de 20 centavos com a efígie de Getúlio Vargas. Abriu cartucho de moedas novinhas em folha, douradas, motivo da satisfação da garotada que as recebia.

Meu pai desenvolvia providências para iniciar atividades profissionais ao lado de meu tio Quinco, sócios numa serraria que instalaram. Compraram terreno e máquinas, e trabalharam com sucesso. No começo, deixava a família no sítio e só retornava aos finais de semana, até o dia em que nos transferimos de vez para o Crato.

Ficamos instalados na sua casa, na Rua José de Alencar, enquanto meu pai alugava a nossa, na Rua Padre Ibiapina, Bairro Pinto Madeira, vizinha da serraria. Dinâmico e incansável, cuidava da propriedade que seu pai deixara ao morrer, em 1946. O Monte Alegre, sítio dos brejos da Batareira, com engenho de rapadura e alambique de cachaça, que administrava para a manutenção dos irmãos, os quais orientou e custeou os estudos, Vanice, Neide, Nailée, Nertan, Nairon, Neidje-ieb, Neimann, Nairton e Nirson. Com a perda do meu avô, por ser o mais velho dos filhos homens, lhe coubera, pois, zelar pelo patrimônio da família e fazer render o suficiente para a manutenção de todos. Eles eram pessoas que se destacaram pela inteligência e dedicação dos livros, lutadores; devido à liderança dele, encontraram desiderato e acharam os meios de trabalhar, formando suas famílias e crescendo nas profissões escolhidas. Enquanto isso, Quinco fornecia os recursos financeiros, nessa primeira fase dos empreendimentos.

Mais adiante, veio morar conosco, na casa da Padre Ibiapina, um bangalô de dois pavimentos e ampla área em volta, cercado de mangueiras. Ia com frequência ao Rio e a São Paulo, na segunda metade da década dos anos 50, a fim de comprar carros, que os revendia no Cariri.

Ele sempre me distinguia com suas atenções, devido ser meu padrinho e estarmos sempre próximos. Nos seus retornos do Sudeste, por diversas vezes trazia presentes, que hoje me aparecem como lembranças felizes da infância. Recebi, certa vez, um dragãozinho a corda, que, ao andar, soltava faíscas pela boca; um helicóptero, que rodava girando a hélice; roupas diferentes; e outros mimos que tocavam o meu afeto.

Depois casou com Tia Lisieux e vieram os filhos, Marco Antônio, Dante, Alana e Monteiro Junior. Moraram algum tempo no Crato e seguiram para Fortaleza, onde viveram em torno de uma década ou mais um pouco. Víamo-nos constantemente nas suas vindas ao Cariri. Aqui dispunha de uma propriedade no município de Juazeiro do Norte, o Sítio Coité, nas imediações do distrito da Palmeirinha, com engenho que manteve após vender o Monte Alegre, no Crato. Retornava com assiduidade o ano todo, e mais nos períodos de moagem, e administrava rebanhos bovinos que também preservou em uma área de serra para as bandas do Pernambuco.

BOLSONARO = ELEIÇÕES E IDEOLOGIA - Parte 2



NA PRIMEIRA PARTE DESTE ARTIGO, COMENTEI COMO O GENERAL MOURÃO  FILHO  DE MINAS GERAIS, E O GENERAL AMAURI KRUEL DE SÃO PAULO DERRUBARAM O GOVERNO ESQUERDISTA DE JOÃO GOULART. ENTÃO TODO O EXÉRCITO SE MOBILIZOU DE NORTE  A SUL, SENDO QUE NO NORDESTE, MIGUEL ARRAIS QUE ERA GOVERNADOR DE PERNAMBUCO FOI PRESO E EXILADO.
ASSUMIU O PODER O CEARENSE GENERAL CASTELO BRANCO, E AÍ FOI ESTABELECIDA A REVOLUÇÃO. DEPOIS VIERAM OUTROS GENERAIS COMO: COSTA E SILVA, GEISEL,  GARRASTAZU MÉDICE, FIGUEREDO, ETC. FOI UM DOS MELHORES TEMPOS QUE CONHECI NO BRASIL. A NAÇÃO DESENVOLVEU, ACABOU-SE A INFLAÇÃO, O DESEMPREGO, CONSTRUÍRAM TODAS AS RODOVIAS AINDA HOJE EXISTENTES, COMO  A RIO -  BAHIA,  BELÉM – BRASÍLIA,  ETC .

