31 outubro 2018

Acalma o meu coração - Por: Emerson Monteiro


Esta força exterior e superior a nossas forças, a quem tantos pedimos durante as aflições, e a ela nos dirigimos e imploramos na grande mudança de hábitos desta vida. Ao que tantos, no transcorrer das existências e gerações, dedicam seu tempo por meio das crenças, nos rituais das horas e envolvimento com o mistério, este a quem pedimos de superar os limites aqui do Chão.

Por mais sejam prepotentes, avassaladores, os humanos baixam a cabeça diante do impossível. Naqueles instantes de contrição, revivem as lembranças dos antepassados e oram a seu modo de agora. Quais infiéis arrependidos, confrangem almas sob o peso dos destinos ocasionais, e erguem olhos aos Céus num gesto de humildade por vezes tardia.

Almas contritas, pedem a Deus que lhes resgatem do que fizeram de aberrações face à liberdade e anseiam desarvoradamente um jeito de transformar os resultados que houveram plantaram. O arrependimento nunca, pois, será fora de hora. A presença de novas esperanças cresce nos horizontes, numa vontade férrea de nascer de novo e usufruir a sorte dos eleitos.

Eis a razão fundamental das religiões e dos sonhos, perspectiva de regressar a construir, desde sempre, as chances perdidas nos eitos da ilusão. E oram, e renunciam, imploram... Desses gestos nasce o fervor de crescer espiritualmente. Pois ninguém aceita o desânimo de só viver e em seguida desaparecer. Há o senso de preservação particular dos que pensam, bichos racionais, os humanos.



E resistir sem luta significaria desistir. Resistir na inteligência, na memória, que representa a faceta honrosa da natureza humana. Daí a busca incessante pelos princípios da sobrevivência além da morte de quantas seitas religiosas. A disposição em nortear os valores morais sob tais conotações e vivências. Preservar o conceito da Lei do Retorno, a quem merece o que receber. Por isso, valor essencial de evitar a desistência e o desespero, a consciência reclama evolução nos conceitos individuais. Sustentar a perseverança dos amores, e distinguir entre sofrer e amar.

(Ilustração: Colagem de Emerson Monteiro).

CARIRIENSIDADE (por Armando Lopes Rafael)



Homens que fizeram Juazeiro do Norte

     Será lançado neste mês de novembro, no Memorial Pe. Cícero (falta marcar a data e a hora), a 2ª edição do Livro “Gente de Expressão” de Francisco Luiz Soares. Trata-se de uma obra que resgata a participação de alguns cidadãos no crescimento e progresso de Juazeiro do Norte. São biografados homens, residentes em Juazeiro do Norte, que não viveram apenas para si, nem priorizaram ganhar apenas o próprio sustento. Eles prestaram um serviço nobre e desinteressado, contribuindo para a Terra do Padre Cícero chegar ao nível de desenvolvimento que hoje ostenta.

       Dentre esses homens, o autor escreveu sobre os falecidos Padre Cícero Romão Batista, José Geraldo da Cruz, Dorotheu Sobreira da Cruz, Joaquim Cornélio, Raimundo Adjacir Cidrão, Odílio Figueiredo, Edmundo Morais, Felipe Neri, Luciano Theophilo de Melo, Aderson Borges de Carvalho, Antônio Corrêa Celestino, dentre outros.

         No livro é feito ainda o resgate da criação e atuação da Associação Comercial de Juazeiro do Norte.


Chegou a temporada do fim-do-ano trazendo mais flores

       O final do ano está chegando! Esta temporada, na região do Cariri, nos traz a floração dos flamboyants, árvores que os antigos caririenses chamavam “sombrião”. Existem pessoas que não percebem os flamboyants floridos nos campos ou nas cidades. Essas pessoas são muito ocupadas para perder tempo observando a mudança do tempo e a floração das árvores. No entanto, indiferente à reação dessas pessoas, o fim-do-ano está chegando e com ele as flores dos flamboyants, embelezando, ainda, mais a já bonita paisagem do Cariri...



Agostino Balmes Odísio o italiano que embelezou as cidades do Cariri

 Monumento a Cristo Rei, no centro de Crato

    Italiano de nascimento, Agostinho Balmes Odísio foi um escultor e arquiteto que viveu seis anos no Cariri, entre 1934 e 1940. Neste curto espaço de tempo, ele foi autor de bom número de obras de arte implantadas no Cariri, sendo a mais conhecida a Coluna da Hora, com 29 metros de altura, encimada pela estátua do Cristo Redentor, com seis metros — totalizando 35 metros — ainda hoje considerada o ícone da cidade de Crato.


Coluna da Hora, na Praça Padre Cícero em Juazeiro do Norte

      Agostinho Balmes nasceu em 1881, em Turim, norte da Itália, e formou-se pela Escola de Belas Artes daquela cidade. Na infância, foi aluno da Escola Profissional Domingos Sávio, mantida por São João Bosco. Em 1912, ele esculpiu um busto do Rei da Itália, Vito Emanuel II, conquistando o 1º lugar numa disputa por uma bolsa de estudo em Paris. Na Capital francesa, foi discípulo de August Rodin, considerado, ainda hoje, o maior escultor contemporâneo. Em 1913, com 32 anos de idade, Agostinho Odísio resolveu emigrar para a Argentina, onde residia um irmão dele. Entretanto, por motivos ignorados, desembarcou no Porto de Santos, em São Paulo e permaneceu no Brasil até sua morte.

         Durante 20 anos, produziu dezenas de obras de arte nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Em 1934, devido a problemas de saúde, foi aconselhado a residir no Nordeste, por causa do clima quente da região. Por acaso, leu na imprensa sobre a morte do Padre Cícero e, vislumbrando oportunidade de negócios – por conta da religiosidade da cidade – veio para Juazeiro do Norte, onde residiu até 1940.

     Agostinho Balmes foi também responsável pelo projeto do Palácio Episcopal de Crato, e da Coluna da Hora, na Praça Padre Cícero, bem como da ampla reforma da Basílica Menor de Nossa Senhora das Dores, ambas localizadas  em Juazeiro do Norte. São dele os diversos projetos de reforma de Igrejas e altares do Cariri, com destaque para as fachadas da igrejas-matriz de Milagres e Missão Velha.
 Estátua de Padre Cícero, em frente à capela do Socorro, em Juazeiro do Norte

       Esculpiu aqui vários monumentos. Dentre eles, o de Dom Quintino (na Praça da Sé, em Crato), e o do Padre Cícero (em frente à capela do Socorro, em Juazeiro). Introduziu o uso de mosaico e do marmorite nos pisos das casas do Cariri.

A ideia do Geopark Araripe


    Surgiu da iniciativa do então governador do Ceará, Lúcio Alcântara, (2003-2006), após sugestão do então reitor da Universidade Regional do Cariri, Prof. André Herzog. O professor da URCA, geólogo Alexandre Magno Feitosa Sales foi uma peça fundamental na consolidação da ideia do Geopark Araripe, desde o nascedouro até o reconhecimento pela UNESCO. Para a concretização do Geopark Araripe foi assinado um “Convênio de Cooperação entre a Universidade de Hamburgo (Alemanha) / URCA/ DAAD”, sob a coordenação do Prof. Dr. Gero Hillmer, Curador do Instituto e Museu de Paleontologia da Universidade de Hamburgo.

Como surgiram os “geoparks”

     A ideia surgiu durante a realização da Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento e Meio Ambiente, no Rio de Janeiro no ano de 1992. O megaevento ficou conhecido como a ECO-92. Na ocasião, os temas de proteção e preservação ambiental passaram a ser destaque dentre as principais prioridades da humanidade. Esses temas transformaram-se em palavras de ordem em todos os roteiros de desenvolvimento, por meio de documentos denominados “Agenda 21”.

Sobre o Geopark Araripe

 Geotope da Colina do Horto em Juazeiro do Norte

     Localizado no extremo-sul do Cariri, o Geopark Araripe  é o primeiro parque geológico das Américas reconhecido pela UNESCO. Inicialmente, parte de seu território já constituía a Área de Proteção Ambiental Chapada do Araripe, criada em 1997, e localizada no planalto próximo à divisa dos estados do Ceará, Piauí e Pernambuco.

