28 setembro 2018

As cores do sentimento - Por: Emerson Monteiro


Existências que sussurram dentro do ente que somos nós. Fagulhas. Trilhas. Sinais que lembram o que persiste nalgum lugar, que, decerto, vive onde estejamos de olhos bem abertos ao mais íntimo das criaturas humanas. Detalhes desse todo indivisível, qual melodia que nunca termina; que vive e fala de perfeição, de paz, na alma da gente. Instrumentos de longas sinfonias em frases boas ao ritmo dos corações. Gosto suave de dominar o eterno no tempo nessas horas sem conta de segredos mexendo os refolhos do mistério lá no Infinito do todo que aonde for estaremos conosco próprios.

Vozes na floresta dos sabores e saudades depositadas nos tetos da lucidez. Ruas limpas ao sol da manhã das tantas histórias sobrevivendo na casa dos amores imortais. Pessoas em todo lugar, em nós, na brisa que acaricia o essencial dos viventes.

Pelos domínios, pois, da revelação, no turbilhão das visões, há o lugar de ouvir a consciência, saber, sentir, amar. Alimentar de sonhos o destino que plantamos. Tocar as palavras qual quem escolhe o instrumento dos melhores dias no que sente, pelos mares da sorte, e transmite a luz das possibilidades, dos melhores, sempre nas estações da vontade liberta. Isso de sentir e contar as histórias alegres, nas manhãs iluminadas de flores.

Estampas de tons inesquecíveis ilustram as salas do pensamento e das emoções, e do furor da criação. Somas de incontáveis partículas na tranquilidade do bom, do bem, da beleza, quais moléculas de memórias em movimento. Jamais destruir. Alimentar a máquina da esperança. Recomeçar do pouso da realidade os corredores dos filmes vividos e amados.

Derradeiro parágrafo na forma de respiração e claridade aos quantos habitam nas muralhas do sentimento, que observam os passos, as estradas, que trarão o Sol. Muitos em único ser. Cifras, pautas, ritmos e silêncios de harmonia e felicidade.

ENEL - Empresa Irresponsável 2 - Nova queda de energia elétrica na Vilalta, em Crato, nesta sexta-feira, 28




Quero registrar mais uma vez meu protesto ante o descaso da empresa ENEL ( Sucessora da COELCE no Ceará ), quando hoje, por volta de 10:45, brindou a população do bairro Vilalta com mais uma queda de energia ( Blackout ), que desligou computadores e outros equipamentos eletrônicos. Faz apenas alguns dias em que denunciei aqui mesmo no Blog do Crato, a periódica queda de energia elétrica que vem acontecendo na cidade do Crato, quando no mês passado tivemos 5 quedas de energia apenas no Bairro Vilalta. É uma empresa irresponsável, que não cuida do bem-estar dos seus clientes, não vem a público dar qualquer satisfação sobre o porquê dessas quedas, tem um PÉSSIMO suporte de atendimento ao público. Se a empresa não tem competência, se ela é incompetente para gerenciar a energia elétrica do Ceará, que repasse para quem possui.

A população precisa ficar atenta, se mobilizar, reclamar mais, não se deixar enganar por esses descasos, porque cada vez em que ocorre uma queda de energia, põe em risco equipamentos eletrônicos, hospitalares e pode causar inúmeros prejuízos, e ante prejuízos, jamais pode ficar calada nem se intimidar pela ENEL.
Que a empresa venha a público esclarecer o que está acontecendo aos seus consumidores, e nós outros iremos denunciá-la a instâncias superiores do controle de energia elétrica do Brasil.

Dihelson Mendonça
Admionistrador do Blog do Crato


27 setembro 2018

A conquista da felicidade - Por: Emerson Monteiro


Luz que ilumina o caminho da Humanidade, este o sentido de tudo quanto os humanos desenvolvem no decorrer das existências. Por vezes apressados, depositam nos objetos este sonho maior, presa que causa de tantas ilusões e desencantos. Porém alimenta um dia descobrir a real felicidade, a paz dos corações, a leveza das consciências, e insistem continuar incansavelmente. Nisso, reveem as oportunidades perdidas, porquanto há sabedoria nas leis que regem a condição dos elementos, a permitir sempre novas possibilidades aos retardatários do destino.

A Perfeição, que tudo administra, concede, por isso, novas chances de todos reconquistarem o direito de ser feliz. Daí o conceito que permitirá a inteligência saber da Reencarnação, quando regressam aos corpos físicos noutras vezes, no intuito de despertar o espírito aos níveis superiores na medida em que evoluem. Só então se realizará o sonho perene da felicidade tão desejada. Nisto, no transcorrer das quantas vidas na matéria, há que esperar a revelação noutros padrões daquilo que apenas imitavam na carne, nos instintos e nas intuições.

Independente, pois, das avaliações religiosas e filosóficas, o eterno persiste na alma das criaturas humanas através dos valores transcendentes, que oferecem graus de satisfação e conformação durante as práticas, ainda que anteriores aos momentos inigualáveis da felicidade definitiva. Difícil, mas não impossível, equacionar as vivências humanas, o que significa único objetivo de tudo quanto viemos buscar. Nalgumas ocasiões inspiradoras, a brisa suave dessas respostas que todos aguardamos toca o senso interior e demonstra o amor verdadeiro do quanto sublime perpassam as maravilhas da Natureza original.