RESSALTE- SE QUE AMBOS OS GENERAIS ERAM DE UMA CONDUTA EXTREMA EM RELAÇÃO AO DINHEIRO PÚBLICO, QUE A NAÇÃO TEVE UM GRANDE DESENVOLVIMENTO.
ARMANDO FALCÃO, CEARENSE ERA MINISTRO DA JUSTIÇA DO GENERAL GEISEL. TODO DOMINGO O GENERAL SAÍA DO RIO  PARA IR  PARA PETROPÓLIS, E UM DIA ARMANDO FALCÃO PERGUNTOU AO MESMO: GENERAL, O SENHOR PODERIA ME LEVAR ATÉ ITAIPAVA NO DOMINGO? ENTÃO O  GENERAL RESPONDEU: ARMANDO EU POSSO LEVÁ – LO ATÉ PETRÓPOLIS DE LÁ O SENHOR PEGA UM TÁXI, POIS EU NÃO POSSO GASTAR GASOLINA, POIS É UM CARRO OFICIAL.
FALEI DOS GENERAIS E VENHO PARA O ANO DE 2018 – E  ACONTECE UM FATO INUSITADO. UM CAPITÃO DO EXÉRCITO, DEPUTADO FEDERAL, QUASE DESCONHECIDO, CANDIDATOU-SE A PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA, PARTIDO PEQUENO O PSL, SOMENTE UM DEPUTADO, SEM DINHEIRO, SEM VERBA ELEITORAL,COM 7 SEGUNDOS DE  TELEVISÃO, VENCEU TODO ESQUEMA POLÍTICO BRASILEIRO.

NO AUGE DA CAMPANHA FOI FERIDO MORTALMENTE, ESCAPANDO POR UM MILAGRE, PASSANDO 45 DIAS INTERNADO, E O POVO NA RUA SE MOBILIZOU COMO HÁ 54 ANOS, FOI A RUA DE CAMISA AMARELA, COM A BANDEIRA DO BRASIL,  E MUDOU TODO O RUMO DAS ELEIÇÕES. O PT, QUE ERA O LÍDER DA OPOSIÇÃO,  COM SUA BANDEIRA VERMELHA ENCHEU AS RUAS COM SUA MOBILIZAÇÃO. PORÉM, QUANDO SENTIU QUE O POVO ESTAVA CANSADO, EXPOLIADO, DESEMPREGADO, ASSASSINADO, ENCOSTOU A BANDEIRA VERMELHA E SAIU AS RUAS COM AS CORES DO BRASIL, OU  SEJA VERDE – AMARELO, MÁS JÁ ERA TARDE .

MESMO O CANDIDATO AFIRMANDO QUE IA BAIXAR O PREÇO DO GÁS DE COZINHA PARA R$: 49,00.  NÃO CONVENCEU,  O QUE SE VIU FOI UMA MOBILIZAÇÃO DE NORTE A SUL, E O CAPITÃO VENCEU. O CAPITÃO TEM O MESMO D.N.A DOS GENERAIS. É UM HOMEM SIMPLES, MORA NUM CONDOMÍNIO NO RIO DE JANEIRO, TOMA CAFÉ NUM COPO DE VIDRO, NUMA MESA SIMPLES, COM UMA GARRAFA TÉRMICA E DOIS PEDAÇOS DE PAES.
SÉRIO, PORÉM SEGUNDO FONTES, BEM HUMORADO, VAI GOVERNAR ESTE PAIS,  E  TRAZER O MESMO NO RUMO DO PROGRESSO.

