31 julho 2018

A Cor das Palavras - Por: Emerson Monteiro


Este o título de livro a ser lançado na próxima quinta-feira, dia 02 de agosto de 2018, no Salão de Atos da Universidade Regional do Cariri, em Crato, da autoria de Francisco de Assis Silvino da Silva, nascido em Fortaleza. Mora em Crato há 30 anos. Casado com Maria Augusta Brito Silvino, são eles os pais de Pablo, Luíza e Bárbara. Exerce o magistério como Professor Efetivo do Curso de Direito da Universidade Regional do Cariri – URCA, e cursa Letras na mesma instituição acadêmica. Originário de uma família de músicos, desde criança conviveu com as artes. Toca gaita cromática e faz apresentações instrumentais no Cariri e em Fortaleza.

Nessa publicação individual de estreia, o livro de poemas A Cor das Palavras vem a público revelar a vocação das letras. Entendo que a poesia desperta sentimentos, sensações. Por esse motivo é que escrevo. Porque já li muita poesia é que escrevo. Muito dos poetas que eu li está presente nos poemas desse livro. A eles, minha gratidão. Escrevo, também, ou por isso mesmo, por um mundo melhor. Por um mundo de paz. Entendo que a poesia pode ser uma ferramenta poderosa de construção da paz. Espero, então, que minha poesia seja um instrumento de paz. Assim resume Francisco Silvino seus pendores às palavras.

No trabalho de artista, há tempos evidencia, através, inclusive, de letras de canções que compõe, verve literária plena de imagens e sentimentos, força e inspiração, algumas dessas produções a merecer prêmios em festivais regionais e gravações de interpretes do cancioneiro cearense.

Além de apreciável instrumentista, Silvino revela talento no que tange à redação de crônicas, algumas constantes da obra em lançamento nos dias próximos. Além disto, traz consigo outras conquistas, tanto na área acadêmica, quanto no campo da música, pois, juntamente com sua esposa, Maria Augusta, promove a divulgação do canto coral em grupos que regem e organizam.

Nisto, a região do Cariri recebe de bom grado mais essa produção gráfica desenhada com esmero pelo diagramador Cláudio Henrique Peixoto, dotada de bela capa em excelente feitio, marcando presença efetiva do autor na rica literatura do Sul cearense.

O Deus de todos nós - Por: Emerson Monteiro


Essa vontade descomunal de obter êxito na busca da resposta universal do quanto existe, o encontro com Deus que todos aspiram discriminadamente no decorrer das épocas, e requer prudência e nenhuma acomodação. A fome de realização, da Realização do Ser que somos isso que Rabindranath Tagore, o poeta indiano, denominou de a Religião do Homem, e ele resume a dizer que a religião do homem é o próprio ser humano; encontro consigo mesmo; a identificação do Si para consigo em si.

Sob tais considerações, diante da aventura humana de responder ao enigma fundamental das vidas, há de se deparar com infinitos credos, códigos, seitas, religiões, denominações, estruturadas face tal jornada do Espírito enquanto vive na matéria pensante. Gama variável de acordo com as culturas espraiadas pelo Chão, significam conquistas de evidências e a criação de instituições; a escritura de livros; a missão dos profetas, dos santos; fundação das comunidades messiânicas; guerras raciais; surtos fanáticos; núcleos de promessa.

Acaba que, num misto de materialidade e espiritualidade, ressurge vezes sem conta o drama das humanidades, dos grupos sociais, das nações e dos líderes místicos. Enquanto isto, as interrogações sujeitam perder o fio da meada, em algumas ocasiões. Chegar bem perto de Deus e morrer de inanição, as vítimas da incúria e dos dogmas; revolucionários escravos dos ideais libertadores; arautos daquilo que lhes jogaria às calandras do Inferno de que tanto fugiam, e nelas sucumbem de braços erguidos aos Céus.

Bem isso que vemos no presente das horas. Nunca os humanos galgaram tamanhas proporções de conhecimento e vastas multiplicações de saber, no entanto persistem viver as antigas contradições das ausências de crenças, quais renitentes primitivos das cavernas lá do princípio de tudo. O esforço de gritar mais alto que seriam donos da Verdade enrouquece multidões e nenhuma realidade plena manifesta a certeza da paz e das virtudes que toque a plenitude tão sonhada. Porém consta das aspirações religiosas desde sempre a Esperança e a Fé que irão salvar o mundo na alma de todos.

30 julho 2018

Sentido de viver II - Por: Emerson Monteiro


Quando falamos da incapacidade de mudar uma situação, enfrentamos o enorme desafio de mudar a nós mesmos.
                                                                                   Viktor E. Frankl

A finalidade disto, de estar aqui, no desvendar do mistério de existir. Lição principal, vez que defronte dela nos vemos a todo instante. Malas prontas à continuar vidas afora, razão essencial de levar adiante o sentido de somar os elementos que motivam viver. A isto denominam sentido. Há um autor, Viktor Emil Frankl, judeu austríaco que esteve prisioneiro em três dos campos de concentração nazistas na Segunda Grande Guerra, que trabalhou a necessidade deste sentido de viver, a justificar o objetivo das ações dos humanos enquanto neste chão. Doutra vezes, noutra ocasião, eu falara disto, desses estudos, a que seu autor converteu numa técnica, a Logoterapia, a terapia do Sentido.

Antes da guerra, ele buscava essa importância de todos termos uma razão principal que justifique cruzar a barreira do tempo e seus desafios e jamais perder a fleuma de levar em frente o comboio da existência. Este sentido interior oferece força suficiente a ultrapassar dificuldades e criar consistência de vencer os limites da personalidade, no tempo e no espaço. Seja a realização de uma obra social, a concretização de um talento, os amores, os sonhos, a família, a religião, as ideias, os ideais, as produções empresariais, as viagens, os reencontros, as justificativas de revelar a que vale a pena ser feliz.