      O Geopark Araripe é a maior referência turística-ambiental do Cariri e um potencializador do desenvolvimento regional. Ele foi o primeiro do Brasil a fazer parte, da Rede Global de Geoparks credenciados pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO). A área compreendida pelo Geopark Araripe é de aproximadamente 4.000 km², e abrange territórios dos municípios Crato, Juazeiro do Norte, Barbalha, Missão Velha, Nova Olinda e Santana do Cariri.

A imensa importância do Geopark Araripe

Sede do Geopark Araripe, na cidade de Crato

     Hoje reconhecido – pela UNESCO – como “Patrimônio da Humanidade”, o Geopark Araripe, abrange a Bacia Sedimentar do Araripe e possui a maior reserva de registros fósseis planeta referentes ao Período Cretáceo Inferior.  Naquele espaço foram achados registros geológicos e paleontológicos inéditos desde os primeiros anos do Século XIX, com registros entre 110 e 70 milhões de anos de existência, em excepcional estado de preservação e diversidade. No Bacia Sedimentar do Araripe está mais de um terço de todos os registros de pterossauros descritos no mundo; mais de 20 ordens diferentes de insetos e a única notação da interação inseto-planta. Há similares destas mesmas espécies no continente Africano, comprovando cientificamente que os continentes um dia foram ligados, ou seja, formavam um só continente. Este chamado pelos cientistas de continente primaz Gondwana.

Crato à deriva (por Pedro Esmeraldo)


Carta Dirigida a Helder Macário


    Prezado Helder,

   Recebí sua última correspondência. Concordo totalmente com você.
   Sou favorável a todas as palavras que você mencionou. Venho me manifestando em defesa de nossa Agropecuária. Também pretendo lembrar que por várias vezes solicitei as autoridades do Crato que lutassem em favor de melhoria de qualidade da nossa agropecuária. Pretendia que criasse uma bacia leiteira, altamente qualificada que aqui se estabelecesse com muita precisão e bom desempenho no manejo pastoril. Mas nada me favoreceu, pois as autoridades se calavam no tempo e no espaço.
Faziam vista grossa ao meu apelo e nem sequer se pronunciavam com muita satisfação e o desejo de enriquecer este município através de uma bacia leiteira.

      Infelizmente, essas autoridades faziam vista grossa ‘‘e não lutavam pela renovação da tecnologia agrícola’’. Fiquei bastante perplexo que essas ditas autoridades têm a incumbência de tratar com zelo e determinação a fim de combater o bom combate dando prática aos melhores atos de defender o desenvolvimento com equilíbrio e espírito de luta com trabalhos práticos que venham capacitar problemas agropastoris dentro de uma tecnologia ativa e moderna.

      Também quero lembrar que as autoridades caíam no esquecimento e não favoreciam nada a esse respeito, pois deixavam o povo sem determinação, praticando atos ofensivos porque prevalecia a falta de critérios morais devido à permanência de um povo ocioso já que não havia emprego suficiente e nem escola de qualidade para contornar o trabalho honesto e interessado no desenvolvimento do equilíbrio moral.

       Certa vez lembrava, que todos aqueles que tratavam de assumir o comando do destino do município faziam promessas ocas e só lutavam em torno de sí mesmo, principalmente aqueles que não tinham capacidade de administrar, mas faziam atos absurdos que entregavam Crato ao comando regional do município vizinho, principalmente àqueles que se diziam salvadores e vinham praticando os mais atos obscuros com a presunção de querer ser o maioral. Não abalava o plano de ação social e nem provocava com muita ânsia aqueles que tivessem a ousadia de trabalhar deixando cair no esquecimento. Por isso o Crato caiu na bancarrota e vejo que hoje em dia tem que ser difícil de provocar boas ideias e disposição em defesa do progresso deste município.

       Espera-se que venha favorecer com bons processos e com orgulho e enaltecer esta cidade no aceleramento do desenvolvimento. Ultimamente nota-se parcas pessoas com poderes de engrandecer, mas se deixam levar nas conversas destoantes do outro município inimigo do Crato. O Crato ficou totalmente enrolado pelos seus algozes que nos tentam destruir não deixando a penetração do desenvolvimento de boa qualidade.

      Também quero alertar a estas autoridades que nos destinam que também favoreçam a juventude que vão ter o mando do campo e o poder de decisão reagindo aos estímulos negativos que venham a incitar as atividades que são ativas e favoreçam o nosso desenvolvimento.
       Por isso meu caro Helder, nota-se que a juventude está desgarrada desse barco político, pois nota-se que ultimamente não se olha com atenção para as pessoas bem capacidades no comando ético e com interesse de evitar as urdiduras que vêm prevalecendo aqui no Crato desde épocas remotas, do tempo do milagroso que favorecia a intriga, a perfídia e a calúnia.

       Todavia, esse povo fica totalmente inoperante com baixo comportamento no desempenho político achando que o progresso vem naturalmente, sem o mínimo esforço que nos alevanta com o intuito de empurrar o barco do progresso para o caminho da igualdade, da fidelidade e da esperança.
Lembro ainda meu caro Helder, que se deve lutar pela volta da estrada de ferro que foi abandonada devido à insensatez que ainda anda atrelado na memória da desigualdade desses políticos mafiosos da capital que não desejam o melhoramento desta cidade. Haja vista que o Crato vem se dilacerando devido à explosão econômica fragilizada pela insensibilidade dessas autoridades da capital que não tentam igualar o interior para acelerar uma igualdade justa, equilibrada e ativa.

       Espero que esse povo ouça essa reclamação e venha melhorar os bons modos do crescimento igualitário entre o interior e a capital.

Pedro Esmeraldo
Crato, 31 de Outubro de 2018

30 outubro 2018

"Vem aí mais um feriado de 15 de novembro" ou "A maldição do frade" (por Armando Lopes Rafael)




   O fato abaixo está narrado no livro “A Maldição do Imperador-Cem anos de República–1889-1989", do advogado e historiador, Francisco Luiz Soares, residente no bairro Muriti, em Crato. O livro foi impresso pela Gráfica Sidil Ltda. Divinópolis-MG

“Um religioso, muito amigo e íntimo de Dom Pedro II, com quem conviveu quase toda a vida, de quem era confidente e conhecedor de todas as suas lutas, dificuldades, angústias e sofrimentos, e que no calor do movimento da expulsão de Dom Pedro II e toda a sua família, vendo a injustiça contra o Imperador sendo praticada, teria dito para que muitos ouvissem:
“Maldito seja o marechal Deodoro e todos os que o acompanharam nesse ato de injustiça, que é a expulsão do mais ilustre brasileiro, Dom Pedro II.
Malditos sejam pelo uso da espada, contra um homem velho, indefeso e doente.
Malditos sejam todos aqueles que ocuparem o cargo de governantes do Brasil sem legitimidade.
Malditos sejam os republicanos!”

     Se o fato acima é verídico, eu não sei.
     Mas que dá para desconfiar dessa maldição, lá isso dá!

     Dos 43 presidentes da República, 10 eleitos não cumpriram seus mandatos;  2 presidentes eleitos sofreram impeachment, acusados de corrupção e desvio de conduta (Collor e Dilma); 7 eleitos foram depostos; 1 eleito renunciou; 2 eleitos não tomaram posse por terem falecido; 1 assumiu pela força; 3 vice-presidentes terminaram o mandato de presidentes eleitos; 1 eleito foi impedido de tomar pose; 1 eleito se tornou ditador. Tivemos dois longos períodos ditatoriais, somando 35 anos. E nos últimos 90 anos apenas três presidentes civis, eleitos pelo povo, conseguiram terminar o mandato. Bom lembrar que o ex-Presidente Lula, considerado uma “avassaladora” liderança, nas eleições de 2002 e 2006, está preso, cumprindo pena por corrupção. E o candidato indicado por ele para concorrer às eleições presidenciais de 2018, Fernando Haddad, foi fragorosamente derrotado pelo Capitão Jair Bolsonaro, que sequer fez comícios nos últimos 50 dias da campanha.

      Isso sem falar nas cassações de mandatos, exílios forçados, censura à imprensa, invasões de sindicatos, vários fechamentos do Congresso Nacional, políticos despreparados, demagogos e corruptos... Mas voltando ao início desta postagem: não dá para desconfiar que a maldição pegou.