SOMENTE PELAS ESCOLHAS DO SEU MINISTÉRIO, JÁ DÁ PARA VER, QUE POLÍTICOS CORRUPTOS, NENHUM VAI OCUPAR QUALQUER CARGO NO SEU GOVERNO.
LOGO QUE ASSUMA, O BRASIL VAI TOMAR OUTRO RUMO, E OS PEDROS 
 STEDILES,  E OS JOSÉS RAINHAS DA VIDA, JUNTO COM OS BOULOS, NÃO VAI MAIS TOMAR TERRAS E PROPRIEDADES DE QUEM COMPROU COM TANTO TRABALHO.
MANUELA, CANDIDATA A VICE-PRESIDENTE DE HADDAD NÃO VAI MAIS MOSTRAR  A TATUAGEM EM CIMA DO SEU PEITO DIREITO DO LÍDER TERRORISTA CHE GUEVARA, QUE ESTA SEMANA TEVE UMA ESTÁTUA SUA ARRANCADA EM UMA CIDADE NO RIO GRANDE DO  SUL.
O BRASIL VAI MUDAR. TODOS NÓS ESPERAMOS QUE PASSADO A ONDA DA ELEIÇÃO,  OS BRASILEIROS SE UNAM COM UM SÓ OBJETIVO.
ÓRDEM  E  PROGRESSO.

UM ABRAÇO A TODOS OS AMIGOS DO BLOG DO CRATO.
VALDEMIR CORREIA  DE  SOUSA

16 novembro 2018

Diocese de Crato promoverá campanha de solidariedade em prol dos venezuelanos que buscam ajuda humanitária

Fonte: site da Diocese de Crato
Dom Gilberto Pastana. (Foto: Patrícia Silva)

Na manhã desta sexta- feira, dia 16 de novembro, a Rádio Educadora do Cariri transmitiu, ao vivo, um programa especial sobre a Campanha de Solidariedade que está sendo realizada em prol dos milhares de Venezuelanos que estão em Roraima, fugindo da crise humanitária que o país enfrenta.

O programa, no formato de entrevista, foi apresentado pela jornalista Patrícia Mirelly Lima, membro da assessoria de imprensa da diocese de Crato, e teve como convidados o bispo  dom Gilberto Pastana, o padre José Ricardo Sales, a irmã Cecilia Zanet, e as agentes Cáritas, Solange Santana e Verônica Carvalho. A duração foi de uma hora.

O intuito foi conscientizar, através das ondas do rádio, a população sobre esta realidade, como também quais ações estão sendo promovidas pela diocese de Crato e como o povo pode ajudar. O Plano de Acolhida, elaborado pelo Comitê de Migração e Refúgio do Cariri também foi citado.

Todos podem contribuir doando alimentos não perecíveis e materiais de higiene. Os produtos podem deixados nas secretárias paróquias que estão presentes em 32 municípios da região diocesana. A ação é um gesto concreto por ocasião do Dia Mundial dos Pobres, celebrado rm toda a Igreja no próximo domingo, dia 18.

15 novembro 2018

BOLSONARO = ELEIÇÕES E IDEOLOGIA


1ª PARTE


EM  1962 O BRASIL ESTAVA UMA VERDADEIRA BADERNA.

OS SINDICATOS SITUADOS ESPECIALMENTE NA REGIÃO SUL, FAZIAM O QUE QUERIAM.

FECHAVAM FÁBRICAS, ERA GREVE EM CIMA DE GREVE, INVADIAM FAZENDAS, E A POPULAÇÃO, ERA QUEM MAIS SOFRIA COM OS  ACONTECIMENTOS. ATÉ QUE EM DETERMINADO DIA CERCA DE UM MILHÃO DE PESSOAS SAÍRAM AS RUAS DO RIO JANEIRO PROTESTANDO, MUITOS CONDUZINDO A BANDEIRA DO BRASIL. AQUELES POLÍTICOS SÉRIOS E TRADICIONAIS,COMO : TANCREDO NEVES E WLISSES GUIMARÃES, ENTRE OUTROS MUITOS, COMANDAVAM A MULTIDÃO. DIAS APÓS O GENERAL MOURÃO FILHO, NO DIA 30 DE MARÇO DE 1964 SE  REBELOU E DESCEU COM SUAS TROPAS, SAINDO DE MINAS GERAIS, NO RUMO DE SÃO PAULO, ONDE O SEGUNDO EXÉRCITO TAMBÉM JÁ SE REBELARA, E AMBOS JÁ IAM NO INTUITO DE DERRUBAR  O GOVERNO DE JOÃO GOULART, QUANDO O MESMO RENUNCIOU, E FUGIU PARA  O URUGUAI.