Daí a importância dos credos, das leis, dos grupamentos e das vontades que norteiam o domínio do ser sobre a natureza, traços do invisível na história das criaturas, em que todos lá um dia descobriremos, no justo fator de tocar mais além, o desejo soberano de sobreviver às intempéries dos dias e sustentar  apego de encontrar a Verdade superior através de nós e do mundo.

Isto em forma de ciência traz sabor de religiosidade e respeito uns pelos outros, conquanto isto em vista de anotar o trilho aonde evoluir e chegar às revelações daquilo a que viemos e devemos viver até construir um caráter definitivo.

Lifanco - Por: Emerson Monteiro


Quero falar a propósito de um músico contemporâneo de nossa Região, Francisco Macário da Silva Filho, Lifanco Kariri, nascido em Juazeiro do Norte a 14 de julho de 1955, que desde cedo que descobriria a vocação musical. A primeira vez que ouvi Beatles, a música tornou-se minha companheira inseparável. Aos 15 anos me aventurava mundo afora vendendo cítara, um pequeno instrumento que fabricavam em Juazeiro. Já sabia alguns acordes que aprendi graças a um vizinho que, vendo minha atenção, não se negou a me emprestar seu violão enquanto estava no trabalho.

Nas suas andanças pelo mundo, aonde chegava procurava se enturmar com os músicos locais, resultando fazer parte de bandas de baile e apresentações autorais, formas que achava de ajudar financeiramente a família.

De volta ao Cariri, continuou a tocar em bandas e a participar de festivais de música, tendo, inclusive, obtido boas colocações em festivais de outros estados. Passaria a frequentar os grupos da cidade de Crato, envolvendo-se na cultura local e trabalhado com seus artistas, dentre esses Abidoral Jamacaru, de quem cuidou da direção e dos arranjos de várias das suas músicas, o que lhe abriria portas a que fizesse trilhas de peças de teatro, de curtas metragens, e trabalhasse com outros compositores e intérpretes.

Daí, Lifanco se integrou à cultura cratense e hoje reside na cidade e a adotou como segunda pátria, iniciando atividade na comunidade da Vila Lobo com crianças dessa área, em manifestações populares infantis junto ao Reisado do Mestre Aldenir, e gravaria CD independente com músicas compostas a partir das histórias contadas pelas próprias crianças, pessoas e mestres da cultura popular. Adiante mudaria o nome do trabalho para Reisado Nação.

Na produção desse artista existem mais CDs gravados, dentre eles Alpendres do Brasil e, mais recentemente, Valores, estes ainda sem um lançamento oficial. É também da criação de Lifanco os arranjos de compacto duplo realizado nas homenagens dos 80 anos do poeta Patativa do Assaré, 80 anos de luz, patrocinado pela Universidade Regional do Cariri.

Conheço Lifanco Kariri há bom tempo, face à sua presença nos movimentos artísticos regionais, o que evidencia o quanto de talento possui e que o manifesta entre nós, a promover espetáculos nas oportunidades quando manifesta boa vontade e dedicação ao que realiza, exemplo aos tantos músicos das novas gerações.

30 de julho: aniversário da Princesa Isabel, a Redentora


Fonte: Instituto Cultural D. Isabel I,  a Redentora 

D. Isabel em imagem inédita.
Atelier Boissonnas & Taponier.
Rue de la Paix, Paris (c. 1919)

     Há 172 anos nascia, em São Cristóvão, no Paço da Imperial Quinta da Boa Vista, a filha e herdeira de D. Pedro II do Brasil. O Instituto Cultural D. Isabel I a Redentora--IDII tem a grata satisfação de divulgar que será lançado, provavelmente em outubro próximo, o maior livro já escrito sobre a personagem.

     Em Alegrias e tristezas: estudos sobre a autobiografia de D. Isabel do Brasil, os textos autobiográficos são reunidos às análises de dois especialistas sobre a governante: a historiadora e arquivista Maria de Fátima Moraes Argon, presidente do Instituto Histórico de Petrópolis e pesquisadora-chefe do Arquivo Histórico do Museu Imperial e o historiador e advogado Bruno da Silva Antunes de Cerqueira, fundador do IDII e indigenista da Funai. Fátima Argon trabalha a escrita de si e a interseção no percurso biográfico daquela que teria sido D. Isabel I na transição do século XIX para o XX, enquanto Antunes de Cerqueira analisa as implicações teóricas que a história da historiografia da personagem aportam aos estudos sobre esse período de transição. O livro traz ainda a Cronologia isabelina e isabelista e uma tabela com todos os homens e mulheres que D. Isabel nobilitou, pessoalmente ou por vias transversas.

    A regente do Império que sai da pesquisa, encetada pelos dois autores durante os últimos 20 anos, nada tem a ver com a personagem minimizada pela historiografia convencional, assim como se distancia do pálido e eventualmente caricato objeto de culto do abolicionismo monarquista. De outro lado, a catolicidade de D. Isabel é esmerilhada até o ponto em que se torne possível a compreensão de uma "rede de sentidos" para uma hipotética canonização dela por parte da Santa Sé.

O prefácio e a contracapa são, respectivamente, de Teresa Malatian e Isabel Lustosa. A obra, com mais de 600 páginas, recheada de fotos inéditas, é mais uma parceria entre o IDII e a Linotipo Digital Editora e Livraria, de São Paulo.

29 julho 2018

Livre só pensar - Por: Emerson Monteiro


Qual quem mancha tecidos, assim é escrever. Manchar com tintas indeléveis, definitivas; escrever é assim. Largar aos borbotões o direito de ser só e silencioso, indolente. Contar daqui de dentro ali fora o que aconteceria nas malhas dos pensamentos impacientes. Dizer na pura intenção de permanecer além do tempo, lá nos meandros daquilo que apenas passava, e no entanto frenou o circular dos acontecimentos em um instante sólido, feito palha seca, porém palha e seca forrada de gestos e concretude.