Eis, portanto, o motivo de experimentar as gerações de vidas sucessivas. Mesmo diante dos obstáculos mais desafiadores, que sujeitam as histórias e os dramas, a força suprema da Verdade impera por cima de qualquer aparente contradição e nutre de vontade o divino da consciência que faz dos seres humanos herdeiros universais da Criação.


26 setembro 2018

José Flávio Vieira lançará nesta sexta-feira, 28 de outubro, seu novo livro (por Armando Lopes Rafael)


A solenidade de lançamento será no Salão de Atos da Universidade Regional do Cariri--URCA, as 19 horas desta sexta-feira, dia 28.

    O escritor cratense José Flávio Vieira, que também é médico, lançará no próximo dia 28 de setembro, seu mais recente livro, “Dormindo à borda do abismo – A medicina no Cariri cearense (1800-1900”). O lançamento do livro acontecerá no Salão de Atos da Universidade Regional do Cariri - URCA, em Crato e será apresentado por Carlos Rafael Dias, professor do Curso de História dessa Universidade.

    O livro, com mais de quatrocentas páginas, farta e ricamente ilustrado, é resultado de uma profunda e longa pesquisa a partir de fontes documentais primárias e bibliográficas, a exemplo dos jornais pertencentes à Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional, à Hemeroteca do Instituto Cultural do Cariri, ao Departamento Histórico Diocesano Padre Antônio Gomes de Araújo e à Biblioteca Menezes Pimentel, esta última localizada em Fortaleza. Pelo cuidado com que se revestiu todas as etapas de sua elaboração, da arrojada pesquisa, passando pela apurada escrita, feita em estilo peculiar do autor, até a sua editoração, o livro é um forte candidato a obra definitiva sobre esta temática regional.

     Dividida em dezessete seções, e estes em inúmeros capítulos, a obra parte de um “continuum” dos principais acontecimentos da medicina na história geral para depois abordar os aspectos da colonização branca no Ceará e no Cariri, até chegar aos fatos e processos marcantes da conjuntura regional durante o século XIX. Nada passa ao largo de sua atenção, indicando a correlação existente entre os diversos contextos de uma região. Neste sentido, percebe-se que o autor não limitou seu enfoque à medicina em si, mas realizou um verdadeiro apanhado sobre a cultura regional, estabelecendo uma relação entre os vários campos da história: do econômico ao ambiental, do político ao religioso, do artístico ao científico, etc. Assim, sua narrativa tem a qualidade de atrair todos os tipos de leitores, pois segue o ritmo dos acontecimentos com precisão e é pintada com todas as nuanças possíveis de um panorama histórico que comporta infinitos e significantes detalhes.

     Comparando a feitura do livro a um projeto arquitetônico, o autor revela que este é apenas “a antessala de uma casinha”, pois seu projeto é contar a história da medicina no Cariri até a década de 1960, atingindo “com sua torre, nuvens idílicas e nebulosas”. Não paira nenhuma dúvida de que ele atingirá o píncaro de sua ambição, visto ser dotado de disciplina e paixão inerentes aos grandes historiadores e literatos.

      Com este lançamento, o público leitor, na amplidão que a expressão sugere, ganha uma obra que, ao nosso ver, se tornará referência para o estudo sobre a região do Cariri, no mesmo patamar do clássico “O Cariri”, de autoria de Irineu Pinheiro que, como J. Flávio, se dividia entre a profissão médica e o diletante, mas profícuo e competente ofício de pesquisar e escrever sobre a história regional.
Armando Lopes Rafael

25 setembro 2018

Olhos da noite - Por: Emerson Monteiro


... Isso desses tempos escuros onde ninguém sabe a que veio e busca acertar diante dos desafios. Houve fase quando as profecias indicavam cuidados extremos perante a pulsação das horas rumo do desconhecido. Alguns, nalgumas sedes oficiais, tomavam a si o direito de reger o rebanho quando a deusa Razão chegaria ao trono dos reinos e comandaria revolução de desfazer o que antes disseram sem comprovar, além de promover piores exemplos. Acreditaram num Século das Luzes. Nada seria do jeito de antes. Os sem-casta mereceriam resultados iguais aos soberanos. Igualdade, Liberdade, Fraternidade.

Porém aquela que seria a revolução de todas elas reverteu-se noutros dramas e circunstâncias, donde vieram novas revoluções, novas guerras. Até quando a Segunda Grande Guerra, a mãe das guerras, também receberia o codinome de a derradeira e para sempre. No entanto poucos anos depois explodiria a Guerra de Coreia.

No andar da Civilização parece que a geopolítica reclama batalhas sucessivas de reduzir populações, monstro devorador. Ninguém gosta que seja assim, contudo assim houve de ser com a permissão das maiorias.

Países vivem bem às custas da exploração dos demais. Povos avançaram sobre povos, europeus, asiáticos, africanos, sul-americanos, transferindo riquezas aos cofres das contradições. Hoje pousam de santos, bem trajados, organizados, senhores de si. No restante do Chão, vivam os que puderem. Enquanto a História é uma só, mãe e mestra, a reverter quadros de egoísmos através dos poderes existentes, o que requer esperança de feras menores contra feras maiores e poderosas.

Bom, mas o foco será a grande indagação de aonde foram parar as profecias que dominavam preocupações religiosas, místicas e sensitivas. São muitos videntes que descrevem as cenas do futuro em forma de versos, cartas, previsões assustadoras, de Nínive a Fátima. Durante o período das maiores necessidades, eles regressam e relembram nos sermões proféticos as escrituras, os transes que breve chegarão.