EU ERA JOVEM TINHA 24 ANOS, E ACOMPANHEI TODO O OCORRIDO. AGORA EM 2018 EU JÁ COM 80 ANOS, ACOMPANHEI MUITO MAIS  APREENSIVO, O QUE ESTAVA ACONTECENDO EM  NOSSO  QUERIDO  PAIS.

INVASÃO DE CASAS E APARTAMENTOS NAS GRANDES CIDADES, INVASÃO DE FAZENDAS PRODUTIVAS NO PARÁ, MATO GROSSO, ETC SOB O COMANDO DO SR. PEDRO STEDILE, ANTES ERA O SR. JOSÉ RAINHA E AGORA MESMO AQUI NO NORDESTE, MESMO AQUI BEM PERTINHO,  EM SANTANA DO CARIRI, SIM TENHO UM PEQUENO SÍTIO NA REFERIDA CIDADE QUE ESTÁ SENDO INVADIDA POR VÁRIAS PESSOAS.

COMPREI HÁ 20 ANOS, É UMA REGIÃO DE PRESERVAÇÃO; MAS MESMO ASSIM OS INVASORES ESTÃO DESMATANDO,SEGUNDO FUI INFORMADO, POIS NÃO TIVE ÂNIMO PARA IR VER PESSOALMENTE. ASSIM ESTOU AGUARDANDO A POSSE DO NOVO PRESIDENTE, QUE ASSEGUROU QUE NÃO PERMITIRÁ QUE NENHUMA FAZENDA DE  QUALQUER TAMANHO, SEJA INVADIDA.

ASSIM ESTOU AGUARDANDO O TEMPO PASSAR, PARA DEPOIS QUE AS COISAS MUDAREM, TOMAR AS PROVIDÊNCIAS DEVIDAS PARA RECUPERAR O QUE ME PERTENCE.

A TODOS OS AMIGOS DO BLOG, UM GRANDE ABRAÇO.

VALDEMIR CORREIA DE SOUSA


Essas lembranças vagas - Por: Emerson Monteiro


Fragmentos do tempo espalhados no sol da manhã que canta alto as canções e refaz os sentimentos. Espécies de montanhas de recordações, a melodia toca os silêncios da gente. Então, regressam horas que sumiram entre horas outras, tralhas e momentos. Todos as temos flutuando o íntimo desses espaços reais guardados de infinitos. Pessoas. Ocasiões. Lugares. Luas. Enquanto a fita do instante percorrerá as catracas do firmamento. Quanto de vontade que ficassem eternas nos estios daqueles destinos alegres que logo iriam embora vadios, na ingratidão de nem permanecer ou explicar motivos de esquecer.

Chances outras e bons fluidos, abraços apertados, beleza de tantas e perfumadas flores. Livros saborosos, filmes inigualáveis, passeios, amigos. Quanta gargalhada em cavernas longínquas do espírito humano. As baladas dos Beatles, as ruas largas abertas aos ventos da liberdade. Promessas de paz durante a Guerra do Vietnam. Ideais intensos de possibilidades que ainda persistem de a imaginação um dia chegar ao poder...

Os corações, a pulsar forte no transcorrer das velhas ilusões, viram pedra tosca, contudo em forma de novos desejos. Luzes. Palavras. Sonhos. Nisso, os rios correm lentos nos amores que permaneceram dentro das pessoas, pois prosseguem aonde formos e teremos, outras vezes, que descobrir a razão de ser, estar e permanecer. Tais pedaços de nós mesmos, a luz do dia rebrilhará nas entranhas das nossas consciências à procura de céus.

Eram os anos 60, no calendário de séculos. Assustados pelas notícias, andávamos à busca do tom das fantasias, atores de dramas e senhores das lendas. Épocas que deslizaram soltas no mecanismo da existência e formaram as nuvens do panorama visto da ponte desta vida. Sós, donos de si, percorremos o trilho das visões e sustentamos o dever continuar a qualquer custo, livres do desaparecimento. São elas, as florestas do inesperado em que, imortalidade à parte, as receberemos a troco de quase tudo, ou nada...

(Ilustração: Colagem de Emerson Monteiro).

