31 agosto 2018

Hoje é o aniversário de um grande Cratense: Valdemir Correia de Sousa completa 80 anos de vida.



O nosso amigo Valdemir está em todas. Não bastasse as suas crônicas e histórias bem-humoradas relatando episódios da sua longa vida e agora publicadas em diversos sites e Blogs, mais um capítulo começa hoje, ao completar os valorosos 80 anos de idade, com uma badaladíssima festa no Buffet Lagarta Pintada, a começar às 20h.

Parabéns, amigo Valdemir Correia. Que Deus o abençoe nos seus inúmeros empreendimentos, e na vida pessoal, com muita saúde, paz e prosperidade.

São os votos dos seus amigos, aqueles que admiram a tua linda história de trabalho, de origem humilde, e de vencedor.

Dihelson Mendonça
www.blogdocrato.com


Os livros e seus autores - Por: Emerson Monteiro


De comum a gente gosta de um ou dois livros de certo autor, nunca de todos eles escrevem. Quais relíquias, permanecem na nossa lembrança vidas afora, guardando as emoções da época da leitura e mantendo a afinidade original. Daí os grandes nomes da literatura existir na memória de livros inesquecíveis. Lembro um tanto deles, na força desta definição. Isso tem tudo a ver com as músicas e os compositores, e os cantores, e os pintores, etc. Permanecem para sempre no sentimento, guardadas aquelas que marcaram as fases de quando foram trazidas a lume; fixaram raízes dentro da cultura humana através da alma das pessoas e nunca mais querem sair.

As obras de arte são, assim, peças do que restou do que passa indecorosamente nos dias, nas gerações. Totens indeléveis, significam nosso eu no tempo que se dissolve aos nossos dedos. Chegam e vão numa velocidade impressionante. Grandes angústias daí atravessam os que as produzem, de querer mantê-las eternas, no entanto só frustradamente. Os pintores, por exemplo, anseiam descobrir pigmentos que possam suster as criações, deixando ao máximo que desenvolvam a permanência, lá depois, porém, sendo retocadas ao léu no intuito de chegar mais adiante pela sobrevivência dos museus.

Outro dia escutei na televisão que dos registros humanos apenas 3% permanecem após o transcorrer dos anos. Enquanto isto, li numa entrevista de Steve Jobs, o mago das comunicações digitais, que esta fase da história será a que menos registros deixará, tendo em vista o excesso de confiança na mídia eletrônica, pois esta finge conservar seus nos frágeis back-ups o valor da fixação, instrumentos estes que longo irão apagar e nem saudade deixarão, em flagrante contrariedade ao que antes se imaginava das invenções.

Mesmo desse modo, contudo, ficam na memória obras imortais da literatura, da música, do cinema, que se não fossemos nós já haveriam desaparecido desde tanto tempo. Isso de Eternidade perpassa a consciência do que fizemos que restou, e seremos, sim, os autores dos autores da continuação de tudo.

A crônica do fim-de-semana (por Armando Lopes Rafael)

A mídia às vezes é burra

    Que a mídia é contra Jair Bolsonaro até um cego pode ver. Não só a  mídia, também parcelas das universidades públicas, políticos corruptos, funcionários das estatais, e a "esquerdona" saudosa dos tempos do lulopetismo... Processos estão em curso contra Bolsonaro acusando-o de racista (falou no peso de um negro), machista (disse que a deputada Maria do Rosário não merecia ser estuprada), homofóbico (falou contra o Kit Gay para ensinar “ideologia de gênero” para crianças de seis anos). No meu entender, tudo frescura de operadores do Direito.

    Ora, nossos problemas são outros. E de difícil solução: corrupção generalizada, falência da saúde e segurança pública, privilégios, clientelismo, nepotismo e dezenas de outros com destaque para a violência que tomou conta do Brasil. A mídia noticia a mancheias esse caos. Todos os dias.  Ora, são  exatamente esses os problemas que o deputado Bolsonaro ataca todos os dias. O povo escuta os noticiários. Escuta as falas de Bolsonaro. Conculsão: a mídia vive a fazer propaganda para o Bolsonaro e não se dá conta disso...

       País esquisito esse Brasil! É o único do mundo onde um condenado em duas instâncias – por corrupção e lavagem de dinheiro – inelegível portanto, transforma sua cela em escritório político. Sem gastar nada, com segurança privilegiada da Polícia Federal e ainda fica debochando do Judiciário e do Ministério Público. O que, aliás, não é novidade, pois os dirigentes do PCC e CV comandam o crime organizado de dentro das prisões. E esse candidato é até incluído nas pesquisas eleitorais. Enquanto o Tribunal Superior Eleitoral–TSE, se arrasta –  numa vagarosidade de tartaruga –  para julgar se o presidiário sai, ou não, candidato a Presidente da República.

          A mídia é burra. Lula é esperto. Ele sabe que vale mais preso do que solto. E é isso que interessa a ele,  que se auto intitula “a alma mais honesta do mundo” e se diz “inocente”, porque não existem provas materiais da corrupção dele. Como se quem comete ilegalidade é burro para deixar rastro e ser flagrado no crime.
             É esse o "Brasil dos privilégios" que alguns segmentos políticos querem manter...

A vida eterna -- por Ivan Ângelo (*)

Wenceslau Braz
Presidente do Brasil entre 1914 a 1918

Biologicamente, vivemos milhões de anos, viemos de tetravós, trisavós, bisavós, avós, pais, e continuaremos vivos em filhos, netos, bisnetos, trinetos, tetranetos… Eternos.
    Quantos anos você quer viver? Quantos anos você pode — poderemos — viver? A ciência tem nos cutucado ultimamente com essas pegadinhas. Semanas atrás, VEJA mostrou o que tem sido feito para ampliar a durabilidade humana. Faz sete anos, um cientista apregoou a possibilidade de vivermos até os 150 anos ou mais, com a reposição de “peças” (órgãos) e outras tecnologias.

     Para que vivermos tão velhos? Qual é a graça, sem podermos correr atrás de uma bola, de um sonho, de uma garota? A juventude, enquanto a vivemos, parece eterna; não nos damos conta de que vivemos a esgotá-la; quando percebemos que se vai, ela nos parece breve e cruel. O grande feito científico seria preservar a juventude, não a velhice. A mágica do retrato de Dorian Gray. A terrível graça da juventude é que ela acaba; seu valor é o valor da beleza, do rosto liso, da agilidade, das carnes firmes — bens preciosos porque finitos, ou mais do que isso: efêmeros. Ela acaba, como acaba o dinheiro, como acaba a ingenuidade; só que o dinheiro podemos buscá-lo em alguma fonte, e não há fonte de onde jorre a juventude, a não ser na lenda.

    Uma interessante pesquisa italiana publicada recentemente na revista Science sugere que paramos de envelhecer aos 105 anos, daí para a frente seguimos funcionalmente estáveis até o dia fatal; outra pesquisa, canadense, sugere que o limite funcional humano é de 115 anos. O caso da francesa Jeanne Calment, falecida aos 122 anos, em 1997, seria exceção.

      Não vamos analisar a Bíblia, em que aparecem sete varões que viveram mais de 900 anos, dos tempos de Noé para trás, sendo Matusalém o medalha de ouro, com 969 anos; Jarede, o medalha de prata, com 962 anos; e o próprio Noé, o medalha de bronze, com 950 anos. Como pode? Talvez os escritores bíblicos precisassem que aqueles tempos, muito antigos até para eles, fossem descritos como extraordinários, e essas longuíssimas vidas seriam algumas entre as coisas extraordinárias que narraram.

     Baixando a bola: quem pode desmentir o narrador dos anais da freguesia de Caeté, em Minas Gerais, do fim do século XVIII? “No ano de 1790 faleceu Manoel de Souza, natural de Portugal, e morador no arraial do Socorro com 130 e tantos anos de idade, e em seu perfeito juízo.” Isso se lê na página 182 do Almanak Administrativo, Civil e Industrial da Província de Minas Geraes — 1864, e na página 183: “No arraial de São Gonçalo do Rio Abaixo, existiu Domingos Homem Rosa, natural das ilhas, casado, contava 116 anos, e há pouco faleceu, e sua mulher de idade de 117 anos ainda vive com algum vigor, e sempre se mantiveram com o suor do seu trabalho”. Minha hipótese é que algumas pessoas ficam menos estragadas do que outras.

      A idade do mais longevo de todos os presidentes do Brasil, o mineiro Wenceslau Braz, foi motivo de piada. Governou o país de 1914 a 1918, e só morreu 47 anos depois, em Itajubá, onde viveu até os 98 anos. Foi nome de ruas, avenidas e cidades ainda em vida. Conta-se que saiu com seu Fordinho para dar uma volta, já bem velhinho, e bateu de leve no carro de um jovem em frente à sorveteria. Disse logo que pagaria pelos danos e deu seu cartão ao jovem. Ele leu, olhou desconfiado, leu de novo, e perguntou: “Pera aí. Wenceslau Braz que número?”.

