31 março 2018

Crônica do domingo

Acerca da Rua Dr. Leandro Bezerra Monteiro – por Armando Lopes Rafael
   Alguém já teve curiosidade de saber porque denominaram, de “Dr. Leandro Bezerra Monteiro” – nesta cidade de Crato – uma rua, aquela que parte da Praça da Sé até atingir o Parque de Exposição Pedro Felício Cavalcante?  Leandro Bezerra Monteiro foi um ilustre advogado, nascido na cidade de Crato, em 11 de junho de 1826. Era o filho primogênito do Coronel José Geraldo Bezerra de Menezes e de Jerônima Bezerra de Menezes, sendo seu avô o legendário Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro, de quem herdou o nome. Formado em Ciências Jurídicas pela Faculdade de Direito do Recife, Dr. Leandro se transferiu para a Província de Sergipe del Rey, (hoje Estado do Sergipe) onde se elegeu diversas vezes deputado provincial (hoje deputado estadual) e deputado geral (hoje deputado federal).
     Nessa última função ele teve grande destaque no Brasil e no exterior, quando usou a tribuna legislativa e a imprensa do Rio de Janeiro para defender o admirável Bispo de Olinda e Recife, Dom Vital, preso injustamente por sua fidelidade aos princípios imutáveis da Igreja Católica.
      Vamos transcrever o trecho – escrito por Dr. Raimundo de Oliveira Borges, constante – do livro “O Crato Intelectual”, onde é destacada a homenagem que o poder público municipal de Crato prestou à memória do Dr. Leandro Bezerra Monteiro. A conferir.
“Reconhecendo-lhe os inúmeros e incontestáveis méritos, pelos inestimáveis serviços prestados (por Leandro Bezerra Monteiro) não apenas à terra natal como ainda ao País inteiro, Crato rendeu-lhe expressiva homenagem, dando o nome à antiga Rua da Glória, através do Decreto nº 7, de 21 de Novembro de 1944, firmado pelo então Prefeito, Dr. Wilson Gonçalves, e que traz também com muita honra para mim, a minha assinatura na qualidade de Secretário que era, àquele tempo do aludido Prefeito Municipal.
     Este diploma legal está na íntegra transcrito na revista Itaytera, nº 16, página 54, ano 1972. Nele, diz o chefe da comuna diz em seus alguns dos seus “considerandos”:
     “Considerando que o ilustre morto, preclaro filho do Crato, é merecedor da admiração dos seus pósteros pelos relevantes serviços prestados à Pátria, através de uma atuação brilhante, fecunda e destemida no Parlamento brasileiro e em outros setores da vida nacional, jurídica e religiosa do País, na qual deixou patente, por mais de uma vez, o seu talento, a sua bondade e a sua inexcedível honestidade, decreta:
      Art. 1º – Passa a ter denominação de “Dr. Leandro Bezerra Monteiro”, como homenagem ao ilustre cratense, a atual Rua da Glória.
      Art. 2º – O presente decreto entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário.
      Prefeitura Municipal do Crato em 21 de novembro de 1944.
      Wilson Gonçalves – Prefeito Municipal
      Raimundo de Oliveira Borges – Secretário”

Monarquistas brasileiros aderem aos protestos de rua marcados para a próxima 3ª feira, dia 3


   Na próxima terça-feira, dia 3 de abril, os brasileiros de bem irão novamente às ruas, de norte a sul do Brasil, para manifestar seu repúdio à corrupção generalizada de nossas instituições públicas e para exigir que o Supremo Tribunal Federal, representação máxima do Poder Judiciário em nosso País, cumpra com suas obrigações de forma idônea e honesta, sem favorecer quem quer seja.
      A Casa Imperial do Brasil, através do seu Secretariado, a Pró Monarquia, apóia as manifestações do dia 3, e estará junto ao seu povo nessa nova ocasião em que lutaremos por um Brasil mais justo e próspero para todos os brasileiros. Cabe a nós, monarquistas, mostrar a nossos patrícios que a restauração da Monarquia Constitucional é a solução natural para os problemas que afligem o Brasil; com um Imperador, teremos uma figura acima das querelas partidárias e das paixões políticas, velando sobre o bom funcionamento das instituições e inibindo as más-tendências dos homens e mulheres públicos.
      No início da próxima semana, publicaremos a relação completa de cidades onde serão realizadas as manifestações e dos pontos de encontro dos monarquistas.
       A hora da Monarquia é agora!
Fonte: Facebook "Pró Monarquia"

29 março 2018

Para Você Refletir !-Por Maria Otilia

Nestes últimos anos, nós brasileiros temos vivido num país onde a  justiça, antes considerado maior instrumento de direitos para todos, vive com seus dias de “UTI”. Constatamos  uma inoperância  dos gestores  em efetivar o direito à segurança pública. Resultando na falência  dos órgãos que deveriam atuar em prol do direito de todos. Mas infelizmente a nossa justiça vem atuando simplesmente para um determinado grupo de pessoas. Estes são os famosos “políticos e empresários” corruptos. Para eles a justiça não é cega, nem imparcial. Para a população pobre, de maioria negra, baixa renda, baixa escolaridade, celas superlotadas. Para  a elite política e empresarial, prisão domiciliar .Como esta prisão pode ser considerada “castigo”,  se estão configuradas em grandes mansões, localizadas em áreas nobres, ou fazendas  com toda a estrutura  física para uma boa qualidade de vida?

Constatamos diariamente através da mídia, a efetivação da impunidade de crimes políticos. E quando julgados  são recheados de vários privilégios, como por exemplo  , a prisão do ex-governador do Rio de Janeiro e dos empresários  das diversas empreiteiras envolvidas na Operação Lava Jato.
Numa sociedade que ultimamente tem crescido a desigualdade social, uma mãe roubar um pote de margarina para alimentar seu filho, chega a ser um fato quase sem relevância, em relação a postura de políticos que usam e abusam do poder para “ roubar” o que é um bem público..

Enquanto  um político  não é preso por ter “foro privilegiado”, e poder responder em liberdade, os demais presos comuns do país seguem amontoados nas casas de detenções brasileiras.
Neste ano de novas eleições, cabe a nós eleitores realmente fazer uma reflexão da importância  das nossas escolhas. O voto ainda continua sendo a única arma para não   validar poderes  a políticos  que  não nos representam. Que não tem a menor  condição de realmente fazer valer a “função de representatividade” , executando, legislando a serviço daqueles que lhe confiaram esta função. O lema “ordem e progresso”  está  muito distante do Brasil que queremos, da pátria que sonhamos,  da ética, do respeito, da igualdade de direitos. Quando poderemos dizer que a justiça é igual para todos ? Todos somos iguais perante a Lei ?

Ceará, terra de paradoxos -- Por Jocélio Leal (*)

    A empresa que lidera o mercado de águas no País é cearense. Conforme o Euromonitor Internacional, o Grupo Edson Queiroz é líder nacional no mercado de água engarrafada, com 10,7%. O placar se refere até antes da compra anunciada ontem. A empresa cearense adquiriu a Nestlé Waters Brasil, a quinta colocada no ranking, com 1,9% do mercado - um oceano de água doce de R$ 24 bilhões no ano passado e 10,3 bilhões de litros.
     Ainda a água. Com capacidade de armazenamento de 6,7 bilhões de m³, o Castanhão é o maior açude da América Latina. Construído em meio a polêmicas, sucedeu no posto de maior barragem do Ceará, o Orós, equivalente a pouco mais da metade da capacidade do Castanhão.
     Agora os alimentos. A líder de massas e biscoitos do País tem sede no Eusébio, na Região Metropolitana de Fortaleza. A M. Dias Branco é uma gigante detentora de impressionantes 32% de market share (fatia de mercado) no Brasil. Na Bovespa, atingiu R$ 20.390 bilhões.
      Telecomunicações. No Interior do Estado, fica um dos cases nacionais no setor. A Brisanet, com sede em Pereiro (CE), atende 170 mil famílias no interior do Ceará, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte com serviços de telecomunicações – internet, TV e telefonia. Já entregou mais 10 mil quilômetros de fibra ótica até no fim do mês passado. Acaba de fechar R$ 20 milhões com o BNDES, em operação que o Banco do Nordeste tinha o maior interesse.
     Um dos destaques no segmento de saúde privada é de Fortaleza. O Hapvida tem cerca de 4 milhões de clientes em 11 estados. É um case de eficiência como empresa e está em pleno período de silêncio que antecede sua oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês).
      Poderia mencionar ainda o SAS, um dos principais sistemas de ensino do País, com 80 novas escolas em 2018 e 430 mil alunos. Tem planos de igualmente ir para a Bovespa. E nem se fale nos índices de aprovação no ITA, IME e Enem. Vide as escolas privadas locais. Farias Brito, 7 de Setembro, Master e outros. Ou também no varejo farmacêutico. A Pague Menos tem mais de 1 mil lojas, mas quer duas mil e um IPO.
    Água, comida, telecomunicações, educação, saúde. Referências nacionais na terra que lida com a falta d’água, com a pobreza extrema e com ainda vergonhosos 15,2% da população analfabeta. Há 1,34 milhão de pessoas analfabetas no Estado, o que confere ao Ceará o quinto lugar do País. Dados do IBGE.
     Os tais paradoxos podem ser lidos por ângulos distintos. Tanto servem para apequenar, como para exortar. Existe uma imensa dificuldade cearense de lidar com os extremos. Vivemos o que um dia já definiram como ciclos emocionais. Ora de ufanismo - com a sua inerente autoestima superestimada, como se fôssemos uma ilha da prosperidade (lembram?) – ora catastrófica, sapecada de derrotismo, como vemos no caso da segurança. Parece faltar o básico: racionalismo. Isto vale para os governantes. Por vezes, jovens, mas enquadrados em modelo anacrônico e, por esta razão, velhos. E vale também para as ruas.
   (*) Jocélio Leal é Jornalista do O POVO -- E-mail: leal@opovo.com.br 