Alívio, esperanças e vigilância – por Péricles Capanema (*)


No Rio de Janeiro, comemoração da vitória em frente ao condomínio onde reside Bolsonaro 

   Pouco depois das sete horas da noite de domingo, o Brasil tomou conhecimento de que Jair Bolsonaro estava eleito. Apesar do bombardeamento pró-Haddad dos últimos dias da campanha, proveniente de todos os setores da opinião que se publica, a votação consagradora de Bolsonaro evidenciou a exasperação do sentimento antipetista e antilulista (na opinião que não se publica).

     Alívio generalizado – ufa! ¬– a brisa fresca alimentou a esperança de nunca mais termos o pesadelo macabro que assombrou a nação de 2002 a 2016. Contudo, porcentagem considerável, quase 45%, manteve-se chegada ao avantesma, cujo retorno aterroriza a maioria.

    Em linhas muito gerais, de um lado esteve o Brasil que anseia por crescer, produz, aspira a autonomias e liberdades. Passa além das fronteiras agrícolas na busca de espaços novos e ultrapassa limites difíceis na vida pessoal e profissional. Esbanja ânimo, topa enfrentar as agruras da vida, esperançado encara o futuro.

     Convém lembrar rapidamente, é o Brasil que nutre simpatias pelo princípio de subsidiariedade, quer menos Estado e mais protagonismo da sociedade. Nesse lado está também o País apavorado com a desordem, com a violência no campo e na cidade, amigo da família e da disciplina, religioso em sua maioria. É significativo, no geral as grandes cidades votaram mais pró-Bolsonaro que os núcleos do interior. É o Brasil do avanço. No que tem de melhor, mesmo que de forma inexplícita, são setores atraídos pelo crescimento, pela plenitude.

     Vamos ao outro lado. Votou na chapa do PT – PC do B o Brasil que depende do Estado, acostumado ao clientelismo, agarrado a privilégios injustificados, receoso da autonomia e da competição. A esse contingente, somaram-se grupos letrados, enquistados na alta administração (nossa Nomenklatura), no entretenimento, nas redações, na academia, nas sacristias; também em franjas de clubes grã-finos.

    No entretimento, o ambiente contestatário e libertário alimentou os apoios de Fernando Haddad. Nas sacristias, academia e redações, além de tal caldo de cultura, a escravidão a ideais coletivistas e igualitários. Contingente gigantesco que se nutre de mitos, é infecção resistente aos antibióticos da realidade. No que tem de mais preocupante, é sempre leniente com as atrofias pessoal e social, presentes nas soluções totalitárias, por vezes as namora. Como na Venezuela. Representa com autenticidade a vanguarda do atraso, o Brasil do retrocesso.

    De passagem, mais uma vez se revelou atual o livro de Julien Brenda, primeira edição de 1927, La trahison des clercs [A traição dos intelectuais], denúncia aguda da misteriosa propensão que têm os letrados, desde há muito, de se unirem ao que existe de pior na sociedade – cegos e obstinados companheiros de viagem de correntes demolidoras; vão até o precipício e nele pulam, juntamente com os fanáticos da revolução, afundando todos. Foi assim na Revolução Francesa, foi assim na Revolução Comunista, será assim aqui algum dia, se o povo não se vacinar contra os vírus que disseminam.

     Um reparo. O Brasil simples que depende do Estado não é majoritariamente esquerdista. Parte importante dele nem sabe o que é esquerda, precisa sobreviver. Fatia grande dele votou no Andrade por medo do desamparo. Tem condições de ser resgatado do rumo errado. Ajudado com critério, pode tomar rumo certo.

     Acabou a campanha, chegou a hora de pensar feridas, relevar agravos, procurar a reconciliação. Seria bom que assim acontecesse. Receio que, se vier, será superficial. As divisões na sociedade brasileira estão enraizadas. Desmobilização e descuidos serão fatais no lado que venceu as eleições. No mais profundo, uma parte do Brasil optou pelo crescimento, deseja a plenitude. A esperança deita nele suas raízes. Outra parte, infelizmente, favorece o coletivismo, não foge da atrofia. Que Nossa Senhora Aparecida proteja o Brasil.

(*) Péricles Capanema é escritor.

Bandidos matam homem em Fortaleza, porque ele declarou ter voltado no candidato Bolsonaro




Tiago da Silva Monteiro confessou toda a trama do crime ao chegar preso na sede do DHPP

O morador assassinado por ter votado em Bolsonaro era casado e pai de três crianças
Bandidos invasores de apartamentos do Condomínio Residencial Novo Barroso, conhecido como Babilônia, localizado no bairro Passaré, na zona Sul de Fortaleza, mataram a tiros e decapitaram um morador daquela comunidade que declarou ter votado no candidato à Presidente Jair Bolsonaro (PSL). O fato foi descoberto pela Polícia Militar na manhã desta terça-feira (30). Um dos acusados já está preso e confessou o crime quando entrava no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), no bairro de Fátima.

Via Blog do Fernando Ribeiro.



29 outubro 2018

Jair Bolsonaro é o 38º Presidente da República??? FAKE NEWS! (por Armando Lopes Rafael)



     A mídia (a mesma que mentiu e caluniou Bolsonaro o tempo todo durante a campanha política ontem encerrada), a começar pela Rede Globo foi a primeira a trombetear: Jair Bolsonaro eleito 38º  Presidente do Brasil. Ledo engano.

       Em 2018, a República Federativa do Brasil (nome que substituiu a antiga denominação oficial dos “Estados Unidos do Brasil”, a qual vigorou de 1889 a 1967) completará 129 anos de sua triste existência, marcada por uma sucessão de fracassos. Segunda a “contabilidade” republicana nesses 129 anos tivemos 33 presidentes. E a lista oficial inclui 2 presidentes que não chegaram a tomar posse: Júlio Prestes e Tancredo Neves. Ora, se incluiu até quem não assumiu o mandato, cometeu uma tremenda injustiça, pois outros brasileiros chegaram a exercer a Presidência da República (seja por meses, semanas ou mesmo dias) e não constaram da lista oficial...

E quem foram esses que assumiram o mandato de Presidente da República e não são citados? Abaixo relaciono os “injustiçados”:

1) Augusto Fragoso
2) Isaias de Noronha
3) Mena Barreto
(Essa “Junta Presidencial” esteve na Presidência da República entre 24 de outubro a 3 de novembro de 1930, antecedendo a posse de Getúlio Vargas como “Chefe do Governo Provisório”, que existiu de 1930 a 1934. Depois, Getúlio Vargas emendou o mandato como “Presidente Constitucional” – ele outorgou uma nova Constituição – de 1934 a 1937 e virou ditador por mais 8 anos, até 1945. Getúlio ficou 15 anos na Presidência e ainda é o mais longevo dos nossos presidentes)

4) José Linhares (cearense de Baturité, que era presidente do Supremo Tribunal Federal e exerceu a Presidência da República após a queda da ditadura Vargas, entre outubro de 1945 a janeiro de 1946).

5) Carlos Luz (era presidente da Câmara dos Deputados e foi investido como Presidente -- de 8 a 11 de novembro de 1955-- em face de um golpe militar que tirou do poder o presidente Café Filho).

6) Nereu Ramos (era presidente do Senado Federal e foi investido como Presidente -- de 11 de novembro de 1955 a 31 de janeiro de 1956 -- em face de novo golpe militar que derrubou o presidente interino Carlos Luz).

7) Ranieri Mazzilli (como Presidente da Câmara dos Deputados assumiu durante a renúncia de Jânio Quadros 25 de agosto a 7 de setembro de 1961)

8) General Aurélio de Lira Tavares
9) Brigadeiro Márcio de Sousa e Melo
10) Almirante Augusto Rademaker

(os últimos três citados eram os Ministros do Exército, da Aeronáutica e da Marinha, e assumiram - numa Junta Militar -” o exercício temporário da Presidência da República", para o que não havia qualquer previsão constitucional. Estes ministros militares proibiram o emprego da expressão “Junta Militar”, quando, em 6 de outubro de 1969, declararam "extinto" o mandato do presidente Costa e Silva, que sofrera um AVC e estava impossibilitado de continuar na Presidência. E não deixaram o Vice-Presidente Pedro Aleixo, que era civil, assumir como previa a Constituição em vigor, naquela época).