     Carlos Drummond de Andrade disse num poema: “Se eu morrer, morre comigo um certo modo de ver”. É isso. Nossa perda é afetiva, social, cultural. Biologicamente, vivemos milhões de anos, viemos de tetravós, trisavós, bisavós, avós, pais, e continuaremos vivos em filhos, netos, bisnetos, trinetos, tetranetos… Eternos.

(*) Ivan Ângelo,  jornalista. Publicado na VEJA-SP, 29-08-2018.

30 agosto 2018

CARIRIENSIDADE (por Armando Lopes Rafael)


Provérbios usados no Cariri

      Outrora, nas suas conversas corriqueiras, os caririenses tinham o costume de inserir – nos seus colóquios com vizinhos e conhecidos – os tradicionais “ditados populares”. Estes resumiam o jeito do povo de entender e viver a vida naquele tempo. Relembremos alguns desses conceitos morais, muito repetidos naqueles períodos passados: “Mato tem olhos, paredes têm ouvidos”; “Brigam as comadres, descobrem-se as verdades”; “Boi sonso é que arromba a cerca”; “Ladrão de  tostão, ladrão de milhão”; “Cajueiro doce é que leva pedradas”; “Não  há fogo ameno, nem inimigo pequeno”; “O bom remédio amarga na boca”; “A bocas loucas, orelhas moucas”; “Ser valente com os fracos é covardia”; “Quem vê cara não vê coração”; “Para desaforado, desaforado e meio”; “De pequena fagulha, grandes labaredas”; Mais fere má palavra do que aguda espada”; “Quem debocha não tem bom coração”.

O Cariri no tempo da UDN e  PSD
   
  Na tumultuada tradição republicana do Brasil, o Cariri viveu 20 anos de democracia plena.  Depois da queda da ditadura de Getúlio Vargas (mais uma), que perdurou de 1930 a 1945, nosso país vivenciou – entre 1945 ao início de 1964 – uma democracia plena. O Cariri teve prestigio político nesses anos.

    Tivemos, àquela época, uma geração de políticos respeitados pela população, e filiados aos partidos que haviam surgido pós-ditadura Vargas: PSD, UDN, PTB, dentre outros. Eles representavam as correntes de opinião da época. Quem se filiava a um desses partidos permanecia fiel a ele por toda a vida. Diferente de hoje quando os políticos mudam de legenda como quem muda de camisa.

     Naqueles vinte anos, elegeram-se, pelo Cariri, deputados federais políticos da envergadura moral de um Alencar Araripe, Joaquim Fernandes Teles e Leão Sampaio, todos da UDN. Pelo PSD tínhamos Wilson Gonçalves (deputado estadual, vice-governador do Ceará e Senador da República). Nos dias atuais, com mais de 1 milhão de habitantes, a Região do Cariri não tem um único deputado federal. Houve uma época em que, apesar da economia fraca, pequena população e isolamento da nossa região (em relação aos centros mais adiantados do Nordeste) o Cariri era um celeiro de bons políticos, pois muitos deputados estaduais cearenses eram originários dos municípios caririenses. A exemplo de Wilson Roriz, Conserva Feitosa, Filemon Teles, Pio Sampaio, Napoleão Araújo, dentre outros. Bons tempos aqueles. Hoje o Cariri tem pouca força politica.

Escritores caririenses: Monsenhor Francisco Holanda Montenegro
 
    Nasceu em Jucás (CE) em 25 de fevereiro de 1913 e faleceu em Crato, no dia 10 de abril de 2005. Foi diretor do Colégio Diocesano de Crato durante 50 anos. Sacerdote culto, sério, foi membro do Conselho de Educação do Estado do Ceará e professor da Faculdade de Filosofia de Crato.
      Era sócio do Instituto Cultural do Cariri, ocupante da Cadeira 9, cujo patrono é Dom Francisco de Assis Pires. Proferiu importantes conferências em instituições culturais do Nordeste brasileiro. Ao lado de suas exaustivas atividades de professor e sacerdote, fazia pesquisas que resultaram em vários livros importantíssimos para o resgate da história do Cariri.
    
       São de autoria de monsenhor Montenegro os livros: “As Quatro Sergipanas” (publicado pela Universidade Federal do Ceará, onde resgata a genealogia dos primeiros desbravadores do Cariri);  “Monsenhor Pedro Rocha de Oliveira– O Apóstolo da Caridade” (biografia deste ilustre sacerdote); “Os Quatro Luzeiros da Diocese” (resgate da história inicial da Diocese de Crato através da biografia dos seus quatro primeiros bispos); “Fé em Canudos” (mostrando o lado místico do lendário Antônio Conselheiro, líder da comunidade de Canudos). Escreveu ainda vários trabalhos (publicados em revistas e jornais), com destaque para uma biografia de Dom Quintino, primeiro bispo da Diocese de Crato.
          Mons. Montenegro foi agraciado com diversas comendas e honrarias, dentre elas: a Medalha da Abolição (a mais alta comenda do Ceará); Medalha Justiniano de Serpa, da Secretaria da Educação do Ceará; Medalha do Mérito Bárbara de Alencar, da Prefeitura de Crato; Medalha Educador Emérito, do Ministério da Educação. Um valoroso intelectual, uma grande figura humana!

O papel das “elites” para o progresso do Cariri

     Em 1838, o naturalista escocês George Gardner esteve em Crato. De volta à Inglaterra assim ele descreveu (no livro “Viagem ao interior do Brasil) Crato e sua sociedade:  “Toda a população da Vila chega a dois mil habitantes, na maioria todos índios ou mestiços que deles descendem. Os habitantes mais respeitáveis são brasileiros, em maioria negociantes; mas como ganham a vida as raças mais pobres é coisa que não entendo”(...) “A moralidade dos habitantes de Crato é, em geral, baixa; o jogo de cartas é sua ocupação principal, durante o dia; quando faz bom tempo, veem-se grupos de todas as classes, desde os que se chamam “gente graúda” até as mais baixas, sentados nos passeios, à sombra da rua, profundamente absorvidos pelo jogo (...) “São então frequentes as brigas, que muitas vezes se resolvem a faca’.
      
Quando esse panorama começou a mudar


     O historiador cratense Irineu Pinheiro escreveu no seu livro “O Cariri”:

     “ (Somente) no meado do século XIX, começou a ascender o estalão moral da sociedade de Crato, que podemos considerar padrão de toda a zona caririense. Até então era inferior o nível de moralidade do lugar. Um dos motivos de aperfeiçoamento dos costumes foi a emigração para Crato de famílias, especialmente de Icó, cujo esplendor principiava a declinar. Fixaram-se na nova terra fértil, menos sujeita às crises climáticas, enriquecendo-a com seu labor e, portanto, civilizando-a, os Alves Pequenos, os Candeias, os Bilhares, os Garridos, os Linhares, os Gomes de Matos e outros cujas descendências se prolongaram até nós. Frutificaram os bons hábitos familiares dos recém vindos”.

       A chegada a Crato dessas famílias vindas de Icó (uma cidade dotada, à época, de bonitos prédios e bom comércio, com uma população profundamente católica e mais educada do que as das vilas caririenses) teve influência decisiva para a mudança da vida religiosa, política, social e cultural do Cariri.  Antônio Luís Alves Pequeno, um dos chegados de Icó, tinha a patente de Coronel da Guarda Nacional. Praticavam hábitos e conduta de um homem empreendedor e logo se tornou influente no cenário político da cidade. Foi Presidente da Câmara Municipal, em 1853, pouco antes de o Crato ser elevado à categoria de cidade. Construiu o primeiro sobrado de Crato, feito nos moldes dos existentes em Recife.

 As elites caririenses do passado

     A partir daí começaram os frutos benéficos dessa elite. Nestes tempos medíocres e confusos, ora vivenciados – de maneira mais visível no nosso querido e sofrido Brasil – a maioria da população desconhece não só o significado da palavra “elite”, mas, e, sobretudo, o real papel que uma verdadeira “elite” exerce para a formação da sociedade na qual está inserida. A elite (hoje erroneamente confundida com o sinônimo de “burguesia” ou de "rico") se constituiu – no final do século XIX e durante as décadas iniciais do século XX –  numa força para a construção de uma sociedade saudável e fraterna. No Cariri – daquela época – as verdadeiras elites formavam a parcela mais educada, mais preparada, a que conservava os valores éticos, morais, religiosos e sociais. Barbalha, por exemplo, possuiu, naqueles tempos passados, uma elite assim. Ela formava a camada social honrada, respeitada, digna e filantrópica.  Deve-se àquela essa elite o que a “Terra de Santo Antônio “conquistou de melhor em favor daquela comunidade, cujas realizações perduram até os dias atuais.
   