Na maior cidade do Brasil: Praça da República de São Paulo tem estátuas de todos os tipos, mas nenhuma da República


Sorte de monumentos vai de busto de escoteiro a estátua de deus romano

Fonte: "Folha de S.Paulo", 15-11-2018 -- por Thiago Amâncio
Fundador do movimento de escoteiros, deus romano, índio caçador,ornamentam a Praça da República de São Paulo.

A praça da República, na região central de São Paulo, reúne pelo menos 12 monumentos que homenageiam as mais diversas personalidades, de celebridades mundiais a figuras importantes da história da cidade. Nenhum busto, estátua ou placa, no entanto, homenageia o que dá nome à praça e o que se comemora neste 15 de novembro: a Proclamação da República.

Entre moradores de rua, trabalhadores que usam o wi-fi livre, cartomantes, prostitutas, michês, engraxates e mais um sem-número de tipos que compõem a fauna do centro paulistano, uma das maiores concentrações de monumentos da cidade padece com falta de limpeza e manutenção —boa parte das esculturas estão sujas e desgastadas.

Um balanço sobre a República

Que República é essa?
Fonte: jornal O POVO, 15-11-2018.
 
O Brasil que vive hoje o 129º aniversário da Proclamação da República é muito mais parecido com o país em que o Marechal Deodoro da Fonseca proclamou o início do período republicano brasileiro do que seria desejável.

"Parcelas expressivas da população brasileira anseiam pela chegada dos benefícios que a República mandou colocar na bandeira, Ordem e Progresso. Essa ainda é uma questão em aberto para boa parte da população", afirma Marcus Dezemone, professor de História do Brasil Republicano da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) e da Universidade Federal Fluminense (UFF).
O cientista político e professor da Universidade de Brasília, Lúcio de Brito, concorda que a República brasileira ainda não conseguiu atingir os objetivos almejados. "No Brasil, essa república tem sido expropriada da sua essência e isso é a própria base da corrupção, de todos os desvios", defende ele. 

Um das principais questões, explicam os especialistas, é a falta de uma democracia fortalecida dentro da República. "Nós temos uma tradição de uma cultura política golpista, que não respeita as instituições e o regime propriamente estabelecido. A gente tem uma cultura de não dar prosseguimento ao jogo democrático", argumenta João Júlio Gomes, professor do Departamento de História da Universidade Estadual do Ceará (UECE). "Na maior parte da vivência republicana, tivemos experimentos autoritários. (...) E essa mentalidade autoritária permanece arraigada para muitos setores da sociedade", completa Marcus Dezemone. 

A democracia representativa, modelo adotado pela república brasileira, vem dando sinais de desgaste em diferentes países. Para o professor Lúcio de Brito, no entanto, ainda não há saídas democráticas para essa problemática. "Não há ainda nenhuma alternativa. A democracia representativa sofre os impactos, (mas) não há alternativa. A não ser a ditadura ou então a democracia plebiscitária cotidiana, que é a essência da ditadura", explica ele.

Dezemone aponta outros caminhos que podem ser uma solução possível para uma população que exige maior participação no sistema político. "Ampliar a participação política democrática se valendo das inovações tecnológicas, mas impedir que essas mesmas inovações possam produzir efeitos nefastos", projeta. 

O feriado da Proclamação da República é momento de reflexão sobre qual "república construímos até aqui e sobre a necessidade de associar a república sempre à democracia, deixando claro o seguinte: a democracia não é o regime da vontade das maiorias apenas, pois as maiorias podem ser tirânicas. A democracia é o regime no qual a vontade das maiorias é respeitada, garantindo os direitos das minorias. Esse é o risco maior que a gente corre hoje", acredita Dezemone.

É necessário também pensar o caminho a seguir. "A gente tem que ter cuidado com aspectos da democracia, seja o exercício da cidadania política, o direito ao voto. Isso não é uma conquista que está consolidada, infelizmente não está. Isso é algo que a gente tem que estar cotidianamente cuidando da nossa democracia para que a gente possa de fato usufruir dela por muitos anos", alerta Gomes.