Como se vê, deixam de incluir na” lista oficial” 10 (dez) brasileiros que efetivamente exerceram a Presidência da República. Com isso o número de Presidentes da República no Brasil sobe para 43. Jair Bolsonaro será, na verdade, o 44º Presidente da República e não o 38º como anunciou a desinformada mídia. O que dá uma média de menos de 3 anos para cada mandato dos nossos Presidentes da República...

E isso, apesar da famigerada “lei da reeleição” ter beneficiado Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Vane Rousseff com dois mandatos seguidos... 

Texto e postagem de Armando Lopes Rafael.

28 outubro 2018

VENCENDO OU NÃO, ESTAMOS MAIS FORTES DO QUE NUNCA ! - Crônica ao povo Brasileiro - Dihelson Mendonça


Em toda a minha vida, ( Hoje com 52 ), eu nunca me encontrei em uma maratona em que se pretendeu tanto "SALVAR O BRASIL" como batalhamos arduamente durante essas eleições. Já fui petista e militei muito para que o Lula fosse eleito, aliás, inúmeras vezes, quando ele não tinha nem onde cair morto; Passei noites acordado lutando pelo PT; Depois constatei a maior fonte de roubalheira e corrupção que esse partido se tornou. Estava eu iludido, achando que ele nos salvaria do FHC e de tantos outros. Os "aloprados" subiram ao poder e se locupletaram. Eu me enganei, mas a esperança de ver um novo Brasil nunca morreu. Eis que nestas eleições vi a cara daqueles que antes lutávamos contra, todos juntos: FHC, Sarney, e então eu compreendi que toda aquela briga era de fato, uma mentira. Eram briguinhas de faz-de-conta pelo poder.

Quando esse "gaiato" do Bolsonaro, um "louco" apareceu como um garoto travesso, independente, de um partido que sequer eu tinha ouvido falar, sem contar com o apoio de quase ninguém de prestígio, apenas se baseando nas redes sociais, pensei: "Isso é um doido", mas aos poucos, ele começou a falar em coisas que sintonizavam com o meu desejo de restaurar o Brasil: Rever o estatuto do desarmamento; Defender que o lugar de bandido é na cadeia e o povo é pra voltar a andar nas ruas seguro; Que é preciso acabar com essa esculhambação que reina nas universidades, essa PESTE que se espalhou pelo Brasil, onde não se respeitam mais as pessoas, que pixam os muros, pixam as casas, pixam as universidades, fazem um verdadeiro CABARÉ. "Isso tem que acabar ! Tem que haver órdem para haver progresso"...

Então, eu vi que esse "louco" falava a minha língua, e mais uma vez me dediquei de corpo e alma ao velho ideal de ver este país mudado. Não sei se ele vai vencer ainda, pois são 17:18 agora, do dia 28 de outubro. Se ele vencer, que faça um excelente governo, que cumpra TUDO que foi acertado, porque daqui a 4 anos vai haver eleições novamente, e eu ( e muita gente ) já estou cansado de ladrões, de corruptos, de mentirosos, de filhos da puta que existe na política e até entre esses que se dizem meus "amigos". Então, se o Bolsonaro vencer, e se ele não cumprir o que prometeu, eu serei a primeira pessoa a ir para as fileiras nas ruas a ajudar a dar um pé na bunda dele também, porque o Brasil não suporta mais isso.

Na verdade, pensei numa pessoa de direita, diferente; Um cara letrado, poliglota, de boas intenções, de alta capacidade intelectual e de bom gosto artístico. Infelizmente, de direita, o Bolsonaro foi só o que conseguimos ( rsrs ). Mas entre esse "bozo" e o LIXO da esquerda, que já vimos, prefiro experimentar o novo à certeza do roubo. Se ele perder, não voltamos à estaca zero, sabe porquê ? Porquê nunca em toda a história do Brasil houve uma campanha mais linda, mais bela do que essa que fizemos para o Bolsonaro. A dívida para com o povo é grande.

A parcela da população que não aguenta mais o PT agora é igualmente grande, e ao longo dos últimos anos ganhamos muita força. São enormes as manifestações de verde e amarelo nas ruas pelo país. Eu tenho pena de quem ficar no nosso caminho, porque iremos cobrar, da mesma forma que cobraremos quem quer que vença. Aliás, este novo movimento precisa ser independe do presidente eleito.

Por isso digo agora, antes de saber do resultado, ( para alguém não dizer que escrevi depois de saber ), que vencendo ou perdendo, hoje o Brasil está mais forte do que nunca. Nunca estivemos tão unidos em dezenas de grupos de 500 mil pessoas da direita cada um ( milhões de pessoas ). Nunca estivemos tão determinados a construir um país de primeiro mundo, que pareça mais aos Estados Unidos e ao Japão do que as ditaduras como Cuba e Venezuela. AQUI É O MEU PAÍS. E eu quero um dia vê-lo desenvolvido, e dizer às futuras gerações que leem esse texto, que lutamos bravamente por isso, sem descansar e sem esmorecer.

Que a verdade prevaleça, que um dia o Brasil acerte o seu caminho, como tentamos mais uma vez acertar agora. Se errarmos, foi tentando acertar, e sempre tentaremos corrigir os erros na próxima. A vida é um eterno aprendizado, e a nossa esperança de ver o Brasil um país digno, com desenvolvimento, com órdem, com educação, com segurança, com saúde e livre da corrupção jamais perecerá. Temos a certeza do dever cumprido e a consciência limpa. E isso é o que importa.

( Dihelson Mendonça, 28 de outubro de 2018 ).



O silêncio do tempo - Por: Emerson Monteiro


Das grandes ansiedades humanas, por demais enigmáticas, uma delas é desvendar o futuro. Ao movimento constante de esferas harmoniosas, o tempo transcorre inevitavelmente força descomunal, silenciosa, energia de proporções inigualáveis, e pulsa em tudo, desde as estações do ano ao canto melodioso dos pássaros nas matas. Por vezes em síncopes inevitáveis, surpreende expectativas e acontecimentos, e reverte histórias, condições e valores sólidos. O Tempo, este senhor da Razão, ente respeitado de qualquer cultura, deus poderoso, pastor e dono das prendas e marés, que pare e devora as próprias crias; Cronos, dos gregos; o Sol, a percorrer os céus; Shiva, dos hindus.

Enquanto que recebe e devolve as ações dos indivíduos, exerce seu papel principal no reino da Criação, mecanismo de ação e reação, da Justiça e da Fortuna. Assim, espectadores privilegiados das maquinações do Tempo, dotados de visão e percepção, os humanos tão só transitam diante dos antigos passos, tais atores secundários e obedientes, parceiros desse pai que, da calma aparente dos bastidores, rege dali o tropel cadenciado das horas.

Nisso, resta atender aos ditames do mecanismo ao qual pertencemos, figuras da paisagem, mesmo dotados do furor das imaginações e do desejo, na febre dos frágeis domínios. Poucas interpretações chegam a compreender verdadeiramente o mistério desse autor maravilhoso que a tudo contém. Saberes muitos e os instintos da investigação olham de lado sua presença que significa o propulsor das existências e dos seres. Apenas um solene e suave deslizar de eras, sujeitos e objetos, perpassa o cenário numa espécie de luz que alumia e apaga, a fluir intermitente nas frações, durante o que anotamos  qualidades do que ele deixa existir a cada momento. 

Tempo de que somos parcela e nem disso percebemos com uma total clareza, dele dependentes e repasto; escravos e senhores; moléculas e fragmentos. Luz das almas, pois, o Tempo, de que somos visão e audição, na paz do silêncio contundente e da condição sob que vemo-nos submetidos bem de longe, a ele reverenciamos através das nuvens que cumprem os desígnios da sorte nos painéis do Infinito.

27 outubro 2018

Somos todos irmãos. Somos todos Brasil -- por Eduardo Girão (*)


Fonte: jornal O POVO, 27 de outubro de 2018

     Em cada dificuldade que vivenciamos, temos uma oportunidade de superação, de crescimento. Chance ímpar de reflexão e aprendizado que pode ser ampliada com a percepção do sentimento de nosso semelhante. Estamos todos conectados uns aos outros, somos todos irmãos! É com este olhar que devemos participar deste momento decisivo para o Brasil: com a confiança de que nosso povo, independente de qualquer divergência ideológica, aspira dias melhores.