Quando havia, durante décadas, a coluna que Millôr Fernandes publicava na imprensa brasileira e assinava com o pseudônimo Vão Gogo, usava o subtítulo de Livre pensar é só pensar. Nisso, deduzia que pensar torna livres, se for livre o que só pensamos. Longe das amarras das repetições, lugares comuns, chavões e frioleiras. Pegar firme no jeito de reverter o quadro das acomodações e rotinas em palavras e frases a montar o movimento da fala em textos e construções. Usar da coragem de aventurar o escafandro da dúvida e percorrer o tecido que queira manchar sem o medo de perder o senso.

Isso tal qual escrever; ousar pelos territórios virgens do silêncio e saber que haverá, nalgum lugar distante, sobreviventes que leem. Avançar sobre a carne das palavras e retalhar ossos e nervos numa espécie de piratas das noites  escuras à busca dos galeões abandonados em que se transformou o vazio das letras caladas. Passo ante passo, e percorrer o destino das ideias a lançá-las feridas e sórdidas longe da inocência original. Fazer face às garras da previsão de sentido e ferir as telas e as tardes; contar em fúria o que nunca passaria de mero vômito do presente a cada imagem do que iria e jamais voltaria a ser de novo, não fosse audácia impetuosa dos que falam, contam, escrevem; dizer nas entrelinhas das ausências em queda livre as visões e os sonhos que testemunhavam inconformados em perdê-los.

Virarão depois em telas abandonadas a correr da pena e do tocar dos dedos nos teclados aquilo tão querido, fagulhas de vidas retemperadas, fervidas e enviadas a outros aventureiros da leitura, nesse mundo afora.

Escrever, pois, espécie de repartir clandestino do pouco que somos em pequenos mercados de tintas e papéis deixados à margem dos firmamentos e guardados bem íntimo das horas eternas, fragmentos dos que feriram a exaustão da inutilidade e resolveram multiplicar possibilidades no dizer acontecer que viraram gritos de vontades e flores secas ao Sol.

28 julho 2018

Para você Refletir - Por Maria Otilia

Não é de hoje que somos submetidas a valorização e a um grande apelo aos padrões de estética. Sem dúvida, a vaidade, a estética e o culto à saúde, são muito importantes. Isso só se torna um problema quando há uma supervalorização desses aspectos. Neste sentido estamos constatando o grande número de  mulheres, vitimas de erros médicos, muitas chegando a óbito. E o mais alarmante é que estas mulheres buscam, sem nenhuma avaliação ou critério de escolha, profissionais não habilitados para realizar procedimentos  que  possivelmente, para as mulheres, pudessem trazer o tão “sonhado” padrão de beleza.
É importante que todos os órgãos de regulação de atividades  voltadas para a área da saúde, em especial a de estética ,sejam  mais atuante fiscalizando e fazendo valer a legislação. E que  seja trabalhado, em especial nas escolas, desde a educação infantil, a desconstrução  desta “ditadura da beleza”, trabalhando a sensibilidade  e construindo uma mente sadia e de aceitação do nosso corpo com as todas as  diversidades que todo ser humano tem.
Para melhor reflexão sobre esta temática, posto um recorte de um artigo que traz um paralelo entre  o conto de fadas do Filme do Ogro Shrek e da princesa Fiona.  Boa leitura.

           CORPO, CULTURA E REGULAÇÃO SOCIAL: OU O TRIUNFO DO DESVIO.
A feiura é, atualmente, uma das mais presentes formas de exclusão social, e como tal, uma importante forma de agenciamento de subjetividade. Tomando a gordura como uma das atribuições mais representativas de feiura na cultura atual, apontamos para os processos de exclusão vividos por aquelas que nela se enquadram. (Novaes, 2006).
É também preciso ressaltar que o controle exercido através da fiscalização de um olhar minucioso sobre a aparência e com o aval da ciência, contribui para regulamentar diferenças e determinar padrões estéticos em termos daquilo que é próprio e impróprio, adequado ou inadequado, normal ou anormal. Como bem sugere Durif, “o corpo torna-se álibi de sua própria imagem.” (apud Daniels, 1999:29). Esse controle da aparência traduz-se não somente na atribuição de características estéticas, como as investem de julgamentos morais e significados sociais.
É interessante notar como os discursos que normatizam o corpo, sejam eles científico, tecnológico, publicitário, médico, estético, etc., vão, pouco à pouco, tomando conta da vida simbólica/subjetiva do sujeito. Nas palavras de Daniels, (1999):
“As instâncias que normatizam o corpo invadem as dimensões expressivas e simbólicas da corporeidade, fornecendo imagens e informações que reconfiguram o próprio âmbito do vivido corporal. O leitor é sempre aquele que possui um conhecimento muito limitado e confuso de seu corpo”. (1999:50)
Com efeito, os cuidados físicos revelam-se, invariavelmente, como uma forma de estar preparado para enfrentar os julgamentos e expectativas sociais. Da mesma forma, todo o investimento destinado aos cuidados pessoais com a estética vincula-se à visibilidade social que o sujeito deseja atingir – evitar o olhar do outro ou à ele se expor está diretamente relacionado as qualidades estéticas do próprio corpo!
As representações do que é ser belo, veiculadas pela mídia, acabam por transmitir discursos e saberes, que indicam como devemos ser. Amplamente disseminadas, essas imagens são carregadas de significações que produzem verdades, indicando formas de pensar, de sentir e conhecer, que por sua vez, ensinam ao sujeito os modos de ser e estar na sociedade e na cultura e quem está inserido. Daí advém a importância de analisar os filmes infantis, como um artefato cultural que contribui na constituição da identidade, forjando subjetividades.
Por ser um meio de produção e reprodução de informações, onde circulam concepções de gênero, classe social, sexualidade e raça, -  a mídia reafirma-se enquanto uma instância educativa. Portanto, para além da sua função de entretenimento, este artefato cultural deve ser considerado como um importante local de formação cultural e disseminação dos valores hegemônicos.
Em suas pesquisas, (FISCHER, 2002) busca demonstrar como, ao dirigir-se às pessoas de forma a ensiná-las modos de ser e estar na cultura em que vivem, a mídia transformou-se em um dispositivo pedagógico diretamente relacionado à formação das identidades, reproduzindo conceitos sobre os mais variados aspectos da vida associativa e que valorizam determinados comportamento em detrimento de outros. O conceito de regulação social refere-se a esses padrões comportamentais que ganham destaque em uma sociedade.
O pensamento Moderno tem como marco a compreensão da diferença como um desvio do padrão de normalidade. Marcados por estereótipos, quase sempre relacionados à incapacidade, improdutividade e/ou doença, os grupos desviantes foram vítimas de discriminações e preconceitos, sendo, na maioria das vezes, isolados em instituições especializadas, como nas escolas especiais, por exemplo.