De modo esdrúxulo, tende o barco das gerações aos mares profundos. De tão repetitivos, admitem que os quadros atuais de algo equivocado significam termos de mudanças urgentes, todavia poucos resolvem ser diferentes do que foram os que plantaram as sementes amargas. Há, sim, uma luz que brilha intensamente nas trevas da mãe Consciência em crescimento.

CARIRIENSIDADE (por Armando Lopes Rafael)

As tentativas para separar a região do Cariri do Ceará


     As alegativas (para a criação da “Província” e/ou “Estado” do Cariri) sempre foram mais ou menos as mesmas: a de que a região sul-cearense possuía progresso econômico e civilizatório, mas não recebia o apoio necessário vindo do governo sediado em Fortaleza, o qual relegava ao abandono o Cariri. 

     A primeira tentativa de independência do Cariri foi em 1828. A Câmara de Vereadores do Crato encaminhou representação ao Governo Imperial mostrando a oportunidade de criação da nova Província do Cariri Novo. A ideia voltou à tona, em 14 de agosto de 1839, quando o senador José Martiniano de Alencar, do Partido Liberal, apresentou, no Senado do Império do Brasil, um projeto de lei, cujo artigo 1º dizia textualmente: "Fica criada uma nova Província que se denominará Província do Cariri Novo, cuja capital será a Vila do Crato".

     Anos depois, através do jornal "Diário do Rio de Janeiro", voltava o senador Martiniano de Alencar a defender sua ideia de criação da Província do Cariri. Em 1846 a proposta foi reapresentada pela Assembleia Legislativa da Província do Ceará e retomada no decênio de 1850 pelo jornal “O Araripe”, editado em Crato. No século XX a reivindicação ganhou fôlego nos anos de 1905, pelas páginas do jornal “Sul do Ceará”. A última tentativa foi em 1957, quando se criou um Comitê Central Pró Estado do Cariri. Todas essas tentativas ficaram só no sonho. Hoje é impraticável se pensar em iniciativas separatistas como as mencionadas acima.

Como era o Cariri nos tempos do Brasil-Colônia?



       Ainda hoje, muitas pessoas  -- que se julgam bem informadas --, não sabem distinguir a diferença entre os tempos do “Brasil-Colonial” (quando pertencíamos a Portugal) para os tempos do “Brasil-Império” (quando o Brasil se tornou uma nação independente com dimensão continental). É comum, quando se fala da monarquia brasileira, até mesmo professores (que têm obrigação de distinguir essas duas fases) afirmarem: “Na monarquia, os portugueses levavam nossas riquezas para a metrópole”. Ora, a transferência dos produtos brasileiros para Portugal ocorreu somente na época do “Brasil-Colônia” (e mesmo assim somente até a chegada da Família Real, em 1808). Essas transferências não ocorreram no “Brasil-Imperial”, país soberano e respeitado no concerto das nações a partir de 1822.

       Como era o Cariri no “Brasil-Colônia”? Distante mais de 600 km do litoral, carente de comunicação com os centros mais adiantados do Brasil, no Cariri cearense foi plasmada uma cultura própria, herança portuguesa, sob forte influência da Igreja Católica. Em algumas vilas e localidades caririenses, as companhias de penitentes se flagelavam, à noite, em frente das igrejas e dos cemitérios. O centro gravitacional das populações daqueles remotos tempos girava em torno da aristocracia rural, semelhante ao um feudo medieval!

       O proprietário rural atuava quase sempre como um poder moderador nos conflitos naturais da convivência humana. E a relação “patrão-empregados” era feita na base do compadrio. O proprietário rural era visto mais como um amigo (a quem se podia recorrer nas dificuldades) sendo impensável, naquele tempo, a versão – ainda hoje pregada nas universidades públicas – de “classe dominante”. 

O Cariri foi uma herança da mentalidade medieval

Crato em 1859, aquarela de José dos Reis Carvalho

     A região do Cariri foi, no início do seu povoamento, um resquício da civilização medieval, lembrando a que existiu na Europa, guardadas, é claro, as diferenças das realidades entre o velho e o novo mundo. Quando a decadência dos princípios basilares da Idade Média teve início no velho continente europeu, por volta do século XV, este processo de descristianização não foi implantado na Europa com rapidez. Nem atingiu todas as nações europeias com a mesma intensidade. Fácil compreender por que isso ocorreu.  Naquele tempo, não existiam os meios de comunicação, que temos hoje. As notícias e os acontecimentos levavam tempo para chegar aos países periféricos da Europa, e às pequenas vilas e povoados destes.

       Portugal, o mais ocidental dos países europeus, situado às margens do Oceano Atlântico, foi o último a sofrer as consequências da decadência daquele apogeu que caracterizou o sistema econômico, político e social, conhecido por “feudalismo”. Em Portugal, as consequências da   debacle desse sistema (que começou a se estruturar na Europa, ao final do Império Romano do Ocidente – século V – e atingiu seu apogeu no século X, só desaparecendo praticamente no final do século XV) chegaram às terras lusitanas com relativo atraso.

Mentalidade transferida para o Brasil nos albores do povoamento


          Ora, no início do século XVI, quando os portugueses aportavam no Brasil, ainda traziam para este Novo Mundo, boa parte da mentalidade medieval, no que diz respeito aos princípios de uma sociedade orgânica, isenta das “novidades” que a Idade Moderna já introduzira, por exemplo, na França, na Alemanha e outros países mais influentes do continente europeu.