     Assim que tivermos o resultado da eleição presidencial, precisamos lembrar que somos filhos do mesmo Deus e não podemos deixar qualquer resquício de inimizade entre nós, mesmo que tenhamos sido adversários no campo político. Este período de intensa discussão de ideias, de quebra de paradigmas, de descobrimento de novas visões políticas e morais - tão diferentes das que poderíamos ter - nos abrirá a via abençoada da aproximação, do diálogo, da tolerância e do respeito. 

       Não desperdicemos este momento único! O Brasil não é mais o mesmo, e, com ele, também nós não somos mais aqueles de antes. Pulsa forte o desejo de renovação no âmago de nosso ser. Não somos passivos, estamos nas ruas, colocamos nossa voz nas redes, confiamos que podemos fazer a diferença. E os números atestam isso: no Senado Federal, houve renovação de 85%. Demos muitos passos. Não é preciso ter medo. Gosto sempre de citar o médico Bezerra de Menezes, cearense, grande referência de ética e caridade: "A política, como compreendo, não é uma mera especulação dos homens, é uma religião. 


       A religião da pátria"! Venha o desafio que for, com os sacrifícios e alertas que acompanham, podemos andar altivos sabendo que os bons cidadãos, que são a grande maioria da nossa amada nação, darão o seu brado e erguerão o seu braço forte pela paz, pela vida e pela verdade. Estaremos juntos, pro que der e vier. Vamos unir as mãos e entrelaçar os nossos corações. É chegada a hora. Oremos pela sabedoria e discernimento dos eleitores brasileiros nesta imperdível festa da democracia. Que a vontade popular seja aceita com serenidade por todos e que o novo presidente escolhido ajude a virar, de vez, a triste página da corrupção no solo desta "mãe gentil". Paz e bem, e que vença o Brasil!

(*) Eduardo Girão.  Senador da república eleito pelo PROS .
E-mail: eduardogiraooficial@gmail.com

26 outubro 2018

Uma transação solitária - Por: Emerson Monteiro


Outro dia, pouco tempo antes, via um filme, Gravidade, que trouxera algumas cogitações do quanto é único o viver pessoal de que muitos buscam fugir através das ilusões. Resultados dessa tentativa, quanto muito, restam as ausências absolutas, posteriores de irreais alternativas. Correm, correm; escondem, se escondem; transitam por lugares afastados de senso; mergulham mares profundos de perdição e amargura; e calam solenes diante do mistério das muralhas da solidão, um, dois tempos além.

Isso porque de todo somos ímpares face ao destino do ser. Alguns até adotam a alegria estéril qual motivo de conduzir o barco nas ondas de imprevisíveis. Dançam a valsa do adeus na forma obtusa que lhes aponta o instinto e sobrevivem aos furores das horas apenas de fantasias. A tanto chegam que significam jornadas escorregadias nos trilhos e nas dúvidas. Humanos seres, sons abafados dessa humanidade. Nós, a que viemos, aonde vamos?

Bom, uns fazem de conta nem ser consigo. Escodem a cabeça nos areais desses desertos de fama, corpanzis largados fora, olhos presos na escuridão das matas, porém há de se enxergar, menos tempo do que pensam, a força do desconhecido, porquanto detemos o dever de conhecer a todo custo, que isto aqui viemos: Descobrir razões de existir e desvendar o segredo da presença cósmica onde habitamos, olhos ruídos e almas impacientes.

Lá no filme, protagonizado por Sandra Bullock, atriz considerável, em viagem nos céus de uma nave, juntamente com outros tripulantes, certa feita perde a companhia e deparar, na impossibilidade física, a técnica de um dia ter de chegar de volta à Terra e ser feliz. Lindas imagens. Cores estonteantes. Roteiro elaborado nos longos contatos por vezes impossíveis.

De perto parecido ao drama desse lugar de cada um, naves vagando nos hemisférios humanos, jamais sustentados sob as convicções definitivas da matéria, nos diálogos frutos da coragem e do amor em que, de certo, seremos reconhecidos na paz deste sentimento puro que nos botou aqui. 

Processo de beatificação de Menina Benigna avança


Fonte: “Diário do Nordeste”, 26/10/2018 – Por Antônio Rodrigues 


Pessoas se reúnem no local onde a jovem foi atacada e brutalmente assassinada quando defendia sua castidade. Foto: Antônio Rodrigues

Após ter sido aprovada pela Comissão de Teólogos do Vaticano e anunciada na última quarta-feira, a beatificação da "Heroína da Castidade" aguarda agora avaliação dos cardeais da Igreja Católica e a aprovação do Papa Francisco

“Heroína da Castidade”, como é aclamada em Santana do Cariri, Benigna Cardoso da Silva teve sua beatificação aprovada na Comissão de Teólogos da Congregação para as Causas dos Santos, no Vaticano. Depois de cinco anos de estudos sobre sua história e devoção, o processo agora cabe à avaliação da Comissão dos Cardeais e, em seguida, requer a aprovação do Papa Francisco. Nomeada "Serva de Deus" pela Igreja Católica, em 2013, a jovem foi brutalmente morta aos 13 anos de idade, em 1941.

A Diocese do Crato abriu o processo de Benigna em 2011 e, dois anos depois, chegou ao Vaticano. Na fase inicial, os teólogos investigam as virtudes ou o martírio, detalhando as circunstâncias da morte. A comprovação de um milagre, critério necessário para tonar-se beato, é dispensado no segundo cenário. (Os que foram martirizados dispensam milagres prévios) No caso de Menina, ela foi assassinada a golpes de faca por um adolescente que a assediava, depois que recusou a ter relações com ele. Para os populares, "ela deu a vida para não cometer o pecado".

Além da extensa documentação que a equipe diocesana já entregou na Sede da Igreja Católica, o Vaticano solicitou, em 2016, depoimentos de pessoas que viveram entre as décadas de 1940 a 1980, relatando graças alcançadas e sobre a consciência popular do martírio de Benigna.

"Um processo muito rápido. Acreditamos que a beatificação pode sair logo", conta o padre Paulo Lemos, pároco da Igreja Matriz de Santana do Cariri. A beatificação é o primeiro passo para a canonização, processo pelo qual a Igreja reconhece oficialmente a fama e o testemunho de santidade de alguém que viveu e morreu, marcado pelas virtudes cristãs.

Aprovação

Com a aprovação da Comissão dos Teólogos, a fase mais longa do processo foi encerrada. Assim, resta aos bispos discutirem a aprovação da beatificação da jovem. O resultado deve ser divulgado entre oito meses e um ano. Caso o parecer seja favorável, Benigna se tornará a primeira beata cearense. No entanto, em Santana do Cariri, ela já é aclamada como santa popular em romaria que acontece há 15 anos. Na última quarta-feira (24), cerca de 30 mil pessoas participaram do evento.
A Romaria de Benigna, este ano, celebrou os 90 anos de nascimento da menina e 77 anos de seu martírio. "Desde 1941, ela já tinha uma fama de santidade. Isso foi crescendo com as primeiras romarias em 2003 e 2004. De 2013 para cá, a presença de visitantes tem aumentado consideravelmente", acredita Ypsilon Félix, um dos organizadores do evento.

O evento reuniu fiéis de todo o Cariri e de outros estados, além de 60 padres. "Em um dia, Santana do Cariri recebe mais pessoas que o Museu de Paleontologia em um ano".

Mais de dois anos se passaram. E o "busto" (?) de Dona Bárbara de Alencar continua na Praça da Sé – por Armando Lopes Rafael


Na noite de 21 de junho de 2016, a então administração municipal do Prefeito Ronaldo Gomes de Matos (o “fenômeno”) inaugurou, no calçadão da Praça da Sé, em Crato, um “busto” de Dona Bárbara de Alencar, uma figura emblemática no episódio que se convencionou chamar de “desdobramento da Revolução Pernambucana de 1817 na cidade de Crato”. Sinceramente, Dona Bárbara merecia ser homenageada com um monumento à altura da sua memória.