Comentários 
Thiago Sampaio · Universidade Federal de Minas Gerais
Excelente! Ademais o estado é terceiro maior produtor de calçados, quinto colocado na produção têxtil e um dos que mais dependem do Bolsa Família.

O Brasil de hoje não é uma democracia; provavelmente nunca foi –– por José Roberto Guzzo (*)

A verdade é que o atual regime brasileiro não consegue dar ao cidadão nem sequer o direito à própria vida — um mínimo dos mínimos, em qualquer país do mundo
 O povo aprende mesmo? - Congresso Nacional: quase metade dos parlamentares tem algum tipo de problema com a Justiça (Pedro França/Agência Senado)

     O Brasil de hoje não é uma democracia; provavelmente nunca foi. É verdade que nos últimos trinta anos a “sociedade brasileira”, essa espécie de espírito santo que ninguém entende direito o que é, mas parece a responsável por tudo o que acontece no país, tem brincado de imitar Estados Unidos, Europa e outros cantos virtuosos do mundo. A tentativa é copiar os sistemas de governo que existem ali — nos quais as decisões públicas estão sujeitas à igualdade entre os cidadãos, às suas liberdades e à aplicação da mesma lei para todos. Os “brasileiros responsáveis”, assim, fingem que existem aqui “instituições” — uma Constituição com 250 artigos, três poderes separados e independentes uns dos outros, “Corte Suprema”, direitos civis, “agências reguladoras”, Ministério Público e as demais peças do cenário que compõe uma democracia.
    Mas no presente momento nem a imitação temos mais — pelo jeito, os que mandam no Brasil desistiram de continuar com o seu teatro e agora não existe nem a democracia de verdade, que nunca tivemos, nem a democracia falsificada que diziam existir.
     Como pode haver democracia num país em que onze indivíduos que jamais receberam um único voto governam 200 milhões de pessoas? Os ministros do Supremo Tribunal Federal, entre outras manifestações de onipotência, deram a si próprios o poder de estabelecer que um cidadão, por ser do seu agrado político, tem direitos maiores e diferentes que os demais. Fica pior quando se considera que sete desses onze foram nomeados, pelo resto da vida, por uma presidente da República deposta por 70% dos votos do Congresso Nacional e por um presidente hoje condenado a mais de doze anos de cadeia. Mais: seus nomes foram aprovados pelo Senado Federal do Brasil, uma das mais notórias tocas de ladrões existentes no planeta.
      Querem piorar ainda um outro tanto? Pois não: o próximo presidente do STF será um ministro que foi reprovado duas vezes seguidas no concurso público para juiz de direito. Quando teve de prestar uma prova destinada a medir seus conhecimentos de direito, o homem foi considerado incapaz de assinar uma sentença de despejo; daqui a mais um tempo vai presidir o mais alto tribunal de Justiça do Brasil. Outro ministro não vê problema nenhum em julgar causas patrocinadas por um escritório de advocacia no qual trabalha a própria mulher. Todos, de uma forma ou de outra, ignoram o que está escrito na Constituição; as leis que valem, para eles, são as leis que acham corretas.    Democracia?
      Democracia certamente não é. A população não percebe isso direito — e a maioria, provavelmente, não ligaria muita coisa se percebesse. Vale o que parece, e não o que é — o que importa é a “percepção”, como se diz. Como escreveu Dostoievski, a melhor maneira de evitar que um presidiário fuja da prisão é convencê-lo de que ele não está preso. No Brasil as pessoas estão mais ou menos convencidas de que existe uma situação democrática por aqui; há muitos defeitos de funcionamento, claro, mas temos um sistema judiciário em funcionamento, o Congresso está aberto e há eleições a cada dois anos, a próxima delas daqui a sete meses. Os analistas políticos garantem que o regime democrático brasileiro “está amadurecendo”. Quanto mais eleições, melhor, porque é votando que “o povo aprende”.

(*) José Roberto Guzzo é jornalista e trabalha para a revista VEJA

Comentários
Armando Rafael  Gostei do artigo. É longo. Se fosse publicado na íntegra pouca gente leria. Mas, é verdade. Democracia é quando todos têm direitos iguais. Isso não acontece aqui. Como disse o autor do artigo:"Não existe democracia quando os governos são escolhidos por um eleitorado que tem um dos piores níveis de educação do mundo".
"Como falar em democracia num país que tem mais de 60.000 assassinatos por ano?"
Quando Arautos do atraso pedem o fim da intervenção policial no Rio de Janeiro? e o fim da Polícia Militar?
"Direitos" só existem no papel. Na alardeada "Constituição Cidadã"...
No Brasil impera a demagogia, principalmente a que vem da esquerda troglodita.
Vejamos um trecho deste artigo:
"O brasileiro comum se aposenta com cerca de 1 200 reais por mês, em média, não importando qual tenha sido o seu último salário. O funcionário público, por lei, se aposenta com o salário integral; hoje, na média, o valor está em 7 500 mensais. Os peixes graúdos levam de 50 000 mensais para cima. São cidadãos desiguais e com direitos diferentes"
"É só olhar durante um minuto quem a população do Rio de Janeiro, em eleições livres e populares, escolheu para governar seu estado e sua cidade nos últimos trinta anos. Eis a lista: Leonel Brizola, Anthony Garotinho, a mulher de Anthony Garotinho, Benedita da Silva, Sérgio Cabral (possivelmente o maior ladrão da história da humanidade), Eduardo Paes e, não contente com tudo isso, um indivíduo que se faz chamar de “Pezão”. Assim mesmo: “Pezão”, sem nome nem sobrenome, como jogador de futebol do Olaria de tempos passados. Que território do planeta conseguiria sobreviver à passagem de um bando desses pelo governo e pela tesouraria pública? É óbvio que tais opções, repetidas ao longo de trinta anos, têm consequências práticas. O Rio de Janeiro de hoje, com sua tragédia permanente, é o resultado direto de uma democracia que faliu de ponta a ponta."

28 março 2018

Agentes da PRF não viram 'nada de anormal' na estrada do trajeto da caravana de Lula, diz relatório



Em relatório da Polícia Rodoviária Federal (PRF) aponta que agentes da corporação não perceberam "nada de anormal" no trajeto entre os municípios de Queda do Iguaçu, no oeste do Paraná, e Laranjeiras do Sul, na região central do estado, onde a caravana do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi atacada na terça-feira (27).

O relatório, no entanto, não faz menção ao momento descrito por várias testemunhas, em que os ônibus param e os passageiros constatam que o pneu de um deles está furado e que há marcas de tiro na lataria. A TV Globo procurou a PRF para entender por que o relatório não faz menção a esse momento, mas ainda não conseguiu contato.
O documento é uma parte da investigação sobre o caso. A Polícia Civil está fazendo uma varredura no trecho da estrada e ouvindo testemunhas. Peritos do Instituto de Criminalística examinaram o ônibus na noite de terça, e o laudo deve ficar pronto nos próximos dias. Ainda não há suspeitos identificados. No relatório, a PRF afirma que carros caracterizados e descaracterizados da corporação acompanharam a caravana durante todo o percurso.
"Desde o início das atividades na praça em Quedas do Iguaçu, no ato com o ex-presidente, e no deslocamento até Laranjeiras do Sul, nada de anormal foi visualizado pelos agentes da PFR, tanto os que estavam nas viaturas caracterizadas quanto na viatura descaracterizada", diz o documento.
Investigações

Na terça, dois ônibus da caravana foram atingidos por três tiros. Um dos veículos levava convidados, e outro transportava jornalistas do Brasil e do exterior.
Lula estava em um terceiro ônibus, o primeiro do comboio. A informação inicial era de que, no momento dos disparos, o ex-presidente estava na Universidade Federal da Fronteira Sul (UFSS), em Laranjeiras do Sul, mas o PT informou posteriormente que ele estava em um dos veículos. Ninguém ficou ferido.
De acordo com o delegado da Polícia Civil Hélder Lauria, o caso não é tratado como tentativa de homicídio, mas como disparo de arma de fogo com dano provocado.
O Ministério Público do Paraná (MP-PR) também está investigando o caso, com o apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e da 2ª Promotoria de Justiça de Quedas do Iguaçu.
Nesta quarta-feira (28), o procurador Olympio de Sá Sotto Maior Neto, coordenador da área de Direitos Humanos do Ministério Público do Paraná (MP-PR), citou tentativa de homicídio ao comentar os ataques à caravana.