    Chegando ao Nordeste brasileiro, a mentalidade da sociedade católica, aqui plasmada pelas boas famílias portuguesas que para cá se transportaram – os chamados “fidalgos” – conservou muitos princípios da mentalidade medieval. E isso aconteceu devido, principalmente, à grande distância e à falta de comunicação entre esta parte do Brasil e a já revolucionária Europa.

Mentalidade que chegou ao Brasil-Imperial  

        Verdadeiro rosto do Imperador Dom Pedro I, revelado graças à reconstituição facial feita recentemente, sob os auspícios do Prof. José Luís Lira -- Crédito: Cícero Moraes

    No século 19, a maior parte dos trabalhadores dos engenhos caririenses era composta de homens livres, os chamados “agregados da família”.  E mesmo os escravos negros (pouco numerosos no Cariri), consoante a tradição, não sofriam – salvas as exceções – a opressão e a impiedade, que levavam seus irmãos de cor a gemer nos cativeiros de outras províncias brasileiras, especialmente as exportadoras de produtos agrícolas (São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Rio de Janeiro, Pernambuco, dentre outras). Talvez isso ocorresse no Cariri, porque não havia nesta região uma elite econômica ávida por lucros, voltada para a exportação da sua produção, como a existente nas províncias acima citadas. O escravo no Cariri, com raras exceções, era quase gente da família. Esses negros compartilhavam dentro da sua humildade e sujeição os acontecimentos alegres e tristes dos seus senhores.

Crato vai comemorar o centenário do Prof. José do Vale

    José do Vale Arraes Feitosa nasceu na fazenda Canabrava, em Aiuaba, sertão dos Inhamuns, em 11 de abril de 1919. Adolescente veio estudar no Seminário São José de Crato, e desta cidade nunca mais saiu.

     Vocacionado para o magistério foi professor em Crato durante 42 anos. Foi vice-diretor do Colégio Diocesano de Crato de 1947 a 1969; professor e co-fundador do Colégio Estadual Wilson Gonçalves, do Colégio Agrícola Federal e do Ginásio Municipal Pedro Felício, todos da cidade de Crato. Em 1968, formou-se em Letras pela Faculdade de Filosofia do Crato, habilitando-se a ministrar as disciplinas: Língua Portuguesa, Literatura Brasileira, Francês e Literatura da Língua Francesa. Especializou-se em Literatura Brasileira, Literatura Portuguesa e Língua Nacional.

    Casou, muito jovem, com Maria Gisélia Pinheiro, com quem teve seis filhos. Em 1965 ficou viúvo. Em 1968 contraiu novo matrimônio com a professora Maria do Carmo Feitosa, sua parente. Desta união nasceram dois filhos. Era fluente orador. Foi um dos fundadores do Instituto Genealógico do Cariri. Recebeu o título de “Cidadão Cratense” e era sócio do Instituto Cultural do Cariri. Faleceu em 19 de outubro de 1997.

     Em 2019, no dia 11 de abril, a comunidade cratense vai comemorar o centenário de nascimento de um homem de bem, na verdadeira acepção da palavra. Um grande mestre, humano, afável, uma pessoa, simples, culta e de bom coração.

História: Um herói chamado Tristão

Bandeira da Confederação do Equador de 1824

     Muita gente ainda confunde a “Revolução Pernambucana de 1817” com a “Confederação do Equador”. Foram dois movimentos revolucionários distintos. Em 1824, eclodiu nova revolução republicana em Pernambuco denominada "Confederação do Equador". Este movimento uniu algumas lideranças das províncias de Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte, descontentes com a Constituição outorgada pelo primeiro imperador brasileiro, Dom Pedro I. O movimento repercutiu intensamente no Crato. Tristão Gonçalves de Alencar Araripe aderiu, com todo entusiasmo e idealismo, à Confederação do Equador. Em 26 de agosto daquele ano, foi ele aclamado pelos rebeldes republicanos como Presidente do Ceará. Entretanto a reação do Governo Imperial foi implacável. As instruções para debelar o movimento eram assim sintetizadas: "(...) não admitir concessão ou capitulação, pois a rebeldes não se deve dar quartel". Debelado o movimento restou a Tristão Araripe duas alternativas: exilar-se no exterior ou morrer lutando. Escolheu a última opção.

      Nas suas pelejas, Tristão colecionou vários inimigos. Dentre eles um rancoroso proprietário rural, José Leão da Cunha Pereira. Este utilizou um seu capanga, Venceslau Alves de Almeida, para pôr fim à vida do herói da Confederação do Equador no Ceará. Tristão Araripe faleceu, em 31 de outubro de 1825, combatendo o grupo armado de José Leão, na localidade de Santa Rosa, hoje inundada pelas águas do Açude Castanhão. Morreu como queria: pelejando, graças a Deus!

A Praça da Liberdade, um cartão-postal de Belo Horizonte – por Armando Lopes Rafael


    Visitando, dias atrás, a capital de Minas Gerais vi – com indizível satisfação – que o Governo do Estado/Prefeitura de Belo Horizonte/Mineradora Vale estão realizando nova requalificação na Praça da Liberdade, um belíssimo logradouro, a mais bonita praça dentre todas que conheço.

