30 abril 2018

Numa mesma estação planetária - Por: Emerson Monteiro

Galpão enorme do tamanho da superfície terrestre espalhado pelo chão. Gente de não ter limites de quantidade multiplica os milhões aos bilhões, sei lá, no entanto. O certo daquela vez, de cada um dos lados chegará o comboio que os levará ao destino das multidões absortas em si próprias e suas virtudes. Todos sabem, alguns fazem de conta não saber, que o drama das comédias de carne terminará quando chegar o Sol. Quero crer parecer com a parábola do joio e do trigo, onde ninguém arrancaria antes por se parecerem tanto.

Mas os tais passageiros dos tais comboios estarão de malas prontas, aprontadas, aprontando todo dia, pois sabem de sobra que esse dia chegará, a fim de atendê-los naquilo do deus dos corações, de onde está o tesouro e lá também estarás. Processo semelhante de quando a alma virar espírito e o espírito virar alma. A única desigualdade é que espírito não terá mais carne.

Bom, nisso esperam, e pronto.

Num dos cantos do galpão monumental pequenos grupos jogam truco; noutros, gamão, dama, xadrez, vídeo game, os errepegês da vida que anda arrastando a barriga nos esgotos e nos pântanos dos filmes de horror contemporâneo de campos e refugiados. Naves sobrevoam atentas pelo céu, de olhos abertos a mínimos detalhes daquilo tudo, cena secular das gerações.

Os bilhetes vão sendo adquiridos aos lotes nos leilões da madrugada ainda escura. São eles os reis, sultões, ditadores, presidentes, políticos, financistas, empreendimentos mil transformados em distração das horas que passam feitas ondas nas marés siderais da criação do mundo.

A multidão, ao seu modo, gosta disso, porquanto nada mais resta senão o lazer das ilusões de esperar, vistas presas nos retângulos das televisões distribuídas no teto dos dormitórios sob a camada atmosférica.

Qualquer momento, e chegarão, das duas origens e em duas direções, comboios descomunais que os levarão pelo espaço, ou aqui permanecerão na superfície, a refazer o sonho dos que ficarem, ou alimentarão de possibilidades outras os que seguirem rumo a outra constelação perdida no Infinito.

(Ilustração: Pieter Bruegel, o Velho).

Expedita do Bode (por Pedro Esmeraldo)

Com muito alarme, desejo retroceder a fim de desviar o comportamento interativo com o intuito de aprimorar o processo de comunicação entre as pessoas interessadas em relembrar todos aqueles que têm o procedimento de querer saber dos bons costumes de certas pessoas em tempos passados.
Com muita reflexão permaneço atento e vivo a matutar eternamente as boas atitudes de pessoas antigas que viviam lutando pelo pão de cada dia.
    Desta vez vivo pensando em recordar o modus vivendi de certas pessoas que lutavam pelo pão de cada dia à sua maneira.
Neste período conheci uma senhora afrodescendente trabalhando com afinco, especializada em abate de bode. Era astuciosa, vibrante, conhecia tudo sobre as raças caprina e ovina. Permanecia imóvel às diabruras, já que havia brincadeiras distorcidas entre os amigos. Ela era inacessível a certas brincadeiras, mas respondia com palavras obscuras, não deixando cair em entristecimento, pois sempre se saía de maneira jocosa que provocava risos.
    
     Por isso, relembro as figuras folclóricas do sítio São José.
     Destaco outras pessoas amigas que viviam perambulando ‘‘para lá e para cá’’ que era uma mulher de comportamento ébrio, cambaleando nas estradas poeirentas desse sitio São José. Era conhecida como Rita Bêbada. Ela já estava decrépita que não sabia mais o que dizer. Fazia raiva aos trabalhadores rurais porque quando se excedia na bebida dizia que todos fossem trabalhar ao patrão.
Outra figura notável é o senhor Manuel d’agua também, um beberrão, marido da Expedita do bode, pessoa que relatava por esse apelido desdenhoso.  Permanecia sempre beberrão, devido a permanecia de sempre andar embriagado, já que esse apelido era jocoso, que não deixava prática de beber bebidas alcóolicas.
      Expedita ficava furiosa, completamente enraivecida devido a falta de ética do seu marido beberrão. Mesmo assim, nos dias de abates dos ovinos e caprinos ela  obrigava o marido a efetuar o trabalho da matança e que ele fazia com precisão. Depois deste trabalho, Expedita saía vendendo carne de bode ou de carneiro nas ruas de Crato e Juazeiro, mas vivia continuamente perturbada devido o péssimo estágio do seu marido Manuel d’agua. Nunca saía da perturbação financeira porque tinha de suprir o desgaste monetário do seu esposo. Ele era indolente, inconformado, sem determinação alguma.
      Numa noite enluarada, Expedita teve uma grande aflição devido o seu marido Manuel d’agua praticar algazarra, pois sem querer se jogou numa Kombi que vinha de uma maneira lenta na estrada. A pancada que ele levou foi fatal e Manuel d’agua caiu morto na mesma hora do acidente. Nesse ínterim, alguns moradores do sitio, apavorados correram armados, com facas, roçadeiras e facões, querendo vingar a morte do seu amigo Manuel.
      O motorista não titubeou, quando viu o perigo em sua frente e correu imediatamente sem socorrer a vítima.
        Expedita era astuta, de comportamento compreensível, mas sabia se aliar tentando se enquadrar com altivez no meio da tropa que praticava o negócio na venda de carne.
       Ela nasceu no sítio São José no começo do século passado. Seus pais também Afrodescendentes moravam com a família Pinheiro no sitio Paúl neste município. Após o casamento Expedita não quis se sujeitar a ninguém e se desviou da rota do Feudalismo caririense, logo cedo após o casamento.
Astuta como ela era, teve a ideia de partir para a venda de carne e que logo procurou se enquadrar nesse meio. Após longo tempo e tenebroso trabalho que perdurou até sua morte. Veio a falecer no final dos anos oitenta e deixou uma lacuna ao pessoal amante da carne caprina.