Fonte: G1
Via Blog do Crato


Vale a pena ver "O Mecanismo" -- por Elio Gaspari (*)

O seriado disponibilizado pela Netflix conta a história da Operação Lava Jato
    É bom negócio ver “O Mecanismo”, a série de José Padilha na Netflix. Seus oito episódios contam a história da Lava Jato até as vésperas da prisão de Marcelo Odebrecht. Eles giram em torno de dois eixos.
    O primeiro é uma novela padrão onde há sexo, traições, doenças, rivalidades, muitos palavrões e até mesmo uma menina com deficiência. A quem interessar possa: o agente Ruffo nunca existiu. Pena que ele seja um narrador do tipo “faço sua cabeça”, numa espécie de reencarnação do Capitão Nascimento de “Tropa de elite”. A agente Verena é uma exagerada composição.
   É a segunda história, a da Operação da Lava Jato, que valoriza a série. E é ela que vem provocando a barulheira contra Padilha. A ex-presidente Dilma Rousseff (Janete Ruskov na tela) acusa “O Mecanismo” de duas fraudes.
    Jogaram para dentro do consulado petista a operação abafa que decapitou as investigações das lavagens de dinheiro do caso Banestado, ocorrido durante o governo de Fernando Henrique Cardoso. (Há uma referência a “dez anos depois”, mas ela ficou embaralhada.) Noutro lance, puseram na boca de Lula (Higino, igualzinho ao original, graças ao ator Arthur Kohl) a frase “é preciso estancar a sangria”, do senador Romero Jucá. Também não há prova de que “Higino” tenha pedido a “Janete” para trocar a direção da “Polícia Federativa”.
     A narrativa do caso será útil para muita gente que perdeu o fio da meada da Lava Jato. Essa é a razão pela qual é melhor ver a série do que não vê-la. A Lava Jato fez um memorável serviço de faxina e hoje parece banalizada, o que é uma pena. O câncer de que fala o agente Ruffo estava lá e ainda está. Entrou areia no mecanismo das empreiteiras, mas ele funciona em outras bocas.
      Num primeiro momento, Padilha explicou-se: “O Mecanismo” é uma obra-comentário, na abertura de cada capítulo está escrito que os fatos estão  dramatizados. Se a Dilma soubesse ler, não estaríamos com esse problema”.
      Seja lá o que for uma “obra-comentário”, Dilma sabe ler, e essa explicação tem o valor de um balanço de empreiteira. Seria como se o diretor Joe Wright, de “O Destino de Uma Nação”, atribuísse a trapaça que fez com Lord Halifax a uma licença cinematográfica. Num comentário posterior, Padilha disse que expôs a corrupção do PT e do MDB. É verdade, pois o vice de Dilma chama-se “Themes” e foi posto no jogo. O tucano Aécio Neves também está no mecanismo: “Se o ‘Lúcio’ vence a eleição, breca isso na hora”. O procurador-geral Rodrigo Janot ficou por um fio. Padilha pegou pesado ao mostrar os pés dos ministros do Supremo entrando numa sessão enquanto Ruffo fala nas “ratazanas velhas” de Brasília. A dança dos presos comemorando uma decisão do STF também foi forte, mas, como se viu há pouco, o Supremo decide, e réus festejam.
       Padilha bateu num caso histórico. A série é dele e fez o que bem entendeu, mas a trama novelesca e as catilinárias de “Ruffo” tiraram-no de outro caminho, o de uma série e de um filme recentes. “The Crown” é factualmente impecável e mexeu com os mecanismos da Casa de Windsor. “A guerra secreta” não precisou demonizar Richard Nixon para contar a história da briga do “Washington Post” pela publicação dos “Papéis do Pentágono”. Nos dois casos, não houve novela paralela, pois o recurso não era necessário.

(*) Elio Gaspari opiniao@opovo.com.br Jornalista

27 março 2018

CRATO - Vereador Pedro Alagoano diz que denúncia contra ele não procede



Acabo de ser contactado pelo vereador Pedro Alagoano, e este me disse que a denúncia contra ele publicada hoje ( 27/03 ) em alguns setores da imprensa, não procede de forma alguma, e que isto é apenas uma intriga. Pedro adiantou também que o site miséria, que divulgou a denúncia em primeira mão contra o vereador, inclusive já a retirou do ar.  Outras notícias, logo mais. ( Dihelson Mendonça - BLOG DO CRATO - www.blogdocrato.com ).


A desordem no Ceará - Por: Valdemir Correia


Aos amigos do blog do Crato:

Vamos levar o assunto que trato neste pequeno espaço, com um pouco de humor, pois estamos passando por tantos e sérios problemas, que temos que amenizar a situação, tratando os assuntos com certa amenidade. No Ceará, especialmente em Fortaleza, a situação está incontrolável, e as autoridades atônitas, não sabem que posição tomar, e o caos dominando. Lembre-me de um fato que aconteceu aqui mesmo no Ceará em 1969:

CORONEL CHICO BENTO - Era o ano de 69, e um baita duma seca assolou o nosso estado, devorando tudo. A lavoura foi toda perdida, o gado morrendo de fome, e uma parte da população também passando por imensas dificuldades. À proporção que o problema foi aumentando, no mesmo ritmo foi também aumentando a população faminta vagando pelas ruas da cidade. A situação se agravou tanto que no fim de Março, uma imensa multidão, se aglomerou na porta da Prefeitura pedindo emprego e alimento. O Prefeito, coitado, mandou comprar uns sacos de farinha, feijão, arroz, etc e distribuiu com a população, dispersando-os. Tudo bem, a situação acalmou, mas quando foi na semana seguinte, a aglomeração de pedintes era 5 vezes maior, e aí o Prefeito não teve mais como contornar. Aí aconteceu a explosão. Os flagelados saíram na rua saqueando tudo quanto era de mercearias, armazéns de cereais, de rapaduras, etc, foi o caos total. O comercio fechou as portas, mesmo assim sendo muitas arrombadas e os comerciantes desesperados. Muitos ficaram sem nada. Aconteceu, e ninguém tomou providencias, e aí na outra segunda-feira a situação foi ainda pior, pois além do saque, as mercadorias que eles não podiam levar, eram depredadas por pura maldade.

Uma comissão foi à Fortaleza, e no domingo chegou ao Crato, uma tropa de 30 policiais, sob o comando do Coronel Chico Bento. Na segunda-feira, o saque continuou, e o Coronel Bento a paisana, junto aos policiais observou tudo, e verificou que mais da metade dos saqueadores, eram pessoas que não tinham necessidade de fazerem aqueles saques, e sim por pura maldade.

Tudo bem. Anotou o nome de uma grande parte, e na terça-feira logo cedinho bateu na porta de um malfeitor. O cara abriu a porta e tinha uns 10 sacos de cereais na sala.O Coronel perguntou onde ele tinha comprado aquela mercadoria, e disse ,no armazém, o Coronel perguntou quem era o dono do armazém, e também não tinha nenhuma nota.

Então o Coronel bruto, como era conhecido, disse ,agora você vai dançar o sapinho. O que diabo é sapinho, perguntou o meliante. Voce sabe já, nisso chamou dois soldados para botarem um saco 60 Kg na cabeça do cara,e mandou que ele se ajoelhasse, e se levantasse várias vezes, e a palmatória comendo. até quando o cara não suportou mais. Aí ele perguntou como tinha transportado todo aquele material, com quase dois kilômetros. Ele disse que tinha conduzido numa carroça. Ai o Coronel disse, pois agora você vai levar todos os sacos na cabeça um por um, e o "réu" teve que passar o dia todo fazendo o transporte, e depois ainda foi dormir na cadeia.

Como ele tinha o nome de quase todos os implicados, foi de casa em casa, e todos cumpriram o mesmo ritmo. Muitos deles ao saberem do ocorrido, se anteciparam e foram logo entregar todo o saque. O resultado foi tanto, que nas feiras seguintes,os comerciantes podiam deixar as portas abertas, que ninguém mexia em nada. Era tudo tranquilidade.