      Depois da requalificação da Praça Padre Cícero, em Juazeiro do Norte, fiquei feliz em ver, também, os trabalhos de restauração da histórica praça belo-horizontina. Naquela ocasião pensei: quando será que Crato vai sair dessa letargia administrativa e voltará a cuidar melhor das praças da Cidade de Frei Carlos? Creio eu que só numa futura administração...

         Mas, voltemos à Praça da Liberdade. Fui informado de que o projeto de requalificação daquele logradouro resume-se a consertar tudo o que estava estragado. Novos equipamentos de segurança, iluminação pública e o calçamento estão sendo ali implantados, num convênio financiado pelo governo estadual/Prefeitura de Belo Horizonte/Mimineradora Vale. Um projeto que mostra a utilidade de uma Parceria Público-Privada–PPP.

Fotos da reforma da praça     


     Mas, agora vem o melhor: A revitalização da praça prevê a incorporação de pelo menos 20 novas árvores, entre palmeiras, ipês, ciprestes, tipuanas e magnólias. Um projeto de jardinagem já se acha bem adiantado, com novas plantas ornamentais e flores, para que a praça volte à exuberância de anos passados.

     Li, depois, em matéria publicada no jornal “Estado de Minas", que “Na parte interna, o coreto será restaurado, voltando aos tijolinhos que remetem ao século 19. Haverá a retomada da cor original, danificada por pichação e rabiscos. O piso e as ferragens serão as mesmas, porém, reformados. A ninfa, escultura conhecida do complexo, ganhará um novo braço, e a fonte também destruída por vândalos, será refeita. O mobiliário (bancos) também ganhará nova configuração, com peças conjuntas e individuais. Todos os outros monumentos passarão por obras e ganharão placas explicativas. Essas informações já existiam, mas foram roubadas desde a última obra na Praça da Liberdade, concluída na década de 1990”.

        Beleza! Este cartão-postal belo-horizontino será entregue à população já no início de novembro próximo. Parabéns aos mineiros.     

Internet pode decidir as eleições no Brasil, dizem autores do livro ‘O Novo Poder’


Livro analisa como um mundo hiperconectado democratizou o acesso e o poder de influência

Fonte: Excertos da entrevista feita pela revista VEJA com os autores do livro.

    Em tempos de massivo uso da internet e redes sociais, pessoas comuns têm se tornando cada vez mais protagonistas em áreas às quais não tinham acesso anos atrás. Agora, elas conseguem saber das notícias mais rapidamente, compartilhá-las e produzir seu próprio conteúdo nas redes sociais e no YouTube. A possibilidade de obter conhecimento e ter voz, alcance e influência é chamada de “novo poder” pelos autores Henry Timms e Jeremy Heimans, autores do livro O Novo Poder, publicado no Brasil pela editora Intrínseca.

     O inglês Henry Timms é presidente do 92nd Street Y, centro cultural comunitário que cria programas e movimentos que fomentam o aprendizado e engajamento cívicos. Já o australiano Jeremy Heimans é CEO e um dos fundadores da Purpose, empresa especializada na concepção e no apoio de movimentos sociais em todo o mundo.

Pergunta da revista VEJA: No Brasil, 64,7% da população tem acesso à internet, de acordo com dados do IBGE de 2016. Em um ano de eleição, mesmo com acesso limitado, é possível que as redes sociais definam o resultado em favor de candidatos com pouco tempo de televisão?

Resposta de Timms: Não acho que seja limitado. E esse número entre as pessoas que votam tende a ser maior. Então pegue como exemplo o que se passou nos Estados Unidos. Todos os especialistas apontavam um resultado, e não foi o que aconteceu. O mesmo com o Brexit, no Reino Unido. Então, sim, é possível que no Brasil a internet decida a eleição. A ideia do tempo de TV é algo muito relacionado ao antigo poder. Não acho que se ganha eleição apresentando propostas nesse tempo, mas oferecendo algo diferente às pessoas nesse curto espaço, levando-as a um novo lugar.

Resposta de Heimans: O Bolsonaro replicou a estratégia da campanha de Trump. Ele usa um exército de pessoas nas redes sociais em seu favor, algo que a grande mídia não entendeu. Apesar de Trump apontar números na pesquisa 10% inferiores aos de Hillary, nas redes sociais seu alcance era 10% superior. Ele soube usar isso para impulsionar sua campanha, e me parece que Bolsonaro tem essa mesma intensidade. Seus números na pesquisa podem estar aquém de seu apoio. Muitas pessoas que o respaldam nessa eleição, homens mais velhos, estão participando pela primeira vez de uma eleição com redes sociais e estão se sentindo politicamente participativos, algo muito semelhante ao que ocorreu nos Estados Unidos.

24 setembro 2018

Folha da Manhã - Por: Emerson Monteiro


Único jornal diário do interior do Ceará, a Folha da Manhã, de Juazeiro do Norte, vem sustentando uma legenda na mídia desses tempos de intensas transformações. As matrizes da informação cruzam profundas mudanças em termos da utilização dos meios de comunicação, a oferecer alternativas digitais, porém a reclamar sintonia correspondente dos profissionais que abraçam o setor. Espécie de hecatombe das formas antigas de canalizar as notícias, faz rolar por terra muitos dos aparentemente sólidos veículos, que ora se desmancham no ar feitos bolhas abstratas. Enquanto isto, a Folha da Manhã, mesmo diante das precariedades da tecnologia analógica, no entanto, a olhos vistos sobrevive.

