02 maio 2018

O "socialismo bolivariano do século 21": Hiperinflação perto de 14.000% faz papel-moeda evaporar na Venezuela


Fonte: Folha de S.Paulo, por Sylvia Colombo
Após cortar mais três zeros da moeda venezuelana, em campanha eleitoral,
o ditador Nicolás Maduro anunciou na segunda (30) um aumento do salário mínimo para 1 milhão de bolívares (que vale míseros  US$ 1,61m, ou seja 1 dólar e 61 centavos ). Mas em partes do interior esse valor pouco importa, pois a inexistência de dinheiro ressuscitou o escambo.

      Há algo errado num país em que, diante de uma máquina de café num centro comercial popular, você precisa colocar 70 notas de mil para servir-se de um cafezinho expresso simples. E ainda ouvir de quem espera atrás: “Às vezes ela trava e não devolve o dinheiro que você já colocou”. Esse tipo de máquina não foi criada para a Venezuela.
     Com hiperinflação em 2017 de 6.000% anuais, segundo a Assembleia Nacional de maioria opositora, um novo e crescente problema se soma à escassez de alimentos e recursos para a saúde no país: a evaporação do papel-moeda. Para o ditador Nicolás Maduro, o sumiço de bolívares é parte do que chama de “guerra econômica contra seu país”.
      Ele diz que a “oligarquia esconde o dinheiro por razões políticas”, e contrabandistas levam as cédulas para fora do país. Nos últimos tempos, acusa o presidente colombiano, Juan Manuel Santos, de roubar moeda da Venezuela. Parte da explicação está na imigração maciça de venezuelanos ao país vizinho, pois muitos levam consigo todas as suas economias. Mas a principal razão para a falta de cédulas no país é que nem a emissão de dinheiro dá conta de acompanhar a inflação.
      A escassez de bolívares ainda abala o comércio local com distorções, taxas e comissões para quem tem moeda. Onde se aceita cartão de débito, o drama é menor, ainda que se pague mais caro. “E nós que vendemos comida de rua?”, pergunta Roberto Olivera, 53. A solução para quem não tem dinheiro vivo, ele conta, é a promessa de que o consumidor ao chegar em casa faça uma transferência para a conta do comerciante. “Muitos pagam, outros somem”, resigna-se.
     O viajante se impressiona com cardápios e lojas: um bife à milanesa num restaurante de classe média custa 1 milhão de bolívares; uma camiseta, 50 milhões. Um quilo de frango no bairro pobre do Petare, custa 4 milhões. As padarias têm tabelas para calcular a alta semanal de determinado produto. E quase todos os comércios têm a máquina de contar dinheiro.

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