As mais importantes marcas da atualidade, no entanto, são as rupturas de paradigmas do universal ao múltiplo, da exclusão à inclusão, assim como a transição do modo de se compreender a diferença: do modelo Moderno, pautado no padrão, que compreende a diferença como um desvio do padrão de normalidade, ao modelo atual, vinculado ao princípio da diversidade, que compreende que todos os indivíduos são diferentes e que ser diferente não significa ser normal ou anormal, capaz ou incapaz, melhor ou pior etc, significa apenas ser diferente.
Com uma abordagem afiada no tocante à temática dos estigmas relacionados à aparência, o desenho apresenta uma grande riqueza de diálogos nesse sentido, como revela a cena em que Shrek se queixa das pessoas o julgarem antes mesmo de conhecê-lo. Com isso, o personagem reafirma a crueldade e injustiça presentes no olhar preconceituoso que o imaginário social demonstra lançar em relação à feiura: "Olha, não sou eu que tenho problemas, ok? É o mundo que parece ter um problema comigo. As pessoas olham para mim e: Ah! Socorro! Um ogro enorme e horrível! Elas me julgam antes de me conhecerem".
Ao que parece, as pessoas bonitas têm prerrogativas. Ao vermos uma bela figura parecemos desculpar todo e qualquer tipo de defeito de caráter. Inversamente proporcionais aos comentários depreciativos em relação às pessoas gordas, são aqueles associados aos indivíduos de bela de aparência. Aos belos, tudo é desculpado e permitido, pois a beleza, em si, é a moeda de troca.
Não havendo qualquer tipo de restituição simbólica que possa despertar a piedade alheia, os gordos são mantidos excluídos, feito párias sociais, pois já não participam das regras do jogo social. Não à toa, na sociedade contemporânea, os obesos são denominados “malignos” ou “malditos” – como no jocoso termo empregado por Fischler. Possuem também, um comportamento visto como depressivo e por isso, desprovido da obstinação necessária para a contenção de suas medidas corporais. Enfim, sua imagem demonstra um certo desânimo perante à vida, remetendo ao fracasso no agenciamento do próprio corpo e dos seus limites.
Numa sociedade como a nossa, na qual o máximo da valoração social não reside na realização das ideologias/utopias, mas na realização dos projetos individuais – nada, então, mais antipático e que desperte menos solidariedade do que um indivíduo incapaz de empenhar-se no projeto pessoal da boa aparência.
Partindo, então, da premissa de que os imperativos estéticos são, simultaneamente, produzidos e reforçados por expectativas socialmente instituídas. Portanto, concluir-mos-emos que é a relação com a alteridade, ou seja, com o olhar do outro, que atribui uma avaliação demasiadamente depreciativa a respeito da imagem corporal que o sujeito constrói sobre si. Nota-se, contudo, que ao descrever a própria imagem, o indivíduo tende em querer desvencilhar-se dos adjetivos mais depreciativos, fazendo uso de eufemismos e diminutivos para mascarar sua real aparência.
Como bem aponta o autor, as categorias que representam a gordura, a magreza e a obesidade mantém-se, relativamente, estáveis ao longo dos séculos. Contudo, é preciso que estejamos atentos, pois são os critérios que determinam o limiar entre uma e outra, que sofrem grandes variações. Nas palavras do autor: ”era preciso sem dúvida, no passado, ser mais gordo do que hoje para ser julgado obeso e bem menos magro para ser considerado magro” (1995:79) 

Extraído do Artigo escrito por Joana de V. Novaes

27 julho 2018

Interpretações - Por: Emerson Monteiro


Andar pelo território da alma da gente e descobrir gradualmente a que leva a peregrinação das existências. Palmilhar entre as pedras de si mesmo os calvário da libertação. Descobrir aonde nos leva a viagem de tantos milênios transcorridos nas civilizações pela reencarnação. Revelar os mistérios de conhecer com lucidez e iluminar os refolhos das sombras que carregamos profundamente vidas afora. Enfim interpretar os ditames das possibilidades através das próprias incursões aos pousos distantes do objetivo de andar e construir o mundo nas cordilheiras da espiritualidade, o que nos é dado fazer tal missão fundamental de tudo quanto há no Universo inteiro. Nós, os parceiros diretos da Criação e copartícipes da divindade.

Sim, isto de interpretar os mínimos detalhes do itinerário da Salvação por meio dos caminhos da consciência em movimento, a isto aqui nos vemos. Matérias primas da edificação cósmica das espécies ao Infinito, vimos tocar em frente o destino dos elementos em comunhão nos humanos, o campo de ensaio da totalização do Ser. Segredos por excelência, o Poder assim estabelece a inteligência em desenvolvimento no quanto de equilíbrio necessário à iluminação das nebulosas dos céus da experiência.

Doutrinas oferecem os instrumentos de resolver o conflito essencial das duas metades que nos formam e nelas equacionamos a vontade. Aprender na atividade efetiva da razão e da emoção, recursos de conciliação entre essas funções estruturais de tudo, nas luzes da Natureza. Bem no imo do coração, ali se inscreve a caligrafia de Deus. Imortais modeladores, pois, das certezas eternas, somos os artífices da Perfeição. Conhecer e trazer à prática fiel, eis o espaço a transitar, transmutar, transcender...

Ninguém, senão nós, a responder o enigma dos tempos. Em ninguém mais, senão em nós, o destino das gerações traçadas no teto do firmamento, astros entre os astros, filhos diletos da sublime felicidade, autores e senhores da árvore do Amor.