Veículo por demais voltado a posições claras e politicamente corretas das demarches regionais, sustenta bandeiras de coerência numa época de  tamanhas contradições, sendo bem isto que faz do jornal instrumento a merecer que nele divulguemos nossas ideias e façamos dele a plataforma donde possamos acompanhar o desenrolar dos acontecimentos na certeza de ser respeitado em nossas opiniões e avaliações. Nisto buscamos, sobremodo, acompanhar os seus dirigentes naquilo que de melhor possamos oferecer aos leitores, epopeia esta de tantos dias de sobrevivência.

Agora, aos 25 anos do órgão de imprensa dotado da vocação da sobrevivência, temos, por tudo isto, justas razões de continuar e resistir aos desafios da fase história que varre o mundo inteiro. A comunicação de massa, fruto da indústria dos bens de informação, requer, pois, atitudes e firmeza dos que a fazem. Diante disso, parabenizamos nesta hora Demontieux Fernandes e os demais bons profissionais pela força deste seu empreendimento, voz altiva da opinião pública mesmo face aos limites dos tempos e dos recursos técnicos.

O trabalho, por vezes silencioso, da mídia imprensa anda passo a passo com a história dos povos. E o Cariri dessas horas dispõe dos registros necessários à preservação dos nossos valores e nossa altivez, contanto possuímos a força pensante que exerce com persistência a função independente de preservar a versão dos acontecimentos nesta faixa de universo.


21 setembro 2018

O Imperador que andava sem dinheiro


   Em Boston, nos Estados Unidos da América, durante sua segunda viagem ao exterior, em junho de 1876, o Imperador Dom Pedro II foi sozinho ao Monumento de Bunker Hill, famoso obelisco que homenageia a Batalha da Revolução Americana de mesmo nome, que, apesar de perdida pelas milícias americanas, foi golpe jugular nas estratégias do Exército Britânico.

     O Imperador, levantando-se cedo, como era seu hábito, chegou às 6 horas, acordou o vigia e pediu permissão para entrar. Demonstrando muito pouco entusiasmo a essa hora da manhã, o vigia cobrou:

São cinquenta centavos a entrada.

     Pego de surpresa e não se atentando ao fato previamente, Sua Majestade não tinha levado consigo nenhum dinheiro, que ficava com o seu mordomo, como de costume. No entanto, o Soberano recorreu a um empréstimo do cocheiro da carruagem que o trouxera, pagou a entrada, inscreveu seu nome no livro de visitantes e entrou.

    À tarde no mesmo dia, o historiador, jornalista e político Richard Frothingham Jr., ex-Deputado pelo Estado de Massachusetts e ex-Prefeito de Charleston, onde se localiza o Monumento, também compareceu ao local, escrevendo seu nome na mesma página. Olhando para as assinaturas acima da sua, reconheceu a do Imperador e disse:

— Vejo que você teve aqui o Imperador do Brasil.

     O vigia grosseiramente respondeu:

Aquele velho que não tinha um níquel?! Não me deixo enganar por um sujeito que não tem dinheiro nem para pagar uma entrada!

(Baseado em trecho do livro “Revivendo o Brasil-Império”, de Leopoldo Bibiano Xavier)
 Imperador Dom Pedro II

19 setembro 2018

Daqui da janela - Por: Emerson Monteiro



De um lado, nós. Do outro, o Infinito. O nada. O TUDO. Absoluto das horas que seguem feitas velocidade nas perenes ladeiras do destino. Noites e dias, dias e noites, tudo enfim. E nós, folhas secas suspensas no ar das condições; pobres, ricos, inúteis, úteis mortais criaturas da continuidade; astros de tantas oportunidades desperdiçadas; pouco aproveitadas. Claro que componentes dessas eras em movimento; partes móveis integrantes da Criação. Sem tirar, nem acrescentar; meros valores essenciais da fertilidade dos quintais. Valores permanentes da imensidade informe; flores dos jardins das nuvens esquecidas na solidão.

Fôssemos reunir tais experiências largadas no espaço lá de antes de existir, bem restaria só a força viva de tocar em frente, o sentido das indagações, de resolver este grande enigma que o somos, barqueiros das marés da ilusão e senhores da transformação mais pura que há, dentro do ser menor a um Ser maior, da fertilização da Consciência nas consciências. E ninguém nunca saberá de plenitude, em função das respostas que as elaboramos, conquanto depois nem disso permaneçamos, na vez de sair que chegará; e saber a que viemos, pouco importa. Porém nesses momentos sujeitos ficar presos nos erros e passados, fugitivos da razão; talvez andemos à busca da real felicidade.

Desse lugar e ver a Lua crescente no céu das almas e no teto misterioso, na face inefável de todas as liberdades que um dia imaginamos possuir. Moléculas de humanas ausências, eles bem que desejaram, no entanto, conhecer as respostas na música do Tempo. E quem passa mesmo somos nós, que nem as mudanças disseram de longe saber e praticar, participar das realizações. Na verdade, meras dores do parto da Eternidade vagando soltas entre os meteoros e distâncias, fagulhas dos fogos imaginários; daqui contemplamos os vastos campos da imortalidade, espectadores da luz que transportam em si os mensageiros da Paz definitiva.

