12 outubro 2018

Ninguém é ruim por inteiro - Por: Emerson Monteiro


Não tenho amigo, não tenho inimigo. Todos são meus professores.
                                                   Emmanuel (Chico Xavier)

Dentre os tantos que conheço, há uns que, por mais que queiram ser ruim, ainda lhes sobra algo de bom que predomina. Esforços fazem, sem dúvidas, na intenção de atingir seus objetivos. Mas os danos que ocasionam sempre deixam lições, ensinos valiosos, a quem recebe, porquanto precisa criar marra, no dizer do povo, e aprender a conviver nos conflitos, vencer desafios, intempéries, sacanagens, e crescer. No mínimo exercitar o princípio da humildade, da paciência, do perdão, das boas crenças. A semelhança de quantos outros, no meio desses também nós sujeito sermos parecidos; o mundo vive cheio de bons professores que exigem da disposição dos alunos de aprender lições diárias (quem sabe?) rigorosas.

Das práticas da natureza, os meios oferecem alternativas de novos conhecimentos a todo instante. Desde simples fenômenos dos reinos existentes, somos submetidos às leis coercitivas. Cada passo representa a chance do bom aprendizado. Instrumentos de evolução, nada passa ao largo nessas oportunidades de conquistas; doutras, de decepções, contudo livros abertos ao dispor dos viventes, formigas ou tartarugas.

Destarte, sucessivas ocasiões oferecem as formas ideais do desenvolvimento. Vêm contrariedades, e com elas os instantes inigualáveis de examinar com carinho onde pegaram os caprichos individuais, a credulidade excessiva, o orgulho, e daí limpar os campos da virtude toda vez que um pouco mais. Crescer à medida dessas horas de frustração, que alimentam a força de continuar e reconquistar a nós próprios do que temos de melhor, pois fraquejar, nunca.

Os melhores professores exigem, organizam e incentivam através desses atos talvez infames, no entanto salutares, nos domínios da educação original. Nalgumas tribos das florestas, ao chegar à idade do guerreiro, aos jovens impõem condições desafiadoras, quiçá brutais, principalmente para os olhares ditos civilizados, isto no sentido de obter as respostas necessárias a sobreviver nos embates daqueles mundos primitivos. Os acadêmicos denominam esses castigos de ritos de passagem. A civilização dos urbanos também utiliza desses ritos através dos grupos sociais e dos colegas de shoppings, turmas e engarrafamentos, eles os despertadores das hordas cotidianas face às novas gerações.

(Ilustração: Ritos de passagem, filme de Chico Liberato).

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