Sobre esse “busto” assim foi noticiado no Blog Plim-plim do Cariri, mantido pelo Sr. André Lacerda. (http://plimplimcariri.blogspot.com.br:

     “Inaugurado o busto da heroína Bárbara de Alencar no município do Crato, parece brincadeira, ou alguma criança brincando de argila, me desculpe o artista, mas até agora eu fico imaginando de quem foi a brilhante ideia, se a guerreira estivesse viva, era capaz dela ter um infarte fulminante, já não bastasse a cara torta e mal feita da santa”.(SIC)

       Apesar da repulsa generalizada da população cratense, o pseudo monumento de uma anãzinha continua a lá, a deslustrar a fama de Crato, como uma “Cidade da Cultura”. Até quando?  No mais, Dona Bárbara merece sim um busto! Mas um busto  de bronze, à altura do porte da cidade de Crato e não aquele arremedo colocado na Praça da Sé., enfeando aquele trecho citadino.

25 outubro 2018

Caririensidade (por Armando Lopes Rafael)


História do Cariri: Dona Matildes, a inimiga que protegeu Bárbara de Alencar
 Casa de Dona Bárbara de Alencar, localizada na praça da Sé, em Crato . O imóvel foi destruído para dar lugar ao atual prédio da Coletoria de Rendas da Secretaria da Fazenda do Ceará

   O episódio que, de forma resumida, relato abaixo está – com mais detalhes – nas páginas 70 e 71 do livro “As Quatro Sergipanas”, do sacerdote e historiador Mons. Francisco Holanda Montenegro.
     Dona Bárbara de Alencar tinha com Dona Matildes Telles, esposa do Capitão Manoel Joaquim Telles e mãe do Juiz Ordinário de Crato, este destituído do cargo pelos membros da família Alencar, líderes da Revolução Pernambucana de 1817, no Cariri cearense – uma intriga e rivalidades antigas por causa de política. Não se entendiam, não se cumprimentavam e nem se falavam.

       Rechaçada a Revolução, pelo Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro, os filhos de Dona Bárbara foram presos e ela escondeu-se dos inimigos pensando escapar da prisão.  Na madrugada de 21 de maio de 1817, Dona Bárbara encontrava-se escondida nas imediações do Sítio Pau Seco, propriedade sua, onde passou o dia oculta num canavial. À noite saiu do esconderijo, e tendo perdido a esperança de ver voltar seu fiel escravo, o negro Barnabé, seguiu vagando sem destino pelas matas que existiam à época em torno da Vila Real do Crato. Na sua andança veio parar no Sítio Miranda, mais precisamente nos fundos da casa de sua inimiga, Dona Matildes. Soube que estava ali porque viu uma escrava da casa apanhando água. A escrava reconheceu Dona Bárbara e foi avisar a sua patroa.

           Dona Bárbara apresentou-se a Dona Matildes. Esta última, com o coração aberto a tantos sofrimentos porque passava a família Alencar, abraçou a sua inimiga com lágrimas de ternura e num gesto magnânimo de generosidade, respeito e fidalguia levou-a para abriga-la na sua casa. Fez mais Dona Matildes. Mandou chamar seu filho, o Juiz Ordinário do Crato, que tinha sido readmitido no cargo, e disse a ele:

– Mande queimar todos os papéis e atas arquivados pelos contrarrevolucionários que comprometam Dona Bárbara e seus filhos

     Tempos depois, o futuro Senador e Presidente da Província do Ceará, José Martiniano de Alencar, filho de Dona Bárbara, preso nos cárceres do litoral teria afirmado: “Sem provas nós não poderíamos ser licitamente condenados à morte”.

A Chapada do Araripe é um mundo

        O texto abaixo abre o site do Geopark Araripe:
      “A Chapada do Araripe é uma grande muralha que divide os estados do Ceará, Pernambuco e Piauí. Em seu entorno há inúmeras fontes de água, graças às rochas que a formam, e que têm uma função similar à de uma esponja. Com água farta, está sempre verde, mesmo em tempos de seca persistente. Com um bioma predominante de caatinga, e áreas de cerradão e mata atlântica, possui como símbolo uma espécie endêmica de pássaro (só encontrada por lá), o pequeno Soldadinho do Araripe, com sua crista vermelha que parece um quepe”.

Flores da Chapada do Araripe

     A arquiteta Maria Elisa Costa – filha do urbanista Lúcio Costa, que ajudou a planejar Brasília – era amiga da ex-reitora da URCA, Violeta Arraes. Esta convidou Elisa para projetar os jardins da reitoria da Universidade Regional do Cariri, em Crato. Ainda hoje Elisa guarda boas recordações do trabalho que fez aqui. Entrevistada pela revista Veja, Elisa declarou: "Descobri um Brasil que o litoral não conhece. Quem imaginaria, por exemplo, que há tantas flores no Crato?".  
   
    Informamos que o Guia de Plantas da Floresta Nacional (Flona) do Araripe-Apodi está disponível no site do The Field Museum, de Chicago (EUA). O endereço virtual hospeda guias de plantas, animais, algas, fungos e liquens de várias regiões do mundo.

A foto acima, com flores da Chapada do Araripe foi feita por Dihelson Mendonça.
Flor do maracujá. Foto de Jackson Bantim
Um valoroso caririense: Huberto Cabral
      As cidades são feitas primeiramente pelas pessoas. Pois seus moradores falam mais à alma do que os prédios e os cartões-postais. Uma das pessoas mais presentes na vida da cidade de Crato é o radialista, jornalista, memorialista e historiador Francisco Huberto Esmeraldo Cabral. Desde 1947, quando tinha dez anos idade, Cabral começou a participar dos acontecimentos da cidade natal, um dos enlevos da sua vida.

     Na sua trajetória profissional, Huberto Cabral exerceu inúmeros cargos, dentre eles o de Assessor de Imprensa da Prefeitura de Crato, Câmara de Vereadores e Assessor de Comunicação no início da Universidade Regional do Cariri. Ao longo da sua existência ele tem sido animador e organizador de inúmeras promoções de caráter cultural que se realizam em Crato desde o início da década 50 do século passado.

       Huberto Cabral sempre participou ativamente da organização da “ExpoCrato” o maior evento econômico-social do interior nordestino. São milhares as crônicas escritas e divulgadas por ele através dos meios de comunicação, as quais – se reunidas e publicadas – constituiriam o resgate das efemérides históricas, políticas e educacionais de Crato e do Cariri. Desde 1958 contribui com o Departamento de Jornalismo da Rádio Educadora do Cariri, hoje de forma voluntária e abnegada para difundir o Crato e o Cariri.

        Huberto Cabral é, merecidamente, mercê de seus dotes de espírito e prestimosidade uma biblioteca ambulante ou um professor sem cátedra da história do Sul do Ceará.  Atualmente, aos 81 anos de existência, contrariando uma tendência natural de que – com o avanço da idade ocorre um arrefecimento de ânimo, força ou disposição do ser humano ao trabalho – Huberto Cabral continua firme no seu “sacerdócio” cotidiano de prestar serviços à comunidade caririense. Serviço de boa qualidade, sem preocupação de colher louros, a não ser aqueles que venham beneficiar a todos incondicionalmente. Por essa história de vida, totalmente devotada à causa pública e ao progresso material e intelectual de nossa região, Huberto Cabral é merecedor de todo o nosso respeito e gratidão.

Avança causa de beatificação de Benigna

     As ruas de Santana do Cariri foram tomadas, no último dia 24 de outubro de 2018, por uma multidão calculada em 30 mil pessoas, que reverenciou a memória da Serva de Deus Benigna Cardoso da Silva. A solenidade foi presidida pelo Bispo Diocesano de Crato, Dom Gilberto Pastana de Oliveira. Este, anunciou ao povo que a Comissão de Teólogos do Vaticano aprovou o processo de pedido de beatificação de Benigna Cardoso da Silva.

    Agora a próxima etapa é a avaliação dos Cardeais componentes da Congregação para a Causa dos Santos, cujo resultado será levado ao Papa. Este dará a palavra final para a beatificação de Benigna, filha de Santana da Cariri e primeira cearense com chance de galgar os altares da Igreja Católica.

