25 fevereiro 2018

Memória Histórica do Crato: Seminário Apostólico da Sagrada Família


(Fonte: matéria publicada no face book de Antônio Correia Lima, sem indicação da autoria do texto)
    O Seminário Apostólico da Sagrada Família, também conhecido como “Seminário dos Padres Alemães”) foi um educandário religioso que era coordenado por sacerdotes religiosos alemães pertencentes à congregação dos Missionários da Sagrada Família (MSF). Este seminário existiu na cidade do Crato entre meados da década de 40, até o final dos anos 60 do século passado.
    A Congregação dos Missionários da Sagrada Família (MSF) tinha como premissa, preparar os jovens estudantes nos campos religioso, social e científico, para utilização em sua futura vida missionária. A congregação foi fundada na cidade de Grave, na Holanda, pelo Padre francês Jean Berthier, em 1895. Estava assentada nos ideais de proteção da Sagrada Família e foi inspirada na frase de Jesus: “A messe é grande, mas poucos são os operários”.
    A Congregação da Sagrada Família era composta por padres “operários” das mais diversas profissões. Essa característica da Ordem visava que os padres com seus conhecimentos, pudessem em suas missões, ajudar de alguma forma na sobrevivência das populações para onde quer que fossem mandados.
     Os primeiros missionários da Sagrada Família, adentraram no Brasil por volta de 1910, vindos da Holanda, iniciando seu trabalho missionário na região do Amapá. Em relação aos sacerdotes alemães, pesquisadores apontam que estes chegaram ao Crato no início dos anos 40, buscando escapar dos horrores e das incertezas que pairavam sobre a Alemanha nazista, em plena Segunda Guerra Mundial. Ao chegarem a Crato, esses sacerdotes solicitaram a autorização do então bispo diocesano, D. Francisco de Assis Pires (1931 – 1959), para darem início à construção de um educandário religioso, sob a égide da Sagrada Família.
     No que diz respeito à edificação do Seminário Sagrada Família, em Crato, algumas fontes indicam que a construção foi iniciada em 943, com a chegada dos primeiros missionários alemães à cidade. Outras, referenciam como sendo março de 1946 o início de tudo. A localidade escolhida para erguer o edifício religioso era denominada de Sítio Recreio (atual Avenida Joaquim Pinheiro Bezerra de Menezes), hoje um bairro citadino de Crato.
     Sua inauguração deu-se em 07 de julho de 1948, ocasião na qual ocorreu missa campal presidida pelo então bispo diocesano, Dom Francisco de Assis Pires (2º bispo do Crato), que ao final da solenidade, benzeu o majestoso prédio de imponente prédio.
      O seminário Sagrada Família do Crato destacava-se pelo excelente trabalho de formação religiosa, aliado a oficinas de trabalho que eram dotadas de padarias, hortaliças e pomares. Sua capela era uma das mais belas e procuradas da cidade, para a realização de eventos diversos. Uma característica peculiar da congregação era o fato de os padres serem muito acessíveis e integrados à comunidade local, com suas pregações religiosas de maneira simples e claras, em meio aos seus inúmeros fiéis.
     A comunidade em Crato era dirigida pelo Padre Xavier Nierrhoff, sacerdote muito querido pela população cratense que por aqui viveu durante 21 anos. Ele administrou o Seminário até 1964, ocasião em que foi designado para dirigir o Seminário de Carpina (PE). Nesse ano ele foi designado como Bispo de Floresta (PE).
     Além de Prefeito de Disciplina e Reitor do Seminário da Sagrada Família, Dom Xavier Nierhoff foi também professor da Faculdade de Filosofia do Crato e vigário da Paróquia de São Miguel Arcanjo de Crato, entre 1947 e 1948. Esta Paróquia posteriormente teve seu nome mudado para São Vicente Férrer e hoje é o Santuário Eucarístico de Crato.
      Outro sacerdote de grande vulto, pertencente à Congregação da Sagrada Família, foi o Padre Frederico Nierhoff. Assim como Padre Xavier, Padre Frederico foi professor do Seminário da Sagrada Família e vigário das Paróquias de São Vicente Férrer (substituindo Padre Xavier, como 2º vigário). Naquela paróquia permaneceu de 1948 a 1968.
      Pe. Frederico construiu a capela de São Miguel Arcanjo, hoje sede da Paróquia, localizada no bairro do mesmo nome, na cidade de Crato. Sob sua coordenação foram construídos, no município de Crato, vários melhoramentos, como escolas, creches e postos de saúde, tanto na área urbana, como na zona rural do município cratense.
     Padre Frederico deixou a cidade de  Crato em janeiro de 1969, para ser vigário de Custódia (PE). Na Diocese de Floresta (PE). Ele permaneceu até seu falecimento, ocorrido no ano de 1975. Com o fechamento da Congregação da Sagrada Família, na cidade de Crato, o prédio do Seminário foi arrendado pelo médico e ex-prefeito da cidade, Dr. Humberto Macário de Brito, e convertido em hospital, em 1970.
Este seria batizado de “Hospital Regional Manuel de Abreu”, e tinha como especialidade o tratamento da tisiologia. A denominação fazia alusão ao médico Manoel Dias de Abreu, criador da Abreugrafia, método de detecção e tratamento da tuberculose, por meio de um diagnóstico radiográfico.
      Decorridos mais de 70 anos da inauguração do Seminário da Sagrada Família de Crato, sua história continua ainda hoje, a atiçar o imaginário e memória afetiva de muitas pessoas, como um marco temporal inerente à cidade, que recupera, assim, imagens e sentimentos de um passado, uma ocasião para ser fixada na memória.

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