Arquétipos do conservadorismo – por Valmir Lopes (*)

   O conservadorismo como prática política é baseado na crença da imperfeição humana. Inicialmente, expressão e defensores dos valores do mundo agrário, o conservadorismo evolui para forma de concepção de mundo mais sofisticada e adaptada ao mundo moderno. Como crença intelectual tem origem bem definida: a Revolução Francesa. Trata-se de um pensamento contrário aos eventos revolucionários e suas ideias inspiradoras.
   A melhor caracterização é o antirracionalismo, oposição a todo construtivismo social e político, que pretende fazer experimentos com a existência humana, procurando aperfeiçoa-la. Na antropologia filosófica, os homens são concebidos como criaturas e menos como criadores. 
       Inexiste uma ideologia conservadora. Não se apoia em utopias e projetos realizados através da ação política. Nutrido do sentimento da frágil condição humana, acredita numa espécie de sabedoria imemorial materializada na realidade que não deve ser subvertida pela potência da razão. Em política, é pessimista, realista e prudente com formas inovadoras de agir. A experiência das gerações passadas está incrustada em forma de sabedoria prática muito superior a toda e qualquer especulação teórica da razão. O realismo conservador se opõe ao ilusório. É aceitação ao que existe historicamente como sendo expressão dessa sabedoria coletiva. O domínio da razão prática tem autonomia que o pensamento teórico não pode ultrapassar.  
        É errado interpretar o conservadorismo como oposto à mudança, deseja mudança dentro da ordem e conduzida pela própria realidade. Contrários às mudanças intencionais para atingir fins desejados pela razão humana, o conservadorismo sabe apreciar o valor da circunstância, dela extrai todo o conhecimento prático necessário para agir. Muito antes dos dialéticos, ele já valorizava a história como redução do tempo experienciado. É o saber praticável, distante do teorético, que o alimenta. Mudanças dentro da ordem e guiadas pelos princípios extraídos da própria realidade. O ritmo e o alcance da mudança desejada não deve ser uma invenção e propósito humano. 
      A mudança deve ser imposta pelas circunstâncias e dela deve-se extrair os indicadores do sentido dessa mudança. As circunstâncias têm um papel crucial na ação política conservadora, ela deve ser guia, ao lado da prudência das decisões políticas. Implícito encontra-se uma ideia de razão prática ou de uma razão controlada e guiada pela prática. Não é certo dizer que os conservadores valorizam mais o passado do que o presente. A ideia é que as instituições legadas do passado, já deram provas de maior adequação ao modo de existir coletivo. As instituições persistentes na história humana devem ser valorizadas porque contém a sabedoria prática dos antepassados e revelam ter ultrapassado o teste do tempo.  
      Em relação ao Estado, é propenso a apoiar regimes diversos, mesmo autoritários, contanto que promovam aquilo que considera bons valores de uma sociedade. Ao lado dos socialistas, os conservadores nutrem o fetichismo pelo Estado em sua potência realizadora. Enquanto os liberais apregoam amplas liberdades para os indivíduos, os conservadores receiam a liberdade individual e temem uma sociedade individualista. Quanto à economia, têm uma atitude ambígua em relação a sociedade de mercado. Descrentes de propostas de aperfeiçoamento humano e felicidade ofertada publicamente, apoiam-se numa ideia mínima de natureza humana imutável.

(*) Valmir Lopes, Cientista político e Professor da UFC. E-mail: lopes.valmir@gmail.com

29 abril 2018

O centro de tudo - Por: Emerson Monteiro



O verdadeiro poder nasce de dentro do Ser Humano. 

                                                                                                       Lao-Tsé

Logo cedo nas manhãs o céu é o infinito. Do infinito nasce o Sol. Na alma da gente um sol iluminará em nós o poder da Criação a fim de sermos nós filhos do mesmo Pai, redentor inimaginável e soberano.

Dessa simplicidade primeira das existências vem a vontade imensa de achar a paz no coração e a luz na consciência, únicas alternativas de sobrevivência face aos mistérios de continuar existindo durante todo tempo, busca incessante do Cosmos que em nós habita. Segundo os místicos, no olho do furacão existe a calma absoluta. Enquanto gira incansavelmente, sobre o eixo que lhe sustém, o carrossel permite o equilíbrio do giro, e bem no centro do eixo mora a essência do movimento perfeito. No centro exato do eixo nem uma agulha gira. Só há calma, imobilidade, silêncio.

Assim no centro do Ser de que somos partes vivas dotadas de vida pessoal, indivíduos exclusivos, desde que descubramos o centro em nós, então revelaremos esse eterno de tudo, a essência, o fundamento, o silêncio da paz absoluta. A isso vivemos. Nesta missão aqui formamos o nexo da razão e do princípio original. Seres iguais em busca de tudo quanto há, pouco importa as particularidades nas quais histórias se encerram. A função das existências guarda, portanto, consigo tamanho lenitivo, a transcendência de fatores externos e obtenção dos valores internos, sentido das horas e dos destinos.

Resumo, pois, de toda filosofia, motivo dos esforços e dramas universais da personalidade humana, eis o roteiro que indicará pouso certo de chegar e transformar prazeres em sentimentos, instintos em amor de verdade. Sois deuses e não o sabeis, afirma Jesus. Transpostas as limitações das estradas e gerações, o barco que nos conduz aos céus viaja ao Infinito, na velocidade da Luz e no palpitar dos corações.