26 julho 2018

Solenidade de abertura da Ladeira Cultural e do Portal do Sonho

Fotos: Janildo Batim

O Memorial da Imagem e do Som do Cariri (MIS-Cariri) realizou, no último dia 14, solenidade bastante concorrida para a abertura ao público da Ladeira Cultural Geraldo Urano e da Instalação Portal dos Sonhos, em alusão à obra do artista plástico Sérvulo Esmeraldo.
Na ocasião, o diretor-fundador do MIS-Cariri, Jackson Bantim, falou sobre a iniciativa de prestar um tributo a esses dois ícones da cultura caririense, destacando sua amizade com o poeta Geraldo Urano e de seu afetivo respeito e admiração para com Sérvulo Esmeraldo.
Em nome da família de Geraldo Urano, falou a sua irmã Lídia Batista, que deu um emocionante testemunho da sua relação com o poeta recentemente falecido.
Esses novos equipamentos culturais estão instalados na sede do Instituto Cultural do Cariri - ICC, em Crato.
Segue a cobertura fotográfica feita por Janildo Bantim.






“O Socialismo do século XXI” – FMI projeta inflação de 1.000.000% (hum milhão por cento) na Venezuela para 2018

Fundo comparou a situação do país à enfrentada pela Alemanha em 1923 e pelo Zimbábue no fim dos anos 2000.

Por Agencia EFE
 A Venezuela vai tirar mais  cinco zeros de enfraquecida moeda. Já foram retirados seis zeros anteriormente.  O ditador venezuelano, Nicolás Maduro, apresenta nota da nova moeda do país em 25/07/2018, no  Palácio Miraflores/Divulgação via Reuters

O Fundo Monetário Internacional (FMI) projetou  que a Venezuela terá uma inflação de até 1.000.000% (hum milhão por cento) em 2018 e comparou a situação do país à enfrentada pela Alemanha em 1923 e pelo Zimbábue no fim dos anos 2000. O cálculo foi divulgado em entrevista coletiva pelo diretor do Departamento de Hemisfério Ocidental do FMI, Alejandro Werner, que atualizou as perspectivas econômicas regionais da organização.

Além disso, o FMI explicou que a hiperinflação, junto com o colapso da atividade econômica, a deterioração crescente do fornecimento de serviços públicos e a escassez de alimentos, provocaram grandes fluxos de migração de venezuelanos. No relatório divulgado, o FMI prevê que a economia da Venezuela recuará 18% em 2018, três pontos percentuais acima da última projeção, e 5% em 2019, um ritmo menos intenso do que o calculado pela organização em abril.

Werner reconheceu que é difícil fazer previsões para uma economia como a da Venezuela. "Não é possível saber o que vai ocorrer entre hoje e dezembro. Qualquer mudanças pode ter implicações muito grandes dentro dessa previsão", explicou. No entanto, o diretor regional do FMI esclareceu que com os atuais níveis de inflação, os impactos de um hipotético erro na projeção do FMI seriam "muito marginais". "A destruição do sistema de preços como mecanismo de alocação de recursos já está feita", sentenciou Werner.

CARIRIENSIDADE -- Armando Lopes Rafael

A importância do Geopark Araripe

Localizado no Sul do Ceará, mais precisamente na região do complexo sedimentar do Araripe, o Geopark Araripe oferece uma possibilidade única para compreender o passado geológico e a vida na terra. O complexo sedimentar do Araripe possui formações rochosas de diversos períodos, principalmente do Cretáceo Inferior, com registros da separação dos continentes. Dentro do Geopark foram delimitadas nove localidades que receberam o nome de Geotopes. Estes abrangem porções territoriais dos municípios de Santana do Cariri, Nova Olinda, Missão Velha, Barbalha, Crato e Juazeiro do Norte. Tendo como moldura a exuberante paisagem da Chapada do Araripe. O escritório geral do Geopark fica na cidade de Crato.
Sítio Mitológico do Castelo Encantado, localizado num dos geotopes, no município de Nova Olinda

Mestres da Cultura Popular no Cariri

   Quando Dr. Lúcio Alcântara foi Governador do Ceará (2003–2006) criou mecanismos para a preservação e proteção da nossa rica cultura popular. A Lei nº 13.351 de 22 de agosto de 2003, por ele sancionada, reconheceu alguns caririenses como “Mestres da Cultura”.
    Isso evitou que o nosso patrimônio imaterial desaparecesse. O Governo do Ceará fez o reconhecimento e seleção de alguns Mestres da Cultura. Estes são beneficiados com um salário, e assumem o compromisso de repassar seus conhecimentos às novas gerações. No Cariri, foram selecionados vários Mestres da Cultura, promotores do reisado, xilogravura, artesanato de barro e madeira, bandas cabaçais, cerâmica de barro, danças das nossas tradições populares (como o Maneiro-Pau, Congada, Coral de Penitentes, Lapinhas, dentre outras).

     Foi excelente a providência de reconhecer esses “Mestres” para preservar e valorizar as Culturas Regionais e demonstrar a importância das pessoas que exercem e vivem a nossa cultura popular.

Juazeiro é um mundo 1

Monsenhor Murilo de Sá Barreto costumava dizer: “Juazeiro é um mundo”. Tinha razão o Vigário do Nordeste. Anos atrás, quando procurávamos alguma novidade no comércio de Crato podíamos ouvir como resposta: “Isso só se encontra em Fortaleza”. Nos dias atuais é comum escutar: “Isso só tem em Juazeiro”. Hoje, a Terra do Padre Cícero, semelhante a música de Luiz Gonzaga –  “Feira de Caruaru” –  “de tudo tem prá vender”. 

Juazeiro é um mundo 2

    Virou moda o consumo de cerveja artesanal. Os apreciadores desse tipo de bebida – residentes no Cariri e adjacências – dispõe agora de uma loja especializada (a “Mestre-Cervejeiro.com”) filial de uma rede que se estende por todo o Brasil, ofertando dezenas de marcas de cervejas artesanais. A “Mestre-Cervejeiro.com” fica na Avenida Governador Plácido Castelo nº 535, no bairro Lagoa Seca. 