Um epitáfio para a república brasileira



    Nos claustros da Igreja de Santana, em Augsburgo (cidade da Alemanha), ergue-se o sepulcro de família antiga que o negócio com venda de pimenta enriqueceu e a pompa e fausto foram companheiras dessa família, por fim reduzida à miséria. É o seguinte o  seguinte Eeitáfio: “P.P.P”, o qual, desdobrado, vem a ser: "Piper péperit pecuniam. Pecunia péperit pompam. Pompa péperit paupertatem. Paupertas péperit pietatem.

    Traduzido para o português resulta no seguinte: "A pimenta deu-nos dinheiro. O dinheiro trouxe a pompa. À pompa seguiu-se a pobreza. A pobreza levou a Deus".
O negócio da pimenta os enriquecera. Com o fausto tudo esbanjaram. Sobreveio a pobreza que lhes abriu os olhos para verem a Deus. 
 
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   Em quantas sepulturas não se poderia colocar o mesmo epitáfio!
   Mas esse cai como uma luva nos destinos do Brasil pós 15 de novembro de 1989, data oficial da “proclamação” da república na nossa pátria.No caso da república brasileira, a pimenta poderia ser substituída pelas promessas falsas de que a introdução do regime republicano traria prosperidade, novas oportunidades e igualdade para todos. Algo semelhante aos que nos foi prometido caso o Brasil, em 2002, elegesse Lula e levasse o PT ao Poder, como efetivamente ocorreu.

     Deu no que deu.
    
    Tendo em vista o desastre que tem sido o modelo republicano brasileiro, veteranos e jovens monarquistas irão – neste 15 de novembro de 2018 –  às ruas de norte a sul do País, levando suas Bandeiras do Império, a fim de não só protestar contra a República e seus males, mas também apresentar aos nossos compatriotas a restauração da Monarquia Constitucional como solução natural para os problemas nacionais.


Onde vai haver o “Bandeiraço” no Brasil.
RIO DE JANEIRO
Posto 3 da Praia de Copacabana, às 10h00, com a presença de S.A.R. o Príncipe Dom Gabriel de Orleans e Bragança.
Cabo Frio: Praça da Cidadania, às 17h00.

ALAGOAS
Maceió: Praça Gogó da Ema, Ponta Verde, às 15h00.

AMAZONAS
Manaus: Ponta Negra, às 08h30.

BAHIA
Salvador: Farol da Barra, 10h00.
Campo Formoso: Praça Dr. José Gonçalves, Centro, às 10h00.

CEARÁ
Fortaleza: Boteco Praia, Beira-Mar, às 16h00.
Juazeiro do Norte: Estátua do Padre Cícero, às 09h30.

DISTRITO FEDERAL
Brasília: Catedral Metropolitana, às 10h00.

ESPÍRITO SANTO
Vitória: ALES, às 14h00.
Guaçuí: Praça Matriz, às 08h00.

GOIÁS
Anápolis: Parque Ipiranga, às 09h30.

MARANHÃO
São Luís: Palácio dos Leões, às 15h30.

MATO GROSSO
Cuiabá: Parque das Águas, às 18h00.

MINAS GERAIS
Belo Horizonte: ALMG, às 11h00.
Carangola: Praça Cel. Maximiniano, às 08h00.
Espera Feliz: Praça Central, às 08h00.
Governador Valadares: Praça dos Pioneiros, às 15h00.
Montes Claros: SENAC, às 16h00.
Patos de Minas: Parque Municipal do Mocambo, às 14h00.
Uberlândia: Parque do Sabiá (sentido Mundo da Criança), às 16h00.

PARÁ
Belém: Praça da República, às 08h30.

PARANÁ
Curitiba: Jardim Botânico, às 11h00.
Foz do Iguaçu: Praça do Mitre, às 09h00.

RIO GRANDE DO SUL
Gravataí: Praça Barão de Gravataí, às 16h00.

SANTA CATARINA
Florianópolis: Trapiche da Beira Mar Norte, às 15h00.
Itajaí: Praça Genésia Miranda Lins, às 16h00.

SÃO PAULO
São Paulo: Shopping Cidade São Paulo, às 10h00.
Guarulhos: Bosque Maia, às 10h00.
Itu: Eixo Histórico, às 10h00.
São José dos Campos: Orla do Banhado, às 10h00.

SERGIPE
Aracaju: Parque da Sementeira, às 15h00.

Postado por  Armando Lopes Rafael