28 abril 2018

Câmara dos Deputados homenageia Dom João VI em alusão aos 200 anos da nossa independência

   O Príncipe Imperial, Dom Bertrand de Orleans e Bragança,  diz que rei português foi um grande estadista. “A ele devemos as nossas dimensões continentais e nossa unidade política, social e até psicológica”, afirmou, exaltando exposição aberta em Brasília

 Presidente da Câmara Federal, deputado Rodrigo Maia, enaltece a figura e obra de Dom João VI, na abertura da exposição
     A casa da democracia e dos representantes do povo, em Brasília, abriu espaço nesta semana para homenagear a monarquia. Como parte dos festejos do bicentenário da Independência, em 2022, a Câmara dos Deputados escolheu a história de Dom João VI, rei de Portugal, Brasil e Algarves no início do século 19, para estampar as paredes do corredor que liga o Salão Verde à Ala das Comissões, em exposição que vai até o dia 23 de maio.
A ideia de prestar homenagens à monarquia partiu do próprio presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ). Seu pai, o ex-governador do Rio de Janeiro César Maia, se aproximou de  diversos movimentos  monarquistas brasileiros  e o aceno de Rodrigo Maia pode simbolizar uma tentativa de aproximação com o movimento em um ano eleitoral, quando pode se lançar candidato à presidência da República.
     A abertura oficial da exposição, na última quarta-feira (25), contou com a presença de Maia e do deputado Evandro Gussi (PV-SP), que é o coordenador da Comissão Especial em Comemoração ao Bicentenário da Independência do Brasil. Ele agradeceu a Rodrigo Maia pelo impulso para que a homenagem ao antigo rei português e grande benfeitor do Brasil ocorresse.
      A Casa Imperial Brasileira comemorou a iniciativa. Dom Bertrand de Orleans e Bragança, Príncipe Imperial do Brasil (nome dado ao 2º colocado na ordem de sucessão do trono) afirmou que é “louvável e alentador” a iniciativa da Câmara dos Deputados para “reavivar em nossa Pátria o sentimento de brasilidade”. Dom Bertrand destacou os feitos do monarca, especialmente por conseguir preservar o território único da América lusa.
      “Ao contrário do que procuram apresentar certos historiadores, D. João VI foi certamente um grande estadista. A ele devemos as nossas dimensões continentais e nossa unidade política, social e até psicológica”, afirmou o príncipe. “Aqui chegando, não só abriu os portos brasileiros ao comércio, mas lançou todos os fundamentos de nossa nacionalidade”, comentou Dom Bertrand.
Dom João VI adotou iniciativas que trouxeram progresso ao Brasil

"Coisas da República" -- Confirmado:acordo de delação de Palocci é uma bomba devastadora para Lula e o PT


Fonte: Agências de Notícias, 28-04-2018.
     Antônio Palocci era homem de confiança do PT e dos governos de Luiz Inácio Lula da Silva e de Dilma Rousseff, entre 2003 e 2016. Na quinta-feira, o jornal O Globo revelou que o acordo entre o ex-ministro e a PF havia sido assinado. Uma primeira negociação já havia acontecido entre sua defesa e o Ministério Público, sem que se chegasse a um acordo. Palocci está preso de forma preventiva desde setembro de 2016, em Curitiba, e condenado a 12 anos de prisão por lavagem de dinheiro e corrupção ativa na negociação dos contratos com a Odebrecht para aquisição de sondas do Estaleiro Enseada do Paraguaçu e da Sete Brasil.

Delação do ex-ministro Palocci será devastadora também contra ex-presidente Dilma
        Além de atingir Lula, o acordo de delação de Antônio Palocci vai “colocar na roda” a ex-presidente Dilma Rousseff, a quem o ex-ministro petista já acusou em depoimento ao juiz Sérgio Moro, de compactuar com os esquemas de corrupção do seu governo. Palocci deve detalhar, por exemplo, a reunião entre Lula, Dilma e Emílio Odebrecht, no fim de 2010, para acertar os detalhes do esquema de propina a empreiteira e do direcionamento de grandes licitações em favor da empreiteira. A informação é do colunista Cláudio Humberto. A reunião com Dilma, citada antes por Palocci, serviu para esclarecer dúvidas sobre a “conta corrente” de R$300 milhões para o PT.
       Palocci vai contar como Dilma agiu para manipular a licitação do Galeão para a Odebrecht, com cláusulas de exclusão dos rivais. Palocci já falou sobre como a aquisição de sondas pela Petrobras para explorar o pré-sal serviu para financiar a campanha de Dilma, em 2010. Além de coordenador da campanha, Palocci foi ministro da Casa Civil de Dilma e atuava direto com a Odebrecht, que o apelidou de “Itália”.

27 abril 2018

Numa tempestade como que de fogo - Por: Emerson Monteiro

Ontem me lembrei de um sonho de anos passados. Ocasiões surpreendentes os sonhos. Chegam de inopino, esmaecem logo cedo nas manhãs e caprichosamente, por vezes, ainda permanecem grudados por debaixo das lembranças quais se nada tivessem a ver com elas, no entanto pertencentes à gente quais pedaços de nós mesmos.

Pois bem, naquele sonho me avistava a viver de dentro uma tempestade de intensas labaredas que circulava tudo em volta, onde, invés de lufadas de vento, lâminas afiadas de calor extremo sopravam de todas as direções, fogo avermelhado nas direções horizontais e verticais, a varrer o mundo, pessoas e objetos. O plano dos ares virava tão só fogueira imensa a lamber de horror o que houvesse em volta.

Víamo-nos em torno de árvores maiores, trocos de si já calcinados pelas chamas avassaladoras, onde pessoas agarradas pelas mãos umas das outras, ansiosas, desesperadas de aflição, clamava misericórdia. Enquanto isso, a intensidade do fogo vez em quando arrastava um dos agregados que sumiam nas distâncias, feitos palhas arrastadas pela correnteza do drama ígneo. Aquelas árvores significavam pontos de convergência magnética em que chegavam naves espaciais a recolher os que permaneciam azougados naqueles círculos de sobrevivência.

Espécies de missionários cósmicos, os tripulantes das naves salvavam os náufragos das chamas e os conduziam ao interior dos objetos voadores num exercício de recolhimento adrede previsto ao final daqueles tempos conhecidos. Desde modo, quis interpretar o que o sonho indicaria, que passei talvez uma década até hoje aqui estar contando seus detalhes.