Aqui pois está precisando de vários Chicos Bentos, para ver se melhora a situação.

Valdemir Correia de Sousa
Colaborador do Blog do Crato




26 março 2018

3 MESES PARA UMA CONSULTA COM UM ESPECIALISTA ! - Por: Dihelson Mendonça


A profissão mais lucrativa que existe hoje no Brasil deve ser a do médico especialista. Aqui na minha região, por exemplo, se você precisar de um médico, pode até MORRER antes de ser atendido. As consultas precisam ser marcadas na maioria das vezes com 3 ou 4 meses de antecedência, tal é a procura. Você não consegue uma consulta com um especialista, com um dermatologista, com um oftalmologista, um endocrinologista, ou qualquer "logista". Até para clínicos gerais, aqueles que mexem com tudo, mas apenas alguns poucos resolvem, a coisa está complicada. Não entendo porquê tanta gente reclama de falta de oportunidades, quando faltam tantos médicos no Brasil. É preciso que se formam mais especialistas em todas as áreas da medicina. O nosso povo não pode padecer por falta de médicos. Agora, pior que a falta de médicos é a falta de hospitais bons, o segundo maior fator de risco. No Cariri, se nesse momento, um parente seu ou você tiver um ataque cardíaco, um infarto, você tem a mínima idéia de para onde o levaria às pressas ? Para o Hospital São Francisco em Crato ? Para o São Miguel ? Para o Regional ? É bom você pensar bem e ter já o seu esquema de segurança todo preparado, pois nunca se sabe quando poderemos precisar desses valiosos serviços. Um bom médico e um bom hospital fazem a diferença entre a vida e a morte. 

( Ah, e antes que eu me esqueça, é bom você ter dinheiro de sobra. Muitos médicos não atendem por planos de saúde, e as consultas variam entre 300 e 500 reais. Imagina se um médico atende 10 ou 20 pacientes por dia na base de R$ 300 por consulta, resulta em ganhos de 3.000 a 6.000 reais POR DIA...deve ter gente milionária aí com a profissão; Como é que se pode reclamar de crise ? Torne-se um médico especialista e faça consultas particulares, e não haverá crise ).

Por: Dihelson Mendonça
Blog do Crato



Boa notícia: Soldadinho-do-Araripe terá área de Refúgio da Vida Silvestre no Crato

Fonte: jornal O POVO|

A ave, criticamente em perigo de extinção, terá 5.103 hectares de área totalmente preservada. Em Barbalha, a ave é protegida no Parque Riacho do Meio, uma área do Geopark Araripe
   O raro Soldadinho-do-Araripe (Antilophia bokermanni) será mais protegido nas poucas áreas onde a espécie faz o favor de resistir. No Crato, município do Cariri cearense, acaba de ser criado um território para o Refúgio da Vida Silvestre (Revis). Uma Unidade de Conservação Integral e Municipal, prevista pelo Sistema Nacional de Unidades de Conservação (Snuc).
     Na prática, a prefeitura do Crato demarcou 5.103,38 hectares de mata, nascentes e outros recursos naturais que não poderão ter a interferência humana para destruição ou avenço da urbanização insustentável das cidades.  
    De acordo com Fábio Nunes, biólogo da Associação de Pesquisa e Preservação de Ecossistemas Aquáticos (Aquasis), a delimitação do Revis proíbe a supressão de árvores, caçadas, desvio do curso de rios e riachos ou qualquer investimento que cause o desequilíbrio da floresta esquadrinhada por lei.  
     E não é para menos. A existência do Soldadinho-do-Araripe depende, principalmente, da floresta e fontes d´água preservadas. A espécie, endêmica do Ceará e restrita aos municípios de Barbalha, Crato e Missão Velha, foi descoberta em 1996 pelo zoólogo brasileiro Werner Bokermann.  
     De lá para cá, com a destruição de habitats, quase desapareceu e é considerado uma das cinco espécies da fauna cearense mais ameaçadas de extinção global na lista oficial brasileira de 2003 (MMA/Ibama). Também está classificada como “criticamente em perigo” pela União Internacional para a Conservação da Natureza (BirdLife International 2004) 
     O Revis tende a garantir a vida do Soldadinho-do-Araripe na natureza e, por tabela, beneficiar outras espécies da fauna e da flora, que passam a ser protegidas integralmente nas encostas do Crato, do distrito de Campo Alegre até Romualdo.  
     Segundo dados da Aquasis, em 2000, a população de soldadinhos era estimada em menos de 50 indivíduos. Sendo que apenas três machos e uma fêmea foram catalogados. Em 2003, em novo levantamento, a estimativa subiu para 250 indivíduos e, hoje, estão sendo feitos novas pesquisas. Além dos recursos da prefeitura cratense, os estudos técnicos para a criação da Revis custaram R$ 176 mil para o Governo do Ceará.   

A passagem da caravana de Lula pelo sul do Brasil

Está no "Painel dos Leitores", da "Folha de S.Paulo", desta 2ª feira, dia 26, uma carta da leitora Vera Magalhães:
 "É pau, é pedra, é o fim do caminho"...
Ninguém aguenta mais mentiras, hipocrisia, corrupção e impunidade neste país ... achando que vai ter que ser resolvido assim ...
Dizem que quem planta vento colhe tempestade. Lula deu o golpe no povo brasileiro, enganou, corrompeu e foi corrompido. Enfim, pintou o diabo. Agora, ele colhe o resultado de sua semeadura: pau, pedradas, ovadas e cadeia.
A caravana de Lula pelo Sul, que começou com protestos de produtores rurais em Bagé, foi esquentando até chegar a Santa Catarina onde, cada vez mais acuado, o petista despiu o figurino da vítima de perseguição política para convocar seus militantes a partirem para a porrada.
O resultado foi que grupos rivais chegaram a trocar pedradas em Chapecó. Para quem vê os caminhos políticos e jurídicos se estreitarem, o contato com a realidade hostil deve mostrar a Lula que ele não tem mais o condão de inflamar o país apenas a seu favor".

Apenas seis pessoas são presas após "noite de caos" no Ceará

Poder público trabalha com a hipótese de que criminosos queiram enfrentar autoridades e impedir instalação de bloqueadores de celular nos presídios
 Ônibus é incendiado na Praça Coração de Jesus, em Fortaleza (CE) - 25/03/2018 (TV Globo/Reprodução)

    Seis homens foram presos como suspeitos de participar da série de ataques a ônibus, carros, motos, torres de telefonia e prédios públicos de Fortaleza e do interior do Ceará. Os crimes ocorreram entre a noite de sábado, 24, e a madrugada deste domingo, 25, e deixaram ao menos três pessoas mortas – que estariam envolvidas nos ataques, de acordo com a polícia.
     Uma das principais hipóteses para a onda de violência é que facções criminosas querem intimidar o governo cearense para impedir a instalação de bloqueadores de celular em presídios do Estado.
Em Fortaleza, cinco ônibus foram incendiados. A frota foi recolhida no início da noite de sábado e só voltou a circular em comboio e com escolta policial. O prefeito Roberto Cláudio (PDT) condenou o que chamou de “atos de vandalismo”. Ele disse ainda que está somando “todos os esforços entre os órgãos da Prefeitura, Governo do Estado e organismos do Poder Judiciário”.
    Os bandidos também atearam fogo em prédios públicos. As sedes das secretarias executivas regionais 3 e 4 foram atingidas por bombas caseiras (de coquetel molotov). O prédio do Juizado Especial Cível e Criminal, no bairro Itaperi, foi atacado a tiros de madrugada. Duas antenas de telefonia foram danificadas no bairro Jardim Iracema e na Avenida Maestro Lisboa, no bairro José de Alencar.
    No interior, aconteceram ataques em Cascavel, Caucaia e Sobral. Em Cascavel, bandidos tocaram fogo em um depósito de veículos apreendidos, atingindo cerca de 50 carros e motos. Em Sobral, a 240 quilômetros de Fortaleza, o prédio da Coordenadoria Integrada de Operações de Segurança (Ciops) também foi atacado. Em Caucaia, um ônibus foi incendiado.

