05 maio 2018

“Coisas da Ré Pública”: 'Brasil tem sociedade viciada em Estado', diz ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal–STF

Para ministro do Supremo, “qualquer projeto no Brasil depende de recursos do BNDES, da Caixa Econômica ou da ajuda do prefeito”.
Fonte: BBC BRASIL.com

     Uma “sociedade viciada em Estado”, com uma cultura de “desigualdade” e “desonestidade institucionalizada”. Para o ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), esses são os três principais problemas ainda enfrentados pelo Brasil.
     Em palestra no Brasil Forum UK- evento no Reino Unido organizado por estudantes brasileiros - Barroso elencou, neste sábado (5), os principais desafios do país e avanços alcançados nos últimos 30 anos, desde que a Constituição Federal entrou em vigor.
     No rol de "desafios" a serem enfrentados, ele citou "a permanente dependência e onipresença do Estado". Para o ministro, atualmente "qualquer projeto no Brasil depende do Estado, de financiamento do BNDES, da Caixa Econômica ou da ajuda do prefeito."
     "Criamos uma sociedade viciada no Estado. Temos que expandir a sociedade civil. Essa presença excessiva do Estado gera uma cultura de compadrio e favorecimento que está por trás do loteamento de cargos públicos", afirmou.
      "A corrupção no Brasil não foi produto de um conjunto de falhas individuais, é uma corrupção o sistêmica e endêmica que envolver estatais, agentes públicos, privados, membros do Executivo, do Legislativo", disse, avaliando que a corrupção não é um "fenômeno de um partido ou governo".

Outro grande problema são as universidades  públicas
     Durante a palestra, Barroso defendeu aumentar outras fontes de financiamento para as universidades públicas brasileiras. Para ele, essas instituições são "caras" e não dão o retorno esperado à sociedade. Ele defendeu, por exemplo, que as universidades possam buscar recursos vendendo projetos, prestando serviços à sociedade e recebendo doações de ex-alunos e empresários.
      “A universidade pública custa caro e dá baixo retorno. O Estado brasileiro não tem dinheiro suficiente para bancar uma universidade pública com a qualidade que o Brasil precisa", afirmou, destacando, porém, que não é a favor de privatizar essas universidades.
      "A universidade tem que ser capaz de auto-sustentabilidade, prestar serviços com à sociedade, e obter filantropia. Já há ricos suficientes no Brasil. Eles dão dinheiro a Harvard e a Yale."

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