Zuca Sampaio, arquétipo da elite barbalhense

O Chalé de Zuca Sampaio, em Barbalha

      José de Sá Barreto – mais conhecido como Zuca Sampaio – foi um arquétipo da elite barbalhense no período acima citado. Ele tinha consciência de que seus bens patrimoniais, seu prestígio social e até seu talento pessoal deviam ser postos em favor dos menos favorecidos. Que o seu trabalho como cristão e cidadão deveria elevar o estamento social da sua cidade natal. E fê-lo dando aos seus afazeres a finalidade de beneficiar sua família, seus amigos e as pessoas necessitadas da sus comunidade. 
Igreja de Nossa Senhora do Rosário, construída pelas
famílias barbalhenses no inicio do século XX

        Zuca Sampaio trabalhava, o dia inteiro, no seu estabelecimento comercial, com ligeiro intervalo para o almoço. Próximo ao pôr-do-sol, passava na sua residência para o jantar. Em seguida, pegava o candeeiro, livros, cadernos, lápis e ia ensinar as primeiras letras no “Gabinete de Leitura” (instituição por ele fundada) e destinada à alfabetização de pessoas carentes de Barbalha. Ali, ministrava a doutrina cristã, os princípios morais e o amor à pátria. Foi o leigo católico de maior projeção daquela cidade. Presidiu, por longos anos, a Conferência de São Vicente de Paulo (da qual foi um dos fundadores), amparando a pobreza de Barbalha.

Chega ao final as obras de restauração da Praça Padre Cícero, em Juazeiro do Norte

Numa iniciativa pioneira, a Praça Padre Cícero volta a ter o seu visual dos anos 60. Uma lição para as demais cidades caririenses embelezarem seu perímetro urbano
   A Prefeitura Municipal de Juazeiro do Norte, através da Secretaria de Infraestrutura (Seinfra), informa que no próximo sábado, 08, a empresa responsável pela reforma da Praça Padre Cícero, a Coral, fará a entrega do equipamento ao Município. Ajustes finais estão sendo realizados.

   O  Prefeito quer que o início do ciclo das grandes romarias de Juazeiro do Norte comece com a praça aberta ao público. A festa de Nossa Senhora das Dores, padroeira do Município, será iniciada no próximo final de semana. No sábado, 1º, haverá a II Cavalgada em louvor à santa. As festividades atraem para a cidade mais de 250 mil pessoas, até o próximo dia 15 de setembro.

    A jardinagem do local está sendo realizada com colocação de gramado, plantas como palmeiras, ipês e outras espécies trarão uma ambientação mais harmônica à praça. Um sistema de irrigação foi implantado, bem como novas luminárias estão dando um charme a mais ao ambiente. Serão instaladas também 18 novas lixeiras para preservar o espaço limpo.

    Novos bancos foram acomodados e passagens abertas para os que transitarem pelo seu interior. Houve a substituição do piso e, durante esses oito meses de obra, foi detectada a necessidade de drenagens nas ruas em volta da praça.

Foto de Pedro Paulo (ASCOM/PMJN)

29 agosto 2018

O outono das cidades - Por: Emerson Monteiro


De observar as ruas da cidade, notamos forte tendência nos atuais moradores para se transferir ao campo, escapar do barulho, dos engarrafamentos, insegurança, e respirar libertos da fumaça. Nos fins de semana, então, a coisa ocorre sem deixar dúvida. Os grandes centros viraram só compromisso de segunda a sexta-feira. Depois, fuja quem puder.

Tal avaliação sugere a falência de um sonho que alimentou muitos séculos. O instinto de procurar vilas e repartir preocupações lotou o espaço das cabeças todo tempo, que povos não pensaram em mais nada como outro modo de racionalizar o povoamento.

A proposta seria somar forças. Entretanto a sofisticação da vida em grupo gerou dificuldades, no princípio superáveis pelo trabalho partilhado, depois intransponíveis face ao crescimento, rompendo previsões e limitando alternativas para ocupação de toda a mão de obra concentrada.

Os núcleos de prosperidade em que se haviam modificado as povoações resultaram nas baías interiores, com classes sociais dilatando o fosso divisório do abismo social, desvirtuando o impulso gregário dos indivíduos subtraídos da ordem natural que ficara no campo. A tendência afluente se reverte agora num isolamento coletivo, hoje bebido com náusea nos passeios neuróticos das madrugadas urbanas.

De qual maneira as chagas têm sangrado que maioria incalculável de cidadãos passou a descrer das soluções comuns, adotando iniciativas particulares, mesmo em detrimento dos que nada podem fazer.

Seriedade não falta para o estudo de sintomas. Congressos, mesas redondas, discursos, prepotência, pirotecnia. Interesses próprios mascarados de usurpação de atribuições. Fórmulas mágicas preenchem as prateleiras - critérios exclusivos e bilionários nos programas de governo.

Em compensação, risco ocorre no achatamento dessas intenções, vez ficar difícil dizer quem pode ou quem quer só o poder; saborear o mel e descartar o fel. Do pecado na escolha ruim fica um preço a ser pago, tamanho do tempo perdido, multiplicado pelas vidas em jogo, milhares que habitam os guetos das cidades; seria, talvez, a democratização da miséria, invasora dos lares e destruidora da vida social, espécie de submissão aos valores piores, quando se descartou a chance de escolher melhor, vezes perdidas para sempre.

No passado, as guerras reviravam ordens estabelecidas e desfaziam os problemas críticos a toque de caixa. Depois, técnicas potencializaram a riqueza, comprimindo exércitos no atributo de forçar direitos. Resultado: polos urbanos transformados em campos de concentração e desavenças. Os instrumentos de lazer eletrônico restaram desmantelados nos cubículos escuros sem ar, nem paz, quais sucatas de luxo.

O retorno ao seio da floresta mais do que nunca antes parece lenitivo provável; estudiosos da alma acreditam que trazemos o mapa desse percurso, algo semelhante ao que perfizeram os hebreus, na saída do Egito empós da Terra Prometida.

27 agosto 2018

Sabor das palavras - Por: Emerson Monteiro


Chegar aos outros através desses recursos, sons e significados, que muitos silenciam na escuta de dentro do instrumento que habitamos, corpos de carne que tantos nem de longe imaginaram donde vem e aonde irá. E as multidões param a fim de ouvi-las, se as questionam quem sabe? Caladas, quietas permanecem de olhos fixos nas cavernas dos próprios céus interiores. Que transmitem sentimentos além de pensamentos sabem os que fixam atenção naquilo que falam ou presenciam.

Quantas vezes nas músicas, transformadas em saudades e sonhos, vagando soltas no universo das pessoas, ao ritmo das cantigas vindas das outras gentes lá de fora, contudo nascidas nalgum lugar do firmamento. Assim a longa esteira dos humanos, que espelha o tempo e segue o credo das gerações, sustenta que sabe o quanto vale conhecer os conteúdos e essas palavras levadas ao vento ao lombo dos animais largados nas selvas.

Há de perguntar os incrédulos quais os que justificam aceitar e confortar a si o balanço das horas ao sabor das palavras, porém que existem milhões espraiados nos países daí a fora nem de longe duvidar. Santos, fiéis criaturas do desconhecido, quedam assim as esperanças nos braços da certeza de que tantos desanimam e eles seguram suaves nos trilhos da alma.

Nisso desejam a firmeza da fé e teimam consigo no igual conhecimento das palavras sempre novas, ao gosto da consciência dos que aceitam de bom grado o bem de luz na consciência. Dizer dessa maravilha aos que nunca abrem mão dos pontos de vista da incredulidade é entregar ao léu os meios de salvação de como transmitir a esses o que eles jamais quiseram saber até agora, certezas que fogem impenitentes sem, no entanto, reconhecer o poder perene que elas têm.

Perante as contradições das criaturas restam tão somente admitir que o paladar com que recebem as palavras reflete o limite no padrão das possibilidades individuais, sujeitos a leis diversas que restringem o senso ao quanto de sua igual proporção.

26 agosto 2018

As oportunidades - Por: Emerson Monteiro


Nada melhor do que, em meio de tarde de domingo calmo, ensolarado, tipo este, e tratar desse tema, das quantas vezes nos aforam na existência formas de vida que esvaem desde sempre, por fração de segundos; e nem disso a gente se dá conta. Delas, das chances de parar e ver lá dentro a santidade dos sentimentos que vêm e envolvem, e vão pelas páginas do mistério depois de atravessar os viventes. Das promessas que bem poderiam ser e as esquecemos de reverter em felicidade aqui nesse instante do presente, no meio das horas que somem pela brisa suave entre as árvores; os bichos que caminham a pisar as folhas secas; alguns pássaros solitários a gorjear baixinho sem querer quebrar o silêncio dessas ocasiões mágicas, grandiosas. São saudades vadias, nacos de tempos largados fora que os deixamos, apreensivos em querer justificar dalgum modo aquele gosto de viver sem aproveitar com sabedoria a leveza das pessoas, dos planos, sonhos, ideias, realizações; todos virados em saudades contundentes no âmago do coração e das horas.

Entretanto aquilo tudo parece que se foi nas despedidas que deixávamos escorrer dias a fora, nos saltos apressados, nos passos seguintes, indiferentes quais de fugitivos da própria sombra. Foram muitas as doces visões de ser possível mudar o mundo, transformar problemas em soluções e fáceis conquistas, contudo enorme fastio ora deixa a sós, abandonados no calor de apegos vãos e egoísmos estridentes, sobejos de vitórias e ilusões, pequenos que fomos nós, aprendizes inexperientes, e desse modo perderíamos boas prendas e nelas os bons parceiros dessas vilas abandonadas antigamente.

