30 abril 2018

Expedita do Bode (por Pedro Esmeraldo)

Com muito alarme, desejo retroceder a fim de desviar o comportamento interativo com o intuito de aprimorar o processo de comunicação entre as pessoas interessadas em relembrar todos aqueles que têm o procedimento de querer saber dos bons costumes de certas pessoas em tempos passados.
Com muita reflexão permaneço atento e vivo a matutar eternamente as boas atitudes de pessoas antigas que viviam lutando pelo pão de cada dia.
    Desta vez vivo pensando em recordar o modus vivendi de certas pessoas que lutavam pelo pão de cada dia à sua maneira.
Neste período conheci uma senhora afrodescendente trabalhando com afinco, especializada em abate de bode. Era astuciosa, vibrante, conhecia tudo sobre as raças caprina e ovina. Permanecia imóvel às diabruras, já que havia brincadeiras distorcidas entre os amigos. Ela era inacessível a certas brincadeiras, mas respondia com palavras obscuras, não deixando cair em entristecimento, pois sempre se saía de maneira jocosa que provocava risos.
    
     Por isso, relembro as figuras folclóricas do sítio São José.
     Destaco outras pessoas amigas que viviam perambulando ‘‘para lá e para cá’’ que era uma mulher de comportamento ébrio, cambaleando nas estradas poeirentas desse sitio São José. Era conhecida como Rita Bêbada. Ela já estava decrépita que não sabia mais o que dizer. Fazia raiva aos trabalhadores rurais porque quando se excedia na bebida dizia que todos fossem trabalhar ao patrão.
Outra figura notável é o senhor Manuel d’agua também, um beberrão, marido da Expedita do bode, pessoa que relatava por esse apelido desdenhoso.  Permanecia sempre beberrão, devido a permanecia de sempre andar embriagado, já que esse apelido era jocoso, que não deixava prática de beber bebidas alcóolicas.
      Expedita ficava furiosa, completamente enraivecida devido a falta de ética do seu marido beberrão. Mesmo assim, nos dias de abates dos ovinos e caprinos ela  obrigava o marido a efetuar o trabalho da matança e que ele fazia com precisão. Depois deste trabalho, Expedita saía vendendo carne de bode ou de carneiro nas ruas de Crato e Juazeiro, mas vivia continuamente perturbada devido o péssimo estágio do seu marido Manuel d’agua. Nunca saía da perturbação financeira porque tinha de suprir o desgaste monetário do seu esposo. Ele era indolente, inconformado, sem determinação alguma.
      Numa noite enluarada, Expedita teve uma grande aflição devido o seu marido Manuel d’agua praticar algazarra, pois sem querer se jogou numa Kombi que vinha de uma maneira lenta na estrada. A pancada que ele levou foi fatal e Manuel d’agua caiu morto na mesma hora do acidente. Nesse ínterim, alguns moradores do sitio, apavorados correram armados, com facas, roçadeiras e facões, querendo vingar a morte do seu amigo Manuel.
      O motorista não titubeou, quando viu o perigo em sua frente e correu imediatamente sem socorrer a vítima.
        Expedita era astuta, de comportamento compreensível, mas sabia se aliar tentando se enquadrar com altivez no meio da tropa que praticava o negócio na venda de carne.
       Ela nasceu no sítio São José no começo do século passado. Seus pais também Afrodescendentes moravam com a família Pinheiro no sitio Paúl neste município. Após o casamento Expedita não quis se sujeitar a ninguém e se desviou da rota do Feudalismo caririense, logo cedo após o casamento.
Astuta como ela era, teve a ideia de partir para a venda de carne e que logo procurou se enquadrar nesse meio. Após longo tempo e tenebroso trabalho que perdurou até sua morte. Veio a falecer no final dos anos oitenta e deixou uma lacuna ao pessoal amante da carne caprina.

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