25 março 2018

25 de março: Feriado Estadual no Ceará

Parlamento. O povo negro e o poder
134 anos depois da abolição da escravatura no Ceará, é baixa a representatividade negra na política
(Excertos de matéria publicada no jornal O POVO, 25-03-2018)
Detalhe do quadro de Auguste François Biard  “A abolição da escravatura”

O Ceará foi a primeira província brasileira a libertar os escravos, quatro anos antes da abolição da escravatura no Brasil. São 134 anos desde então, comemorados hoje. Na política cearense — assim como no restante do País — a pouca presença de representantes negros define uma realidade, no mínimo, controversa: a minoria é quem representa a maioria. Dos 89 parlamentares da Câmara de Vereadores de Fortaleza e da Assembleia Legislativa do Ceará, apenas dois são negros.
Abolição
Um grupo de jangadeiros, em 1881, decidiu que não mais transportariam escravos até o Porto de Fortaleza. Francisco José do Nascimento, o Chico da Matilde, os liderava. “No porto do Ceará não se embarcam mais negros” é a frase atribuída a ele. 
 Redenção
Em 1883, o movimento emancipador da Sociedade Cearense Libertadora consegue alforria dos escravos da vila de Acarape (Redenção). Meses depois, o movimento é realidade também em Fortaleza e segue para Mossoró, no Rio Grande do Norte. 
 25 de março
Em 25 de março de 1884, a abolição da escravatura é declarada no Ceará. A ação acontece quatro anos antes da Lei Áurea. 
 Dragão do Mar
Chico Matilde é homenageado nas celebrações e então ganha o apelido de Dragão do Mar. Ele nasceu em Canoa Quebrada, em 1839, e faleceu em Fortaleza, em 1914.
 Pressão nacional
Com o movimento cearense, o governo imperial se vê pressionado. Em 1885 decreta a Lei do Sexagenário, que alforria escravos com mais de 60 anos. 
 Lei Áurea
Três anos depois a Lei do Sexagenário, em 13 de maior de 1888, é decreta a Lei Áurea, assinada pela princesa Isabel.

24 março 2018

Crônica do domingo -- por Armando Lopes Rafael


A primeira vez que ouvi falar sobre Benigna Cardoso da Silva

    Corria o Ano da Graça de 2001.
       Lembro-me como se fosse hoje!  Foi naquele ano que ouvi falar, pela primeira vez, na menina-mártir Benigna. Àquela época eu era bancário e trabalhava no Banco do Nordeste do Brasil. A serviço daquela instituição bancária viajava semanalmente à cidade de Santana do Cariri. Num certo dia dirigi-me ao povoado de Inhumas, em busca de conhecer fatos sobre Benigna Cardoso da Silva, nascida em 1928 e assassinada em 1941, aos treze anos de idade, naquela localidade. Na ocasião, acompanhou-me o então Secretário de Turismo da Prefeitura de Santana do Cariri, Aurisvaldo Aquino. Quando retornei daquela viagem, vinha de tal forma impressionado com a vida da menina-mártir, que escrevi um artigo – com o título de “A Santa de Inhumas” – o qual foi publicado, em 26-12-2001.
       Quando daquela minha visita, um dos mais antigos habitantes do povoado de Inhumas, o Sr. Francisco Agostinho Pereira – mais conhecido por “seu Chico”, escultor de santos de madeira – respondeu a várias perguntas que lhe fiz. “Seu Chico” contou-me a história da menina-mártir. Disse-me que Benigna levava uma vida igualzinha às demais adolescentes do lugarejo. Fazia as tarefas da casa da família que a criava, já que era órfã de pai e mãe. Estudava e, dentre as suas obrigações domésticas, constava ir buscar a água para o consumo dessa família. Para isso se deslocava, diariamente, a um poço que ficava distante da casa onde residia. Apesar de pequena e franzina, ia todos os dias, com um pote à cabeça, em busca dessa água.
         Outro habitante de zona rural de Santana do Cariri disse-me que outro aspecto diferenciava Benigna da maioria dos adolescentes lá residente. Alguns jovens, mesmo naquela recuada época,  já tinha costumes pouco recomendáveis no que diz respeito às atividades sexuais. Alguns rapazes costumavam reunir-se, em locais mais isolados da zona rural, para práticas promíscuas, desconsiderando as proibições religiosas, e praticavam ações marcadas pelo desregramento moral.
          Benigna possuía uma postura diferente. Era recatada; tinha um comportamento puro; gostava de rezar e ia semanalmente à cidade para assistir às missas na Igreja de Sant’Ana. Todos a respeitavam por sua conduta exemplar.
           Lembro-me que escrevi naquele meu artigo, em 2001: “Apesar de tudo isso, sua figura atraiu a atenção de um jovem com cerca de 16 anos, Raul Alves de Oliveira. Benigna nunca alimentou expectativa quanto às propostas que lhe eram feitas por Raul. No dia 24 de outubro de 1941, nove dias após ter completado 13 anos, Benigna fez os seus afazeres domésticos. Depois colocou o pote à cabeça e enfrentou, sob o sol causticante do verão, o caminho que separava a fonte d’água de sua casa. Antes de atingir o local, aparece de repente, saindo de trás de uns arbustos, Raul que lhe faz novas propostas amorosas, recusadas por Benigna de forma categórica. Tresloucado, Raul saca de uma faca e golpeia por três vezes o corpo franzino da mocinha.
           O fato chocou toda a população. Depois da morte de Benigna começaram as romarias ao local onde ela foi assassinada”. O resto da história hoje é do conhecimento de todos. A Serva de Deus, Benigna Cardoso da Silva poderá vir a ser proclamada Beata da Igreja Católica Apostólica Romana.

23 março 2018

"Coisas da Ré Pública": Palácio Guanabara, confiscado pelos golpistas republicanos, poderá ser devolvido aos herdeiros da Princesa Isabel


     É a mais antiga pendência judicial do Brasil. O atual Palácio Guanabara -- o qual, na época do Império era chamado de "Paço Isabel" --, foi construído com recursos particulares do casal Conde D’Eu–Princesa Isabel, a Redentora. 
    O imóvel foi ocupado por tropas militares (no governo Floriano Peixoto) na noite do dia 23 de maio de 1894, quase cinco anos depois do golpe de estado que instaurou a República no Brasil. Os legítimos donos nunca receberam do Estado brasileiro nenhuma indenização.A legítima proprietária recorreu à Justiça Republicana para reaver a posse do imóvel. Mas o litígio sem fim que se arrasta no Judiciário desde 1895.

      O Palácio foi adquirido, em 1865, pela Princesa Imperial do Brasil, Dona Isabel de Bragança, a Redentora, e seu esposo, o Príncipe Dom Gastão de Orleans, o Conde d’Eu, com os 300 contos de réis do dote da Princesa Imperial, condicionados pelo pacto antenupcial do Casal à compra de uma residência, e com economias particulares do Conde d’Eu.
       O Paço Isabel se tornou, portanto, a residência oficial da Princesa Imperial na Corte, embora fosse sua propriedade particular (regida em caráter extraordinário pelo regime dos morgadios), tendo o Casal e seus três filhos lá residido até 15 de novembro de 1889.
        Com o golpe militar de 1889 e o exílio da Família Imperial, todos os bens do Imperador Dom Pedro II sofreram ameaça de confisco, e assim foram confiscados ou tiveram sua venda forçada a preços vis. No entanto, os Palácios de suas filhas, as Princesas Dona Isabel e Dona Leopoldina (este último regido por um regime jurídico diverso do de sua irmã), não foram confiscados até 1891, quando se editou o decreto nº 447/1891.
        Após diversas tentativas, em que não logrou êxito na execução do decreto, finalmente a ditadura do Marechal Floriano Peixoto o invadiu às 21 horas de 23 de maio de 1894, e saqueou o que lá encontrou. Após o Governo Federal ignorar decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), de que o decreto nº 447/1891 não tinha o condão de executar tal confisco, a Princesa Dona Isabel – àquela altura, já Chefe da Casa Imperial do Brasil, considerada por muitos como Imperatriz em exílio – e o Conde d'Eu ingressaram com ação possessória, em 1895: assim se deu o início ao processo mais antigo, ainda em curso no Judiciário Brasileiro.
      Após muitos anos e “aventuras”, espera-se que o caso do Palácio Guanabara seja julgado pelo Superior Tribunal de Justiça-STJ, ainda neste semestre – embora penda de Recurso Extraordinário oferecido ao Supremo Tribunal Federal-TF.
        Esperamos que, enfim, seja  sanada essa injustiça secular, como tantas outras, originadas com a implantação da República, através do golpe de 15 de novembro de 1889.

(Baseado em postagem feita no facebook Pró Monarquia)

22 março 2018

Domínio do pensamento - Por: Emerson Monteiro

Ele exerce função primordial, tanto quanto essencial, no entanto somos nós mais do que ele, vez que se não o dominarmos, ele nos dominará. Alguns comparam o pensamento a um macaco solto na selva das existências. Vaga impaciente à procura de tudo, contudo sem objetivo certo, pois somos a sua guia. Qual instrumento de busca, nos oferece oportunidades mil, apelos infinitos que, transformados em desejos, amores e prazeres, sujeitam os humanos ao estresse das contradições em delírio.