Nem pensar naquelas virtudes reviradas em meros interesses, nas companhias maravilhosas que andaram conosco nas trilhas dos céus abençoados, espécimes raras de jamais perdê-las, porém de quem nunca mais saberíamos o paradeiro. Que fizemos de mim de tanto amor, tantas alegrias, instrumentos que fomos das infinitas produções genais, apenas figurantes de peças inexistentes, filmes inacabados e inspirados autores? Bom isso, de poder imaginar que ainda agora somos essas oportunidades únicas do amplo sentido de acalmar os ânimos e dotar a história de paz e consciência. É este, pois, o portal dos infinitos libertos que somos nós vidas adiante.

Crato precisa reformar o seu brasão municipal e sua bandeira -- por Armando Lopes Rafael


O atual brasão de Crato

   Há uma coisa que incomoda o sentimento cívico dos habitantes de Crato: tanto a bandeira como o brasão desta cidade são pobres e de pouco significado.
    Comecemos comentando o brasão oficial. Foi o Sr. João Ranulfo Pequeno quem desenhou o Brasão do município de Crato, criado pela Lei Municipal Nº. 349, de 15 de novembro de 1955.

 Abaixo reproduzo um texto de autoria de Evandro Rodrigues de Deus sobre o assunto:

“O desenho foi criado por Pe. Antônio Gomes de Araújo que solicitou ao técnico-desenhista cratense João Ranulfo Pequeno a execução do projeto. O Padre Gomes não só sugeriu o desenho, mas redigiu o histórico do símbolo determinado da seguinte forma:

AS DUAS HASTES DE CANA-DE-AÇÚCAR – A principal produção agrícola do município;

UM PENACHO DE ÍNDIO – Pois a base étnico-sócio-cultural da cidade tivera, denso aldeamento indígena, que evoluiu ao ponto de em 1838 a população, na sua quase totalidade, constituía-se de 2.000 índios ao todo, puros e mestiços.

UM ARCO-ÍRIS, UM SOL E UMA CRUZ – Respectivamente significam a união de todos os povos que constituem nossa cidade, a liberdade e a Fertilidade, e o cristianismo.

A LEGENDA "LABORE" – Significa trabalho. É uma representação do progresso, da civilização e da cultura, triângulo em que o Crato se enquadra desde os primórdios.

O ESCUDO – De origem galesa e no seu centro uma rosácea em contorno vermelho, e nas extremidades de quatro CC, que significam, a acepção popular – Cidade de Crato, Cabeça de Comarca – com que se marca a fogo, desde os tempos remotos, a criação de animais graúdos, simbolizando a riqueza primitiva de nossa terra, que foi a pecuária, é o símbolo característico do Crato.

A FRASE CRATO COM  A DATA "17 OUT"E O "NÚMERO 1853" – Registra a data em que o município foi elevado à categoria de cidade.

      Agora o meu comentário: O Pe. Antônio Gomes de Araújo foi um grande pesquisador e historiador do Cariri, mas não era especialista em Heráldica. Se fosse não teria colocado um “penacho” de índio, no nosso brasão,  coisa inexistente na Heráldica. Ao invés do “penacho” deveria ter colocado  uma coroa, pois nossa origem primeva remonta à “Vila Real do Crato”. Outra coisa: a data constante no brasão. Ao invés de 17 de outubro de 1853, deveria constar “21 de Junho de 1764”, data da criação da Vila Real do Crato. Inclusive, é no dia 21 de junho que comemoramos o dia do Município e não no dia 17 de outubro.

E a bandeira?
 A atual bandeira de Crato

     A bem dizer ela não existe. Pois é representada apenas por um pano branco, tendo ao centro o escudo “anti-heráldica” que comentamos acima. Nossa bandeira deveria ser composta por duas cores horizontais. A parte superior, na cor azul celeste, representando o azul límpido do céu sobre a Chapada do Araripe. Já a parte inferior, deveria ser na cor verde, representando as matas da floresta do Araripe. Na faixa superior -- no azul celeste --, poderia constar um sol nascente -- simbolizando o alvorecer --, na cor amarela, pois "Araripe", na língua indígena significa: “Lugar onde surge o sol”.
      Teríamos, então, um escudo dentro da heráldica e uma bandeira original e bela.

       Não perco a esperança de que um dia o Crato terá um prefeito culto, inovador e com visão de futuro. O aperfeiçoamento do nosso brasão municipal e a criação da nossa bandeira municipal deveria ser o primeiro decreto a ser enviado à Câmara de Vereadores por esse ansiado prefeito.
Texto de Armando Lopes Rafael

A realidade somos nós - Por: Emerson Monteiro



O quanto disso tudo em volta somos cada um que determina. Espécie de demiurgo (ser místico e poderoso), nisso manifesta as formas várias dos acontecimentos, que crescem de nossas mãos, da nossa alma, através do jeito de viver. Sistema complexo, a soma de nossas mentes gera isso que resolveram chamar realidade, o lado externo das criaturas humanas, diretamente vinculado ao todo universal.

Mundos em movimento e os atores a formar o roteiro das peças que ocorrem no girar dos elementos, isto é a realidade. Por isso o conceito de ser importante a saúde da mentalidade, o outro nome de consciência. Aprender e viver com arte. Transformar o mundo em nós mesmos, na afirmação de Hahatma Gandhi, que Seja a transformação que quer para o mundo. Detalhes absolutamente reais formam, pois, as manifestações do real durante todo tempo, séculos e séculos. Pessoas conscientes resultam universo consciente, tanto nos grupos sociais quanto nos procedimentos da Natureza.
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Há uma ordem no Universo e as pessoas a compõem à medida que vivam e operem suas atitudes. Mais que meros coadjuvantes, os humanos formam e regem as instituições no decorrer das existências. O instrumento dessa vinculação com o todo é a Consciência, qual exerce seu papel por meio do denominado por Carl G. Jung de Inconsciente Coletivo, que, por sua vez, se vincula ao Inconsciente Individual. Ninguém foge dessa condição de artífice da grande realidade, função primordial da razão de estar aqui.
...
Face ao fluir das gerações, quanto já realizamos e mais iremos realizar no transcorrer das evidências tudo contará, sobremaneira, naquilo a que dirigirmos nossos passos e concretizarmos nossos sonhos... Nutrir sonhos de perfeição e consumar os desejos na forma ideal de praticar o que diz e crê naquilo que providenciar, eis a equação da espontaneidade e da paz. Leve ação de paciência e trabalho, isto envolve atos e planos sadios a eras promissoras e pródigas na realização de humanidade harmoniosa, feliz, próspera.


(Ilustração: Carl Gustav Jung).

25 agosto 2018

Balzac - Por: Emerson Monteiro


Nas suas memórias, conta o escritor Dino Segre Pitigrilli que, certo dia, numa das visitas do explorador Alexander von Humboldt a Paris, este revelou ao seu amigo Dr. Blanche, conhecido pelo tratamento revolucionário que desenvolvia junto aos doentes mentais, o propósito de almoçar com um dos pacientes medicados pelo célebre estudioso, reconhecido precursor na arte da cura nervosa.

- Coisa nada fácil, nesse momento, Humboldt – advertia o médico. – Mesmo assim, verei o que posso fazer para atender-lhe o pedido.

Dessa forma, logo no dia posterior, encontraram-se à mesa da refeição Humboldt, Blanche e mais dois outros senhores, um dos quais trajava longa casaca preta, abotoada de cima a baixo, fechada por gravata escura, larga, que repontava, no ambiente, longos olhares sombrios de homem taciturno e misterioso.

Durante todo o almoço, tal cavalheiro permaneceria fiel à impressão que de início despertara no visitante. Ao chegar, dirigiu-se a Humboldt cumprimentando-o com gestos eloquentes, indo aquietar-se formal numa das extremidades da mesa. Comeria moderado. Beberia algumas taças do vinho que serviram, sem, todavia, nada pronunciar que lhe identificasse mínimos sinais de personalidade.

O outro senhor, por sua vez, ao contrário do primeiro, parecia um vulcão ativo, flamejante; de cabelos desgrenhados, casaco azul e alguns botões fora da casa, depunha os cotovelos impacientes sobre a mesa, que, a cada instante sob o seu peso, sacolejava de causar medo.

Ansioso, comia em ritmo acelerado. Engolia quase sem mastigar. Falava, falava, e perguntava muitas e insistentes vezes. Impaciente, era ele quem se respondia, antes de aguardar as respostas solicitadas. Cortava pelo meio as falas dos interlocutores. Despejava palavras através de todos os poros. Emendava assunto em outro, uma história na outra, o presente no passado, e esse no futuro.

Tempos após, à hora da sobremesa, Humboldt chamou de lado o seu anfitrião para, juntos, tecerem alguns comentários a propósito dos pacientes convidados, segundo imaginou o visitante.

Nessa hora, indicando com os olhos o segundo personagem, aquele da casaca azul, de atitudes eufóricas, que multiplicava palavras, chistes, anedotas e extensas tiradas filosóficas, balbuciou-lhe ao ouvido:

- Muito interessante o doente que me trouxeste. Seu paciente bem que nos diverte bastante, nesta ocasião. Parabéns pela feliz escolha do que solicitei.