    O horário de funcionamento é das 10 horas às 22 horas. Outra novidade: no próximo dia 1º de setembro deverá ser inaugurada em Juazeiro uma filial da Livrarias Paulinas, rede de livrarias católicas presentes em 50 países, nos 5 continentes. No Brasil as Paulinas atuam desde 1931, com filiais nas maiores cidades brasileiras.  A filial da Livrarias Paulinas em Juazeiro do Norte ficará quase vizinha à Basílica Menor de Nossa Senhora das Dores, no início da Rua Padre Cícero. Juazeiro é mesmo um mundo!
Filial da “Mestre-Cervejeiro.com” em Juazeiro do Norte

 “Aprendendo com o Dr. Arraes”
 José Almino Pinheiro


    O engenheiro José Almino Arraes de Alencar Pinheiro, nasceu em Crato em 1951, filho de César Pinheiro Teles e Almina Arraes. Seus pais são oriundos de respeitáveis e tradicionais clãs familiares do Cariri, que legaram aos pósteros exemplos de dignidade e honradez. Pelo lado paterno, José Almino descende do legendário Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro. Pelo materno, vem da família Arraes Alencar – ramo de Araripe – que se fixou em Crato e ganhou realce pela projeção política de Alexandre e Miguel Arraes, dois homens públicos de reconhecido valor. 

     Sobrinho do ex-governador Miguel Arraes, José Almino escreveu um interessante livro: “Aprendendo com o Dr. Arraes”, obra com poucos exemplares que circula entre amigos e familiares. José Almino tem uma história de vida bem interessante. Em 1970, aluno de engenharia mecânica da Escola Politécnica de Pernambuco, e sentindo – na universidade –  o “clima pesado” pelo fato de ser sobrinho do governador deposto e exilado, enviou uma carta à União Internacional dos Estudantes, filiada à Unesco, órgão das Nações Unidas, e conseguiu uma bolsa para fazer seus estudos em Praga, capital da então Tchecoslováquia (hoje, República Checa). Lá se casou com a checa Zdenka, com quem teve três filhos. 

Formado, regressou ao Brasil em 1978, fixando-se em Barbalha onde trabalhou como engenheiro na Açusa– Usina Manoel Costa Filho, fabricante de açúcar.  Com a segunda eleição de Miguel Arraes para o governo de Pernambuco, em 1986, José Almino foi convidado pelo tio para ser Secretário da Agricultura daquele estado. Seu livro resgata seu convívio com o tio e as preocupações/ações do Dr. Miguel Arraes para promover a parcela mais esquecida da população, no tocante ao fornecimento de água potável, energia elétrica, crédito rural para a agricultura familiar, dentre outros direitos do povo.
O livro de José Almino se sobressai na perspectiva técnico/científica, mas a leitura é agradável. Quanto a mim, ela proporcionou-me ampliar meus modestos conhecimentos em várias áreas das necessidades básicas humanas.

No tempo que o tracoma grassava no Cariri


 Chegada de Dom Vicente Matos a Crato, em 1955. Ele desembarcou no Aeroporto de Fátima, na Chapada do Araripe

    Há 60 anos, o jornal “Correio da Manhã”, do Rio de Janeiro – edição de 27 de junho de 1958 – publicava uma entrevista (título da matéria: “Bispo dirige campanha contra tracoma”) feita com o então Bispo-Auxiliar de Crato, Dom Vicente Matos.  As novas gerações desconhecem este fato. Por isso, primeiramente, informamos o que é o “tracoma”. Trata-se de uma doença infecciosa da conjuntiva e da córnea do olho. Desde os primórdios do Cariri o tracoma afetava – de forma epidêmica –  as populações do Sul do Ceará, de maneira mais intensa os habitantes da zona rural. Quando não tratada corretamente, o tracoma deixava sequelas, ocasionando cicatrizes nas pálpebras e chega a causar cegueira.

     Quando o jovem bispo Dom Vicente de Paulo Araújo Matos chegou ao Cariri, em 1955, sentiu esse drama e decidiu enfrentá-lo. O Governo Federal tinha recursos, mas não dispunha de estrutura para percorrer os sítios e lares caririenses no combater ao tracoma. Já a Diocese de Crato – graças a capilaridade de suas paróquias – tinha essa estrutura. Dom Vicente Matos firmou, então, parceria com Ministério da Saúde/Departamento Nacional de Endemias Rurais–DNERU.  Conseguiu recursos e medicamentos dentro da “Campanha Federal Contra o Tracoma". A Diocese de Crato arregimentou seus fiéis e estes percorreram a zona rural do Cariri combatendo o tracoma. Êxito total: nos primeiros anos da década 60 a doença já tinha sido erradicada no Cariri. 

Escritores do Cariri: Amália Xavier de Oliveira

     Nasceu em Juazeiro do Norte em 5 de abril de 1904 e faleceu, na mesma cidade, em 5 de dezembro de 1984.  Para os padrões da sua época, recebeu excelente formação educacional. Foi aluna de música vocal na juventude. Na fase adulta, fez curso de especialização e conhecimentos gerais no Instituto de Educação do Rio de Janeiro, sob a direção do Professor Lourenço Filho, aprimorando-se na arte de Canto Orfeônico, jogos e brinquedos.  

     Concluiu o curso normal, em 1925, pelo Colégio das Doroteias, em Fortaleza. Foi Professora e Diretora do Grupo Escolar Padre Cícero, em sua cidade natal. É considerada a maior educadora da Terra do Padre Cícero. Instalou e dirigiu a Escola Normal Rural de Juazeiro do Norte, a primeira do gênero no Brasil e a segunda na América do Sul. Fundou o Externato Santa Teresinha, em Juazeiro. Tinha grande amor por sua cidade natal. 

