12 agosto 2018

O que disse o representante dos padres da Diocese de Crato sobre Dom Fernando

   Com a catedral de Nossa Senhora da Penha completamente lotada, a comunidade católica do Sul do Ceará prestou significativa homenagem ao Bispo-emérito de Crato, dom Fernando Panico, por motivo do seu Jubileu de Prata de ordenação episcopal.
  Abaixo a saudação do representante do clero da Diocese de Crato, Pe. Vaudênio Nergino, que expressou o sentimento da maioria dos sacerdotes caririenses, em relação a Dom Fernando Panico:
Dom Fernando chega à Catedral de Crato, neste sábado, 11 de agosto

"Achar que a gratidão é apenas o ato de retribuir atitudes ou situações agradáveis que outras pessoas nos fizeram é uma forma de agradecer muito pequena. Na verdade  ser grato é um estado de espírito que não se deve fazer referência somente aos fatos positivos, mas, e sobretudo,  a tudo que nos foi feito por uma pessoa. Por isso, ser grato é ter essa pessoa presente em nossa vida.

     Hoje temos a oportunidade de manifestar a Dom Fernando Panico o nosso reconhecimento e nossa gratidão por tudo que ele construiu e sofreu nos quase 16 anos em que foi o Bispo Diocesano do Sul do Ceará.

      Nesta noite, queremos relembrar o nosso Bispo-emérito que   realizou, durante três anos, as Santas Missões Populares, que deram uma marca missionária à Igreja Particular de Crato. Queremos recordar o Bispo-emérito que reestruturou a pastoral da Diocese em foranias e comunidades. Que aceitou o desafio de realizar o 13º Encontro Nacional das Comunidades Eclesiais de Base, na nossa diocese; que conseguiu a elevação da Igreja Paróquia de Nossa Senhora das Dores, de Juazeiro do Norte, ao título de Basílica Menor. Que criou treze novas paróquias e quatro novos Santuários Diocesanos.

         Queremos deixar nosso “muito obrigado’ ao Bispo-emérito que construiu uma unidade da Fazenda da Esperança, no município de Mauriti, destinada à recuperação de jovens e adultos dependentes do alcoolismo e outras drogas. Ao Bispo-emérito que   deu o reconhecimento diocesano às novas comunidades de leigos consagrados. E acolheu – nas várias cidades da diocese - vários institutos religiosos, a exemplo da Abadia das Monjas Beneditinas, em Juazeiro do Norte.

      Temos uma dívida de gratidão para com Dom Fernando Panico, não só pelas muitas realizações materiais que ele legou à Diocese de Crato ao tempo que foi nosso pastor. Mas somos agradecidos sobretudo por todo o apoio que ele nos proporcionou todas as vezes que o procurávamos para compartilhar as dificuldades com o nosso pastoreio. Quando nos tratou por filhos, como pai que orienta um filho. Quando Dom Fernando dispendeu energias e sofrimentos para a formação do clero.

       Gratidão quando Dom Fernando definiu os rumos da nossa diocese como “Romeira e Missionária”, quebrando paradigmas, às vezes sofrendo incompreensão até dentro do clero a quem ele sempre tratou com respeito e paternidade.

       Hoje, Dom Fernando, quando mais de um ano e meio completa-se que o Senhor deixou o pastoreio desta diocese; quando o tempo já nos possibilita fazer uma análise serena e equilibrada da sua passagem por esta Igreja Particular, podemos ver que o Sr. tinha razão em muitas das suas decisões. Sim, porque a Igreja é missionária por natureza. Tem a missão de anunciar o Reino de Deus como fez Jesus que é a luz dos povos (Lc 2,32). 

       Jesus confiou à Igreja a missão, o poder e a obrigação de levar a luz do Evangelho a toda criatura (Mc 16,15). Não fazia sentido fechar os olhos ao fenômeno das romarias ao Padre Cícero. O Senhor compreendeu que a Igreja cumpre sua missão através da pregação da Palavra, testemunho de fé, vivência da caridade e celebração dos santos mistérios (sacramentos). A Igreja não é uma sociedade qualquer, ela é humano-divina, brota do Mistério da Trindade. Por isso, não deve haver separação entre Cristo, Reino e Igreja. A Igreja é comunhão de vida na fé, esperança e amor fraterno. Advogada dos pobres e defensora da vida, porque defensora dos direitos de Deus criador: “A Igreja é coluna e sustentáculo da verdade” (1Tm 3,15).

       Nosso reconhecimento e agradecimento quando o Senhor soube descobrir, acolher, acompanhar os vocacionandos e vocacionados, os seminaristas das nossas duas casas de formação e demais iniciativas vocacionais que são o centro das preocupações de um Sucessor dos Apóstolos. 

         Por isso Dom Fernando, que bom seria se esse agradecimento ficasse registrado em letras de bronze e não em rabiscos escritos na areia. A sua vivência entre nós, durante o seu episcopado atualizou esta presença confortante e consoladora de Jesus Bom Pastor no meio do seu povo.

Somos profundamente agradecidos pelo modo sereno e tranquilo como o senhor conduziu seu convívio com sacerdotes e fiéis, pelo seu carinho para os romeiros de Juazeiro, para com os jovens, o cuidado para com as famílias, a atenção para com os idosos, as palavras paternas e encorajadoras para com os agentes de pastoral, a ida às comunidades e o envolvimento direto com o povo simples, acolhedor e generoso de nossa diocese.

     Que Jesus Misericordioso, e a Virgem Maria, Mãe da Penha, possa recompensá-lo por todo o bem que o Senhor fez entre nós.
       SURSUM CORDA!"

Um comentário:

  1. Caro Armando; uma pequena correção no titulo: Dom Fernado Panico, em lugar de Dom Vicente Panico

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