Nisso, ligeiro, o médico reagiu contrafeito diante da avaliação do amigo:

- O quê? Não, não, senhor!

E insistiu a objetar: - Mas o doido que eu lhe trouxe não é ele, não, o que está pensando. É, sim, o outro, o da casaca escura – acrescentou Dr. Blanche.

- O que nada falou e permaneceu calmo todo o tempo? – indagou admirado o célebre alemão.

- Sim, sim! É ele o meu paciente, em fase de bem sucedido tratamento. Vê-se no controle do comportamento apresentado.

– E esse que pensei que fosse ele, então, de quem se trata? – quis saber Humboldt.

- Esse é Balzac, meu amigo Honoré de Balzac, o inigualável gênio da literatura francesa – com isso, ambos, silenciosos, voltaram aos seus lugares a fim de concluir o repasto.

Povo sem memória é povo sem história: nomes antigos das ruas de Crato --por Armando Lopes Rafael




"Um povo sem memória é um povo sem história.
E um povo sem história está fadado a cometer,
 no presente e no futuro, os mesmos erros do passado".
Emília Viotti da Costa  

    Começou, nos primeiros anos do século XX – por iniciativa dos vereadores desta cidade, e isso foi feito ao longo de várias legislaturas – o triste costume de mudança dos nomes das ruas e praças de Crato. Essas alterações sempre atenderam a interesses menores dos vereadores e foram feitas sem ouvir a população, resultando disso na destruição de denominações tradicionais, que eram preservadas por várias gerações de cratenses.

   Tenho em mãos um artigo publicado na Revista do Instituto do Ceará, com o título “Descrição da Cidade do Crato em 1882”, de autoria do Dr. Gustavo Horácio. Este escrito cita, a certa altura, o fato de que – naquele recuado ano – a cidade de Crato possuía 11 ruas, conhecidas por Ruas: de Santo Amaro, da Pedra Lavrada, das Laranjeiras, do Pisa, Formosa, Grande, do Fogo, da Vala, da Boa Vista, Nova e do Matadouro.

     No mesmo artigo, são nomeados os becos e travessas do Crato antigo, a saber: Travessas: do Cafundó, da Caridade, dos Candeia, da Matriz, dos Sucupira, de São Vicente, do Charuteiro, do Cemitério, da Ribeira Velha, do Barro Vermelho, da Califórnia, do Pequizeiro, da Taboqueira, das Olarias, da Cadeia e do Pimenta.      Infelizmente, a mudança voraz dos vereadores cratenses resultou na mudança dessas tradicionais, poéticas e curiosas denominações.

      Não sou contra a designação de nossas ruas com nomes de pessoas já falecidas. Apenas acho que deveriam escolher como patronos das nossas artérias urbanas pessoas que gozaram de bom conceito ou foram prestadoras de relevantes serviços à cidade e ao Brasil. E, principalmente, depois de a lei aprovada pela Câmara Municipal, os vereadores não poderiam mais mudar o nome de uma rua.          Ademais, não se justifica a mudança feita nas antigas e tradicionais denominações das ruas de Crato, apagando um pouco da história e da memória coletiva da Princesa do Cariri.

       Anos atrás, a Câmara de Vereadores de Independência – município localizado no Sertão dos Inhamuns, no Ceará – aprovou um projeto de lei, dispondo sobre a identificação de ruas, praças, monumentos, obras e edificações públicas daquela cidade. O projeto de lei passou a exigir – para qualquer mudança na denominação de ruas e praças – um pedido antecipado, contendo lista com assinaturas de pelo menos cinco por cento do eleitorado daquele município.

        Idêntica providência deveria ser adotada pela Câmara de Vereadores de Crato. Só assim acabaria a farra irresponsável da mudança indiscriminada dos nomes das ruas da Cidade de Frei Carlos...

Enquanto os museus de Crato continuam fechados...

Juazeiro cria pontos de Memória Institucional

A Fundação Memorial Padre Cícero foi o primeiro de cinco locais contemplados pelo projeto
A ideia é criar um circuito de exposições que contem a história de Juazeiro do Norte e dos seus equipamentos públicos. No caso do Memorial, pelo vasto material pesquisado, foi possível a publicação em livro ( Fotos: Antonio Rodrigues )
Fonte: "Diário do Nordeste", 25-08-2018 -  por Antonio Rodrigues 

Juazeiro do Norte. A Fundação Memorial Padre Cícero - que completou 30 anos de inauguração - foi o primeiro de cinco locais contemplados pelo projeto Ponto de Memória Institucional, desenvolvido pela Secretaria Municipal de Cultura (Secult). De uma pesquisa iconográfica, documental e também das lembranças dos moradores do entorno da instituição, resultou na exposição "Sob as bênçãos do Padim" e no livro "Memorial Padre Cícero e outras histórias", lançados no último dia 16.

A ideia é criar um circuito de exposições que contem a história de Juazeiro do Norte e dos equipamentos públicos contemplados. No caso do Memorial, pelo vasto material pesquisado, foi possível a publicação em livro. Os próximos trabalhados serão Teatro Marquise Branca, contando a história do espaço e da personalidade da atriz Marquise Branca; a Estação Ferroviária, com a história da chegada do trem; a Biblioteca Possidônio Bem e o Núcleo de Arte, Educação e Cultura Marcus Jussier.

A coordenadora de Documentação e Memória da Secult, a historiadora Regivânia Rodrigues, explica que o projeto foi idealizado pelo ex-secretário Alemberg Quindins, ao perceber que algumas ações de patrimônio poderiam valorizar a memória dos equipamentos públicos de Juazeiro do Norte. "A ideia era trabalhar a história desses equipamentos e da personalidade homenageada", explica. No entanto, ela percebeu que a maioria destes espaços estava em localizações pontuais da cidade e que era importante trazer informações sobre seu entorno. "O objetivo não é só trazer a questão econômica, política, mas o cotidiano das pessoas. Por exemplo, com a chegada do trem, o que mudou? Como as pessoas se relacionavam com esse episódio?", justifica.

Memorial

O Memorial Padre Cícero foi o primeiro, não só pela sua importância local, mas pelo fluxo de visitantes do Nordeste, principalmente durante as romarias. Lá, há uma série de objetos que pertenceram ao Padre Cícero e fotografias que narram a história do Município. O equipamento tem uma média anual de 80 mil visitantes, mas, só no ano passado, pelo menos 60 mil passaram pelo museu. "É um equipamento que lida com as pessoas como um local que guarda as relíquias de um santo. É simbólico", garante a historiadora.

A exposição "Memorial Padre Cícero e outras histórias" está instalada em caráter permanente, apresentando, de forma resumida, o conteúdo disponibilizado no livro. Nela, há imagens dos antigos prédios que ocupavam o local onde hoje fica a Fundação Memorial Padre Cícero. Além disso, há uma breve história do desenvolvimento social da cidade e as relações com aquele espaço. Já o livro "Memorial Padre Cícero e outras histórias" compila informações históricas sobre a criação da instituição e sobre ocupação da área central de Juazeiro. Por fim, faz destaca eventos, personagens e lugares.

24 agosto 2018

Mudaram os tempos? Por Armando Lopes Rafael



  Vale a pena compartilhar as palavras proferidas pelo Prof. Sidney Silveira, num desses muitos “encontros monárquicos” que vêm sendo realizados, ultimamente,  neste nosso Brasil continental.     Afirmou ele:

“A vanguarda, hoje, é ser ‘reacionário’; é olhar para o passado, com a coragem de afirmar valores que não são os que, hoje, contemporaneamente, predominam ”.

   Observa-se, e isso está nas mídias e redes sociais, que, no Brasil, voltou-se a reviver, e agora com maior intensidade – principalmente entre os jovens – um anseio, melhor dizendo, uma difusão de um ideal, buscando o retorno à forma de governo, inopinadamente interrompida há 128 anos, quando a nossa Pátria – que era uma grande família com um destino comum e bem definido a cumprir – respirava o ar de uma honrada e respeitada monarquia.

   Em plena segunda década do século XXI, em meio à saudade de quando, no nosso país, as coisas davam certo, paira no ar uma pergunta que não quer calar: Valeu a pena o Brasil ter sido transformado numa República?

   A verdade é que o brasileiro comum está cansado dessa instabilidade política que tomou conta do nosso país; está saturado com os sucessivos escândalos e decepções vindas das atuais lideranças políticas e administrativas; está perplexo (para usar um termo suave) com essa crise permanente causada pelos partidos políticos e por parte dos nossos homens públicos; pessoas sem credibilidade e que não representam a maioria da população brasileira. O brasileiro cansou da violência que tomou conta da nossa nação. Exauriu a paciência com a péssima saúde pública, com a deficiente educação pública, com o caos da segurança pública que nos são ofertadas pelos governos.
     Ou como se diz comumente: nossas crises chegaram ao fundo do poço...

