21 maio 2018

Por que há uma resistência monárquica no Cariri? (1ª Parte) – por Armando Lopes Rafael (*)


No último 15 de novembro, aniversário do golpe militar que implantou a república no Brasil, monarquistas caririenses fizeram carreata de protesto, com encerramento junto à estátua do Padre Cícero, em Juazeiro do Norte.

     Pessoas perguntam a razão desse crescimento de monarquistas – principalmente entre os jovens –  nos dias atuais, aqui no Cariri. Os alienígenas são os que mais ficam intrigados com esta realidade da caririensidade.  Nascidos noutras regiões deste país continental, para cá esses alienígenas se transportaram, mas resistem em se adaptar à nossa realidade O etnocentrismo continua presidindo suas ações e reações.

     Desde o século XIX, pessoas de diversas camadas sociais do Vale do Cariri, este localizado no Sul do Ceará, tiveram a visão de defender uma forma de governo que se coadunasse com a mentalidade e anseios, tanto de parte da elite, como da maioria da população (chamada à época de “povinho”, denominação hoje rebatizada grosseiramente -- pela esquerda festiva -- de “povão). Essa visão de vida teve seu apogeu entre 1822 e 1889, época que nossa pátria era o Império do Brasil. E era respaldada pela mais antiga forma de governo que a humanidade conheceu: a Monarquia. Um regime orgânico, atrelado ao Direito Natural,  ainda hoje em vigor em vários países considerados como dos mais organizados do globo -- o chamado Primeiro Mundo -- aqueles que atendem satisfatoriamente ao bem comum.

    Este anseio e aspirações monárquicas prosseguiram no Cariri cearense, mesmo após o golpe militar que implantou a forma de governo republicana no Brasil. Naquele golpe, feito sem a participação do povo do Rio de Janeiro, por uma minoria militar e por fanáticos da seita Positivista, foi rasgada a Constituição do Império do Brasil (justamente a que mais durou (foram 65 anos dentro do império da lei) já que nestes 128 anos republicanos tivemos 6 (seis) constituições. E já estão pregando a convocação de mais uma, que seria a 8ª (oitava). Monarquistas caririenses, no entanto,  mantiveram acesa uma chama (e não somente   “um reflexo saudoso” de um passado que deu certo). Essa resistência monárquica tornou-se a bem dizer, um estado de espírito de pessoas da elite e do povo. Não se deve confundir o povo com a massa.

        Bem definiu o Papa Pio XII quando escreveu em meados do século XX: "Povo e multidão amorfa ou, como se costuma dizer, massa, são dois conceitos diversos. O povo vive e move-se por vida própria; a massa é em si mesma inerte e não pode mover-se senão por um elemento extrínseco. O povo vive da plenitude da vida dos homens que o compõem, cada um dos quais -- na sua própria situação e do modo que lhe é próprio -- é uma pessoa cônscia de suas próprias responsabilidades e de suas próprias convicções. A massa, pelo contrário, espera o impulso que lhe vem de fora, fácil joguete nas mãos de quem quer que lhe explore os instintos e as impressões, pronta a seguir, sucessivamente, hoje esta, amanhã aquela bandeira".
          Como as palavras de Pio XII são atuais na república brasileira... Voltaremos a falar sobre esta tradição monárquica,  latente e  mantida pelo povo do Cariri, em próximo artigo.

(*) Armando Lopes Rafael é historiador. Sócio do Instituto Cultural do Cariri (ocupante da Cadeira José Denizard Macedo de Alcântara) e Membro-Correspondente da Academia de Letras e Artes Mater Salvatoris, de Salvador (BA).

Um comentário:

  1. O Brasil “republicano” é uma piada de mau gosto. Um país dominado pela corrupção, com políticos corruptos, despreparados, demagogos. Qualquer um pode chegar ao poder referendado pela massa analfabeta dos grotões da miséria e do atraso. O Brasil não segurança pública. Nem saúde pública. Nos demais setores (incluindo a maioria das famílias) o Brasil virou um bordel de quinta categoria (produzido por nossas emissoras de televisão, capitaneadas pela Rede Globo), com indícios claros de que caminha para violência descomunal, cujo exemplo mais visível é a cidade e a região metropolitana do Rio de Janeiro. E, o pior: não temos presídios, a legislação é permissiva, quem tiver menos de 18 anos pode matar à vontade... e os impostos pagos são roubados e utilizados em falcatruas e para pagar altos salários a nossos privilegiados dirigentes e funcionários das universidades públicas e estatais falidas.

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