     Era uma católica fervorosa e toda a sua atividade cultural foi voltada para as coisas da Igreja Católica. Por iniciativa de Dona Amália, em 1953, para comemorar a visita da Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima a Juazeiro, foram construídos: O Arco, ao lado do Colégio Salesiano e um desenho em alto relevo na parede externa lateral da Basílica de Nossa Senhora das Dores (lado da Rua Pe. Cícero) com um rosário, encimado por um pequeno nicho da Virgem de Fátima. Ambos sobreviveram até os dias presentes. 

     Amália Xavier de Oliveira é a Patrona da cadeira n° 55 da Ala Feminina da Casa Juvenal Galeno. Toda a sua produção literária girou em torno do seu torrão natal. Escreveu vários livros e “plaquetes”, dentre eles:  “O Padre Cícero que eu Conheci”, “Dados que Marcaram a Vida do Padre Cícero”, “Conheça o Cariri”, “História da Escola Normal Rural de Juazeiro” e “Juazeiro e suas Memórias”, afora artigos e trabalhos para jornais e revistas.

25 julho 2018

Dor e realidade - Por: Emerson Monteiro


Isto porque a ausência de realidade leva a sentir dor; na dor, a ilusão de quando se desfazem as paixões; por exemplo, quanto preço, quanto preço cobra o mercado das ilusões. O freguês espera, que virá sempre e nunca mais... Mais cedo, menos cedo, chega a conta dos vacilos numa bandeja de latão. Vem acima, vai abaixo, e há de carregar o preço do que consumiu às vezes dentro das tremendas irresponsabilidades, ao sabor do sofrimento alheio. Da ausência de respeito pela dor alheia. Quanto acontece a todo instante nesse mar de sargaços em que virou a velocidade dos dias nos tabuleiros das horas.

Achar que pimenta nos olhos dos outros é refresco gera isso de sadomasoquismo das sacanagens humanas. Escondidos da consciência, erram que nem podiam ser. Da Justiça ninguém escapará, nem os reis, nem os barões. Tempos além, chega às malhas dos tribunais da eterna sapiência de tudo, e respondem ao furor das tentações a que cederam no jogo pálido das relações de cidadão a cidadão. Pouco senso, pouco siso, imaginar passar impune. Pouca inteligência, nenhuma prevenção de saúde moral, espiritual. Daí, deixar o cipó de aroeira romper as fraquezas e despertar a realidade extrema que nasceu no fugir das gerações.

Às vezes nos pegamos a estudar um jeito de romper as amarras aos ditames da perfeição, e inevitavelmente resulta de responder aos erros, quando não desta vida, das vidas anteriores. Nenhum foge ao seu destino, porquanto no Universo tudo cabe, ruge, desde séculos sem fim, amém. Assim, depois das contas ajustadas no juízo das histórias virá a bonança, custe o que custar. A dor tem esse condão de ser o ajuste dos pesos na balança da Eternidade. Aí não fosse desse modo, e perder-se-ia nos lixões da inutilidade. Porém o peso justo das eras soma e subtrai, revelando a beleza da imortalidade da alma da gente. Amiga dor; bendita realidade.

24 julho 2018

Algumas considerações sobre as privatizações – por Armando Lopes Rafael (2ª parte)



Em palestra feita semana passada, para empresários cearenses, o economista Paulo Guedes (assessor de economia do único candidato da direita à Presidência da República, nas eleições deste ano), demonstrou que em junho de 2019, a dívida pública chegará à cifra de R$ 4 trilhões. Ele foi taxativo: “Ou se muda urgentemente o regime fiscal do Brasil, ou nosso país será inviabilizado como nação”.

     Paulo Guedes disse que a privatização das empresas públicas deficitárias é uma medida para ontem. Chegou a nominar uma delas: “Por que manter estatal os Correios, uma empresa que entrega com dois meses de atraso uma carta postada do Sudeste para outras regiões brasileiras”?

    O reconhecimento de que o Estado brasileiro não é capaz de gerir bem suas empresas, fez voltar à tona, entre a população brasileira, o tema das privatizações. Considere-se, ademais, que as grandes estatais brasileiras foram saqueadas – durante os últimos governos federais – financiando   megas esquemas de corrupção, fatos amplamente divulgados pela mídia. Essas estatais, além de fornecedoras de propinas para os políticos corruptos, tornaram-se deficitárias e sem competitividade. 

    Já as empresas privadas são eficientes na gestão dos seus recursos e são as geradoras dos novos empregos no Brasil. Basta lembrar o serviço de telefonia – a Telebrás – que era um paquiderme estatal e quando foi privatizada deu um salto de qualidade, graças a entrada de investidores privados no mercado. Hoje a imensa esmagadora dos brasileiros possuem telefones celulares. No passado era uma minoria que tinha esse privilégio. Hoje, sem burocracia, em 10 minutos, quem quiser adquire um novo telefone celular. No passado, os brasileiros entravam numa fila e demorava até um ano para poder comprar o ansiado aparelho.

     O mesmo aconteceu com as companhias de energia elétrica pertencentes aos estados brasileiros. Algumas eram até deficitárias, mas voltaram a dar lucros após a privatização. É o caso da Vale e da CSN. Hoje, ambas, ao invés de sugarem recursos públicos, geram em impostos mais receita à União do que quando estavam sob controle do atrasado Estado republicano brasileiro. Isso é fruto da privatização.

23 julho 2018

Aceitação - Por: Emerson Monteiro


De comum há sinais de resistência a quase tudo, sobremodo quando reclama algum sacrifício da parte de quem deve aceitar. Animais ainda limitados ao conhecimento restrito, os humanos jogam rápido diante das crises. Sempre correr na frente virou norma de combate diante dos embates e circunstâncias. Querer qual verbo intransitivo. Querer por querer, independente dos valores em xeque. De então, eis o quadro que apresentam os dias atuais, época de largas interrogações no cio e surpresas.