18 setembro 2018

Gabriel - Por: Emerson Monteiro


Este o primeiro dos meus netos, perto de quem estou morando. Vez por outra trocamos umas ideias, no dizer popular. Agora recente vem demonstrado, do alto dos onze anos, interesse pelos jornais que aparecem. Lê com desenvoltura. Talvez devido aos modismos de internet e quejandos, as matérias impressas lhe tocam doutro modo, bichos raros, no entanto, face à proximidade territorial dos assuntos nas notícias, o que nunca o fazem filmes da Marvel e da DC, foco das atenções costumeiras.

Ele dispõe da tendência natural de gostar de assuntos de ciência, tecnologia, invenções, e publica experiências químicas que promove, nos vídeos do YouTube, trajando comprido jaleco branco, adotando explicações fluentes, bem habilidoso no que quer transmitir.

Enquanto conversávamos, ao me ver debruçado sobre o notebook nessas viagens literárias, quis saber se nalgumas das minhas produções já citara seu nome, ou fizera alguma referência às atividades que desenvolve. Falei que chegaria nesse momento, o que ora providencio com satisfação.

Aprecia a calma da natureza e zela pelos animais. Estuda, lê, vê seriados e conhece as características dos super-heróis como poucos meninos. Aqui pelo sítio, de comum vejo portando o escudo de Capitão América, brinquedo que possui e utiliza, inclusive nalgumas ocasiões também conduz em lugares fora daqui. Outro dia, ao sairmos, voltou rápido à busca do tal equipamento, ao que lhe indaguei dessa preocupação de sempre carregá-lo junto de si. Respondeu, entre o lúdico e o real, que poderia vir a precisar da peça implacável numa missão de salvar o Mundo. Parei, então, nos espaços do pensamento a examinar o que pode bem fazer sentido, nessa época de tantos vilões e desmandos, e que caberá, de certo, à sua geração o fiel desempenho de nos salvar até de nós próprios, isto face aos estragos irreversíveis que acarretamos às ações da Natureza. Siga firme, Gabriel, aceitamos de bom grado os valiosos propósitos das novas gerações que virão, em breve, nos suceder e salvar o Mundo.

CARIRIENSIDADE ( por Armando Lopes Rafael)



 
    A força eleitoral do Cariri 

      Nos dias atuais, compõe a região do Cariri 29 municípios. Contam eles com mais de 711 mil eleitores aptos a votar nestas eleições de 2018, a se realizarem em 7 de outubro próximo. Desses eleitores, 295.301 (mais de 41%), residem na conurbação Crajubar (Crato, Juazeiro e Barbalha. Só Juazeiro do Norte tem mais de 160 mil eleitores). E imaginar que, com toda essa força – devido as esdrúxulas leis eleitorais em vigor –  o Cariri não tem um único deputado federal nos dias de hoje
    Se tivéssemos voto distrital o Cariri formaria, com certeza, um distrito eleitoral, como foi na época do Brasil Império. Nada justifica que uma região tão importante e tão povoada seja desprovida de um deputado que represente mais de 1 milhão de habitantes.

O Cariri no tempo da monarquia

    
        Um assunto puxa outro. Pouca gente se dá conta disso. Durante os 518 anos de sua história, o Brasil (do descobrimento em 1500, aos dias atuais), viveu 389 anos da sua existência sob a forma de governo monárquica (entre 1500 a 1889). Ou seja, durante 75% da sua existência o Brasil nunca foi a república, que é hoje. Tanto tempo de monarquia deixou marcas que não se apagam facilmente. Isso nos remete a uma pergunta pertinente: Como era o Cariri durante os quase 200 anos (de 1700 a 1889), quando nossa pátria viveu sob o regime da monarquia?

Cariri real, Cariri verdadeiro

      Foi significante a presença do Cariri na época da monarquia. Basta lembrar que, em 1847, o engenheiro cratense Marcos de Macedo, deputado pela Província do Ceará, apresentou ao Imperador Dom Pedro II a ideia de transpor as águas do Rio São Francisco para o Rio Jaguaribe, a fim de amenizar os problemas gerados pela seca nordestina. Naquele tempo a ideia não foi concretizada porque a engenharia não tinha condições de realizar uma obra daquele porte. Basta dizer que a dinamite sequer tinha sido inventada.

      À época da monarquia, a sociedade caririense, diferente dos dias atuais, cultivava os valores morais e éticos, como o respeito à família, à propriedade privada e à Igreja Católica.  Dom Pedro II criou, em 1859,  uma Comissão Científica de Exploração (que os cariocas apelidaram de “Comissão das Borboletas”), composta por renomados especialistas,  destinada à investigação  científica, que realizou pesquisas  nas áreas de botânica, geologia, mineralogia, zoologia, astronomia, geografia e etnografia, no Ceará e na região do Cariri.

         Renato Braga assim escreveu sobre a Comissão Científica: “Os viajantes foram bem acolhidos no Crato e demais localidades do Cariri. A todos (cratenses) causou estranheza, para não dizer espanto, a simplicidade de maneiras dos “doutores” a contrastar com a arrogância dos donos de engenho e autoridades (de Crato).