Imperador Dom Pedro I ganha busto em 3 D


     No próximo dia 5 de setembro, o Museu Histórico Nacional, localizdo no Rio de Janeiro, receberá o primeiro busto de Dom Pedro I impresso em 3D, a partir dos resultados obtidos no projeto de reconstrução facial forense independente, coordenado pelo Doutor em Direito e Cavaleiro da Nobre e Pontifícia Ordem de Cavalaria do Santo Sepulcro de Jerusalém, Prof. José Luís Lira.
      José Luís Lira adquiriu os direitos da imagem do crânio do Imperador Dom Pedro I, de autoria do fotógrafo Mauricio de Paiva (da Revista National Geographic), com análise pericial do legista Dr. Marcos Paulo Salles Machado, chefe do Serviço de Antropologia Forense do Instituto Médico Legal do Rio de Janeiro e execução do Designer 3D Prof. Cícero Moraes, renomado na área de reconstrução facial no Brasil e no mundo. Tudo com a autorização expressa da Casa Imperial do Brasil, nas pessoas dos Príncipes Dom Luiz de Orleans e Bragança e Dom Bertrand de Orleans e Bragança.

     O busto foi feito pela empresa dOne 3D, de Ribeirão Preto (SP), que imprimiu a face em impressora 3D. A máquina demorou 75 horas para concluir o busto, que ficou com 40 centímetros de altura. A artista plástica Mari Bueno, de Sinop (MT), realizou a pintura do busto, num processo com várias camadas de tinta e boa secagem de uma camada para a outra para garantir a permanência e maior proximidade com a realidade.
     O Museu Histórico Nacional se preparou para receber a valiosa peça que ficará em exposição permanente. A abertura da Exposição se dará nas comemorações à Semana da Pátria, no dia exato em que, há 196 anos, 5 de setembro, o Príncipe Regente Dom Pedro deixou São Paulo seguindo para o Rio de Janeiro e nesta viagem proclamou a Independência do Brasil.
O Príncipe Dom Bertrand de Orleans e Braganca, à esquerda,  recebe
do Prof. José Luís Lira a foto com o verdadeiro rosto do
Imperador Dom Pedro I.


23 agosto 2018

Nuvens de algodão - Por: Emerson Monteiro


Depois avistaria os mesmos traços livres também nas costas dos lápis de cores múltiplas, num abstrato solto de tintas derramadas e que antes já contava nas nuvens lá do sítio da minha infância. Agora sei bem a razão deles olharem sempre no Nascente. É que no Sertão existe quase um compromisso de todos vigiarem saber quando vêm as chuvas das nuvens escuras feitas do Nascente. Quando ainda não escuras, ou carregadas (qual dizem), são os torreões da distância longínqua, a indicar na raiz as futuras formações, pois a chuva chega de longe, das terras da Paraíba, donde as nuvens nascem. Nisso a gente ganha aquela hipotenusa de querer olhar o Nascente a todo instante, a qualquer motivo, mania boba dos jeitos infantis daquele tempo de fixar olhos e cedo principiar a descobrir outros acontecidos vindos na barriga das nuvens. Se não, limpo de tudo, as nuvens vêm claras, brancas, mas formações constantes de seres e objetos dos diferentes estilos, artes do firmamento. Animais, castelos, gigantes, arvoredos, mutações, rostos, desenhos impossíveis em permanente evolução a novos quadros.

Enquanto adiante seriam cenas constantes de cinema, televisão, equipamentos de perder de vista, naquele eito de criança, eu, ali sentado na varada de nossa casa no sítio, próximo de minha mãe que costurava numa máquina Singer, viajava à solta nas nuvens que ofereciam as cenas e cenas. Filmes e filmes produziam epopeias, odisseias, jornadas siderais, histórias mil, lendas, situações. Eram roteiros internos da imaginação que as figuras provocavam, durante horas, no mormaço das manhãs, acalmando o sentimento e percorrendo cúmulos celestes a perder de vista pelas cascatas do Infinito.

Assim, bem adiante, dado meu gosto pelas artes visuais, conheci de perto o poderio das imagens aleatórias através das escolas atuais, na pintura, na fotografia, no cinema. Reconheci com facilidade a impressão visual na interpretação dos desenhos espontâneos da natureza e no modo de expressão de liberdade nas cores e no movimento dos pinceis. Sem largos esforços, por isso, ora compreendo também a música e sua fluidez ocasional de sons e ritmos, ao modo liberto dos que escolhem a variação das notas por meio de intuição artística.

Naquelas visões originais ao sabor da brisa sertaneja a tanger os fiapos de nuvens nos céus da visão de um menino, aprendi o quanto de sensibilidade e sonhos vaga no íntimo à busca da consciência cá fora, nas letras e ficções.

22 agosto 2018

Sussurros do Infinito - Por: Emerson Monteiro


Esses sons que percorrem o Universo também atravessam os ouvidos das pessoas e os objetos na mesma intensidade, ocasionando diversas interpretações de tudo em volta. Delas, das interpretações, advêm modos variados de comportamento, o que enche as páginas e os livros, os becos e as vilas. Quais murmúrios de origem na própria pele das palavras, blocos de significados preenchem o tempo e em seguida denominam memórias, lembranças, e regressam às mentes e criam novos sons e significados. Quais sendo assim, há círculos de visões e audições a produzir que resolvam classificar a vida consciente. Isso se demora, depois, nos hábitos e costumes, alimenta as mentalidades e os períodos, as modas e os valores. Pois bem, daí nascem pensamentos e mentalidades, crenças e poderes.

Viajar nesse motivo das civilizações demonstra o quanto frágeis são a formações e o nível das percepções; as leis e os ordenamentos; os pecados e as instituições. Balizamentos quase que naturais, exigem forte determinação de vencer tais barreiras e criar novas formulações, necessárias ao crescimento de outras possibilidades. Ficar presos nos vagões do Destino nisso parece corresponder os gestos ditos inteligentes das criaturas, só raramente superados nos momentos críticos. A acomodação representa, destarte, o quadro típico da história durante todo tempo.

As massas fogem assustadas de alternativas que exigem maiores conhecimentos, renúncia e esforço. Deitam e rolam nos braços de aventureiros de plantão quase que abandonando, jogando ao mero acaso, soluções e providências preciosas. Sobremodo isto acontece nos turnos eleitorais, fases definidoras do futuro dos grupos sociais. A raça humana, que desenvolve os instrumentos da política, por vezes simplesmente faz vista grossa da importância da participação nas escolhas, e atira pela janela o bem fundamental da oportunidade, qual ignorando por inteiro os sussurros do Infinito a lhe oferecer mensagens coerentes de selecionar os bons representantes e aprimorar a prática administrativa da sociedade onde vive e aguarda melhores momentos.

CARIRIENSIDADE (por Armando Lopes Rafael)



O poeta Zé de Matos

As cidades são feitas de poesias e de pessoas”, diz um velho adágio. A ser verdade este aforismo, está explicado porque, ainda hoje, a memória de Zé de Matos continua presente em Crato e no Cariri. Dele pouco se sabe. Exceto que era analfabeto, pobre e boêmio. Sequer se sabe a data e o lugar do seu nascimento, embora ele dissesse que veio ao mundo em Crato. Faleceu em 1904. Provavelmente em Caririaçu. Restaram dele a tradição oral de suas improvisações poéticas, sempre inspiradas quando estava sob o efeito de conhecido produto dos alambiques caririenses. Abaixo duas delas:

‘Terra boa é o Cariri,
tem mangaba e tem pequi,
tem muita moça bonita
e cabra bom no fuzi.
Mas arredó de sete légua
tem cabra fi duma égua,
que nega até um pequi”

Noutra ocasião, Zé de Matos versejou sobre as “famílias tradicionais”

“Nunca vi Teles valente
nem Quezado trabalhador,
Pinheiro inteligente
e Alencar rezador
da Família dos Bezerra
só o Zeca dos Currais
mesmo assim não é certo,
dá prá frente e dá prá trás”

As reservas fossilíferas do Cariri

    A Chapada do Araripe, caracterizada por sua rica biodiversidade, foi pioneira na criação da primeira floresta protegida do Brasil. Há mais de setenta anos – quando não se falava em ecologia ou biodiversidade – através do Decreto n° 9.226, de 02 de maio de 1946, o Governo Federal criou a primeira reserva florestal do Brasil: a Floresta Nacional do Araripe. Em 1997, ela foi ainda mais protegida, desta feita com a criação da Área de Proteção Ambiental (APA) da Chapada do Araripe.
        Lá fica, também, outra riqueza que remonta a milhões de anos: as maiores jazidas fossilíferas do período cretáceo em todo o planeta. São os fósseis de peixes e até de pterossauros. A Bacia Sedimentar da Chapada do Araripe é considerada um dos mais importantes sítios paleontológicos do mundo.

A verticalização de Juazeiro do Norte


    Até o início do presente século, poucos eram os grandes edifícios existentes na conurbação Crajubar. Capitaneada por Juazeiro do Norte, as construções de grandes prédios residenciais se alastram pelas áreas citadinas do Crajubar. Maior cidade do Cariri, Juazeiro do Norte passa por um processo de verticalização. Esta cidade se tornou um polo de desenvolvimento de uma das mais ricas regiões do Ceará. A Terra do Padre Cícero conta com uma boa infraestrutura atendendo às diversas áreas, como educação, saúde, malha aeroportuária e rodoviária, dentre outras. A economia de Juazeiro do Norte exerce hoje influência sobre uma população estimada em três milhões de habitantes, espalhada por municípios limítrofes do Cariri com os estados da Paraíba, Pernambuco e Piauí e todas as cidades do centro-sul do Ceará.

