29 maio 2018

Quem é o verdadeiro responsável pela paralisação dos caminhoneiros? – Por Jurandir Dias


      Um jornalista comentou que não estamos na Idade Média, mas na “Idade da Mídia”. Estamos realmente numa era em que as mídias sociais têm um poder extraordinário e pode até derrubar governos. Aliás, foi o que aconteceu com Dilma Roussef: as grandes manifestações que levaram ao seu impeachment foram convocadas pelos aplicativos de celular como o Watsapp. Do mesmo modo aconteceu na atual paralisação dos caminhoneiros.
     O governo parece não ter-se dado conta do risco que corria com a política de preços dos combustíveis criada pela Petrobras em meados do ano passado.
     Durante algum tempo, o governo Dilma segurou o preço dos combustíveis sem levar em consideração nem sequer o índice de inflação, uma medida própria de governos populistas de esquerda. Isto provocou um desequilíbrio nas contas da estatal, sem contar ainda o desfalque provocado pela roubalheira que o PT vinha fazendo em vários setores do governo.
     Para tentar cobrir o rombo da Petrobrás, o governo resolveu atrelar o preço do combustível ao dólar e ao preço internacional do barril de petróleo. Assim, o seu preço variava como uma bolsa de valores. Os reajustes têm acontecido quase diariamente. Na semana que antecedeu a greve dos caminhoneiros, por exemplo, foram cinco reajustes. No total, o aumento foi de 6,98% no preço da gasolina e 5,98 no do diesel.
    O preço dos combustíveis teve um reajuste de 8%, enquanto a inflação média do ano foi de 0,92% no mesmo período, segundo o IBGE. As grandes empresas de transporte conseguem, de alguma forma, repassar esse aumento no preço final do frete. Os caminhoneiros autônomos, entretanto, não conseguem fazer isso, e estão com um grande prejuízo.
     Desde julho do ano passado, quando a Petrobrás adotou a nova política de preços, a gasolina acumula uma alta de 58,76% e o diesel de 59,32 %, segundo informações da Petrobrás. Para justificar o aumento dos combustíveis, a empresa informou que os derivados de combustíveis são commodities e que os preços estão atrelados ao mercado internacional. Soma-se a isto a pesada carga tributária que, no caso do diesel, chega a 46% e da gasolina, a mais de 50%.
     Com essa política desastrosa, a situação se tornou insuportável. Entretanto, só o governo não a via – ou não queria ver –, apesar de ter sido alertado várias vezes pelos próprios caminhoneiros. E isto resultou num movimento espontâneo em todo o Brasil, o qual vem contando com o apoio da população semelhante ao ocorrido nas manifestações pelo Impeachment da ex-presidente Dilma Roussef. Em diversos pontos do País pessoas levaram alimentos, água e cobertores aos caminhoneiros, que tinham o apoio de empresas de alimentação e recebiam o incentivo da população através das mídias sociais. Rafael Cortez, cientista político e sócio da empresa Tendências  Consultoria, observou que “a população enxerga no conflito entre os caminhoneiros e o governo uma reivindicação que também é sua: a de redução de tributos”.
      O governo não percebeu – ou não quer perceber – que tal acordo não resolve a questão do aumento dos combustíveis e que o problema está em sua política equivocada de preços, decorrente da herança maldita dos 13 anos de governo do PT, o verdadeiro responsável por essa paralisação dos caminhoneiros.
       Napoleão dizia que é fácil construir um trono com baionetas. Difícil, entretanto, é sentar-se sobre ele. A greve dos motoristas pode acabar devido à repressão das forças de segurança, mas ficará um mal-estar que poderá explodir futuramente, talvez não daqui a muito tempo, com efeitos que poderão ser imprevisíveis.

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