07 julho 2018

Caririensidade – por Armando Lopes Rafael



“Paisagens Culturais” do Cariri

 Paisagem do Horto, localizada em Juazeiro do Norte

    Paisagem Cultural é uma categoria de bem cultural estabelecida pela UNESCO em 1992. O conceito é definido pela interação entre o ambiente natural e as atividades humanas, onde se criam tradições, folclore, arte e outras expressões da cultura, resultando em uma paisagem natural modificada.
   A mídia brasileira dá destaque, o ano inteiro, à cultura, religiosidade e recursos naturais do Cariri. O Governo Federal – gestão de Fernando Henrique Cardoso – criou a Área de Proteção Ambiental do Araripe–APA. O governo estadual – gestão Cid Ferreira Gomes –  criou a Região Metropolitana do Cariri, onde a conurbação Crajubar progride de forma satisfatória. O Cariri, de fato, é uma região abençoada. Berço da primeira Floresta Nacional do Brasil, aqui a natureza reúne flora e fauna, cenários deslumbrantes que bem poderia ser tombados como “Paisagens Culturais”, nos moldes da UNESCO. Falta visão aos nossos gestores municipais para incrementar tão salutar medida.

Caldeirão Cultural
     Foi muito feliz o dramaturgo Oswald Barroso quando escreveu: “O Cariri não é apenas uma região privilegiada, é uma espécie de caldeirão cultural. Os vários Nordestes, o sertão, o da mata, o do agreste, o da praia, o da serra, com suas diferentes culturas, estão reunidos no Cariri. Nele se pode encontrar marcas da cultura ibérica medieval, com seus acentuados traços mourísticos; da cultura negro-africana, com suas danças e batucadas; da cultura ameríndia, com sua magia anímica, caldeada com elementos modernos das mais diferentes”.

História: De Brejo Grande à Santana do Cariri


 Imagem de madeira de Senhora Santana, mãe da Virgem Maria, Padroeira de Santana do Cariri

    Foi chamado primitivamente de Brejo Grande e era habitado pela tribo Buxixés, que dominavam, além da Chapada do Araripe. No reinado de Dom João VI, Santana do Brejo Grande, já tinha um núcleo populacional considerável, o que – segundo Miliet de Saint Adolphe – no seu Dicionário Geográfico, Histórico e Descritivo do Império do Brasil, editado em Paris em 1845) – estava a exigir a instalação da Justiça Real. Foi elevada à categoria de Vila em 25 de novembro de 1885 – Lei Provincial nº 2.096 – sendo instalada apenas em 11 de janeiro de 1887. Em 1938 passou a ser município com o nome de Santanópole, mudado depois para Santana do Cariri.

Santana do Cariri, Capital Cearense da Paleontologia
     No governo do Dr. Lúcio Alcântara (2003-2006), a cidade de Santana do Cariri – onde fica a sede do Museu de Paleontologia da URCA – foi reconhecida, através de decreto governamental, como a “Capital Cearense da Paleontologia”. Dos principais fósseis encontrados no entorno da Chapada (escavações realizadas já revelaram 350 exemplares de pterossauros de 19 espécies diferentes, sem falar de outros fósseis de animais e vegetais) o Museu de Santana do Cariri guarda excelentes exemplares. O Museu tornou-se referência turística do Sul do Ceará, oferecendo visitas guiadas a estudantes e turistas. Além de ser, também,  centro de pesquisa com laboratório, biblioteca e videoteca, e promover encontros, palestras e cursos.

Reservas paleontológicas do Cariri


    A Chapada do Araripe, de 165 Km de extensão, situada entre os estados do Ceará, Piauí e Pernambuco é caracterizada pela sua rica biodiversidade e considerada a região fossilífera mais rica do período Cretáceo, em todo o planeta. Bom esclarecer que na escala de tempo geológico, o Cretáceo ou Cretácico é o período da era Mesozoica do éon Fanerozoico que está compreendido entre 145 milhões e 66 milhões de anos atrás, aproximadamente.
     O clima árido do Cariri contribuiu para a excelente qualidade da preservação dos fósseis. Há cerca de 100 milhões de anos, no Cariri existiam pequenos lagos, ocasionalmente alimentados pela água do mar. Segundo o paleontólogo Alexandre Kellner: “A baixa concentração de oxigênio no fundo desses lagos dificultou a proliferação de bactérias, e, portanto, a decomposição da matéria orgânica” (revista Galileu, agosto de 2000).

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