O pensamento, quando acelerado aos extremos, significa uma pedra de tropeço nos quadrantes dos dias. Lente de aumento das atribuições individuais, ele arrasta o dono em todos os sentidos e pede comando tal as pipas nos céus a pedir linha.


A necessidade do domínio sobre o pensamento, portanto, eis o portal das maravilhas deste mundo, abertura principal do território do Inconsciente. Joia rara por demais, requer conhecimento, devoção, atitude a qualquer ocasião, agente transformador dos destinos. Não raro confundimos pensamento com personalidade, quando, na verdade, representa o caçador dos elementos que a compõem, seja através da observação ou da determinação de nossas ações.

Por isso, na meditação das escolas místicas o segredo vital do crescimento rumo à perfeição requer o refinamento dos instintos do pensamento. Nas palavras do budismo, por exemplo: Difícil de conter, arisco, vagando por onde lhe apraz, tal é o pensamento. Domá-lo é coisa salutar; domado ele granjeia felicidade.



E quando esgotadas as funções do pensamento, no limbo das existências, isto em planos elevados da consciência, ver-nos-emos face a face com o que determinamos nos idos deste chão. Ali, segundo as possibilidades da imortalidade, aquela máquina intensa de luzes e impaciência dormirá à sombra da árvore que plantou, sejamos quem sejamos, frutos dela, dele, do pensamento. Então, qual criança travessa, passadas as peripécias aonde nos levou, rirá de nós ou viverá as eternidades do que fizemos juntos, eu e meus pensamentos, nas oficinas da Salvação.

21 março 2018

Adiado o 1º Encontro Monárquico Conservador do Cariri

    A Casa Imperial do Brasil acaba de comunicar que, devido à problema de saúde do Príncipe Dom Bertrand de Orleans e Bragança, o 1º Encontro Monárquico Conservador do Cariri, que seria realizado no próximo sábado, 24 de março, em Juazeiro do Norte, teve de ser adiado para nova data a ser posteriormente marcada.
     Dom Bertrand foi acometido de problemas pulmonares e seus médicos exigiram repouso absoluto para recuperação da sua saúde. Oportunamente será divulgada a nova data da realização do evento.

Dom Bertrand de Orleans e Brgança (ao centro de terno azul) em recente ato cívico realizado no centro de São Paulo
Repercussão na imprensa

Hoje, o “Diário do Nordeste” publicou o artigo abaixo, da lavra de Armando Lopes Rafael, na página “Opinião” daquele prestigioso jornal:

Cariri Monárquico
Armando Lopes Rafael
       Historiador
   
      Decepcionados com os descalabros da atual República, grupos de brasileiros, defensores da forma de governo monárquica – com participação majoritária de jovens –  se organizam para a difusão das vantagens da Monarquia. No sul do Ceará não é diferente. Em Juazeiro do Norte será realizado, no próximo dia 24 de março, o 1º encontro Monárquico Conservador do Cariri.
    O evento, que terá como convidado de honra o príncipe Dom Bertrand de Orleans, representando a Família Imperial Brasileira, será realizado no Iu-á Hotel. Constará de palestras sobre o atual quadro sócio-político brasileiro, englobando questões históricas e econômicas, abertas a qualquer pessoa, monarquista ou não.
      A bem dizer, ninguém em sã consciência pode afirmar que a República deu certo na nossa pátria. Implantada em 15 de novembro de 1889, sem nenhuma participação popular, a cada dia novos segmentos sociais acham que a monarquia resolveria os atuais problemas do Brasil. E aos surpresos com o crescimento, entre nós, das ideias conservadoras, integrantes da Juventude Monárquica do Cariri esclarecem que ser conservador não é ser retrógrado.
      Acreditam esses jovens que as tradições podem conviver com a modernidade. Como ocorre em países desenvolvidos a exemplo da Inglaterra, Canadá, Austrália, Suécia, Noruega, Holanda, Japão, Dinamarca, Bélgica, Espanha, dentre outros. Por isso, no 1º Encontro Monárquico Conservador do Cariri todas as questões serão debatidas. Independente das opções políticas dos participantes, sejam monarquistas ou republicanos; conservadores ou não.
       Os monarquistas caririenses não abrem mão, no entanto, dos direitos naturais, como a família, a livre iniciativa, a propriedade privada e o princípio da subsidiariedade. Reconhecem que, apesar dos desacertos governamentais, no período republicano houve avanços, no Brasil, como no agronegócio. Mas, hoje, a nação está sangrando em meio à maior crise moral, política e administrativa da sua existência. A solução? O retorno aos valores imperecíveis da Monarquia.

20 março 2018

Vontade e liberdade - Por: Emerson Monteiro

Uma não existiria sem a outra. Inexistisse vontade, a liberdade jamais existiria, porquanto esta nasce da iniciativa daquela, sua matriz e ação original. A liberdade, pois, é vontade em movimento. E a vontade, liberdade em potência. Ambas nisso equivalentes a causa e efeito. Daí dizer que não existe efeito sem causa, enquanto o efeito realiza a causa, daquela sendo resultante.

No desenrolar das ações humanas, mecanismo interior dos dramas terrenos, a liberdade repousa na vontade e a vontade se estende na liberdade. Sem vontade não há liberdade. Sem liberdade jamais existe vontade, portanto. Disso o pressuposto de que somos livres até onde deixam que o sejamos, de Sartre, assim dominem a vontade de terceiros.

Porém outro fator também existe fundamental por demais nas tais avaliações, a tal consciência. Seriam nisso as duas asas dos pássaros, e a cauda que as conduz, a consciência. Vontade e liberdade vagam perdidas nas ondas do mar do caos e em nada chegariam. Qual Sêneca a falar: - Não existe porto às naus sem rumo.

Os seres em potência na vontade e a ânsia das fortes liberdades seriam quais dois animais perdidos nas cordilheiras de tempo e espaço, sem causalidade determinante, a consciência. Apenas matérias primas da possibilidade, entretanto animais largados nas selvas da incredulidade, no dizer das populações: Um cego puxando um aleijado.

Nas manhãs depois das tempestades humanas, tentativas frívolas da impetuosidade, restarão, todavia, duas lesmas estiradas ao sol, a liberdade e sua mãe, a vontade, estéril, doce, aventureira, errante, das pessoas, culturas e civilizações. Sonhar, sonharam; bateram nos rochedos da inconsciência; porquanto saíram cedo e esqueceram de que lado onde morava a razão, filha dileta da causalidade. Elétrons e prótons, céu e mar, no entanto longe do sol das almas, asas de cera de Ícaro acima dos penhascos e da destruição.

Assim, vontade e liberdade, heroínas da História, contaria de serem mártires da inCoerência.

Ex-presidente do Uruguai José Mujica: ‘Nós da esquerda também cometemos erros’

Declaração do ex-presidente uruguaio soou como crítica a Lula. Mujica reclamou de “figura única” e pregou cuidado com conduta dos líderes
Fonte: Site VEJA
  (Ricardo Stuckert/Divulgação)
     Em um território tanto brasileiro quanto uruguaio, o Parque Internacional, na divisa entre as cidades Santana do Livramento e Rivera, os ex-presidentes dos dois países, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e José Pepe Mujica, sentaram-se lado a lado na tarde desta segunda-feira. Enquanto Lula elogiou a trajetória de Mujica, o uruguaio aproveitou a ocasião para cobrar que a esquerda “cuide enormemente” da conduta de seus líderes, que devem adotar um estilo de vida do “povo” e não da “burguesia”, e criticou a centralização em uma figura única.
     O encontro dos líderes é parte da agenda da caravana de Lula pelo Rio Grande do Sul. Diferentemente da caravana em Bagé, que foi recebida nesta manhã com protestos de ruralistas e empresários, em Santana do Livramento Lula foi recebido efusivamente por seus apoiadores. Rafael Côrrea, ex-presidente do Equador, também esteve presente no ato.
     “Nós, da esquerda, também cometemos erros. Também nos equivocamos. Não queremos aprender que as derrotas da esquerda são filhas de suas divisões. Desde a Revolução Francesa, da Espanha franquista, da Alemanha nazista, isso foi possível porque a esquerda se dedicou a lutar entre si, muito mais do que lutar com a direita. Temos de aprender, em toda a América Latina, que, sem unidade, não há poder. E que ninguém tem a verdade total. Nós que brigamos pela igualdade temos o dever de viver como vive a maioria do nosso povo, e não como vive a minoria privilegiada. Os partidos de esquerda têm de cuidar enormemente da conduta e da vida da gente que os representa. Porque a grande burguesia estende a mesa, nos convida e, por humanismo, temos de ir. Mas a mesa é deles”, disse Mujica.
      Atualmente senador, Mujica também criticou a centralização de lideranças em uma “figura única”. “As mudanças [sociais] não podem se respaldar em uma figura única e o futuro não é uma figura única. Há que se construir o partido”, disse o uruguaio. Ele também afirmou que “as verdades são relativas” e que não se “deve dividir a esquerda por qualquer coisa”.