De leituras e religiões que falam de algo semelhante, das narrativas das horas extremas do Planeta, quando profetas descrevem agruras de apocalipses por vindouros, chega a mim o conceito daquilo que avaliaríamos denominar o arrebatamento de que falam dos eleitos diante das vidas vividas neste chão das almas em que ora nos situamos e as previsões dos dias no futuro. Assim, de nitidez mordaz, restaram fixados na memória que trago a lume, aspectos fortes por demais do que presenciei naquele sonho, sem tirar nem acrescentar uma vírgula sequer.

Como entender os adágios populares de antigamente

   Até a década 60 do século passado, nossa região do Cariri – distante cerca de 600 km do litoral nordestino – era carente de comunicação com os centros mais adiantados do Brasil. Foi por isso que preservamos uma cultura própria, herança portuguesa, onde se destacava os chamados “ditados populares”.
   Lembro-me de alguns ditos que a população sempre repetia. Por exemplo: “Hoje é domingo, pé de cachimbo”. E ficávamos a imaginar o que seria um “pé de cachimbo”. Sabemos agora que o correto seria dizer: “Hoje é domingo pede cachimbo”. Ou seja, naquele tempo quando o tabaco era muito difundido entre nós, domingo era um dia especial para relaxar e fumar um cachimbo, ou mesmo para os mais aquinhoados em dinheiro, fumar um tradicional cigarro. 
    Eis outras dicas do Prof. Pasquale para entendermos os adágios de antigamente: Batatinha quando nasce, esparrama pelo chão”. O correto seria dizer: “Batatinha quando nasce, espalha a rama pelo chão”.
    Outro dito muito repetido outrora: “Cor de burro quando foge”. O correto seria dizer: “Corro de burro quando foge”
    Mais um: “Quem tem boca vai a Roma”. Ora, o correto seria dizer: “Quem tem boca vaia Roma”. Ou seja, vaia do verbo vaiar, no sentido de que "quem tem boca diz qualquer coisa, mesmo insana". Outro adágio de antanho dizia: “Fulano é cuspido e escarrado a sicrano”, a significar uma pessoa parecida com outra. O correto? Era dizer “Esculpido em Carrara”. Carrara é um tipo de mármore que vinha daquela cidade italiana. Era comum as famílias ricas mandarem fazer os túmulos dos seus mortos com mármore de Carrara. Esses jazigos, muitas vezes, eram ornados até de bustos de mármore dos falecidos, bustos semelhantes aos homenageados. 
     E para finalizar: “Quem não tem cão, caça com gato”. O correto seria dizer: “Quem não tem cão, caça como gato”. Ou seja, caça sozinho. 
      A partir da década 70, o Cariri começou a receber o sinal da televisão, vindo do Rio de Janeiro e São Paulo. Aí nossa população começou a imitar a cultura do Sudeste brasileiro.
       Deu no que deu.
Postado por Armando Lopes Rafael

26 abril 2018

Crônica do fim-de-semana (por Armando Lopes Rafael)

Existem esperanças para esta república brasileira?  
          É difícil responder. Pela primeira vez na nossa centenária história republicana, a fase pré-eleitoral não traz esperança nenhuma de melhora para o ano seguinte. Ou seja, para 2019. A única arma que os eleitores têm é o voto. Mas o Congresso Nacional só age em função do interesse dos deputados/senadores. Nenhuma voz se levanta para defender os interesses da população. Não se vislumbra, pois, mudanças nesta eleição de 2018. Os partidos políticos estão se desmanchando no caldeirão da corrupção. Os candidatos lançados não empolgam a população. Não vimos, até agora, nenhum candidato com postura de estadista, aptos a galvanizar a população. Quem insistir em escolher um candidato para votar vai ter de optar pelo “menos ruim”.
      Aproximadamente 70 milhões de brasileiros vivem nos grotões da miséria e do atraso. A mídia noticia diariamente: a bandidagem tomou conta desses guetos. Os meliantes enriquecem com a venda de drogas; com o roubo das mercadorias transportadas por caminhões; com os sequestros e com os  assaltos a bancos, lojas, transeuntes e residências. Do outro lado estão as “milícias”, as quais – segundo as denúncias -- são administradas por policiais corruptos que vivem da extorsão dos cidadãos indefesos.
          A maioria diz que esse quadro decorre da falta de educação. Eu digo simplesmente que vem da crise moral da própria população brasileira. Pois temos exemplo de educação de nível superior, onde as universidades públicas são “patrulhadas” pela “esquerdona troglodita”. Nenhum professor dessas universidades tem coragem de proclamar-se publicamente como um “liberal”, sendo inimaginável algum deles afirmar-se “de direita”. Ninguém – professores ou alunos –  ousa questionar a cartilha marxista-gramsciana que deita e rola no ensino dessas universidades mantidas com os impostos pagos pelos brasileiros. Ali, as panelinhas ideológico-partidário-sindicais dominam o corpo docente dessas instituições. E o   corpo discente está emudecido. Sem coragem de contestar o ensino de luta de classes pregado pelos mestres.  Nessas universidades é imposta uma censura de silencio quase marcial, pois todos (professores e alunos) temem retaliações contra quem pensa diferente do status quo das universidades patrulhadas ideologicamente.
             Enfim, o Brasil chegou a tal ponto de degradação política e moral que seria um verdadeiro milagre se os eleitos no pleito de 2018 fossem ao menos pessoas honestas.
            Como se dizia antigamente: Só Deus tem poder para mudar o triste estágio social em que vivemos...