O livro do mês de agosto


  Raro é o mês do ano que não temos lançamento de um novo livro em Crato. No último dia 14 de agosto – data do Jubileu de Prata da ordenação episcopal de Dom Fernando Panico – amigos deste bispo lançaram o livro “Corações ao alto”. Uma publicação com depoimentos e testemunhos sobre o edificante ministério deste bispo, nas duas dioceses de onde foi titular: Oeiras–Floriano (PI) e Crato (CE). Organizado por Enoque Fernandes de Araújo e publicado pela Gráfica JB, de João Pessoa (PB), o livro tem 174 páginas e 9 capítulos. Cada um escrito por Armando Lopes Rafael, Pe. Acúrcio de Oliveira Barros, Madre Maria Aparecida Couto (Abadessa do Mosteiro Beneditino de Juazeiro), Eduardo Henrique Valentim, Aroldo Braga, Irmã Annette Dumoulin e Maria do Carmo Pagan Forte.
 
    São revelados, no livro, detalhes pouco conhecidos de Dom Fernando Panico, destacando sua fidelidade ao Evangelho, o serviço aos pobres, aos romeiros do Padre Cícero e ao compromisso com uma Igreja orante e missionária, onde é realçado o perfil da ação evangelizadora do atual Bispo-emérito de Crato.

O livro do mês de setembro

      Abaixo, o convite para o lançamento do livro póstumo de Manoel Patrício de Aquino (Nezinho) que ocorrerá na noite do próximo dia 6 de setembro, na sede do  Instituto Cultural do Cariri.

Missão Velha e a “Proclamação da República”

A belíssima igreja-matriz de São José de Missão Velha

  Leitor de “Caririensidade”, o historiador missãovelhense João Bosco André escreveu-nos para concordar com a nota (publicada na coluna da semana passada), sobre o mandonismo dos “coronéis”, novos detentores do poder municipal, após o golpe militar de 15 de novembro de 1889.  Aquela quartelada derrubou a monarquia constitucional do Brasil e impôs – sem apoio popular – o regime republicano na nossa pátria.   No livro que João Bosco André escreveu (“Documentos para a história de Missão Velha”, na página 114) ele resgata o fato de a Câmara de Vereadores, daquela cidade, a exemplo da de Crato, só reconhecer o novo governo republicano 1 (um) mês e 5 (cinco) dias depois da queda da monarquia.

     Qual o motivo dessa demora? João Bosco André dá sua versão:  “Vê-se claramente que os vereadores de Missão Velha estavam reticentes (em cima do muro) com medo de o novo regime republicano não dar certo”. Não só isto. O historiador missãovelhense complementa o comentário: “O Vereador Róseo Jamacaru, renunciou (ao mandato) em 13 de fevereiro de 1890 (três meses depois do golpe militar), alegando que seus colegas vereadores eram mais monarquistas do que republicanos”.

Escritores do Cariri: Raimundo de Oliveira Borges

   Nasceu na vila de São Pedro do Crato – depois São Pedro do Cariri, (hoje Caririaçu) – em 02 de julho de 1907.Faleceu com mais de 102 anos, em 10 de julho de 2010. Jurista, historiador e escritor. Foi diretor das 3 Faculdades pioneiras de Crato: a de Filosofia, a de Ciências Econômicas e a de Direito. Presidente, em vários mandatos, do Instituto Cultural do Cariri. Escreveu cerca de 30 livros sobre os mais variados temas, frutos de meticulosas pesquisas, a exemplo de “O Coronel Belém de Crato, um injustiçado”; “Memória Histórica da Comarca do Crato”; “O Padre Cícero e a Educação em Juazeiro”; “Serra de São Pedro”; “Crato intelectual”.
   Foi Secretário da Prefeitura de Crato; Promotor Público em várias comarcas e, depois de aposentado, advogou por várias décadas. Foi político. Presidente, diversas vezes, da Expocrato; do Rotary Clube de Crato e da Associação dos Criadores de Crato. Prestou relevantes serviços à região Sul-cearense, a exemplo da Campanha de Eletrificação do Cariri.
   Ao falecer, seus filhos transformaram sua residência (localizada no centro de Crato, em frente à Reitoria da URCA) no “Memorial Raimundo de Oliveira Borges”. Um grande escritor, um exemplar cidadão e chefe de família; um homem de bem a toda prova!

História: Quem fundou Juazeiro do Norte? A opinião de Amália Xavier de Oliveira


Juazeiro Primitivo - óleo sobre tela de Assunção Gonçalves.
A casa grande, à esquerda, pertencia ao Brigadeiro Leandro.À
direita,a capelinha  de Nossa Senhora das Dores.

     A educadora e historiadora Amália Xavier de Oliveira sempre defendeu que foi o Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro o fundador de Juazeiro do Norte. Num dos livros que escreveu (“O Padre Cícero que eu conheci: verdadeira história de Juazeiro do Norte”, 3ª edição, Editora Massangana, 1981, página 33) Amália afirmou:

Com o falecimento do Brigadeiro, ocorrido em 1831, as terras onde havia sido edificada a capelinha de Nossa Senhora das Dores e as que foram destinadas ao patrimônio da mesma, passaram aos herdeiros do Brigadeiro, ficando no espólio de dois de seus filhos: Gonçalo Luiz Teles de Menezes e Joaquim Antônio Bezerra de Menezes. Estes doaram aquelas terras ao patrimônio de Nossa Senhora das Dores conforme ainda hoje existe e cuja escritura está no Cartório de Crato. Estas duas certidões cujas cópias tenho em meu poder e poderão ser vistas no original do 1º Cartório de Crato, são suficientes para confirmar que o fundador do Povoado de Juazeiro, iniciado com a construção da Capelinha, foi o Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro e os primeiros povoadores foram os seus descendentes, existindo ainda hoje muitos deles aqui representados pela família Bezerra de Menezes espalhada em todo o Ceará e ainda em diversos estados do Brasil"(Grifos meus).
                                                                                                                                                    

21 agosto 2018

Esfinges - Por: Emerson Monteiro


Nesta hora há esfinges cinzentas espalhadas nas ruas da cidade. A toda esquina uma esfinge lê nos homens os princípios feitos de enormes interrogações a sua maioria, quais a mim que ainda o sou das dobras de todas as fronteiras e gravetos deste mundo. Esfinges por vezes agressivas, autoritárias, semelhança das ocorrências do mais recente dos dias. Isso agora dói em muitos, porquanto vagam pelas ruas esses animais de pedra em antigas dores que, nessas ocorrências inevitáveis, avançam por dentro das pessoas a andar frágeis nas ruas, afeitas aos humanos compromissos. Perante o astral desses dias, ali, porém, apenas um rubor nas faces do tempo bem defronte da igreja e dos paramentos que ilustram a praça. Em tudo, fortes marcas e a sensação de ausência que se seguiu depois do mistério dos acontecimentos, uma amargura de contradições dos que desaparecem e deixam consigo saudades e lembranças que ficaram lá atrás.

Inútil indagar aos que veem soltas nas ruas as esfinges alucinadas a que vieram. Selvagens, elas cumprem papel de milênios e das gerações que sucedem, querendo ardentemente dizer aos viajantes a resposta do enigma de viver e penetrar o reino da Eternidade, entretanto, nessa missão exclusiva, não sabem deixar passar quem vinha, porém que não soubessem responder na hora e na ponta da língua. Enquanto tal, ardem de dor os sentimentos, as almas e os santos, testemunhas do que houve na praça sob o véu sombrio da morte e das tragédias. Pedidos fervorosos de amor persistem na face da existência dos que andam pelas largas avenidas. Por que assim? A que, assim?

Ninguém de sã consciência dormiria naquela noite sem ouvir distantes gritos e os gemidos da sobrevivência no movimento dos corações. Espécie de penitência clamava união de todos em vigília e prece. No meio das pedras desse deserto como que de carne mãos pediam misericórdia a todos os céus e aos monumentos que vagam agressivos pelas cidades.

20 agosto 2018

Notícias que a mídia não divulga: a Austrália é uma monarquia e um país riquissimo


Em 1999, foi realizado na Austrália, um plebiscito para que o povo daquele país escolhesse se queria continua sob a forma do governo monárquico, ou se preferia viver sob uma República. A maioria da população optou por continuar tendo como Chefe de Estado a rainha Elizabeth II, ou seja, preferiu a monarquia.
     Faz mais de uma semana, membros do Parlamento Australiano vêm recebendo uma verdadeira enxurrada de cartas, telefonemas e e-mails de seus eleitores, todos fazendo a mesma solicitação: o envio de um retrato oficial da Rainha Elizabeth II da Austrália.

