05 agosto 2018

Os instrumentos da felicidade - Por: Emerson Monteiro


Vezes sem conta me pego a considerar que existe um poder acima dos poderes menores, e que dele provém o sabor dos acontecimentos. Qual regente das possibilidades, esse poder transcendente conduz a orquestra dos destinos na proporção certa do que compete em termos de direitos e obrigações, e acompanha as espécies na perfeita maestria que passa despercebida de parte das criaturas humanas. Que faz e desfaz, alimenta e corrige, produz valores constantes e preenche a tábua dos dias, a oferecer meios e realizações pessoais que chamamos felicidade.

Noutras ocasiões, desde quando as primeiras nuvens se formavam no céu e iniciava a formação dos mundos, isto desde sempre, que há obediência dos que promovem a sonhada felicidade, realidade exercida de acordo com os desejos da satisfação e da paz. Entretanto requer providências até desfrutar a sonhada felicidade. Saber trabalhar as condições na natureza quais os corpos que circulam as regiões da Terra, o clima, as condições de sobrevivência, água, luz, temperatura, mares, rios, fontes, florestas, inteligência, harmonia, família, sociedade, paciência e as outras virtudes cruciais de usinar os padrões universais até chegar às civilizações ideais. Apesar, contudo, de quantos a isto contrariam pelas hostes da ignorância, ainda, destarte, o fluir continuará a todo vapor.

A vontade, eis um desses possantes instrumentos do ser, de transformação da massa informe de corpos em movimento rumo do fim em um valioso condutor das multidões aos tempos de felicidade. Saber trabalhar a força do querer, e querer de verdade. Ninguém nasce feito, porquanto se elabora todo momento. A força dessa iniciativa por isso representa forte dispositivo de poder. Promover o sonho em forma de substâncias no espaço físico. Trabalhar isto, trabalhar, afinal. O condão do trabalho, além de prece ao futuro desconhecido, significa sobremodo o instrumento maior de avaliar o quanto de valor move o Universo, e o trabalho honesto este, sim, supera todos os outros instrumentos de poder e felicidade.

(Ilustração: Tumba de Rekhmire - Antigo Egito).

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