25 maio 2018

Crônica do fim-de-semana -- por Armando Lopes Rafael

O colorido tapete formado pelas pétalas dos pés de jambos   

   Antigamente, e lá se vão muitos anos, a Prefeitura Municipal e os habitantes desta cidade plantavam mudas de uma árvore conhecida como jambeiro. Esta árvore frutífera produz um bonito fruto, chamado jambo-rosa. Antecedendo ao fruto, ocorre um período de floração – muito curto, pois dura de sete a quinze dias – do jambeiro, o que acontece duas vezes ao ano.

     Como era bonito percorrer ruas e praças de Crato onde existiam pés de jambeiros!     
     Como era bonito contemplar o tapete formado no chão pela floração daquelas árvores! 
     Esse tapete podia ser visto entre a fase da abertura dos botões e a queda das pétalas não polinizadas, quando a flor solta com o vento mais tênue fiapos de um intenso rosa, colorindo o chão ao seu redor.

       Infelizmente, há muito tempo, a Prefeitura de Crato não promove mais campanhas de arborização neste Mui Nobre e Heráldica Cidade de Frei Carlos Maria de Ferrara. O que nos resta dos jambeiros foi plantada por iniciativa dos habitantes de Crato. Existem muitos deles nos jardins e quintais das residências. No Clube Recreativo Granjeiro também podemos ver belos jambeiros, remanescentes da época que se plantava esta árvore nesta cidade.

          Segundo o jornalista carioca Fred Coelho: “O Jambeiro-vermelho é uma espécie originária da Malásia, país invadido pelos portugueses em 1511. Eles partiram de Goa e conquistaram a região de Malaca, transformando o estado em uma cidade importante para a história da navegação ibérica durante sua fenomenal expansão pelos mares. Ou seja, na mesma época em que pingavam desterrados pela costa de Pindorama, as frotas portuguesas construíam igrejas e fortalezas sob as sombras do Jambeiro-vermelho. (...) Provavelmente o Jambo veio parar entre nós nesse momento de ligação transversal do Brasil com a Malásia, via portugueses e holandeses. Será daí, dessa origem transatlântica, seu cheiro leve de memória do tempo mordido? ”

              Que saudade sinto hoje daqueles tapetes, formados no chão, à sombra dos jambeiros que contribuíam para embelezar a paisagem de Crato...

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