    Isso aconteceu porque uma revista local publicou, no último 8, um artigo sobre uma lei até então pouquíssimo conhecida, aprovada em 1990, concedendo a todo cidadão australiano o direito de ter um retrato oficial da Rainha, fornecido por seu deputado no Parlamento australiano. Os leais súditos de Sua Majestade têm feito valer seus direitos, e os parlamentares, mesmo aqueles assumidamente republicanos, vêm “se virando” para atender ao número sempre crescente de pedidos. A mesma lei também dá aos australianos o direito de pedir aos seus parlamentares o envio de uma fotografia oficial do consorte da Soberana, o Príncipe Philip, Duque de Edimburgo, e de uma Bandeira Nacional Australiana, com seis estrelas, representando o Cruzeiro do Sul, ladeadas pela Bandeira do Reino Unido, a Union Jack.

    A Monarquia tem se tornado cada vez mais popular entre os australianos, em especial os mais jovens, que veem na Coroa um símbolo de estabilidade e continuidade, que liga ao presente a um passado que vai muito além à chegada dos europeus à Oceania, no século XVI, e representa um futuro em plena continuidade com a história nacional, na figura da Rainha, de 92 anos de idade,  e no Trono desde 1952, e de seus imediatos herdeiros dinásticos, seu filho, o Príncipe de Gales,  e seu neto, o Príncipe William, Duque de Cambridge, e  seu bisneto, o Príncipe George.

Conheça a Austrália

    A Austrália é um dos 53 países-membros da Comunidade das Nações, compostas por antigos territórios do Império Britânico. A Austrália é uma monarquia constitucional com uma divisão de poder federal. O país tem um sistema de governo parlamentarista com a rainha Elizabeth II como a Rainha da Austrália. Como a rainha reside no Reino Unido, os poderes executivos investidos nela pela Constituição são normalmente exercidos pelos seus representantes na Austrália (o Governador-Geral, em nível federal e os governadores, em nível estadual) todos eleitos em eleições livres.

    A Austrália é hoje um dos países mais ricos do mundo. Não tem desemprego. Possui excelente segurança pública, saúde pública e educação pública. O IDH (Índice de Desenvolvimento Urbano) da Austrália permanece entre os melhores do mundo, mantendo o país com o segundo lugar no ranking mundial com 187 países, ficando atrás apenas do Reino da Noruega. O índice Australiano é 0,933, enquanto o do Brasil, que ocupa o 79º lugar, ficou em 0,744.

Foto: A Rainha Elizabeth II da Austrália
Postado por Armando Lopes Rafael

19 agosto 2018

Dimensões - Por: Emerson Monteiro


Quais camadas superpostas assim somos nós. Espaços imaginários que circulam possibilidades, gravitamos sozinhos feitos ciganos em bandos em volta do núcleo das existências ainda que admitamos viajar outras órbitas, contudo estas são outros seres que também somos. Jamais percorremos, pois, as outras dimensões conquanto a outros astros elas pertencem no curso infinitos destas condições humanas. Nutrimos, no entanto, a sede nas aventuras alheias, à busca dos espelhos que significariam diversos mundos, porém doutros atores de si, o que só em nós, de longe, desenvolvemos revelar na essência definitiva, ora vagando em nossas mãos, por certo carentes e inexperientes, ou nas mãos dos outros.

Os dramas, as angústias; medos, desespero; luas, humores; peças do território desta vida, apenas trocamos de roupa e de leve fugimos de nós mesmos, tais bichos ariscos e largados no universo absurdo que deixaremos de ser tão logo revelemos a consciência. Foram muitos por inteiro dos céus que frequentamos nas sequências deste modo de aprender que a Natureza oferece dias e dias, meras dúvidas e repetições que sustentam as vaidades e alimentam o desejo de continuar sem limite. Criamos o jardim das delícias dos sentidos e neles maneiramos mágoas e queixumes, vórtices apaixonados de prazer e apetites. E refazemos os sonhos no objetivo de achar a porta de sair dos dilemas e frustrações. Nutrimos leis, deveres e relacionamentos. Nisso largamos as cascas e os corpos na lama das horas, mergulhamos apreensivos no saber a que viemos acender luzes e, por vezes, nem nos apercebemos que o tempo desmancha no ar as notas da presença do passado que nunca mais voltará, e o futuro é agora.

Doces ausências nós o somos, camadas superpostas das dimensões a que alçamos, pouco a pouco, duendes saltitantes nas florestas do conhecimento escondidos debaixo dessas quantas camadas do ser que em nossas mãos solicita a força de todas a maior, de habitarmos a intensidade e aguardar a certeza na semente de fomos dotados desde o princípio de Tudo.

18 agosto 2018

25 anos da sagração episcopal de Dom Fernando Panico – por Armando Lopes Rafael

Livro lançado no último dia 14, para marcar a passagem
dos 25 anos de ordenação episcopal de Dom Fernando

      No último dia 11 de agosto, a população católica do Sul do Ceará  comemorou o jubileu de prata da sagração episcopal do 5º Bispo Diocesano de Crato, Dom Fernando Panico. A solenidade ocorreu às 17:00 horas, constando de uma Santa Missa celebrada na Catedral de Nossa Senhora da Penha.

      Decorridos quase dois anos, desde que Dom Fernando Panico tornou-se bispo-emérito da nossa diocese, e passando ele a residir na cidade de João Pessoa, já se vislumbra uma análise serena e imparcial da sua passagem como Bispo da Diocese de Crato. Dom Fernando reservou seu lugar na história desta Diocese, graças à consecução – junto à Congregação para a Doutrina da Fé, no Vaticano – da reconciliação histórica da igreja Católica com a herança espiritual do Padre Cícero. Esta era uma ferida que ficou aberta por longas décadas. Até que Dom Fernando Panico conseguiu cicatriza-la.

       Mas não só isso.  Dom Fernando foi um dos mais dinâmicos bispos dentre os que sentaram no Sólio Episcopal de Crato. Durante dezesseis anos e meio, período que foi Bispo de Crato, Dom Fernando valorizou as romarias e priorizou o acolhimento aos romeiros do Padre Cícero, com novas atitudes e um cuidado pastoral para com esses romeiros.

         Dom Fernando realizou as Santas Missões Populares, preparadas ao longo de três anos, que deram uma marca missionária à Igreja Particular de Crato. Reestruturou a pastoral da Diocese em foranias e comunidades. Aceitou o desafio de realizar o 13º Encontro Nacional das Comunidades Eclesiais de Base, na nossa diocese, tendo como sede a cidade de Juazeiro do Norte. Conseguiu a elevação da Igreja Paróquia de Nossa Senhora das Dores, de Juazeiro do Norte, ao título de Basílica Menor. Criou treze novas paróquias e quatro novos Santuários Diocesanos.

         Outra grande realização de Dom Fernando Panico foi a construção de uma unidade da Fazenda da Esperança, no município de Mauriti, destinada à recuperação de jovens e adultos dependentes do alcoolismo e outras drogas. Ele também deu o reconhecimento diocesano às novas comunidades de leigos consagrados. E acolheu – nas várias cidades da diocese - vários institutos religiosos, a exemplo da Abadia das Monjas Beneditinas, em Juazeiro do Norte.

            No seu fecundo episcopado dom Fernando Panico ordenou sessenta e oito novos padres para a nossa diocese. Foi também ele quem instituiu o Diaconato Permanente, tendo ordenado trinta e nove diáconos permanentes.  Também foi iniciativa de Dom Fernando Panico a abertura do Processo de Beatificação da menina Benigna Cardoso da Silva, a Mártir da Castidade, nascida em Santana do Cariri. Deve-se a ele a criação do curso de Teologia no Seminário São José, o qual, graças a isso, passou a ser Seminário Maior, formando sacerdotes para cinco dioceses nordestinas: Crato e Iguatu (no Ceará), Salgueiro e Petrolina (em Pernambuco) e Cajazeiras, na Paraíba.

             Foi abrangente a ação de Dom Fernando! Foi dele a iniciativa de entregar a administração do Hospital São Francisco de Crato à Ordem dos Camilianos, providência que salvou aquela unidade hospitalar de encerrar suas atividades, como veio a ocorrer com várias instituições hospitalares do Cariri.

               Outra iniciativa de Dom Fernando foi a construção dos dois blocos que hoje compõem a nova Cúria Diocesana. Deve-se também a ele a construção do novo Seminário Propedêutico, no bairro Grangeiro, em Crato.

                O “bispo italiano”, como era chamado por alguns, realizou muitas outras coisas, mas ficaria longo enunciá-las. Resta lembrar que durante o seu episcopado – a exemplo do que ocorreu com dom Vicente Matos –, Dom Fernando também sofreu uma campanha de incompreensões e maledicências, por parte de uma minoria. Diante delas ele agiu com equilíbrio e superioridade. Nunca revidou com a mesma moeda. O máximo que Dom Fernando fez em sua defesa foi recorrer – como uma pessoa civilizada – à Justiça dos homens, pedindo a retratação dos seus acusadores. Ou divulgando manifestos de solidariedade que recebia de importantes segmentos da sociedade brasileira, dos fiéis diocesanos e de destacados irmãos de episcopado.

              O tempo é o Senhor da razão, diz o adágio. Passados aqueles tempos, serenados os ânimos; feito um balanço equilibrado da administração episcopal de Dom Fernando Panico – à frente da Diocese de Crato –, constata-se que ele foi um grande bispo. E é isto que ficará registrado para a história da Diocese de Crato...