22 janeiro 2018

Vozes da rua - Por: Emerson Monteiro


Todos numa vida em movimento, subterrâneos escondidos e misteriosos até naqueles que só trocavam passos nessas histórias de viver. Sabem o que querem, o que sentem, o que pensam, se é que sabem. Mas quero crer que sabem, sim, de verdade, à sua maneira por vezes acidental. Tropeçam, caem e se levantam meio assustados de existir, e tocam o caudal de folhas secas por vezes aparentemente sem sentido. Descobrem aqui e ali razões parciais e sobrevivem pelas páginas dos jornais, filmes, ficções que vagam soltas nos noticiários, nas versões das outras pessoas, nunca a real realidade das noites que somem. Admitem compreender as notícias, fora de saber que são meros manipulados ao sabor de interesses outros que não os seus. As paredes do tempo até que passam rápido nas faces do Eterno.

Noutras ocasiões, manipulam os corpos, seu e alheios, e jogam dados nos tabuleiros deste universo, quais campeões de times imaginários. Abraçam a si próprios e congratulam vitórias fantasiosas de sorrisos abstratos, seres doutras visões. Ah! Quantas bocas eles ainda beijarão antes de serem beijados?!. A tantas flores que, por certo, aspirarão novos perfumes, tais pássaros que cantam o silêncio e adormecem felizes rumo ao desconhecido. Olhos que nada veem do dia seguinte. Valorosos guerreiros da doce felicidade.

Nisso, saem às ruas à busca de renovar o repertório das cantigas e guardar a sensação dos desejos no íntimo do coração. Nem de longe avaliam haver nalgum lugar do Paraíso grandes painéis que a tudo controlam e determinam esse ritmo do fluir das gerações. Bom assim, porquanto nos dias sem conta os pássaros cantam e as pessoas regressam aos leitos nos braços dos sonhos. E um rio de água pura, lá um dia, passeará na perfeição das almas, enquanto palavras voarão livres ao sol das manhãs. Ninguém estará sozinho no Infinito, na face do amor que limpa a vontade e desvenda cicatrizes deixadas nas consciências despertas.

(Ilustração: Pancetti).

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