Revelada a verdadeira face do Imperador Dom Pedro I -- por José Luís Lira (*)


    No último domingo, dia 22, foi relevada com exclusividade, pela BBC Brasil, e depois reproduzida por outros veículos da imprensa nacional e internacional, a face do Imperador Dom Pedro I (1798-1834), reconstruída digitalmente, em modelo de imagem 3D, a partir de fotografia do crânio de Sua Majestade, registrada durante o trabalho de exumação de seu corpo, conduzido em 2012, por uma equipe da Universidade de São Paulo.
     O trabalho de reconstrução foi coordenado pelo advogado e pesquisador Dr. José Luís Lira, em parceria com o modelador digital Cícero Moraes e o fotógrafo Maurício de Paiva. O Príncipe Dom Luiz de Orleans e Bragança, Chefe da Casa Imperial do Brasil, deu seu consentimento para a condução desse empreendimento e encarregou seu irmão e imediato herdeiro dinástico, o Príncipe Imperial do Brasil, Dom Bertrand de Orleans e Bragança, de acompanhar todo o processo.
      Na imagem, nosso primeiro Imperador aparece com o olhar firme e com o cabelo à moda da época; seu nariz apresenta uma fratura, resultado de uma queda de cavalo, e Sua Majestade porta suas comendas de Grão-Mestre das Imperiais Ordens de Pedro I, do Cruzeiro e da Rosa (Brasil) e da Real Ordem Militar de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa (Portugal), bem como as faixas unificadas das Ordens de Pedro I e do Cruzeiro e a banda das Três Ordens (de Nosso Senhor Jesus Cristo, São Bento de Avis e Santiago da Espada).
      De bom grado, registramos que, ao ser apresentado à imagem, em primeira mão, sem que antes lhe fosse dito que se tratava da reconstrução do rosto de seu tetravô, o Chefe da Casa Imperial, emocionado, exclamou, de pronto, “É Dom Pedro I!”; o Príncipe Imperial também ficou bastante impressionado com o resultado, e a imagem foi repassada aos demais membros da Família Imperial do Brasil, tendo todos ficado muito felizes por poder conhecer a face de seu venerando ancestral, o fundador da Nação Brasileira.
       Além dos acima citados, também colaboraram como trabalho de reconstituição o casal Sr. Antonio Augusto e Sra. Rita de Sá Freire, o jornalista Sr. Nelson Baretto e Sr. José Carlos Sepúlveda da Fonseca, Assessor do Príncipe Imperial do Brasil, e a Prof ª. Hayley Ribeiro de Barros Rocco, Secretária da Casa Imperial do Brasil.

(*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com vários livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.

26 de abril de 1500: há 518 anos era celebrada a primeira missa no Brasil – por José Luís Lira (*)


A Primeira Missa no Brasil (Óleo sobre tele de Victor Meireles)

      Há 518 anos era celebrada a primeira Missa neste solo brasileiro, então dedicado à Santa Cruz. A celebração foi presidida pelo Frei Henrique Soares de Coimbra e no altar, além de uma cruz, estava a imagem de Nossa Senhora da Boa Esperança ou, simplesmente, Nossa Senhora da Esperança, que vinha na nau do descobridor Pedro Álvares Cabral que aportara no Brasil quatro dias antes, em 22 de abril de 1500.
      Em 1722, o Frei Agostinho de Santa Maria, no Santuário Mariano, editado em Lisboa, em 1723, argumenta que Nossa Senhora dos Prazeres possui o mesmo significado da devoção de Cabral, portanto, nós, devotos e filhos de Nossa Senhora dos Prazeres podemos dizer que Ela estava no Altar da primeira Missa celebrada no Brasil, também esteve na 2ª Missa, celebrada no dia 1º de maio. A imagem de Nossa Senhora da Esperança, encontra-se na Igreja Matriz, de Belmonte (Portugal), para onde foi transferida em 1960.
       A imagem está num altar, acompanhada pela imagem de Nossa Senhora Aparecida -- veja na foto acima -- oferecida a Belmonte pelo Brasil e, ainda, por uma réplica da cruz de ferro que se fez presente nas duas Missas celebradas pelo Frei Henrique Soares de Coimbra, no Brasil. (ver livro "Nossa Senhora dos Prazeres, de sua aparição em Portugal à devoção no Brasil", de José Luís Lira)

Ave Maria, gracia plena, Dominus tecum
benedicta tu in mulieribus
et benedictus fructus ventris tui, Iesus
Sancta maria Mater Dei
Ora pro nobis pecatoribus
nunc et in hora mortis nostrae.
Amem.

(*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com vários livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.

23 abril 2018

Uns olhos - Por: Emerson Monteiro

De intensidade inigualável, seus olhos oferecem as raias do mistério do infinito inteiro e muito mais. Indicam a estrada que, quando bem palmilhada, levará ao tudo absoluto das horas sem fim amém das andanças inextinguíveis. Música das dimensões milenares, eles bem avaliam o tanto de focar o dadivoso das razões de Deus. Dois pomos de certeza em flor, configuram neles as crateras da perfeição e dos segredos do Cosmos. Olhos de vida, esperança e fé. Luz das primaveras de todas as estações, iluminam o escuro das largas e dolorosas ausências, esteios de primor na solidão das madrugadas insones. Em seus olhos quanto clarão de amor a envolver almas aflitas e trazer a calma. Olhos de inocência, transparência, janelas de alvorada e poder que simplesmente invadem o caminho do coração e arrastam peregrinos às eternas visões da amplidão, possibilidades antes só imaginadas, porém guardam sob as capas do sentimento o maior de todos eles, ondas impetuosas desse mar das existências, a contar do íntimo do seio o potencial das visões e luminárias de perdão e certeza. Olhos de realização, longe da pressa de chegar, contudo alimento dos famintos e das vagas. Uns olhos de esplendor e maravilhas que seguem silenciosos à frente dos passos dos que jamais desistem de plantar boas sementes nas searas do louvor, mãos que afagam e o dizer do quanto impera a fertilidade do sabor dos céus. Eu vi, sim, na força desses olhos grandezas, brilho, música, cores, o manjar de palavras reais, pérolas de suavidade que tocam as fibras do ser e transportam saudades e sonhos através das histórias deste chão de amores e virtudes; amor e luz vi nesses olhos. 

