08 maio 2018

"Coisas da Ré Pública": Crise nos correios gera temor de demissão e qualidade do serviço no Ceará


Prédios dos Correios em Crato, construido em 1932, na ditadura de Getúlio Vargas, quando a cidade tinha cerca de dez mil habitantes.Hoje são mais de 135 mil e o prédio é o mesmo.

Fonte: O POVO, por Irna Cavalcante

     O vazamento do plano de reestruturação da Empresa de Correios e Telégrafos (ECT), que prevê o fechamento de 513 agências e a demissão de mais de 5,3 mil funcionários em todo o País, gera apreensão entre funcionários e usuários do serviço no Ceará. Ainda não se sabe o quantitativo que será executado no Estado e nem a partir de quando as mudanças começam. Mas, nas ruas, a preocupação é de que ocorra sobrecarga de trabalho e piora na qualidade do serviço. O presidente interino dos Correios, Carlos Fortner, em entrevista ao Estadão, informou que o plano aprovado pela Diretoria e pelo Conselho de Administração no início deste ano está mantido, mas pode ser que os números aumentem ou diminuam em função da análise de cada caso em específico, processo que ainda não foi encerrado.

Sobre o assunto

    Segundo ele, as mudanças ocorrerão em etapas. O primeiro passo seria encerrar as agências que funcionam em imóveis alugados, mas que estão próximas daquelas que funcionam em prédio próprio. Em seguida, extinguir as que estão perto de outras que também tenham unidade própria. Somente em um terceiro momento ocorreria a substituição por franqueadas.

     No Ceará, existem 209 agências dos Correios e apenas dez funcionam em imóvel próprio da empresa. Do total, há ainda 27 terceirizadas no Estado. Destas, 21 são franqueadas do último processo de licitação, de 2011, que possibilita a oferta de todos os serviços, menos os de banco postal. As demais são permissionárias que possuem lista de atividades mais restrita. Nestes locais, não é possível, por exemplo, fazer contratos mensais com empresas, apenas pagamentos à vista.

    Em Fortaleza, são 19 agências dos Correios. Mesmo tendo duas unidades próximas de onde mora, no bairro do Henrique Jorge, o músico Cláudio George, 32 anos, fica receoso com o enxugamento do quadro. Ele participa de uma rede de compra e venda de instrumentos musicais e costuma usar os serviços da empresa pública pelo menos três vezes por mês. “Para nós, usuários, é muito complicado porque hoje eles cobram caro por um serviço ineficaz. Uma encomenda que era para chegar em dez dias úteis se transforma em dois, três meses. Se reduzir o número de agências e funcionários, provavelmente, a tendência é piorar. Já têm umas que nem aceitam cartão de crédito”, afirma o músico.

     O diretor do Sindicato dos Trabalhadores em Correios e Telégrafos e Similiares do Estado do Ceará (Sintect-CE), Emanoel Marques, diz que há muita apreensão entre os funcionários. “O clima é de terror dentro das agências. Todo mundo com medo de ser demitido ou, na melhor das hipóteses, quem trabalha interno ser transferido para entrega, que é uma função para qual não foi admitido. Só há incerteza. Ninguém diz nada”.

      Em Crato
     A cidade de Crato até poucos anos possuía duas agências. A outra era franqueada e atendia aos usuários dos Correios muito bem. Estava localizada na  Rua João Pessoa, onde hoje funciona a loja Cacau Show. Devido à burocracia dos Correios (coisa de estatal falida) o contrato com a pessoa que explorava a agência franqueada não foi renovado. E todo o serviço de uma cidade com mais de 135 mil habitantes hoje é feito unicamente no prédio da Rua Tristão Gonçalves, mais conhecida como Rua da Vala. Juazeiro do Norte possui três agências dos Correios.



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