19 março 2018

Choque de realidade - Por: Emerson Monteiro

Nós humanos gastamos vidas e vidas fingindo concretude nas produções que juntamos no decorrer dos tempos, nas gerações. Um tal de acumular bens, fortunas, qual dizem, montar as heranças, e nisso perder o bem mais precioso, o gosto de viver a vida em sua essência. Escorrem pelas pontas dos dedos as alimárias dos dias, metais derretidos, suculentos predicados de conquistas vãs e, lá certo dia, contudo, a onça caetana chega de olhos reluzentes e zap! engole num átimo os valores, apegos e maravilhas dos mortais atoleimados. Nós, eles mesmos.

Todavia há que ser assim, porquanto as determinações do impossível facilitam desse modo que assim seja. Restaria tão só aceitar os lenitivos e padecer as sortes várias que percorrem o calendário livre. Vigia, no entanto. Lembrai as parábolas e os místicos. Jesus a narrar o destino do agricultor que obtivera larga safra e tratava de construir novos silos para neles guardar os víveres consignados. Depois do tanto de trabalho, sentaria na varada do sítio a comentar consigo da virtude que agora dispunha a lhe oferecer tranquilidade nos dias de escassez que viessem.

E dos bastidores o Senhor comenta: − Triste alma, nem sabe que nesta noite virão cessar os seus dias.

...

Quanta insegurança vaga pelo seio das lutas humanas... Quanto alvoroço na busca desesperadas de migalhas largadas logo após. E a raça que somos de enxergar pouco nos mistérios tenebrosos o Infinito. Catadores de ilusão, eis o que seríamos em termos de lenitivo. Pescadores de talvez, de quimeras e afetos imediatos, nadamos nas águas profundas aonde sumiremos feitos heróis de fantasia. Criamos justificativas de persistir nos sonhos que, despertos, alimentamos de ocupação dos instantes quais inconscientes do que nos esperam os termos do  desconhecido imediato.

Igualmente contamos as histórias dos guerreiros que galgaram sucesso e viveram em paz diante dos valores eternos. Nada está perdido quando os propósitos revelarem em nós a perfeição de quanto existe durante as leis da Natureza.

(Ilustração: Leonardo da Vinci).

Fundador de Juazeiro do Norte será homenageado no Encontro Monárquico do próximo sábado, 24 de março

    No próximo sábado, 24 de março, no Iu-á Hotel de Juazeiro do Norte, será realizado o o 1º Encontro Monárquico Conservador do Cariri. O evento constará de palestras sobre o atual quadro sócio-político brasileiro, englobando questões históricas e econômicas, abertas a qualquer pessoa, monarquista ou não. Na ocasião serão prestadas homenagens a ilustres caririenses, todos falecidos, que se distinguiram como monarquistas, dentre eles o Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro, fundador de Juazeiro do Norte.

       Embora a maioria das pessoas pense ter sido o Padre Cícero Romão Batista o fundador  de Juazeiro do Norte, renomados historiadores afirmam que o verdadeiro fundador da maior cidade do interior cearense foi, na verdade, o Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro.  É o caso de Amália Xavier de Oliveira que afirma ter sido o Brigadeiro Leandro  o fundador do núcleo original que veio a ser hoje a cidade de Juazeiro do Norte.
        E isso ocorreu porque, dentre suas várias propriedades rurais o brigadeiro escolheu uma delas para viver seus últimos dias. Era a Fazenda Tabuleiro Grande, (localizada onde hoje se ergue a cidade de Juazeiro do Norte) assim descrita por Amália Xavier de Oliveira:

“... imensa extensão de terra, partindo do município de Crato e espraiando-se em direção à serra de São Pedro, era a Fazenda Tabuleiro Grande, pertencente ao brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro e que, portanto fazia parte da gleba de terra do engenho Moquém que seus avós doaram aos seus pais como dote, quando eles se casaram. O ponto mais pitoresco da fazenda era uma ligeira elevação do terreno, próximo ao rio Salgadinho, onde havia três grandes juazeiros, formando um triângulo e sobressaindo, entre os demais, pelo tamanho de sua fronde e pela beleza do verde de sua clorofila. Sob esta fronde acolhedora, procuravam abrigo os viajantes feiristas, que, de Barbalha, Missão Velha e outras imediações se dirigiam a Crato para vender seus produtos e comprar mantimentos para a semana (...)

"Ordenara-se Sacerdote o Pe. Pedro Ribeiro de Carvalho, neto do brigadeiro, porque filho de sua primogênita, Luiza Bezerra de Menezes e de seu primeiro marido, o Sargento-mor Sebastião de Carvalho de Andrade, natural de Pernambuco. Para que o padre pudesse celebrar diariamente sem lhe ser necessário ir a Crato, Barbalha ou Missão Velha, a família combinou com o novel sacerdote a ereção de uma capelinha, no ponto principal da Fazenda perto da casa já existente".

      Em 15 de setembro de 1827 foi lançada a pedra fundamental da capelinha de Nossa Senhora das Dores. Assistiu a essa solenidade o Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro, aquela época caminhando para os 87 anos de idade. A imagem de Nossa Senhora das Dores, destinada à capelinha, foi adquirida pelo brigadeiro em Portugal e ainda hoje é conservada, em excelente estado, na Casa Paroquial de Juazeiro do Norte.
      Deve-se, pois, ao brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro a iniciativa da primeira urbanização da localidade – conhecida inicialmente por Fazenda Tabuleiro Grande, depois chamada de Joaseiro – com a edificação da Casa Grande, de uma capela, além de residências para os escravos e agregados da família.
Por Armando Lopes Rafael

Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro – por Armando Lopes Rafael

    Quem era esse Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro? 
     Monsenhor Francisco Holanda Montenegro, no seu livro "As Quatro Sergipanas", descreve assim o perfil moral do fundador de Juazeiro do Norte: “... a relevar o nome do mais ilustre dos cratenses, o Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro, o nume tutelar dos Bezerra de Menezes do Cariri. Ele se tornou grande, primus inter pares, pela retidão de caráter, pela nobreza de sentimentos, pela vida exemplar de que era dotado. Homem de Deus, espírito límpido e transparente, franco, sincero, leal. A par de sua honestidade, corriam parelhas a prudência, o equilíbrio e o bom senso."

    Os registros da história dizem que quando o Padre Cícero chegou ao “Joaseiro”, para fixar residência, em 11 de abril de 1872, já como 6º capelão, encontrou um povoado formado em torno da capelinha de Nossa Senhora das Dores. Contava o lugarejo, à época da chegada deste sacerdote, com 35 residências, quase todas de taipa, espalhadas desordenadamente por duas pequenas ruas, conhecidas por Rua do Brejo e Rua Grande. Naquele povoado – à época da chegada do Padre Cícero – residiam cinco famílias, tidas como a elite do vilarejo: Bezerra de Menezes, Sobreira, Landim, Macedo e Gonçalves.
      Não padece dúvidas de que o brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro, viveu seus últimos dias na Fazenda Juazeiro, antiga Tabuleiro Grande, onde hoje se ergue a cidade de Juazeiro do Norte, por ele fundada, como afirma dona Amália Xavier de Oliveira.
       É verdade, porém, que o povoado só veio a ter alguma projeção a partir da ação evangelizadora do Padre Cícero. E o vertiginoso crescimento demográfico da localidade só começou em 1889, motivado pela ocorrência dos fatos protagonizados pela Beata Maria de Araújo, que passaram à história como “O Milagre da Hóstia”. A partir desse episódio, Juazeiro ficaria conhecida nacionalmente. Nos dias atuais, milhares de romeiros visitam Juazeiro do Norte, durante todo o ano.     
       A devoção à Mãe das Dores, como é carinhosamente tratada por seus devotos, foi espalhada por todo o Nordeste brasileiro. Hoje Juazeiro do Norte ganhou lugar entre as 100 maiores cidades brasileiras. E seu progresso vertiginoso é motivo de orgulho não só para os caririenses, mas para todos os brasileiros.

Fontes de referências:
Amália Xavier de Oliveira. O Padre Cícero que eu conheci: verdadeira história de Juazeiro do Norte. 3 ed. Recife: Editora Massangana, 1981.
Monsenhor Francisco Holanda Montenegro. As Quatro Sergipanas. Edição da Universidade Federal do Ceará, Coleção Alagadiço Novo. Fortaleza, 1996.