Mas nem é disso que quero tratar, não. Quero passear pela memória e descobrir alguns instrumentos de tranquilidade no que aí se fala, aí se faz. Aceitar mesmo as contradições tais dos fatores de aprendizado, máxime face às leis que a tudo regem, nada fora do lugar, longe de cair um cabelo da cabeça da gente sem o consentimento do Poder. Admitir que sempre haverá situações e desafios a superar, porquanto vivemos de aprender, de revelar no íntimo os mistérios da Criação através dos aprendizados, até chegar na Sabedoria plena. O mais descompassa, desmancha no coro dos contentes, alimenta querelas e preocupações. Disso jamais vêm bons frutos.

Aceitação desses limites da capacidade no desvendar as razões de estarmos aqui diante do Infinito, heróis da Salvação, seres inteligentes e sal da Terra. - Se perder o sabor, com que se irá salgar? – indaga Jesus. Usufruir do potencial do sonho de amar e amar muito, ao nível das dimensões do sabor da Consciência.

Conciliar consigo, com os outros e com o Universo, eis a missão. Abraçar a sorte dos eleitos, dos senhores das almas e dos sentimentos, sobreviventes e peregrinos das estrelas. O que de melhor existirá no espaço das eras e dos signos, matemática das esferas, viajores da luminosidade, espécies imbatíveis dos destinos e das bênçãos. Seguem seus autores a sorte dos voos descomunais rumo da perfeição nos céus, pássaros das alturas e luzes em forma de ciência. Um tudo no ser da verdade, o que bem resume a realização em movimento por meio do mínimo ora que significamos.

Algumas considerações sobre as privatizações – por Armando Lopes Rafael (1ª parte)

O que é a estatização? No Brasil, a partir da ditadura de Getúlio Vargas (1930), e até o fim da ditadura militar (1985), praticamente todos os setores-chave da economia eram controlados pelo Estado. O setor bancário brasileiro ainda tem expressiva participação do Estado, com a Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Banco do Nordeste, Banco da Amazônia. Mesmo assim mais de vinte deficitários bancos estaduais foram privatizados. Esse modelo de empresas o Governo criou centenas de novas estatais que atuavam não apenas em setores estratégicos, mas também em setores menores, como hotelaria e até supermercados.

Os presidentes Collor, e Fernando Henrique Cardoso promoveram o programa da privatização de empresas estatais. Estas, estagnadas, não acompanhavam mais o ritmo de modernização das empresas privadas. Além de deficitárias, pareciam paquidermes num mundo globalizado.  Essas privatizações foram um pouco freadas com a chegada do PT (leia-se: Lula e Dilma) ao poder. Mesmo assim, algumas atividades estavam tão defasadas que Lula ainda chegou a privatizar as hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau e diversas Rodovias (as chamadas BRs). E Dilma privatizou os principais aeroportos do país (única forma de receber de forma eficiente os visitantes para a Copa do Mundo 2014) e mais: a Ponte Rio-Niterói e 7 rodovias BRs.

Para os defensores da privatização, pessoas de pensamento liberal, essa providência é imprescindível para que o Estado Brasileiro consiga um equilíbrio fiscal, acabando os déficits anuais cada vez maiores, os quais – se forem zerados – comprometerão o futuro da nossa pátria levando-a aos níveis da Venezuela, Nicarágua ou Cuba. O Estado, dizem eles, deve focar sua presença nas áreas para as quais foi criado: saúde, segurança e educação públicas, saneamento básico, equilíbrio fiscal, dentre outras.
Voltaremos amanhã com outras considerações sobre este tema.

Cerca de 500 mil visitantes compareceram à Expocrato


Fonte: Excerto de matéria do“Diário do Nordeste”, 23-07-2018 – por Antonio Rodrigues - Colaborador


Área dos shows artísticos da Expocrato

 
Crato. Chegou ao fim, na noite de ontem (22), a 67ª Exposição Centro Nordestina de Animais e Produtos Derivados, a Expocrato, que teve como destaque, este ano, a reforma do Parque de Exposição Pedro Felício Cavalcanti, que abriga o evento. Durante os nove dias, o Grupo Gestor estima que mais de 500 mil pessoas circularam no equipamento. 

Para melhorar a circulação, organização, logística e atender exigências do Ministério Público, foram investidos na reforma R$ 35 milhões, numa área total de intervenção de 33.605,40 m². No espaço de shows, foi colocado piso intertravado e capacidade ampliada para mais de 30 mil pessoas. A obra também incluiu novas edificações como a Administração do Parque, dormitório para os tratadores (144 camas), instalações sanitárias, nova arquibancada, edifício para entidades, centro de manejo, marquises polivalentes, restaurantes, museu, área para artesanato, engenho, e renovação dos pavilhões existentes e toda a parte viária e de currais nova. São 4.434,30 m² de reformas de construções existentes e um acréscimo de 11.137,50m² em novos edifícios.

O governador Camilo Santana, que visitou a Expocrato na sexta-feira (20), ressaltou a reforma que, mesmo ainda não sendo concluída, já torna o Parque Pedro Felício Cavalcanti um dos melhores do País. "Toda infraestrutura e aquilo que for necessário ser feito para o próximo ano nós vamos fazer", adiantou. O chefe do Executivo cearense ressaltou que o objetivo é deixar o equipamento funcionando o ano inteiro, com sede de órgãos públicos e espaço de lazer.

O presidente do Grupo Gestor, Luiz Gonzaga de Melo, acredita que a Expocrato superou todas as expectativas aos expositores e faturamento, "apesar que até o momento não podemos ter o faturamento fechado porque tem que fazer o balanço", pondera. Isso só deve acontecer no mês de agosto mas, até nesta segunda feira (23), ainda há pessoas procurando fazer negócios.

"Depois que ampliaram o Parque, gerou um desejo do Cariri de vir conhecer e isso aumentou o número de visitantes. Se aumentou o povo, aumentou o faturamento. "Acredito que bateu sem problema", disse Gonzaga sobre os R$ 60 milhões estimados antes de iniciar o evento. Segundo ele, o setor de máquinas vendeu muito bem, assim como o de derivados da cana e mandioca. "É só ver a filas". Além disso, houve Leilão Cariri Leite, que, em seu primeiro ano, vendeu todos os 30 lotes de animais disponíveis. "Todos os setores funcionou bem".