22 abril 2018

A luz do teu próprio ser - Por: Emerson Monteiro

O brilho incandescente dos milhões de sóis, eis em que o teu próprio ser  adormecia, potencial de tudo quanto há em todos os lugares do Universo e da Eternidade. Em ti havia nova criatura, isto nas vagas luzes de pequenos claros que ainda inebriavam a distância, certeza tão certa quanto a realidade a querer enxergar, astros adormecidos e visões guardadas. A chance que largavas atrás, enquanto o teu coração gritava liberdade, nas horas mortas de solidão e amargura. Passados inúteis instintos e sensações, logo adiante advêm os sentimentos, dos quais o rei de todos eles, o Amor, dorme ainda contigo nas noites profundas das perdidas aventuras.

Foram tantos os vazios em que trocaste a iluminação pelas agruras que jamais haverias de justificar e aceitar correr de ti enquanto o tempo esperava nas dobras dos caminhos. Longas noites de tormentas e a surda empreitada de jogatinas e furores. Tu, somente tu, testemunhavas o Eterno e apreciavas as douradas correntes que te prendiam aos rochedos da escuridão, sob tuas saudades do futuro, a indicar o quando de verdade conduzias através dos destinos vidas afora.

Nisto apenas silenciosas as músicas falavam ao íntimo das virtudes, mas tu nunca pensavas ouvir a voz dos céus na vastidão dos continentes da alma. Razões outras e notas harmoniosas, todavia, que sumiam aos desleixos da tua compreensão, mantinha a promessa de liberdade que um dia receberás. Atiravas lá longe o desejo no sacrário das suaves inspirações. Então, até quando, certa feita as portas se abrirão de plano à beleza e certezas infinitas de paz, de força descomunal, que dominará o espectro que desistirá das amarguras e abraçará o Sol de fulgor inextinguível. Luz, compreensão, cordilheiras de bênçãos, sublimidade na beleza infinita das existências. Nos corredores da consciência agora desperta o ser renovado que todos somos, no milagre da plenitude...

21 abril 2018

Inaugurada a “Areninha” do bairro do Seminário, em Crato

 A "Areninha" do bairro do Seminário
Com investimento de aproximadamente, R$ 1,6 milhão, sendo 80% custeados pelo Governo do Ceará, via Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social (STDS), e 20% pela Prefeitura do Crato foi inaugurada na noite de ontem a “Areninha” de Crato, localizada na Rua Mário Teixeira Mendes, com Rua Manoel Almino de Lima, bairro do Seminário.  O projeto “Areninha do Ceará” promove e estimula nova dinâmica social e a integração familiar nos municípios, a partir do esporte e do lazer. Os equipamentos contemplam espaços públicos urbanizados com gramado sintético, bancos de reserva, alambrados, rede de proteção, vestiários, depósito para materiais esportivos, iluminação, rampa de acesso para cadeirantes, paisagismo e pavimentação.
Fonte: Governo do Estado do Ceará

Notícias (boas) do Crato

Governador Camilo Santana vem no mês de maio a Crato inaugurar o Camelódromo


      Já aconteceu, no último dia 17, a entrega das chaves dos boxes do Camelódromo do Crato para os futuros permissionários. A entrega aconteceu no próprio equipamento, localizado no centro da cidade. Orçada em R$ 1,6 milhões, a obra, que atende todas as normas de segurança, no combate a incêndios e prevenção de acidentes, terá sua inauguração oficial no próximo mês de maio, com a presença do Governador Camilo Santana. Serão 179 comerciantes beneficiados pela nova infraestrutura, que comportará uma área com praça de alimentação, quatro banheiros, adaptados para deficientes e também uma área administrativa. Os permissionários terão direito a comercializar seus produtos com total estrutura, tais como confecções, plantas medicinais, variedades, temperos, frutas e verduras, artesanato, chaveiros, ferragens, calçados, dentre outros.

Até que enfim: Avenida de Crato terá Dom Vicente Matos como patrono

       Por outro lado, aguarda-se que – na próxima vinda do governador a nossa cidade – Camilo Santana prestigie a sanção da Lei Municipal, (que será apresentada na Câmara de Vereadores nesta 2ª feira, 23 de abril) a qual denomina uma avenida de Crato como “Dom Vicente de Paulo Araújo Matos”. O vereador Pedro Lobo (PT) é quem apresentará este projeto, corrigindo, assim, esta gritante omissão, há muito tempo reclamada pela população cratense.
       Como é do conhecimento geral, o dia 11 de junho de 2018, marcará os cem anos de nascimento de Dom Vicente de Paulo Araújo Matos, terceiro bispo da Diocese de Crato.  Esta efeméride será festivamente comemorada, com uma série de eventos, como forma de reconhecimento e gratidão pela gigantesca obra deixada por Dom Vicente Matos, ainda presente nos dias atuais em Crato e no Cariri.    
        A inciativa dessas festividades partiu da Diocese de Crato, em parceria com a Prefeitura Municipal de Crato/Câmara de Vereadores de Crato/Universidade Regional do Cariri/Fundação Padre Ibiapina/ Instituto Cultural do Cariri/ Academia de Cordelistas de Crato e Seminário São José. Na coordenação dos eventos está o Pe. José Vicente Pinto Alencar da Silva – Vigário Geral da Diocese de Crato e Cura da Catedral de Nossa Senhora da Penha.

Prédio do antigo Seminário da Sagrada Família abrigará Centro Cultural de Crato

     Durante o evento da solenidade que marcou a assinatura para ordem de serviço da reforma do Parque de Exposição Pedro Felício Cavalcanti, em Crato, o Governador Camilo Santana reforçou a ideia da construção de um  Centro Cultural na cidade de Crato. Será o segundo Centro Cultural do Cariri, já que em Juazeiro do Norte funciona o Centro Cultural do BNB.
 “Será algo semelhante ao que o Instituto Dragão do Mar de Arte e Cultura representa para Fortaleza. A ideia é fazer uma grande arena, com teatro, cinema, área de lazer, parque de exposições. Estamos também comprando o Teatro Rachel de Queiroz, que iria a leilão. O projeto está lindo, pronto para licitar. E, se Deus quiser, virei aqui em breve para dar a ordem de serviço”, disse o governador.