19 de março: São José, o protetor -- por Pe. Geovane Saraiva

Hoje é dia do Padroeiro do Ceará   

     
      São José, um santo inigualavelmente grande, na condição de Patrono da Igreja Universal, advogado dos lares cristãos e modelo dos operários, que nos ajude em nossa esperança de realização neste mundo e no outro. Pouco sabemos sobre sua vida, mas ela foi um sinal de fecunda alegria, transmitida aos seguidores de Jesus através dos Evangelhos, o suficiente para destacar de modo inaudito, a importância do Carpinteiro de Nazaré na história do povo Deus. Mesmo num contexto adverso ao projeto solidário do nosso bom Deus, que a solenidade São José faça crescer a esperança, reavivando e alegrando muitos corações.
       Voltemo-nos para São José, pensando na vida dos cristãos dos nossos tempos, por ocasião da Quaresma, ao se aproximar a Paixão de Jesus, sua morte e ressurreição, mistério da luminosa esperança para todos, ricos ou pobres, falando-nos de humildade na escuta e no diálogo com Deus, reconhecendo em São José a mão de Deus e seu amor pelo mundo. Que a festividade de São José, patrono da Igreja Universal, comemorado como padroeiro do Ceará, esposo puríssimo da mais elevada de todas as criaturas, convença-nos da mais absoluta certeza, conscientes da salvação que nos é oferecida. A missão de São José, servo bom e fiel, também com o título de o último dos patriarcas, foi a de fixar, na mente e no coração dos seguidores de seu filho, o estreito laço entre o Antigo e o Novo Testamento. Na sua segura esperança, o compreendemos pela disponibilidade, fazendo a vontade de Deus, ao aceitar o cumprimento das promessas divinas, acolhendo-o como doce protetor e implorando o vosso socorro.

17 março 2018

Crônica do domingo -- por Armando Lopes Rafael

O tempo é o Senhor da Razão
    Em 13 de janeiro de 2002 (e lá se vão 16 anos), escrevi no “Jornal do Cariri” um artigo com o título “Dom João VI, esse injustiçado”. Naquele ano o “Jornal do Cariri” vivia sua fase áurea, bem diferente do que se tornou nos dias atuais. Pois bem, em 2002, estava sendo exibido na Rede Globo, um folhetim, apresentando Dom João VI como um glutão, um despreparado, um omisso e preguiçoso... pipocaram protestos na mídia, escritos por historiadores honestos, repudiando a inverdade histórica da Rede Globo. Um deles, assinado por Evaldo Cabral de Mello dizia: "(A minissérie da Rede Globo) "Quinto dos Infernos" revela muito mais a cabeça dos telespectadores do século XXI do que a realidade do início do XIX".
     Depois de citar, no meu artigo, outros diversos depoimentos de intelectuais brasileiros, todos repondo a verdade sobre Dom João VI, encerrava assim meu escrito:

“O tempo é o Senhor da Razão” (segundo um ditado português). O tempo trabalhará, pois, a favor da revisão de muitos conceitos errôneos amplamente divulgados como "foros de verdade" até 1989. Neste ano, ocorreu a queda do Muro de Berlim. Consequência daquele episódio histórico foi desnudar as mentiras pregadas pelos comunistas e repetidas, ad nauseam, pela esquerda troglodita. Uma dessas mentiras,que será desmascarada,  foi sobre o que representou a instituição monárquica para o Brasil, durante os 1º e 2º Reinados (sob o comando dos imperadores Dom Pedro I e Dom Pedro II). Alguém duvida? É só aguardar. Quem viver, verá...”

***   ***   ***
         Relendo hoje aquele velho escrito, e vendo o panorama atual do Brasil, acredito que “O tempo, Senhor da Razão” cumpriu seu papel.

           Sábado próximo – dia 24 de março de 2018, haverá no Iu-á Hotel, de Juazeiro do Norte, o 1º Encontro Monárquico Conservador do Cariri, promovido pela Juventude Monárquica do Cariri. Um evento feito por jovens. Que trará ao Cariri, o Príncipe Dom Bertrand de Orleans e Bragança – bisneto da Princesa Isabel e trineto de Dom Pedro II – representando a família Imperial.
             “Nenhum brasileiro diz de boca cheia que a República deu certo”. Com esta frase, o príncipe Dom Bertrand de Orleans e Bragança resume o momento político que o país atravessa. “Voltar à monarquia é um caminho óbvio”, “A República, com seus fracassos, está libertando os monarquistas”. “Ninguém confia na política atual, nas eleições, nos partidos”. “Nós enxergamos o Brasil como uma família. Hoje, a unidade da nação está destruída”. Estas são afirmações recentes de Dom Bertrand. Ele acrescenta: “Ser conservador não é ser retrógrado. Prezamos as tradições. Todas as questões podem ser debatidas. Contudo, é essencial os direitos naturais, como a família, a livre iniciativa, a propriedade privada e o princípio da subsidiariedade” (*).
                   É isso: O tempo é o Senhor da Razão!

(*) O Princípio da subsidiariedade é um princípio legal que determina caber ao direito penal ou ao estado resolver um conflito apenas se nenhum outro meio civil for capaz de resolve-lo.Ou seja, o que o menor pode fazer, o maior tem que respeitar.
Armando Lopes Rafael

16 março 2018

Wando - Por: Emerson Monteiro

Ali assim pelos idos de 2005, até 2011, 2012, fui convidado por Sebastião Falcão para desempenhar as funções de Diretor Administrativo do Jornal do Cariri, época em que também acumularia a revisão da publicação. Todo santo dia, exceto aos domingos, pois o jornal não circulava às segundas, eu saía de Crato aos finais de tarde e cumpria essa papel, isto durante sete meses e dois dias, que chovesse ou fizesse sol. A sede do órgão ficava nas imediações da Praça Almirante Alexandrino, no centro de Juazeiro do Norte, onde passou algum tempo.

Numa dessas ocasiões, trazido à redação pelo radialista José Carlos Barbosa, conheci o cantor e compositor Wando. E na ausência de um repórter plantonista, coube a mim entrevistá-lo, que estava no Cariri em mais um dos shows que aqui realizava.

Alegre, espontâneo, educado, nisso levaríamos longo papo quanto a sua carreira artística, no que fomos escafrunchando a vida dele, considerado exímio cantor das paixões desenfreadas, dos delírios enamorados e trilha sonora de amantes fortuitos e desvairados. Bom, toquei na tecla do quanto desenvolvia da inspiração clandestina dessas músicas dos corações despedaçados. E ele, que incorporava a dramaticidade das suas produções em apresentações marcadas pelo furor uterino, por vezes a beirar histeria coletiva e receber no palco peças íntimas das fãs entusiasmadas, bem que admitiu dar de conta do compromisso desse tal naipe de composições.

No entanto, logo depois, lembraria também possuir outras canções consideradas pela crítica música popular brasileira da melhor qualidade, dotadas de melodia e letra de beleza ímpar. Daí veio recordando uma a uma ditas e valiosas peças de cancioneiro mais refinado e eterno.

Um tanto mais adiante, menos de uma década (2012), e Wando deixaria órfão seu público fiel. Destarte, dever de justo reconhecimento, face ao gosto dos que apreciam o lado clássico das composições que produziu, há de sempre se ouvir com prazer as páginas imortais que produziu, essas hoje enfeixadas no disco Wando MPB.

15 março 2018

Os monarquistas e o assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ)

Encontro um conhecido no centro de Crato. Ele – em tom provocativo – pergunta-me:  
-- O que os monarquistas acham da morte daquela vereadora do PSOL do Rio de Janeiro?
Informo que o Instituto Cultural Dona Isabel I – A Redentora, divulgou a nota abaixo. 
Ela representa o sentimento de todos os  monarquistas brasileiros sobre este lamentável assassinato.
Armando Lopes Rafael

Escolhe, pois, a vida. 
Deuteronômio, 30:19.

A injustiça em qualquer lugar é uma ameaça à justiça em todo lugar.
Rev. Martin Luther King Jr.


Recebemos com indignação, lídima revolta e assombro a notícia da morte da Vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ), bem assim a do motorista Anderson Pedro Gomes.
Negra e militante da defesa dos Direitos Humanos, Marielle Franco tinha 38 anos, uma filha e toda uma vida dedicada aos direitos dos povos marginalizados do Rio de Janeiro.
Socióloga formada pela PUC-Rio, Marielle era uma neoabolicionista prática, mais que teórica, e despontava na política carioca, sendo uma promessa para o Brasil.
No mais estrito espírito isabelino e isabelista, rogamos ao Senhor da Vida que essas mortes não fiquem impunes e que renovem em todos nós o ânimo pela luta contra os “podres poderes” de que fala o artista. Que a Segunda Abolição, da qual a vereadora-socióloga-militante era um dos maiores símbolos, não tarde a chegar neste assolado País.

Brasília, 15 de março de 2018.

Bruno da Silva Antunes de Cerqueira
Presidente
João Pedro de Saboia Bandeira de Mello Filho
Vice-Presidente