A mentalidade dos súditos caririenses


       O Prof. José Denizard Macedo de Alcântara (foto ao lado), erudito e douto cratense, dá o arremate sobre a mentalidade monarquista que imperava no Cariri. Escreveu ele (na apresentação do livro “Vida do Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro”, de Joaquim Dias da Rocha Filho):

       “Um bom entendimento dos fatos exige que se considere a realidade histórica, sem paixões nem preconceitos. A sociedade brasileira (e consequentemente a sociedade caririense) plasmou-se à sombra da monarquia, com todo o seu cortejo de princípios, hábitos, usos e costumes, não sendo fácil remover das populações esta herança cultural, tão profundamente enraizada no tempo; daí o apego (do povo) aos Soberanos, a aversão às manobras revolucionárias que violentavam suas tradições éticas e políticas”

       “Ora, dentre os dados da evolução histórica brasileira há que se ter em conta o seguinte: O centro de gravidade desta sociedade (aqui incluída a sociedade caririense), eminentemente rural, era sua aristocracia territorial, única força social de peso na estrutura nacional, repartida em clãs familiares, e profundamente adita ao Rei, de quem recebia posições públicas e milicianas, além de outras benesses, sentimento este que mais se avolumara com a transmigração da Família Real, em 1808 (de Portugal para o Brasil), pelo contato mais imediato com a Coroa, bem como pelos benefícios prestados ao Brasil, no Governo do Príncipe Regente Dom João VI”.

Como surgiu o Museu de Paleontologia


   O Museu de Paleontologia da Universidade Regional do Cariri está situado na cidade de Santana do Cariri e funciona como núcleo de pesquisa e extensão daquela universidade.
    Para tanto, dispõe de centro de pesquisa com laboratório, biblioteca e videoteca. Segundo seu criador – o Prof. Plácido Cidade Nuvens – a ideia de viabilizar esse museu nasceu no âmbito da programação das festividades do centenário do município de Santana do Cariri, em 1985.

    Exercendo o cargo de Prefeito, Plácido Cidade Nuvens enviou à Câmara Municipal mensagem com projeto de lei, a qual, depois de aprovada virou a Lei nº 197/85. Em 1991, o museu foi entregue à Universidade Regional do Cariri que, desde então, o administra e é responsável pela evolução e ampliação de suas instalações. O Museu de Paleontologia de Santana do Cariri – além de atração turística – é conhecido hoje em todo o Brasil.

Lendas e Mitos do Cariri 

Fundação Casa Grande de Nova Olinda

    Existe na cidade de Nova Olinda uma ONG denominada Fundação Casa Grande–Memorial Homem-Cariri. Criada em 1992, a partir da restauração da Casa Grande da Fazenda Tapera, esta construída em 1717, no lugar da aldeia dos índios Cariús-Cariris, onde hoje se ergue a cidade de Nova Olinda. 

    A Fundação Casa Grande faz um trabalho de preservação das lendas e mitos que contam a história do Homem-Cariri. Tornou-se, assim, uma escola de gestão cultural que tem como missão educar crianças e jovens através dos programas de Memória, Comunicação, Artes e Turismo. Os mitos, segundo Alemberg Quindins, fundador e presidente da Fundação Casa Grande são narrativas que possuem componente simbólico. Persiste no imaginário das camadas mais simples da população caririense, como acontecia com os povos da antiguidade.

Uma lenda que sobrevive: A Pedra da Batateira

 A nascente da Pedra da Batateira

    Na cidade de Crato, até décadas atrás, a população simples divulgava uma lenda: a de que os índios Cariris, aprisionados e escorraçados pelo povoador branco, haviam “encantado” (tapado) com uma gigantesca pedra, a grande nascente existente no sopé da Chapada do Araripe. Essa “Pedra da Batateira” (assim era chamada) continuou a barrar os milhões de litros de água daquela nascente, represando-as no subsolo. Mas um dia essa pedra não resistiria a força das águas represadas, cederia e inundaria o Crato inteiro e parte do vale do Cariri. Essa lenda era um terror para as crianças no início do século passado. Interessante que esse mito ainda persiste (com menor intensidade) mas, algumas pessoas residentes nos sítios ainda se recusam a morar na cidade de Crato, temendo a vingança da Pedra da Batateira...

Um homem importante para o progresso do Cariri: Dom Quintino

     Embora, nascido no sertão central do Ceará, o jovem Pe. Quintino Rodrigues de Oliveira e Silva chegou ao Cariri tão logo foi ordenado sacerdote, em 19 de junho de 1887. E daqui nunca mais saiu. Inicialmente se fixou no distrito de Jamacaru (município de Missão Velha). Em 1889 foi nomeado Vigário de Crato. Nesta cidade permaneceu durante 40 anos, até sua morte em 29 de dezembro de 1929.

     Em 10 de março de 1915 foi nomeado primeiro bispo da nova Diocese de Crato, tomando posse em 1º de janeiro de 1916. Deu prioridade, no seu episcopado às causas espirituais. Foi, no entanto, o homem das grandes realizações materiais que modificaram o cenário social e econômico do Cariri.

     Fundou, em 1822, o Seminário Episcopal de Crato, tornando-se o pioneiro do ensino superior no interior do Ceará. Criou, em Crato, os Colégio Diocesano e o Santa Teresa de Jesus. Fundou, em 1921, a primeira instituição de crédito do Sul do Ceará, o Banco do Cariri, que prestou grandes benefícios ao comércio e à lavoura da região. Criou no seu episcopado 5 paróquias, entre elas a de Nossa Senhora das Dores de Juazeiro do Norte.

       A melhor biografia sobre Dom Quintino continua sendo a escrita pelo Pe. Azarias Sobreira (“O primeiro Bispo de Crato”), onde destacou as virtudes morais, o espírito de pobreza e a coragem pessoal que ornavam a personalidade do ilustre prelado.