Alguém está lembrado? Hoje, 21 de abril, é feriado nacional



    Todos os anos, no dia 21 de abril, o Brasil comemora o dia de Tiradentes, personagem restaurado após o golpe militar que implantou a forma de governo republicana no Brasil – em 15 de novembro de 1889 – quando passou a ser considerado o mártir da Inconfidência Mineira.
    Mas quem foi exatamente Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes? E de que forma ele contribuiu para o país?
     O professor de história Jorge Luiz Buerger explica que este foi o dia da execução de Tiradentes, no ano de 1792. A data foi instituída como feriado nacional somente no período republicano, ou seja, no final do século XIX. “Os historiadores entendem esta decisão como resgate de um movimento, que só no início do século XX passou a ser  considerado como “o primeiro a lutar pela independência do Brasil”. Assim, Tiradentes passou a ser um herói nacional”, diz. Ninguém, em Crato, comemora o feriado nacional de 21 de abril. Como também ninguém – em Crato –  comemora outro feriado nacional: o 15 de Novembro.

Não custa recordar: "A Tradição republicana em Crato" – por Armando Lopes Rafael

 (Excertos de um artigo publicado há 18 anos na revista "A Província" – nº 18, ano 2000)


   O “ôba-ôba” tão característico destes tempos medíocres, quando a maioria das pessoas não tem profundidade em nenhum assunto; quando a televisão “faz a cabeça” da massa ignara; nos obriga a ouvir, vez por outra, falar sobre a alardeada, mas inexistente,  “tradição republicana” de Crato. Isso é uma falácia!
   O leitor me conceda só um tempinho, para eu justificar o meu pensamento. Começo por lembrar que o aniversário do golpe militar que implantou a República – em 15 de novembro de 1889 – nunca foi comemorado em Crato. Nesta cidade o povo comemora muitas datas: 7 de setembro, 21 de Junho, 1º de setembro (Nossa Senhora da Penha), 19 de março (São José) festeja as datas de São Francisco, dentre outras. Agora, “comemoração” nos dias 21 de abril (Tiradentes) e  15 de Novembro – data da “Proclamação da República” – nunca se viu por aqui.
     E por que isso acontece? Ora, o  Crato, durante 149 anos (de 1740 quando foi fundado,  a 1889, quando houve o golpe militar que empurrou goela abaixo da população a forma de governo republicana) viveu sob a Monarquia. Não se apaga facilmente um século e meio na vida de um povo. Basta dizer que dos 70 anos que o comunismo dominou a Rússia com chicote e baioneta não restou nada de concreto. Imagine 149 anos. Por isso, no imaginário popular,  persiste a ideia de que a Monarquia é algo de elevado nível, respeitoso, honesto e bom.
     Tanto isso é verdade que, ainda hoje, quando o povo reconhece numa pessoa certos méritos ou qualidades acima do comum, costuma dar-lhe o título de “Rei”. Por isso temos ou tivemos; “O Rei Pelé”, “O Rei Roberto Carlos”, “O Rei do Baião”, “O Príncipe dos Poetas Populares” (o repentista Pedro Bandeira) etc. E o que dizer dos concursos que se realizam para escolha da “Rainha do Colégio”, “Rainha da Exposição”? e de nomes de lojas como “O Rei da Feijoada”, “O Império das Tintas”? Ou nomes como “Rádio Princesa FM”, “Colégio Pequeno Príncipe”?      No duro – no duro mesmo – “República” para o povo é apenas sinônimo de "república de estudante", ou seja, uma casa bagunçada, desorganizada.  “República” continua a ser, no imaginário popular, a lembrança da roubalheira, das propinas pagas aos políticos, da incompetência, da demagogia, da falta de segurança, da falência da saúde pública, da precariedade da educação pública, das filas dos aposentados (expostos ao sol e à chuva) na fila das calçadas dos Bancos para receber suas míseras aposentadorias, das obras públicas inacabadas, da falta de respeito para com a população, do grosso do noticiário que chega pela televisão aos nossos lares: "Mensalão", "Petrolão", Lava Jato, Delação Premiada, malas com milhões encontradas em apartamento, prisão de políticos corruptos em Curitiba, soltura desses políticos por alguns ministros do Supremo Tribunal Federal, e outras mazelas dessa Ré Pública

Restabelecendo a verdade histórica -- por Otto de Alencar de Sá-Pereira (*)