      Benigna Cardoso da Silva nasceu em 15 de outubro de 1928, em  Santana do Cariri. Foi assassinada em 24 de outubro de 1941,  na mesma cidade,  ao defender-se do assédio sexual por parte de um jovem da mesma idade, que, enfurecido, golpeou-a com um facão. Desde então, a menina Benigna se  tornou alvo de devoção por parte da população caririense  que a considera uma “mártir da castidade”.

         Em 2011, a Diocese do Crato deu início ao seu processo de beatificação. Em 2013, a causa foi aceita pela Congregação para a Causa dos Santos, e Benigna foi declarada Serva de Deus. Agora em 2018, o processo de beatificação de Benigna foi aprovada pela Congregação para a Causa dos Santos, do Vaticano.

 O mais antigo engraxate de Crato
     Seu nome completo é Francisco das Chagas Amorim Damasceno. Mas se procurarem este nome na Praça Siqueira Campos, centro de Crato ninguém saberá informar. Já “Chaguinha”, o engraxate, não só é muito conhecido, como é figura popular na Cidade de Frei Carlos, onde nasceu e exerce sua profissão há cerca de 70 anos. 

     Um dos grandes presidentes da República brasileira – o visionário e injustiçado Juscelino Kubitschek – também foi engraxate, na sua infância pobre em Diamantina (Minas Gerais) sua cidade natal. Já o “Chaguinha de Crato” tem, o orgulho de ter lustrado os sapatos do Marechal Humberto de Alencar Castello Branco, quando este era ainda General, Comandante da 10ª Região Militar, com sede em Fortaleza,  e veio a Crato, pela primeira vez, em 1953. 

       Castello Branco foi, posteriormente, Presidente do Brasil, ou seja, foi Chefe de Estado e Chefe de Governo desta república, entre 1964 e 1967.

25 de outubro: Dia Santo Antonio Galvão, o Primeiro Santo nascido no Brasil


   O primeiro santo nascido no Brasil, Santo Antônio de Sant’Anna Galvão, conhecido como São Frei Galvão é comemorado no dia 25 de outubro. Nasceu no dia 10 de maio de 1739 em Guaratinguetá – SP, em uma numerosa família que possuía muitas posses. Posses essas que abandonou para tornar-se religioso.

    Entrou no convento dos filhos de São Francisco no Rio de Janeiro aos 16 anos. Em 1762 foi admitido à ordenação sacerdotal, foi então enviado para o Convento de São Francisco, em São Paulo, para os estudos de filosofia e teologia.

    Frei Galvão fundou em 1774 o conhecido Convento da Luz, das Irmãs Concepcionistas da Imaculada Conceição, e em 1811 o Recolhimento de Santa Clara, em Sorocaba (SP). Já com a saúde debilidade, Frei Galvão passou a residir no convento da Luz até 1822, quando veio a falecer no dia 23 de dezembro.

     São João Paulo II o beatificou 25 de outubro de 1998 e Bento XVI o canonizou em 11 de maio de 2007. Sobre a fama de santidade de Frei Galvão, a Irmã Célia Cadorin, postuladora da sua causa de canonização, ressalta que não faltaram as provas e documentos. “O processo inteiro comportou quase 10 mil páginas, contendo um relato sintético de mais de 8 mil graças alcançadas”. Entre as numerosas graças recebidas pela intercessão de Frei Galvão destacam-se, pela simplicidade e pela maravilhosa confiança na Mãe de Deus que encerram, as pílulas miraculosas.

24 outubro 2018

Instinto de superação - Por: Emerson Monteiro


O que chamam de vontade ou querer. Essa característica dos humanos que faz deles animais privilegiados, conquanto dispõem do recurso derradeiro da inconformação; reagir de forma pessoal na hora do desespero. Isso na personalidade equilibra o desejo com a satisfação, a fome com o apetite, ansiedade e angústia...

Raras ocasiões, raríssimas, o indivíduo aceita de bom grado a falência dos órgãos da alma, ainda que demasiadamente reduzido ao padrão comum da derrota haja de permitir o limite das possibilidades a que qualificam de morte e morrer. Porém a força de percepção franqueia novas descobertas no Infinito. São elas as religiões, portas abertas à esperança de viver sem interrupção nos páramos celestiais.

Fossem dominar o querer na sua potencialidade máxima e ver-se-iam face a face consigo próprios, autores e criação de tudo quanto existe, poder da existência de que comungam todos, sacerdotes e mendigos, luminares e aprendizes. Dotados, portanto, dos motes da imaginação, peregrinam de olhos postos na ciência de Deus e alimentam a participação nos mistérios da Criação. Por isso, a força descomunal da presença do Ser nas criaturas, parcelas humanas que arrastamos conosco nas trajetórias do Cosmos.

Quer qual instrumento de busca e descoberta, razão e emoção, luzes acesas na consciência e poder transformador do nada em absoluto. Máquinas de superar o tempo, abrem aos poucos o furor da Eternidade dentro de si e desvela o fator principal de sobrevivência diante dos maiores obstáculos. No senso nervoso da natureza, habita o deserto da solidão, no entanto na certeza da revelação de outros valores, estes definitivos e puros, autores do sistema da destinação no além do conhecido.

A força do querer, matriz da humana existência, portal da Eternidade. Luzes da sombras donde vêm, sobem o tabernáculo da matéria e, mais dia menos dia, encontram a sublimidade a que se destinam.

21 outubro 2018

Os sequelados - Por: Emerson Monteiro


Espécies de zumbis soltos nas ruas e nos becos, eles vagam pelas mesmas paisagens dos doces charmes de belos filmes estrangeiros que viram nas telas da vontade. Também denominados de tipos populares, atravessaram os mercados, as feiras, os guetos, e agora trocam pernas e poucas palavras nos encontros fortuitos do pelotão vacilante que foram. Andam de olhos vagos, peles amarelecidas nos desgastes da idade, engelhados debaixo das antigas tatuagens que já nem falam dos bichos surreais, símbolos, astros, palavras e frases das outras horas, dos ídolos que foram, artistas de desconhecidos, cenas e sonhos. Eles, que param à sombra das poucas árvores que existem nas praças, largados aos bancos solitários, mero cadastro de reserva jamais convocado e nunca levado em conta.

Isto enquanto as cidades movimentam seus dias estafantes. Repartições, afazeres das oficinas, lojas, hospitais, salas de aula, fábricas, bancos, sustentos vários, esses veteranos agarram seus derradeiros raios de sol e restam contar do moafo que foram nas vidas abandonadas à própria sina. Tantas vezes consumidos em mesas de bar, jogos de azar, debates, discursões vazias, bancas de revista, festas, vídeos de televisão, baratos e farras. Entretanto corriam dias e horas, vistas presas só nas glórias vãs de entulhos, lixões e lágrimas; deixaram assim transcorrer os aniversários das eras sob o efeito de bebidas, drogas, fúteis prazeres. E agora...

Personagens, pois, ambulantes sem bandeira ou calendário, dispersos nesse tudo que passa à velocidade do vento, comtemplam as migalhas do que teriam sido lutassem nos campos de batalha de amores, fancarias e saudades. Cabelos grisalhos, calvos, às vezes, faces barbadas, solenes, tais homens dos antigamente olham dentro do futuro sem saber nem quando haverá o balanço do mistério e possam regressar a novas aventuras errantes.

No céu das almas, vadios, lentos, lerdos, sem planos ou metas, os sequelados da raça indagam absortos que fizemos, fazemos, faremos da força que circula as veias e clama a luz da Consciência. Obtusos pincéis das nuvens cotidianas, lá adiante, talvez, viram sobejos das ilusões em que pediam paz e a deixavam no abandono de quartos escuros, vícios e adiamentos.

Há que haver memória nos que combinaram escrever. Nas epopeias, nas lendas, em lousas de cavernas e nos fosseis, essa verdade do que teremos sido será realidade um dia, e haverá em tudo melhor aproveitamento perante os tribunais da Eternidade.

(Ilustração: Inferno, de Botticelli). 

