22 julho 2018

“Diário do Nordeste” publica matéria sobre ligação histórica Exu (PE) – Cariri cearense -- por Armando Lopes Rafael

No caderno  “Regional”, deste domingo, 22, o jornal de Fortaleza publicou matéria do jornalista Antônio Rodrigues. A reportagem é bem feita, oportuna,  mas contém algumas incorreções.
Abaixo o que escrevi para conhecimento do repórter:

Igreja de São João Batista, no distrito de Araripe, criada em 1868 pelo Barão do Exu após uma promessa 

"Sobre a matéria publicada no caderno Regional, edição do “Diário do Nordeste” de 21-07-2018, ("Bens históricos da cidade de Exu nunca foram tombados"), peço vênia para fazer algumas correções:

     O jornalista, em que pese o valor da matéria por ele abordada, cometeu involuntariamente alguns enganos na sua redação. Escreveu ele que “foi construída a Igreja do Senhor Bom Jesus dos Aflitos, concluída pelos Jesuítas em 1696” (SIC).

     Na verdade, o templo foi construído pelos frades da “Ordem Franciscana Menor dos Capuchinhos” (OFMCap). Estes, oriundos do Convento da Penha, da cidade de Recife (e não de Olinda como constou na matéria). Portanto, a igreja de Exu não foi construída por padres jesuítas. Outro lapso, é o quando o jornalista grafou:  “Frei Carlos de Ferralha” (SIC). Na verdade, o jornalista deve estar se referindo a Frei Carlos Maria de Ferrara. Este, anos depois, se passou para o lado norte da Chapada do Araripe, onde construiu a Missão do Miranda, núcleo original da atual cidade de Crato.

    Falando, ainda, sobre a igreja-matriz de Exu, o jornalista cita que: “o local sediou acontecimentos exuenses históricos como a proclamação da adesão dos povos do sertão à Revolução Pernambucana de 1817”. Historicamente essa adesão dos povos do sertão é desconhecida. Não me consta que algum historiador tenha feito essa afirmação. Os registros históricos citam apenas a então Matriz de Crato (hoje Catedral de Nossa Senhora da Penha) como o local de anúncio dos postulados da Revolução Pernambucana de 1817, o que foi feito pelo subdiácono José Martiniano de Alencar.

    Outro erro, foi quando o jornalista escreveu ipsis litteris, referindo-se a dona Bárbara de Alencar e sua mudança para Crato: “Por lá, casou com José Martiniano, uma das lideranças da Revolução de 1817, pai do escritor José de Alencar, e do famoso Tristão Gonçalves de Alencar que comandou a Confederação do Equador no Ceará e foi presidente da Província”.

    Na verdade, dona Bárbara casou-se com o comerciante português José Gonçalves do Santos. José Martiniano de Alencar e Tristão Gonçalves de Alencar Araripe são irmãos, ambos filhos de dona Bárbara de Alencar.

    Minhas retificações não invalidam a boa matéria do jornalista Antônio Rodrigues. Têm apenas a intenção de completá-la, fazendo ligeiras correções necessárias.
Armando Lopes Rafael"


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