    
   Tiradentes é um dos mais graves enganos da História, contada a partir da república. Há algumas décadas passadas celebrava-se o 22 de abril. Nada mais justo: descobrimento do Brasil: Agora não. O 22 de abril passou há um dia qualquer desapercebido de comemoração, fazendo o povo esquecer-se da data. E aí passou-se a celebrar o 21 de abril de abril: Tiradentes! Mas, por que Tiradentes? O Império tivera, em sua história, muitos ícones a comemorar. Além de D. Pedro I, de D. Pedro II, de D. Leopoldina, de D. Amélia, de D. Thereza Christina e da Princesa Isabel, o Império tivera Caxias, Osório, Tamandaré, Barroso, Porto Alegre, Zacarias de Góes e Vasconcellos, Paraná, Paulo Barbosa, Ouro Preto, Alencar, Castro Alves, Amoedo, Gonçalves Dias, Silveira Martins, Ferreira Viana, Carlos Gomes, Mena Barreto, Pirajá, etc. etc. etc.
    A República precisava também de um ícone. Deodoro… nem pensar! Arrependera-se de ter proclamado a República e era amigo do Imperador. Floriano Peixoto? Credo em Cruz! Mandou passar a fio da espada, 400 guardas-marinha da Esquadra Imperial, na Revolta da Armada. Prudente de Morais? Não. Chacinou Antônio Conselheiro e todos de Canudos. Campos Salles? Rodrigues Alves? Affonso Penna? Não poderiam servir. Antes da República, eram Conselheiros do Império. Barão do Rio Branco? Como um ícone da República pode ser um Barão? Jamais. Santos Dumont? Era amigo íntimo da Família Imperial no exílio de Paris. Oswaldo Cruz? Foi um grande médico, sanitarista, do período republicano, mas discípulo de outro médico, o Barão de Motta Maia, que acompanhou a Família Imperial, no exílio.
     Marechal Rondon? Talvez, mas tinha sangue e cara de índio! Washington Luís? Foi deposto por Getúlio, não serve também. Quem sabe, o próprio Getúlio? O homem dos trabalhadores. Mas… como, ícone de uma República que se diz liberal e democrática… um ditador? Amigo de Hitler, de Mussolini e de Plínio Salgado, que, por sinal, traiu?
     Nenhum deles, portanto, serve de ícone republicano, mas e o alferes Tiradentes? Não é muito insignificante? Ainda mais que nas horas vagas era barbeiro, e como, costume da época, também arrancava dentes: “Cabelo, barba e dentes”, por favor, e o fulano sentava-se, corajosamente, na cadeira do “Tiradentes”. É insignificante e acabou louco, antes de ser enforcado. (Se é que foi, há dúvidas; como era “maçon”, o teriam salvo e trocado por outro, também condenado à morte. Suspeita-se). É um simples alferes, tirador de dentes. Não faz mal. Nós o inventamos. Com quem ele precisa parecer-se? Claro! Com Jesus! O mártir da pátria! Vamos por lhe barbas (os enforcados tinham cabelo e barba raspados, antes da execução). E criar sua História” Será o Ícone da República, já que não há nenhum outro. Foi um patriota republicano. Haverá dúvida? Mas por que não agiu como os demais, tirando o corpo fora? Terá sido mesmo como patriota? Ou como irresponsável, por causa da loucura?
(*) Otto de Alencar de Sá-Pereira, advogado, professor e historiador.
(Texto integral ler: http://portalconservador.com/tiradentes-um-dos-mais-graves-enganos-da-historia/)


19 abril 2018

Crônica do fim-de-semana (por Armando Lopes Rafael)

Cratenses sonham com um prefeito empreendedor e antenado com o século XXI
     A cada quatro anos, num domingo do mês de outubro, os cratenses comparecem às urnas para eleger um novo prefeito. Entra prefeito, sai prefeito e, infelizmente, o que temos visto é a mesmice de sempre na Prefeitura de Crato: o marasmo e a falta de um gestor visionário, capaz de mudar – para melhor – a qualidade de vida da população da Princesa do Cariri. Ora bolas, já estamos cansados de escutar que o município não tem recursos; que a obrigação primordial de um prefeito é elaborar ações públicas para a saúde, educação, habitação... Não só isso!

    Hoje, quando acordamos – e saímos de casa para enfrentar novo dia de trabalho – deparamo-nos   com deficiências gritantes que acometem esta Mui Nobre e Heráldica Cidade de Frei Carlos. Pomposo assim!

Quem mora nos bairros Zacarias Gonçalves, Lameiro, Parque Grangeiro, Novo Horizonte, Grangeiro, Coqueiro, dentre outros, começa o novo dia já enfrentando um trânsito caótico; vendo os veículos entupindo as ruas estreitas do centro (quase todas esburacadas). A coisa só melhora quando atingimos as vias de acesso a Juazeiro do Norte. Em Crato, a frota de veículos aumenta toda semana. E há décadas, os últimos prefeitos não abriram uma única nova via de acesso alternativa, para entrada e saída de carros nos bairros acima citados. Não tem rua ou avenida por onde o trânsito caótico possa fluir nos horários de congestionamento e “rush”.

        Nossas praças continuam malcuidadas. Experimentem contar os buracos existentes no piso da Praça Alexandre Arraes, ou seja, a Praça da Quadra Bicentenário. Nossos logradouros não possuem jardins com plantas ornamentais.  Por outro lado, ninguém lembra mais quando foi a “prisca era” que a Prefeitura de Crato realizou uma campanha de arborização de nossas ruas.

        Hoje, ruas outrora limpas e bem cuidadas – como a Tristão Gonçalves e Monsenhor Esmeraldo –  convivem com o lixo e entulhos de construções em suas calçadas. Sem falar no desprezo pela pavimentação, onde se misturam pedras soltas com o asfalto. Convenhamos, as ruas de Crato– salvo raras exceções – estão feias e malcuidadas. Vem a SAAEC, tapa um vazamento, e deixa pedras mal colocadas no local do conserto. Aliás, nas duas ruas acima citadas, a atual administração não teve força para impor, sequer, o sistema de estacionamento de carros chamado “Zona Azul”. Os flanelinhas continuam a dominar aqueles espaços.  Prolifera no centro da cidade o comércio irregular dos camelôs, sonegando espaço para os transeuntes.  O Centro de Crato virou o simulacro de um “mercado persa”.

       Por isso, a população cratense alimenta o sonho de que, em 2020, apareça uma liderança política que elimine o atual estado de abandono desta cidade. Quem sabe, não surja um candidato nos moldes de Agenor Neto, ex-prefeito de Iguatu, que transformou aquela cidade. Cada espaço opaco de Iguatu (nas administrações de Agenor Neto) foi limpo e transformado num jardim. O calçamento das ruas foi todo refeito e era constantemente conservado. As praças de Iguatu ganharam projetos paisagísticos. Suas ruas foram arborizadas. As transformações sócio-espaciais de Iguatu – à época da gestão de Agenor Neto –, continuam ainda servindo de modelo para gestores competentes, bem-intencionados, dinâmicos, que priorizam o bem-estar da população de suas urbes. É este o sonho da população cratense. E só faltam 2 anos e 5 meses para as eleições municipais de 2020...
Abaixo, fotos de Iguatu na época da administração de Agenor Neto
 Abaixo, decoração de Natal na cidade de Iguatu