19 outubro 2018

Bolsonaro, um segundo Ronald Reagan? – por Armando Lopes Rafael



      Tenho para mim que, caso seja eleito – no próximo dia 28 – como Presidente da República, Jair Bolsonaro vai ser para o Brasil o que Ronald Reagan foi para os Estados Unidos. Reagan ainda hoje é considerado como um dos maiores presidentes dos Estados Unidos. Isso, apesar dos seus adversários políticos terem ridicularizado a sua pouca cultura. Os opositores de Ronald Reagan o definiam como o “caubói inculto”. No entanto, por suas posições firmes, pela coragem que tinha ao se definir sobre um problema, sem se preocupar com o julgamento da mídia, pelo apoio que deu à iniciativa privada, Reagan foi responsável por uma das melhores fases da economia americana e, quando deixou o governo, sua popularidade superava mais de sessenta por cento.

 
   Semelhante a Reagan, Bolsonaro não é nenhum, intelectual. Ele pretende reestruturar a área econômica, através dos dois organismos vitais, o novo Ministério da Economia e o Banco Central, atuando ambos formais e politicamente independentes. Bolsonaro promete fazer uma reforma da Previdência, prevendo a mudança do sistema atual de repartição (pagamento dos aposentados que é feito pelos trabalhadores ativos) pelo modelo de contas individuais de capitalização (cada trabalhador contribuirá durante a vida para sustentar seu benefício previdenciário). Anunciou que vai privatizar mais de oitenta empresas estatais deficitárias. Dentre elas a Eletrobrás, que além dos prejuízos sucessivos não dispõe de um centavo para novos investimentos. E o que dizer dos Correios que leva mais de um mês para entregar uma carta dentro do Brasil, e enfrenta sucessivos prejuízos além de viver fazendo outras tarefas que nada tem a ver com a sua finalidade?

             São medidas simples, como redução dos ministérios dos 40 atuais para 15. Acabar com a política da “base de sustentação do governo”, ou seja, o “toma lá, dá cá”. E a entrega de instituições federais a políticos incompetentes, quando elas deveriam ser administradas por técnicos preparados. Se Bolsonaro fizer o que promete, chegará ao fim do seu governo, como Reagan chegou ao término de sua administração.

         De fato, ao deixar a Presidência dos EUA, Ronald Reagan deixou seu nome marcado na história política norte-americana. Mais do que isso, ele imprimiu na administração pública daquela nação um novo modo de fazer política. Seu estilo foi sendo imitado pelos presidentes que o sucederam. Ele tornou-se sinônimo de conservadorismo e nacionalismo. Ronald Reagan dividiu opiniões, foi amado por uns e odiado por outros. Mas foi coerente com o que pregava e não decepcionou os que votaram nele.

O fascismo da esquerda hipócrita -- por Catarina Rochamonte (*)

A Luta Contra o Fascismo Começa Pela Luta Contra o Bolchevismo. Este é o título de um panfleto escrito pelo marxista alemão Otto Rühle em 1939, em um dos mais difíceis momentos da luta de resistência contra o fascismo alemão: o nazismo.
   O referido texto coloca a Rússia na primeira linha dos estados totalitários e como modelo para os países constrangidos a renunciar ao sistema democrático para se voltarem para a ditadura. Afirma Rühle que "a Rússia serviu de exemplo ao fascismo". O panfleto, desde o tão vigoroso título, escancara uma verdade incômoda à esquerda majoritária brasileira de hoje, que se agrupa sob a liderança do corrupto presidiário ex-presidente Lula e se representa na candidatura do fantoche Fernando Haddad a presidente da República.

       Onde está, porém, o incômodo dessas denúncias antigas para a campanha PT/Haddad? Está em que o bolchevismo é uma das matrizes doutrinárias do PT e vários de seus dirigentes o declaram orgulhosamente, donde se vê que é contrassenso que a principal linha estratégica do PT e seus satélites para esta campanha consista em insultar seus adversários de "fascistas" e sob essa alegação pretenderem criar uma "frente democrática" para conter seu avanço. Vê-se também quão hipócrita foi a fala de Fernando Haddad quando - um dia após o resultado das urnas que o levaram para o segundo turno - apresentou-se como um candidato social-democrata. Como diz o ditado: "quem não te conhece que te compre".

        O fato é que foi como lobo em pele de cordeiro que o PT iniciou a campanha de segundo turno. No dia 9 de outubro a Folha de S. Paulo trazia uma entrevista com o governador do Ceará, o petista Camilo Santana, na qual se lia, sobre Haddad, que ele "tem de afastar um pouco essa marca do PT." O conselho parece ter sido acolhido, pois já nos deparamos com uma nova logomarca da campanha do ex-(pior)prefeito: logo esta sem vermelho, sem Lula e com as cores do Brasil.

       Eis aí os principais elementos do teatro tétrico destas eleições: o partido de origem bolchevique, que nunca teve respeito às instituições, que se considera acima da lei e abaixo apenas do seu líder (que lhe dita as ordens da cadeia); esse partido populista que comprou o congresso, que respondeu pelo maior caso de corrupção da história - o PT do mensalão e do petrolão -; esse partido que promove ideológica e financeiramente ditaduras como a cubana e a venezuelana coloca-se hipocritamente como arauto e defensor da democracia.

        A elite pseudointelectual - usar esse termo me custou caro! - muito bem apelidada de "esquerda caviar", cujos principais representantes estão no meio acadêmico e artístico reproduzem, por sua vez, essa farsa insuflando os jovens a uma batalha quase intergaláctica e apocalíptica contra o fascismo. Reitores emitem notas públicas contra a "onda conservadora" que coloca em risco a "democracia", expondo desavergonhadamente seu viés político-partidário em total desrespeito ao pluralismo acadêmico e ao princípio de neutralidade das instituições públicas.

      Certo mesmo estava Cid Gomes, pelo menos no seu último rompante: quem criou o Bolsonaro foi o PT, que fez muita besteira, que aparelhou as repartições públicas, que achou que era dono do País, que não fez mea culpa, que não admitiu erros e que por isso vai perder a eleição.

-- E o Lula?

-- "Lula o quê?! O Lula tá preso, babaca. Vocês vão perder. E é bem feito." 

 (*) Catarina Rochamonte é Doutora em Filosofia e professora da Universidade Estadual do Ceará - Uece 

E-mail: catarina.rochamonte@gmail.com

16 outubro 2018

Vidas sucessivas - Por: Emerson Monteiro


A razão externa do homem pensa que só esse olho externo existe e agarra-se a ele, pois diz que não existe outra visão.                                                                                                Jacob Boehme

Sob a ótica do Budismo, o que reencarna é o que o homem fez do seu passado, e disso carece de libertação no intuito de obter a Salvação, desde quando, então, se tornará coautor das obras divinas ao chegar ao grau absoluto da Pureza espiritual. És, portanto, aquilo que de ti fizeste no passado, ou seja, o carma, na denominação budista. Conquanto o que regressa ao mundo físico será esse carma, ou dependência, ou apego à paixão dos sentidos, os vínculos carnais de antes.

Face aos mecanismos da Evolução, desde que desvendes o caminho direto à Purificação, destarte evitarás ter de retornar ao Chão e aqui permanecer durante quantas vezes necessárias sejam no objetivo de revelar em Si a verdadeira e eterna natureza de que vem dotado. Nisto o conceito de Jesus de sermos Deuses e ainda não o sabermos.

Apenas que, no decorrer da história terrena, o indivíduo obterá a consciência e a consequente Libertação. A matéria significará, tão só, instrumento de aperfeiçoar a essência do que já somos ora dotados. Há, com isso, que vencer o espelho externo e mergulhar no universo interno, a matriz e transcendência do Ser. Perante esse laboratório real que exercitamos, de transformar chumbo em ouro espiritual, resta aos humanos o princípio da auto revelação a que viemos, e vencer, percurso natural das existências enquanto presas na matéria.

A luta, no processo de admitir tais considerações, varia de pessoa a pessoa, vez os diferentes níveis de aprimoramento onde estivermos, ao que Jacob Boehme também observa: O homem sente o desejo de Deus (de outra visão) mas o demônio para onde o homem se virou, coloca um véu e encobre essa outra visão desviando sua atenção para a pompa do mundo (e o homem morde a isca e deleita sua má imaginação nisso), para o homem não a ver e não ser despertado para ela. 

No transcorrer das reencarnações, novas chances de conhecer e agir sob tais valores oferecem meios e vontade latente aos seres, neste processo de permanente conhecimento intuitivo.

(Ilustração: Arte vedanta).